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O MODELO DAS FESTAS NOS ANOS DO SÉC. XX - IX

por Francisco Galego, em 30.03.15

As “Festas” nos anos 40

 

            Em Junho de 1940, no âmbito das comemorações do centenário, é inaugurada na Praça do Império, em Lisboa, a Exposição do Mundo Português, concebida como uma exaltação simultânea dos grandes feitos da pátria e da integração dos territórios ultramarinos no conjunto da nacionalidade. Apesar de alguns focos de descontentamento, quer do sector laboral, quer entre os estudantes e os intelectuais, os anos seguintes decorreram com alguma tranquilidade. O regime tinha criado as estruturas necessárias para assegurar a sua defesa e manutenção.

          No Alentejo em geral e, particularmente em Campo Maior, a situação das classes trabalhadoras atingiu dimensões de grande miséria, devido aos baixos salários dos trabalhadores agrícolas e ao carácter sazonal dos trabalhos no campo, que colocavam no desemprego grande parte da população, durante uma grande parte do ano. A situação era persistente e difícil, pois atingia foros de catástrofe sempre que uma seca mais prolongada, ou que chuvas mais abundantes, impediam as tarefas agrícolas ou destruíam as sementeiras, comprometendo as colheitas.

            Nestas condições, difícil seria esperar que houvesse tendência para festas ou diversões. Todas as capacidades e energias se concentravam no esforço para assegurar, até ao limite da resistência, as condições mínimas para sobreviver. Apesar de tudo isto, as festas realizaram-se duas vezes na década de quarenta: em 1941 e 1944. Mas, tanto num ano como no outro, isso só aconteceu devido à intervenção de um organismo corporativo – A Casa do Povo de Campo Maior.

            As notícias sobre este período e estes acontecimentos, são escassas e vêm-nos dos jornais que, na época, se publicavam em Elvas e essas notícias são pouco animadas

 

Jornal de Elvas, Nº 687, 28 de Setembro de 1941

 

Começaram ontem as Festas do Povo, promovidas pelo Grupo Desportivo da Casa do Povo, por ocasião da bênção e inauguração do Cruzeiro da Independência de Portugal.

 A fim de inaugurarem o Cruzeiro, Casa do Povo, Quartel da Legião Portuguesa e o estádio Capitão César Correia, estão nesta vila os Exmos. Srs.

Arcebispo de Évora, Sub-Secretário das Corporações, e General Comandante da Legião Portuguesa.

As ruas estão ornamentadas com muitas verduras, bandeiras, flores naturais e artificiais.

 

Nos dois anos seguintes as Festas não se realizaram. Lá fora, a guerra não parava de se agravar, envolvendo cada vez mais países e expandindo as acções de combate a todas as regiões do mundo, a todos os mares e a todos os oceanos. Até ao verão de 1942, o exército alemão dominava a Europa, o Próximo e o Médio Oriente e o Norte de África.

 

Jornal de Elvas, Nº 730, 26 de Julho de 1942

FESTAS DO POVO

   Segundo consta, não se realizam este ano as festas do povo, devido à grande falta de papel, madeiras, pregaria e muitos artigos que são necessários para a ornamentação das ruas e, muito principalmente, a falta de transporte e ao melindroso estado da guerra mundial.

 

         No ano de 1944, todas as condições se mantinham quer no que respeita à situação da Guerra Mundial, quer no que se refere à situação da política nacional. Mesmo no que concerne à situação social e económica em Campo Maior, há grandes semelhanças com os dois anos anteriores, porque as condições agrícolas continuaram muito desfavoráveis. Contudo, as Festas realizaram-se e, mais uma vez, foi o Grupo Desportivo da Casa do Povo que as promoveu. Só que esta instituição já não podia dispor da forte liderança do Capitão César Correia. Já não havia projectos em curso. A Casa do Povo tinha regressado ao marasmo rotineiro em que ia arrastar a sua existência até ao fim do Estado Corporativo, em 1974.

         Em 1945, terminava a guerra e começava um período que iria marcar profundamente a civilização mundial: A Guerra Fria, o terror das armas nucleares, o mundo sob a tensão constante de um novo conflito que só não se desencadeava porque todos sabiam que desta vez não haveria vencedores, apenas vencidos.

 

 

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publicado às 09:56


O MODELO DAS FESTAS NOS ANOS DO SÉC. XX - VIII

por Francisco Galego, em 27.03.15

 

 

As “Festas” dos anos 30 aos anos 50

 

No ano de 1935, uma nova Comissão Administrativa da Câmara Municipal, tomou posse no dia 6 de Abril e era constituída por Manuel Joaquim Correia, como presidente, dr. Justo Garcia d’Agrela, João Vitorino Muñoz, Mauro das Dores Alves, João Aguiar Mexia Serra e João Martins Leitão. Esta nova administração chegou a ter o projecto de realizar as Festas. Mas, na verdade, elas não se chegaram a efectivar. 

