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Este texto é a primeira crónica conhecida de um jogo de futebol, envolvendo uma equipa de Campo Maior.

Foi escrita por João Ruivo que participou no jogo como captain do “5 de Outubro” e fez a sua reportagem para o jornal de Elvas O Leste, sendo publicada no Nº 25 de 20/2/1916, p. 3 e 4.

Este “5 de Outubro” foi criado em 1915. João Ruivo foi um dos seus fundadores, tendo redigido os seus estatutos.

Antes já tinham sido formados dois grupos para a prática do futebol em Campo Maior: o “Lusitano Sporting Club” e o “Grupo Sportivo Campomaiorense”. Ambos se dissolveram quando se organizou o “Club 5 de Outubro”. Devido à Guerra de 1914-1918, que mobilizou boa parte dos seus jogadores, a sua actividade cessou em 1916. Todos os clubes que, depois, existiram em Campo Maior, incluindo o Sporting Clube Campomaiorense, tiveram importante intervenção de João Ruivo, na sua fundação.

 

 

“O 1º grupo do 5 de Outubro jogou, no passado Domingo, em Campo Maior, um desafio com a União. Estava uma tarde primaveril, motivo porque a assistência foi numerosa, principalmente de senhoras que animavam o campo com a sua graça juvenil, obrigando os jogadores a distraírem-se.

                Às 15 horas, feito o sinal pelo juiz de Campo, (Loureiro), deram entrada no campo os dois grupos compostos dos seguintes jogadores:

U.D.E. – Adelino Gonçalves; Mário Gonçalves; José Rodrigues (Captain); J. Lopes; F. Braz; M. Florêncio; Caldeira; Carvalho; Pereira e Caldas.

C. D. 5 Out. – Mourato; José Ruivo; Guitano; Saragoça; João Ruivo (Captain.); Garcia; Botica; Sérgio e Alberto Mourato.

                Da União faltou Terrinca; e do 5d’Outubro faltaram Serafim e Ensina. Daí talvez ter a União marcado na primeira parte 3 bolas, sendo duas por corner kick, muito bem marcadas por Braz. Adelino defendeu bem a rede destacando-se ao defender galhardamente um penalty. Os backs Rodrigues e Gonçalves, igualmente bem.

                Dos restantes jogadores da União não nos ocuparemos detalhadamente pois não podemos apreciar devidamente o seu jogo. Todavia, vimos que jogaram com algum método, passando muito bem a bola.

                O C. D. 5. Out. mostrou-se ainda pouco conhecedor das passagens, chutando com muita força, dando em resultado entregarem a bola constantemente aos adversários e limitando-se à defesa quase todo o jogo, pois fizeram poucas e mal rematadas avançadas.

Na segunda parte, quiçá por entrarem nos seus lugares os jogadores que haviam faltado à primeira, jogou-se com mais calor, defendendo melhor o C. D. 5. Out. pelo que não se marcou nenhuma bola, contribuindo também para isso o facto de o half-centro Braz do U.D.E. ter abandonado o campo por motivos estranhos ao desafio. Aparte este pequeno incidente, o desafio decorreu no meio do maior entusiasmo, jogou-se com a máxima correcção de parte a parte. Findo o desafio vitoriaram-se os dois grupos com os “Hurrahs!” do estilo, indo em seguida abancar no restaurante Gavião Branco onde lhes foi servido um lanche pela direcção do C.D.5.Out.

                Às 20 horas retiraram-se para Elvas os jogadores da União que se mostraram penhorados pela maneira como foram recebidos pelos seus camaradas de Campo Maior. E assim terminou um dia que marca mais uma vitória para o desporto em terras alentejanas. Brevemente irá o C.D.5.O. a essa cidade jogar com a União para desforrar-se da lição-derrota …

Bom seria que os senhores jogadores do 5 d’Outubro se convencessem de que a disciplina é a base da “Association” e que, em vez de andarem a flirtar pelas calles, se lembrassem dos seus compromissos e obrigações, para evitar casos como o de Domingo.

                E viva o futebol!