A Europa estava à beira de arrastar o mundo para um novo conflito. Aqui ao lado, estava eminente o primeiro ensaio duma nova Grande Guerra, com a guerra civil em Espanha

Em 1936, verificou-se um acontecimento que teve profundos reflexos em Campo Maior: em Julho, com o levantamento das tropas sedeadas em Marrocos e comandadas pelo General Francisco Franco, contra o governo republicano, começava a Guerra Civil de Espanha que se transformou num ensaio para a 2ª Grande Guerra que se lhe iria seguir. E, mais estranho ainda é que as Festas se vão realizar nos três anos em que a guerra civil esteve mais acesa: 1936; 1937; 1938.

Sobre as Festas nestes anos, as notícias são muito escassas. Os elementos disponíveis são insuficientes para se fazer uma análise minimamente fundamentada. Registe-se apenas a certeza de que as festas se continuavam a realizar apesar de o clima geral no país e no mundo ser tão pouco tranquilizador.

O ano de 1938 começou com todas as polícias, forças militares e militarizadas em estado de alerta pela suspeição de que estivesse a ser organizado um golpe militar contra o Estado Novo. O regime, ao mesmo tempo que toma medidas de prevenção, desencadeia um vasto plano de propaganda. Vão seguir-se várias comemorações de exaltação nacional que culminam com a dupla celebração dos Centenários da Fundação de Portugal em 1140 e da Restauração da Independência em 1940.

Em 1 de Abril de 1939, com a tomada de Madrid pelas tropas nacionalistas de Franco, terminou a Guerra Civil. Começaram as grandes manifestações de apoio a Salazar que acelera a consolidação do seu Estado Corporativo. Estas manifestações, mobilizando grandes massas com gente de todas as regiões do país que se deslocaram a Lisboa para manifestarem o seu público e massivo apoio a Salazar. Estas manifestações instituíram-se como prática habitual, até ao fim do regime.

A 1 de Setembro de 1939, com a invasão relâmpago da Polónia e consequente declaração de guerra da Inglaterra e da França à Alemanha, começa a Segunda Grande Guerra.

 

Brados do Alentejo, Estremoz, 20 de Setembro de 1936

Festas de Setembro

   Decorreram brilhantíssimas, como se esperava, as festas de Setembro e com farta concorrência de forasteiros. As ornamentações das ruas estavam soberbas, bem assim, touradas, fogos de artifício, feira, etc. Houve alguns pequenos percalços, como não podia deixar de ser. A excelente banda humanitária de Palmela que agradou imenso, não quis ir cumprimentar o regente da nossa filarmónica como estava combinado. A Comissão das Festas, por sua vez, não quis fornecer água aos filarmónicos e, como se extraviasse o bilhete premiado da rifa do aparelho de rádio, não se sabe a quem pertence.

 

Brados do Alentejo, Estremoz, 26 de Setembro de 1937

Festas de Setembro

   Conforme se esperava resultaram brilhantíssimas as Festas de Setembro. A parte religiosa foi um primor. As touradas esplêndidas, sobressaindo muito o cavaleiro José Corado, o “Coradinho” e a banda taurina “os formidáveis” . As ornamentações das ruas como ano nenhum. As três noites de fogo esplêndidas e os concertos musicais a mesma coisa. A nova feira magnifica, tendo os feirantes feito bom negócio. Os forasteiros, em diversos meios de transporte, contavam-se aos milhares.

 

O Correio Elvense, Nº 407, 4 de Setembro de 1938

   Nesta formosa e progressiva vila começam hoje e prolongam-se até ao próximo dia 7 as tradicionais Festas do Povo. Que há anos ali se realizam com grande êxito e muita concorrência, espacialmente desta cidade. O programa de tão atraentes festas é o seguinte:

Dia 4 – Às 6 horas, início das festas. Repique dos sinos em todas as freguesias e uma salva de 21 morteiros; às 12 horas, solene festividade religiosa na igreja de S. João Baptista, na qual tomará parte uma especial orquestra sob regência do maestro Lino Fernandes; às 15 horas, abertura da exposição de quadros e outros trabalhos do pintor Francisco Xara; às 18 horas procissão coma imagem do padroeiro S. João Baptista, a qual percorrerá as principais ruas da vila; às 21 horas, arraial na Praça da República, abrilhantado pela Banda da Academia dos Amadores de Música Campomaiorense, fazendo a sua apresentação de cantadeiras Rancho do Sor.

Dia 5 – Às 8 horas alvorada pela Banda da Academia dos Amadores de Música Campomaiorense; às 15 horas início da venda da flor por um grupo de gentis senhoras desta localidade; às 17 horas, grandiosa corrida de touros à vara larga, uma das mais características diversões do Alentejo, abrilhantada pela Banda da Academia; às 21 horas, apresentação na Avenida Dr. Agrela do rancho infantil, o qual apresentará várias danças e cânticos do seu vasto reportório; às 22 horas, continuação do festival nocturno, fogo preso e do ar, bailes e descantes populares.

Dia 6 – Às 16 horas gincana de burros e corrida de sacos, na Praça da República; às 18 horas, corrida de touros à vara larga abrilhantada pela Banda da Academia; às 22 horas, continuação do festival com fogo preso e do ar; às 0 horas, largada de um balão.

Dia 7 – Às 8 horas, alvorada pela banda, às 17 horas, última corrida de touros; às 22 horas, leilão de prendas não sorteadas na tômbola, concerto pela banda, bailes e descantes populares, fogo de artifício, preso e do ar.

 

 

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publicado às 09:01


O MODELO DAS FESTAS NOS ANOS DO SÉC. XX - VII

por Francisco Galego, em 23.03.15

 As “Festas” dos anos 30 aos anos 50 

 

O ano de 1934

 

Sobre as Festas de 1934, aconteceu algo difícil de explicar que é o facto de não aparecerem referidas em nenhum dos textos até hoje publicados sobre as Festas do Povo. No entanto, elas existiram como seguidamente se comprova, porque foram amplamente noticiadas, tanto pelo único jornal local – O Campomaiorense – que continuou a publicar-se porque estava nas mãos de gente partidária do novo regime político, como por jornais publicados noutras localidades.

 

O Campomaiorense, 8 de Julho de 1934

FESTAS DO POVO

   Continua despertando muito interesse na população desta vila, a realização, que promete ser brilhante, das tradicionais Festas do Povo.

   A comissão organizadora tem recebido valiosos donativos, esperando que quem pode fazê-lo a auxilie, de forma a poder realizar com êxito a sua iniciativa.  E bem o merecem, diremos nós, porque, nem só de pão se vive e é até louvável que ao povo se proporcione um pouco de prazer espiritual, por via de espectáculos da sua preferência como estas festas, em que cada um se alheia por momentos, das preocupações e das dificuldades da vida. Se a vida não corre de feição, nem por se andar de cabeça baixa, com cara de dia de finados, se remedeia alguma coisa … Pelo contrário, quanto mais triste se ande, menos as dívidas se pagam …

   De resto, a receita liquida é para a Misericórdia e para a Casa do Povo.Não há, portanto, mesmo para os macambúzios e taciturnos, para os que querem isolar-se no seu pessimismo, mal tolerando uma gargalhada saudável do seu próximo, motivo ou razão de peso que valha qualquer má vontade.

   As Festas do Povo vão fazer-se e muito bem. E o comércio local tem todo o interesse em auxiliar a sua realização.

   É preciso que não falte. Por nós, repetimos, contem connosco rapazes.

 

Jornal da Situação, Portalegre, Nº 31-32, 2 de Setembro de 1934

Festas do Povo

Campo Maior – a Leal e Valorosa

 

Começam hoje nesta histórica, risonha e progressiva vila alentejana, as tradicionais Festas do Povo que, se a memória não me falha, já não se realizavam desde 1927. Festas verdadeiramente interessantes e originais, cheias de cor e movimento, de graça e beleza, elas foram e serão sempre o motivo para que a população da vila dê, durante os dias festivos, largas à sua mocidade e à sua alegria.

Têm nome no nosso distrito e até fora dele, as Festas do Povo de Campo Maior, cujas ruas e largos são transformados como por encanto em verdejantes jardins, graças às mãos virtuosas e hábeis das minhas gentis patrícias que fazem prodígios para apresentarem trabalhos que são verdadeiros mimos de graça e arte.

Quanto trabalho, quanta luta, quanta canseira despende o povo da minha terra, para a engrinaldar, patenteando-a bonita, linda, muito branca e asseada, toda luz e encanto!

Impõe-se ainda Campo Maior como sendo uma terra farta e rica, pelas suas produções de saborosos vinhos, magníficos trigos e azeites finíssimos. Sendo uma terra essencialmente agrícola, é, no entanto, de grande importância na indústria da moagem e panificação, lagares de azeite dos mais modernos e aperfeiçoados, fabricação de potes em barro para vinho e ainda nas finíssimas e saborosas conservas do Serafim da Conceição, já conhecidas e apreciadas em Portugal como no Brasil. (…)

                                   Portalegre, na última semana de Agosto,

                                                           Lavadinho Mourato

 

Por Campo Maior!