                J. R. (João Ruivo)

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publicado às 18:41


UM OUTRO TEXTO DE JOÃO PEDRO RUIVO

por Francisco Galego, em 15.06.14

 A MINHA JUVENTUDE

Dos Regeneradores e progressistas

Aos Republicanos históricos e neo-republicanos

 

 

                Uns meses antes da proclamação da República, vieram a Campo Maior fazer uma conferência de propaganda republicana os Srs. Dr.s João Camoesas e Henrique Caldeira Queirós[1]. A conferência realizou-se num armazém do negociante Sr. António Félix de Almeida, criatura que tinha a simpatia dos liberais do concelho, pelo gesto com que pouco antes se assinalara de não consentir que suas filhas frequentassem o colégio das Irmãs da Imaculada Conceição, instalado no palácio Camaride[2].

                O administrador do concelho era, nessa altura, o Sr. José Corte Real Mascarenhas[3], antigo chefe da secção fiscal e abastado proprietário, filiado no Partido Regenerador. Recordo-me de ter ouvido contar – eu não pudera assistir à conferência por estar ausente – que o Sr. Mascarenhas interrompera o discurso do Dr. Caldeira Queirós e proibira-o de continuar no uso da palavra. Mais tarde li, em O Intransigente[4], um artigo em que o Dr. Queirós atacava vigorosamente o administrador do concelho de Campo Maior pela sua atitude na conferência.

                Contava eu 19 anos quando se implantou o novo regime em 1910. Eram já conhecidos como republicanos e constituíam o pequeno núcleo da localidade: os comerciantes João Alberto Gameiro, José Matos dos Santos e José António Mendes; o farmacêutico Francisco da Rosa Correia; o proprietário Manuel do Nascimento Curado, além de outros que, por simples questões de família ou de amizade pessoal, acompanhavam ainda os antigos chefes dos partidos monárquicos locais.

                A ideia republicana frutificara também entre o operariado à frente do qual andavam os irmãos Ruivos (meu pai Pedro Daniel e meus tios), João Pereira Mourato, João Ensina, Emílio Mota, Francisco Bastos, Luís Bastos Leitão e António Rijo. Contava já também com bastantes adeptos entre os trabalhadores rurais e os paneiros que tinham como orientadores homens de rija têmpera e fé inquebrantável, como Francisco Lajes, Laurentino Sardinha, João Nora, Francisco Martins de Matos, Manuel Cabeções Hortas e outros cujos nomes não me ocorrem.

                A Guarda Fiscal aderira com entusiasmo mercê da propaganda activa do sargento Cabanas, dos cabos Ismael e Marques, dos soldados Pacheco, Garcia, Botica, Ferrão, Ruas, Cipriano e outros, que demonstraram pela ideia republicana uma dedicação bem digna de louvor.

                No dia 6 de Outubro de 1910, apresentou-se em Campo Maior o Sr. Dr. Manuel Gonçalves Pinheiro, médico e lavrador em Santa Eulália que, na qualidade de delegado do comité republicano de Elvas, se dirigiu aos Paços do Concelho, acompanhado dos republicanos que já citei e de muito povo, para se fazer a proclamação da República e içar-se a bandeira verde-rubra, visto que, por deficiência de organização e de ligação com aquele comité, se não praticara esse acto no dia anterior.

                Havia poucos meses que o Sr. Dr. José Garcia Regala tinha assumido a chefia do Partido Regenerador, vaga por falecimento de seu pai. Mas, como se dissesse que nos tempos de estudante manifestara simpatia pela ideia republicana, o Dr. Pinheiro, seu antigo condiscípulo, convidou-o a aderir e entregou-lhe, naquele memorável dia, a chefia do Partido Republicano, o que fez de acordo com o núcleo dos antigos republicanos, esperançados na mocidade e na fama de liberal de que gozava o Dr. José Regala. Passou pois o Dr. Regala de chefe do Partido Regenerador a chefe do Partido Republicano, tendo assumido também o cargo de administrador do concelho que estava ainda a ser desempenhado por seu cunhado Corte Real Mascarenhas o qual, não obstante, deu também logo a sua adesão à República…

                Dizia-se que o Sr. Visconde de Olivã, Juiz de Direito e chefe distrital do Partido Progressista, dadas as suas relações com alguns dos vultos eminentes do antigo Partido Republicano Português, ia aderir ao novo regime, adesão que seria vista com agrado por parte dos antigos republicanos, principalmente pelos das camadas populares que tinham grande simpatia por aquele magistrado. Porém, os antigos regeneradores anteciparam-se e aderiram em massa para firmarem posições e manterem o predomínio político dentro do novo regime, com receio de que esse predomínio viesse a cair nas mãos dos seus adversários do antigo Partido Progressista. Foram então os novos aderentes em romaria a casa do velho republicano João Gameiro, para se inscreverem no registo político. Alguns dos antigos republicanos inscreveram-se também, mas como mera formalidade para efeitos de organização do cadastro partidário visto que os seus nomes já constavam dos registos de Elvas e Portalegre.