A comissão que levou a efeito este ano as Festas do Povo e que trabalhou de uma maneira decidida para o seu maior brilhantismo, era assim constituída: Tenente António Falcão, presidente; Estêvão Bastos Caldeirão, José Rita Ensina, Marciano Ribeiro Cipriano, David Fonseca Caraças, Joaquim Pereira Cunha do Rosário, Júlio Alegria Lindo, Benjamim António Caeiro, João Martins Centeno, José Gonçalves Niza, José César Leitão e António Afonso Borrega.

Bem merecem as nossas saudações que aqui foram bem expressas.

 

Jornal de Elvas, Ano 9º, Nº 352, 7 de Setembro de 1934

 

AS FESTAS DE CAMPO MAIOR

A progressiva vila de Campo maior, situada num recanto do nosso querido Alentejo, esteve em festa nos dias 2, 3, 4 e 5.

A risonha vila, mercê do temperamento progressista que invade os cérebros dos seus filhos, tem ultimamente subido na escala do progresso duma maneira notável, caminhando sempre sem um único desfalecimento.

As suas festas, ‘Festas do Povo’ revestiram-se de uma característica especial, sob todos os aspectos interessantíssima e original. Trata-se da ornamentação das ruas cujos moradores disputam, com invulgar entusiasmo, o ‘Prémio da Comissão.

Semelhante número, repleto de cor e garridice, engrandece sobremaneira o programa dos festejos sendo, certamente, o que mais atrai a presença dos forasteiros. A beleza das ornamentações, a intuição, a originalidade das decorações, são bem o índice onde se nota, logo à primeira vista, o gosto daquele laborioso povo, incansável em extremo, de promover o seu torrão. Ruas houve, engalanadas a capricho, que deliciaram a nossa vista. Nestas circunstâncias e sem pretendermos ferir o orgulho dos moradores das outras ruas que também admirámos, colocamos quanto ao nosso gosto, no primeiro plano, as ruas do General Magalhães e Visconde de Seabra. Aquela, pelo grandioso trabalho que os seus moradores tiveram de desenvolver, num conjunto harmonioso de cenas, cuja estética nos impressionou deveras e esta, pela originalidade da sua ornamentação.

Os xailes de papel, bem acabados, que pendiam por sobre a rua, davam-lhe uma nota triunfal de beleza, sendo a entrada constituída por um ‘arco’ tendo de cada lado pintados uma camponesa que aborrecidamente exclamava:

                                               Ando triste e assustada

                                               Inté me pula o coração

                                               Ganhará a nossa rua

                                               O Prémio da Comissão?

E um camponês que alegremente lhe respondia:

                                               Meu amor minha aligria

                                               Não andes nessa encerteza

                                               A nossa rua Maria

                                               Ganha o prémio concerteza.

E quem sabe se o alegre camponês, com a ideia de acalmar os nervos à sua mais que tudo, inspirou magicamente, a opinião abalizada dos componentes do júri.

 

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O MODELO DAS FESTAS NOS ANOS DO SÉC. XX - VI

por Francisco Galego, em 18.03.15

As “Festas” dos anos 30 aos anos 50 

                             

A revolta de 28 de Maio de 1928 começou por um pronunciamento militar que acabou num golpe de Estado. Movimento de ideologia nacionalista, antidemocrático e antiparlamentar, pôs fim à 1ª República e implantou um regime ditatorial que construiu uma nova situação política – a do chamado Estado Novo – que iria consolidar o poder pessoal de Salazar.

Em Campo Maior, durante a 1ª República, uma certa classe média constituira uma pequena elite, baseada na classe média dos “artistas” e dos funcionários públicos, que muito dinamizara a vida cultural da vila. Mas hostilizada pelo novo regime político, foi condenada a um quase total desparecimento. Alguns saíram para outras regiões e, os que ficaram, tiveram de se submeter às imposições do novo poder.

João Ruivo, grande dinamizador que participara na criação dos jornais locais, das colectividades recreativas e dos grupos de futebol, nomeadamente o Sporting Clube Campomaiorense, saíu para continuar a sua carreira de funcionário público e, prudentemente, afastou-se quase completamente de Campo Maior.

As Festas só regressaram em 1934. A gente que agora as promovia, pertencia a uma nova geração, com nova mentalidade e perfilhando diferente ideologia. Começaram por promover as festividades anuais de carácter religioso, como o São Joãozinho, dando-lhes um carácter caritativo, pois eram organizadas com o objectivo de recolher fundos de apoio às obras sociais da Misericórdia. Finalmente, abalançaram-se a realizar as Festas do Povo. Na comissão que as levou a efeito constam os nomes de jovens afectos ao novo regime político, sendo alguns deles elementos activos da Legião Portuguesa.

Na década de trinta realizar-se-ão por quatro vezes as Festas, sendo que entre 1934 e 1938, apenas falharam no ano de 1935, apesar de ter deflagrado a Guerra Civil de Espanha em Julho de 1936.

Houve nova interrupção nos anos de 1939 e 1940, anos iniciais da 2ª Grande Guerra. Mas, ainda se realizaram duas vezes, durante este conflito mundial - : em 1941 e 1944 - , seguindo-se depois uma prolongada interrupção por sete anos até 1952.

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O MODELO DAS FESTAS NOS ANOS DO SÉC. XX - V

por Francisco Galego, em 14.03.15

           O ANO DE 1828

 

Na década de vinte, do século passado, as festas ficaram bem documentada pelo relato feito nos jornais locais: Primeiro, O Campomaiorense e depois, O Notícias de Campo Maior.

As Festas de 1927 alcançaram tal brilhantismo e projecção, que perduraram por muito tempo na memória da comunidade campomaiorense. Era frequente a referência às Festas de 1927, como o ano das festas grandes. Podemos afirmar que até aí, decorreu um período em que as Festa do Povo alcançaram momentos de brilho progressivo, culminando em 1927, momento máximo e canto do cisne, pois no ano seguinte começou um tempo de declínio que decorreu nas duas décadas seguintes.

Portugal sofreu profundas mudanças, fruto da alteração radical da sua estrutura social, cultural, económica e política. Não apenas Portugal, mas o Mundo, pois um trágico destino se preparava para a humanidade numa das épocas mais difíceis da sua História.

As Festas de 1928 foram, de facto, muito modestas, a julgar pelas poucas notícias delas que até nós chegaram. Só vinte e cinco anos depois, em 1952, as Festas voltariam a despertar um entusiasmo semelhante.

 

O Notícias de Campo Maior, 30 de Setembro de 1928

FESTAS DO POVO

   Com menos entusiasmo que nos últimos dois anos, realizaram-se nos dias 2 a 5 do corrente, nesta vila, as tradicionais e pitorescas Festas do Povo.

   Poucas ruas ornamentadas; decorações muito simples e modestas, em tudo se fazendo sentir os efeitos do péssimo ano agrícola e da crise que atravessam as classes trabalhadoras, pois é o elemento popular que toma sobre si o encargo de transformar as ruas da povoação em autênticos jardins de verdura e de flores, nos dias das festas, nos anos fartos em que tudo corre bem.

   No primeiro dia, após a festa de igreja, realizou-se a procissão, que, como de costume, teve farta concorrência.

   As três touradas à vara larga foram muito concorridas de público, mas decorreram monotonamente e sem interesse de maior.

   O gado foi cedido pelos lavradores Srs. Pompeu Caldeira e Francisco da Silva Rasquilho Corado, pai e filho.

   O maior êxito das festas foi obtido pela distinta Banda Municipal de Estremoz, nos magníficos concertos que deu no jardim público. Esta banda, que vinha já precedida de grande fama, colheu fortes aplausos por parte dos milhares de pessoas que, em volta do coreto, com a maior atenção e interesse, assistiram a todos os concertos.

   Execução primorosa e correcta; perfeita afinação; Grande sonoridade; disciplina e obediência à batuta. Pode afirmar-se que se trata de um brilhante núcleo musical, conjunto admirável que muito honra a importante cidade alentejana e que deve servir de justo e legítimo orgulho ao seu regente, o distinto professor, Sr. tenente José António Lima, que se afirmou à altura da sua missão, conquistando as melhores simpatias e merecida admiração no público campomaiorense.

   A execução e interpretação correctíssima e conscienciosa de todas as peças do seleccionado e escolhido reportório com que o maestro Lima nos mimoseou, foram coroadas de vibrantes palmas, conservando-se sempre a assistência possuída do maior entusiasmo.

   E foi esta a nota característica e predominante das Festas do Povo no corrente ano.

(…)         A concorrência de forasteiros às festas foi pequena, no entanto fizeram negócio as hospedarias e cafés dos Srs. António Rita, Joaquim Rodrigues, Manuel Andrade e Manuel Nicolau, onde o público já hoje encontra um serviço que satisfaz pelo asseio e boa cozinha.

   E, para finalizar, os nomes da Comissão de Festas, que, com sacrifício e muitas dificuldades, as puderam levar a efeito:

               Presidente – José Rodrigues Valente

               Secretário – José Maria Paio Serrano

               Tesoureiro – António do Espírito Santo Dragão

               Vice-Presidente - Francisco Vitorino Grilo

               Vice-Secretário – Manuel Azinhais Ruivo

               Vice-Tesoureiro – António Mourato Caramelo

               Vogais – Gonçalo Camilo Marques; José Joaquim Martins;

                             Félix Henrique Garcia

 

           

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publicado às 09:30


O MODELO DAS FESTAS NOS ANOS DO SÉC. XX - V

por Francisco Galego, em 09.03.15

 

As Festas de 1927, alcançaram tal brilhantismo e projecção, que vão perdurar por muito tempo na memória da comunidade campomaiorense que se referia a 1927 como o ano das festas grandes. Só vinte e cinco anos depois, em 1952, as Festas voltariam a despertar um entusiasmo semelhante.