 

João Ruivo



[1] Trata-se de dois notáveis republicanos do distrito de Portalegre que vieram a desempenhar importantes funções políticas após a implantação da República. O médico elvense Dr. João Camoesas, chegou a ser ministro da Instrução, tendo elaborado uma notável reforma do ensino que não chegou a ser implementada por queda do governo. O Dr. Queirós era um advogado de Portalegre. O Dr. Pinheiro de Santa Eulália era o pai do Dr. Arménio Pinheiro que casou em Campo Maior onde exerceu medicina e avô de João Manuel Pinheiro.

[2] Na verdade, trata-se do palácio dos Carvajais que tinha sido herdado pela condessa de Camaride. O palácio Camaride era aquele onde hoje está instalada a Casa do Povo de Campo Maior.

[3] Este senhor, natural do Algarve, era genro do falecido chefe local do Partido Regenerador, Dr. José Maria da Fonseca Regala. Este Mascarenhas, conhecido pelo anexim de “alferes de galão branco”, era um antigo sargento, nomeado chefe da secção fiscal e, já depois de reformado, promovido a capitão pelo governo da República, por ter sido abrangido nas malhas de uma lei votada para beneficiar um antigo republicano, participante na Revolta do 31 de Janeiro (1891), vítima de perseguições.

Foi este Mascarenhas administrador do concelho já durante a ditadura militar, quem, por ordem do Dr. Gama, propôs a nomeação de Diogo Mexia Caiola, para secretário da administração, por morte do secretário Francisco Maria da Silva, preterindo João Ruivo, o que o obrigou a recorrer para o Tribunal da Relação de Coimbra que deu provimento ao recurso. Estes factos ocorreram nos anos de 1927-1928. (Nota do autor do texto).

[4] Jornal republicano que se publicou em Portalegre entre 1908 e 1915.

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publicado às 17:25


UM TEXTO AUTOBIOGRÁFICO DE JOÃO PEDRO RUIVO

por Francisco Galego, em 10.06.14

A MINHA INFÂNCIA

 

Nasci no ano de 1891 – ano da gloriosa revolução de 31 de Janeiro[1] – e daí, talvez, o fatalismo de republicano que anda ligado à minha individualidade.

Em 1898-1899 era meu pai assinante da “Revista Republicana” e agente de venda do jornal socialista “A Voz do Operário”. Certo dia, meu pai foi chamado à presença de um político que exercia então as funções de administrador do concelho[2], o qual o instou para que abandonasse aquelas publicações, acrescentando logo que, se não fosse atendido, se veria forçado a aplicar-lhe a lei de 13 de Fevereiro (deportação para Timor, nada menos) visto ter recebido muitas reclamações dos seus partidários contra a propaganda revolucionária que resultava da divulgação das doutrinas preconizadas nas mesmas publicações! …

Por essa altura, comecei eu a soletrar jornais republicanos e, foi nessa leitura e na educação liberal de meu pai, que o meu espírito se formou para a combatividade política que sempre me tem caracterizado e para a defesa dos princípios democráticos que são a razão de ser da nossa existência.

Já na escola primária eu sentia em volta de mim despeitos e invejas, pela consideração que me dispensavam e pelas boas referências que me faziam os meus professores e amigos, senhores Francisco Manuel Pereira, hoje professor da Escola Primária Superior de Portalegre, e António Florindo da Rosa Cordeiro, professor do ensino primário nesta vila, os quais muito apreciavam a minha aplicação ao estudo[3]. Aos dez anos, fui aprovado com distinção no exame do segundo grau de instrução primária. Dos meus condiscípulos, uns mais felizes do que eu, por serem filhos de ricos proprietário ou de operários remediados, puderam seguir os seus estudos em escolas secundárias; outros, que eram filhos de operários pobres, puderam também ingressar no liceu por terem amigos que os subsidiassem.