Nesta década de vinte, tão bem documentada pelo relato feito pelos jornais locais, torna-se inútil porque repetitivo, fazer qualquer comentário, porque dificilmente se poderia acrescentar algo que viesse enriquecer o nosso conhecimento sobre as festas. Restará apenas sublinhar que foi um período em que as Festa do Povo alcançaram momentos de brilho culminando em 1927, momento máximo e canto do cisne, pois no ano seguinte já se percebe que está achegar o tempo de declínio que serão as duas décadas seguintes, marcadas por dois acontecimentos que lançaram a Europa num períodos mais negros da sua história: A Guerra Civil de Espanha (1936-1939) que serviu de ensaio para a 2ª Grande Guerra (1939-1945). O país ia sofrer profundas mudanças, fruto da alteração radical da sua estrutura social, cultural, económica e política. Não apenas o país, mas o Mundo, pois um trágico destino se preparava para a humanidade num dos períodos mais difíceis da sua História.

As Festas de 1928, foram de facto muito modestas, a julgar pelas poucas notícias delas que até nós chegaram.

 

O Notícias de Campo Maior, 30 de Setembro de 1928

FESTAS DO POVO

   Com menos entusiasmo que nos últimos dois anos, realizaram-se nos dias 2 a 5 do corrente, nesta vila, as tradicionais e pitorescas Festas do Povo.

   Poucas ruas ornamentadas; decorações muito simples e modestas, em tudo se fazendo sentir os efeitos do péssimo ano agrícola e da crise que atravessam as classes trabalhadoras, pois é o elemento popular que toma sobre si o encargo de transformar as ruas da povoação em autênticos jardins de verdura e de flores, nos dias das festas, nos anos fartos em que tudo corre bem.

   No primeiro dia, após a festa de igreja, realizou-se a procissão, que, como de costume, teve farta concorrência.

   As três touradas à vara larga foram muito concorridas de público, mas decorreram monotonamente e sem interesse de maior.

   O gado foi cedido pelos lavradores Srs. Pompeu Caldeira e Francisco da Silva Rasquilho Corado, pai e filho.

   O maior êxito das festas foi obtido pela distinta Banda Municipal de Estremoz, nos magníficos concertos que deu no jardim público. Esta banda, que vinha já precedida de grande fama, colheu fortes aplausos por parte dos milhares de pessoas que, em volta do coreto, com a maior atenção e interesse, assistiram a todos os concertos.

   Execução primorosa e correcta; perfeita afinação; Grande sonoridade; disciplina e obediência à batuta. Pode afirmar-se que se trata de um brilhante núcleo musical, conjunto admirável que muito honra a importante cidade alentejana e que deve servir de justo e legítimo orgulho ao seu regente, o distinto professor, Sr. tenente José António Lima, que se afirmou à altura da sua missão, conquistando as melhores simpatias e merecida admiração no público campomaiorense.

   A execução e interpretação correctíssima e conscienciosa de todas as peças do seleccionado e escolhido reportório com que o maestro Lima nos mimoseou, foram coroadas de vibrantes palmas, conservando-se sempre a assistência possuída do maior entusiasmo.

   E foi esta a nota característica e predominante das Festas do Povo no corrente ano.

(…)         A concorrência de forasteiros às festas foi pequena, no entanto fizeram negócio as hospedarias e cafés dos Srs. António Rita, Joaquim Rodrigues, Manuel Andrade e Manuel Nicolau, onde o público já hoje encontra um serviço que satisfaz pelo asseio e boa cozinha.

   E, para finalizar, os nomes da Comissão de Festas, que, com sacrifício e muitas dificuldades, as puderam levar a efeito:

               Presidente – José Rodrigues Valente

               Secretário – José Maria Paio Serrano

               Tesoureiro – António do Espírito Santo Dragão

               Vice-Presidente - Francisco Vitorino Grilo

               Vice-Secretário – Manuel Azinhais Ruivo

               Vice-Tesoureiro – António Mourato Caramelo

               Vogais – Gonçalo Camilo Marques; José Joaquim Martins;

                          Félix Henrique Garcia

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publicado às 09:13


O MODELO DAS FESTAS NOS ANOS DO SÉC. XX - IV

por Francisco Galego, em 04.03.15

O Notícias de Campo Maior, 30 de Outubro de 1927

 

AS FESTAS DO POVO

 

Como se esperava, as festas realizadas nos dias 12 a 14 do mês findo tiveram um brilho e um entusiasmo excepcional.

Pode afoitamente afirmar-se que, as festas deste ano com as de 1923 e as de 1911 [1909], foram as melhores até hoje levadas a efeito em Campo Maior.

Os milhares de forasteiros que nos visitaram, vindos de Elvas, Arronches, Santa Eulália, Portalegre, Évora, Lisboa e outras terras do País e que foram recebidos galhardamente por esta hospitaleira terra, retiraram encantados, imensamente satisfeitos e com o desejo de voltarem no próximo ano, porque das festas levaram as mais gratas recordações.

A Comissão de Festas viu os seus esforços coroados do melhor êxito, tendo cumprido briosamente o programa anunciado, granjeando por isso os maiores elogios de toda a população, que teve quatro dias de festa rija, divertindo-se, gozando, folgando entusiasticamente.

Pode dizer-se pois, que as festas representaram um grande triunfo, atraindo enorme afluência de forasteiros e conquistando para Campo Maior novos louros, para o que muito contribuiu também a cooperação desinteressada das entidades oficiais, da Agricultura, do Comércio, da Indústria e das classes operárias.

Também a activa propaganda da imprensa muito contribuiu para o êxito das festas.

Devemos destacar ‘O Século’, que fez delas desenvolvida reportagem, merecendo aplauso de todos os campomaiorenses e constituindo uma honra para Campo Maior.

O nosso periódico fez quanto pode e preza-se de ter sabido cumprir o seu dever.

Embora com atraso, motivado em circunstâncias diversas, damos hoje um colorido relato das festas, que tantas saudades deixaram no povo desta briosa vila.

No dia 10, à tarde, chegou a ‘Banda União Artística’ de Castelo de Vide que goza nesta vila de gerais simpatias. Foi esperada pela Comissão de Festas, pela ‘Banda Artística Campomaiorense’ e por muito povo, percorrendo depois as ruas da vila dirigindo-se a cumprimentar as autoridades locais e os senhores Viscondes de Olivã.

As festas foram iniciadas com a alvorada na madrugada do dia 11, executando as bandas lindos ordinários pelas ruas, lançando-se ao ar foguetes e morteiros e reinando sempre o maior entusiasmo.

Às primeiras horas da manhã, as ornamentações ofereciam um aspecto encantador.

A missa a grande instrumental e vozes, foi celebrada na Igreja de São João pelo Revº Dr. Gabriel da Costa Gomes, acolitado pelos Rev.os Padres Joaquim Nunes de Andrade e Dr. Martinho Lopes Maia.

            Foi regularmente concorrida, predominando o elemento feminino. A capela da regência do maestro José Cachudo, cumpriu modestamente a sua missão.

A seguir à festa foi ministrada a comunhão a trinta crianças.

A procissão, à tarde foi imponente. Formando alas: as confrarias, as irmandades e crianças da comunhão. Ao palio os Srs. Visconde de Olivã, Dr. João Carreiras, capitão Rodrigues Lavadinho, Domingos Aguiar Serra, João Canhão Botelho e João Sousa Niza. Depois, a banda castelovidense e alguns milhares de pessoas. Nas janelas, das quais pendiam vistosas colgaduras, viam-se lindos rostos femininos, formando um lindo conjunto.

As três touradas tiveram farta concorrência de público, calculando-se a assistência em cerca de cinco mil pessoas, em cada dia. Na do dia 12, o gado, cedido pelo lavrador Sr. Francisco Dias, da Herdade de Xévora, mostrou-se manso e fraco para a lide. Na do dia 13, o gado foi cedido pelo lavrador Sr. Pompeu Corado Caldeira de Elvas. Era mais bravo e fizeram-se algumas pegas rijas, em que se destacaram os moços de Santa Eulália, apaixonados por este género de diversão. O gado do dia 14, do lavrador Sr. Francisco Rasquilha Corado, cumpriu também.

Os arraiais foram deslumbrantes. Povo à farta, calculando-se a assistência em dez mil pessoas. O jardim oferecia um aspecto feérico.

As iluminações vistosas e bem dispostas pelo electricista Sr. Norberto Corado, competente e hábil, produziram belo efeito.

O fogo de artifício do Sr. Amarante, das Mouriscas, agradou imenso e teve fases emocionantes e de surpreendente efeito.

Os concertos musicais agradaram também. Ambas as bandas foram muito aplaudidas. A de Castelo de Vide é um belo núcleo de artistas: execução correcta, firme, belo timbre e sonoridade. Honra a terra. O maestro Cachudo merece todos os aplausos.

A nossa improvisada banda local apresentou-se afinada e executou muito bem o seu repertório. Em menos tempo, não podia fazer mais. Tem bons executantes, mas muita falta de treino. O maestro Sr. Pedro António trabalhou esforçadamente e algo conseguiu digno de encómio.