Meu pai não tinha outro rendimento além do seu pobre salário, com que provia às necessidades do casal. Tivera onze filhos do matrimónio: faleceram cinco, ficaram seis[4]. Eu era o mais velho. Como não tive ninguém que por mim se interessasse, não pude continuar os meus estudos.

Eu não era robusto e, por isso, meu pai desejava dar-me uma profissão adequada à fraca constituição do meu organismo, uma profissão onde não corresse tanto risco como na sua e que desse algumas garantias de futuro – ambição legítima de todos os bons pais. Encarreirei pois para o comércio, em que me ocupei três anos. Do meu comportamento podem ainda hoje dizê-lo os meus antigos patrões e amigos, senhores José Ramos, de Campo Maior, Francisco Jorge da Palma, de Elvas e Joaquim Lopes Pires, de Portalegre[5].

 



[1] A Revolução do 31 de Janeiro de 1891 foi a primeira tentativa de implantação da República. Deu-se no Porto e fracassou devido à má coordenação das tropas que tinham aderido ao movimento. Mas desencadeou um processo revolucionário que culminou no 5 de Outubro de 1910.

[2] Tratava-se de Cristóvão de Albuquerque Barata, chefe local do Partido Progressista e pai do Visconde de Olivã, Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. (Nota do autor do texto)

[3] Foi também meu professor António Rosado Pimpão, cuja escola frequentei apenas dois ou três meses. O professor Pereira deixou-me preparado para o exame do 2º grau no fim do ano lectivo de 1900; leccionou-me o Pimpão até tomar conta da escola o Cordeiro que me levou a exame em 1901. (Nota do autor do texto).

[4] João Maria da Encarnação, Maria José; José; Maria do Carmo (falecida em 1927) e Eulália.

[5] Estive na Casa Ramos de Setembro de 1901 a Agosto de 1903; na Casa Palma, de Elvas, de Setembro de 1903 a Junho de 1904. da qual passei à Casa Pires, de Portalegre, onde me conservei até ao Natal de 1904. Regressei então a Campo Maior, abandonando o comércio e começando a aprendizagem do ofício de pedreiro.

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publicado às 18:41


MAIS UM TEXTO DE JOÃO PEDRO RUIVO

por Francisco Galego, em 02.06.14

.JOÃO FRANCISCO DUBRAZ

 

                Nasceu em Campo Maior, em Janeiro de 1818 e faleceu na mesma vila no dia 23 de Setembro de 1895, contando, portanto, 77 anos de idade.

                Filho de pais humildes, não pode frequentar academias e, só com grandes dificuldades e à força de trabalho e de perseverança, conseguiu cultivar o seu espírito talhado para grandes voos.

                Dotado de vigorosa inteligência e com uma grande ânsia de saber, abandonou o comércio a que primeiramente se dedicara, para seguir a carreira das armas que também veio a abandonar, habilitando-se depois para o magistério que exerceu até à data do seu falecimento.

                Regeu na sua terra natal, as disciplinas de português, francês e latim, em que era muito versado, parecendo ter estudado também o grego.

                Bibliófilo apaixonado, a ele se deve a fundação da Biblioteca Municipal de Campo Maior que dotou, à sua custa, com grande número de volumes que ainda ali se encontram, tendo-lhe conseguido um subsídio da Academia das Ciências, por intermédio do escrito Latino Coelho com quem mantinha relações. Pena é que ninguém lhe tivesse sucedido no grande amor que votava à sua Biblioteca, cujo catálogo pouco aumentou de então para cá e cujas salas deixaram de ser frequentadas há muitos anos. O clássico progresso de caranguejo! …

                Foi um jornalista vigoroso e um polemista de temer; mas, sempre correcto e leal, incapaz de beliscar, ainda que fosse ao de leve, a dignidade e a honra dos seus adversários. A sua colaboração encontra-se dispersa nos jornais da sua época: O Elvense, a Democracia e a Revolução de Setembro, esta última desse grande luminar do jornalismo que foi Rodrigues Sampaio. Fundou também a Sentinela da Fronteira que, um dia em que as circunstâncias mo permitam, procurarei ver se existe arquivado em alguma biblioteca pública ou municipal.