Nos arraiais, duas importantes deficiências foram notadas por toda a enorme multidão que ali se juntou: o jardim já não comporta o público que ali costuma afluir em dias de festa ou de concerto – urge que a nossa Câmara execute o projecto a que já nos temos referido, de alargamento do jardim, cortando todas as estradas inúteis; a outra foi a enorme poeirada que se levantou do solo movediço. Na pavimentação do passeio deve aplicar-se material que não produza tanta poeira e é de grande necessidade que a Câmara adquira uma auto bomba de regas, da máxima utilidade para a higiene da vila.

A concorrência de forasteiros foi enorme. As hospedarias estiveram à cunha. Os visitantes foram encantados com as ornamentações que se viam em quase todas as ruas e largos da vila, sendo unânimes em elogiar a paciência, a iniciativa e o bom gosto dos habitantes.

As ruas melhor ornamentadas eram as da Misericórdia, Direita, Miguel Bombarda, General Rodrigues da Costa, Pedroso, Afonso Costa, Soalheira, João Rosado e Visconde de Seabra.

O júri constituído pelos Srs. José Costal, Manuel Amâncio, Leopoldo Ruivo, Manuel Lata e João Gonçalves, arbitrou à primeira o 1º prémio de 200 escudos, à segunda, terceira e quarta, respectivamente, o 2º, 3º e 4º prémios de 100 escudos.

O prémio que coube à Rua da Misericórdia, foi distribuído por 40 pobres.

Apesar de ser grande a afluência de público, não se registou o menor incidente. Não houve desordem, não houve um furto, o que prova o carácter ordeiro e correcto do povo campomaiorense. O serviço de polícia foi feito por 24 praças da G.N.R. e 10 guardas de polícia de segurança.

No dia 11, pelas 23 horas, chegou o Sr., general Alves Pedrosa, ministro da Agricultura, acompanhado de um secretário, o qual veio aqui a convite da Câmara Municipal, tendo sido hóspede do respectivo presidente, Sr. Dr. Tello da Gama. Houve recepção solene nos Paços do Concelho, a que assistiu o elemento oficial, algumas senhoras e outras pessoas convidadas para esse fim. O presidente do município apresentou as boas vindas ao ministro, que agradeceu, dizendo-se encantado com a recepção, recebendo em seguida os cumprimentos das pessoas presentes. O Sr. general Pedrosa assistiu no dia seguinte a diversas cerimónias e retirou para Lisboa na madrugada de 13.

Também pelas 7 horas do dia 12 chegou aqui, de volta de Lourdes, o Sr. Arcebispo de Évora, D. Manuel da Conceição Santos, ficando hospedado em casa dos Srs. Viscondes de Olivã, que lhe haviam feito o convite. S. Ex.ª Rev.ma fazia-se acompanhar de Monsenhor Vieira e do Rev.º Dr. Manuel de Sousa Peres e foi cumprimentado pelas entidades oficiais, clero, comissão das festas, etc.

O ilustre prelado celebrou diversas cerimónias nas igrejas da Matriz e de S. João Baptista e regressou a Lisboa no dia 13, à tarde.

No dia 12 foi descerrada uma lápide colocada no lado esquerdo do átrio da Igreja Matriz, contendo os seguintes dizeres: ‘ Aos Srs. Viscondes de Olivã, que restauraram este grandioso templo, salvando-o da ruína com o seu gesto fidalgo, prestam os campomaiorenses a homenagem da sua gratidão’.

A lápide foi descerrada pelo Sr. ministro, tendo discursado, a propósito, além deste magistrado, mais os Srs. Dr. Gama e Carreiras, arcebispo de Évora, Revº Andrade e, por último, o Sr. Visconde de Olivã que agradeceu comovido todas as manifestações.

Dali seguiram todos os presentes para a fábrica de moagem da ‘União Industrial’, a cuja inauguração se procedeu. O acto foi simples. Depois de lançar a bênção aos maquinismos, o prelado eborense proferiu uma breve alocução, enaltecendo o trabalho e formulando votos de prosperidades pela empresa. A seguir, foi servido um abundante copo de água a todos os convidados e accionistas, tendo falado os Srs. general Pedrosa, Dr. Gama e Carreiras, Visconde de Olivã e capitão Rodrigues Lavadinho. A assistência a ambas estas cerimónias foi numerosa, vendo-se entre ela muitas senhoras.

O majestoso templo da Matriz foi muito visitado durante os dias das festas.

Todos os altares estavam lindamente decorados. O trabalho da restauração das imagens foi feito pelo hábil artista campomaiorense e nosso querido amigo Sr. Francisco Xara, diplomado das Belas Artes. Também foram muito admirados os frontais executados pelas hábeis bordadoras Sras. D. Maria da Encarnação Ruivo, D. Mariana do Espírito Santo Daniel e Violante Gonçalves da Cal, que honram a indústria local.

 

 

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