                Como escritor, afirmou também João Francisco Dubraz a sua erudição, o seu espírito investigador e os seus vastos conhecimentos da língua portuguesa e da história local, legando-nos obras de alto valor, de entre as quais destacamos: Achmet (romance de cavalaria), Um Aventureiro Francês (conto), Cinco Finados Ilustres (folheto), Os Dois Caracteres, A República e a Ibéria, Subsídios Históricos para a Guerra da Maria da Fonte no Alto Alentejo e as Recordações dos Últimos Quarenta Anos – o livro mais grato ao coração dos campomaiorenses, valioso subsídio para a história da sua terra que ele amava como um cavaleiro andante ama a sua bem-amada e que nos fornece importantes elementos e dados sobre a vida política local durante o período agitado de 1828 a 1868.

                Como militar, evidenciou a sua bravura e a sua vontade enérgica e decidida, em várias escaramuças e combates pela liberdade, tendo, por isso, alcançado merecidamente o posto de capitão de cavalaria da Guarda Nacional.

                Carácter altivo e independente, tendo inato o sentimento da justiça e da liberdade, não pode deixar de se envolver nos acontecimentos políticos da sua época, nos quais tomou parte activa e desempenhou papel preponderante. Lutou nas falanges constitucionais e setembristas, contra o absolutismo despótico e fanático, declarando-se abertamente republicano e democrata o que, naquela época, constituía um acto de assombrosa audácia.

                A nobreza do seu procedimento, a sua rebeldia espiritual e a intransigência política, valeram-lhe perseguições. Algumas dessas perseguições assinalam-se até ao ridículo: de uma vez, foi chamado à Administração do Conselho e intimado a cortar o bigode, pelo respectivo administrador, o cartista Vitorino António dos Santos, que lhe instaurou um processo por desobediência, visto ter-se recusado a cumprir tão absurda ordem!

                E, aos setenta e seis anos, já quando as forças o abandonavam, ainda os seus inimigos o não poupavam, tendo promovido a sua transferência para Amarante como professor, pelo que, houve de abandonar os seus discípulos e a sua terra natal onde, como bom patriota e bairrista, veio no entanto a falecer.

                Eis esboçada a traços ligeiros, baseados em elementos obtidos com dificuldade, alguns respigados em jornais da época, outros amavelmente fornecidos pela ilustre família do extinto, a biografia do homem que soube honrar a sua terra natal, que se afirmou sempre um nobre exemplo de honradez, de modéstia e de desinteresse, destacando-se pela sua brilhante e viva inteligência, pelo amor ao estudo e ao trabalho que nobilita e pelo afecto à família de que foi chefe exemplar e extremoso.

                Está prestes a passar o quadragésimo aniversário da sua morte.

                Quarenta anos de silêncio e de esquecimento sobre o seu nome, sobre a sua personalidade – como se ela não enchesse uma página da história de Campo Maior!

                Como os homens são ingratos e egoístas para aqueles que melhor e com mais cavalheirismo servem a colectividade e a humanidade!

                Campo Maior tem uma dívida de gratidão em aberto para com um dos seus mais notáveis filhos.

                Apelo, pois, para os homens que dirigem os destinos minha terra, sugerindo-lhe para darem o nome de João Francisco Dubraz – militar, professor e jornalista – a uma das ruas da vila (talvez a Rua da Misericórdia, por terminar no Largo do Barão de Barcelinhos, onde parece ter nascido o nosso ilustre conterrâneo[1] e onde ao certo se sabe que passou a sua infância), já que as circunstâncias não permitem, por ora, que se lhe preste homenagem mais grandiosa.

                Entretanto, aqui fica já, nestas descoloridas linhas, a modesta homenagem que julgo do meu dever prestar ao patrício ilustre, homenagem que tranquiliza a minha consciência pela satisfação do dever cumprido.

J.R.

NOTA: Este texto foi publicado, em destaque de primeira página, no jornal de Estremoz, Brados do Alentejo, nº 242, de 15/9/1935.



[1] De facto nasceu na Rua do Paço, hoje Rua de Olivença.

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publicado às 18:07


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