Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014

 

Estes versos, feitos para serem declamados, podem ter um ritmo e uma métrica diferentes e caracterizam-se pelo encadeado dos versos em função do tema escolhido como nuclear de cada poema.

A preocupação central destas com posições poéticas, é essencialmente narrativa. Em muitas delas predomina a ironia. Outras são mais descritivas, tendo frequentemente um intenção moralizante.

Quanto à estrutura formal, nas “décimas” aparece primeiro uma quadra a que se chama mote. Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (daí o nome décimas). Cada uma dessas estrofes ou décimas, acaba com o verso que, pela mesma ordem, aparece na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira décima, e o último verso do mote terá de ser o último verso da última décima.

No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. Nas décimas o esquema de rima é o a,b,b,a,a,c,c,d,d,c.

 

 

 

 

SENHORES QUE ESTÃO PRESENTES

 

                     MOTE

 

Senhores que estão presentes

Minhas senhoras também

Obrigado a toda a gente

E acho que assim está bem

 

                     I

 

Obrigado meus amigos

Se acaso me permitem o termo

Eu não sou nenhum enfermo

Nem s´tou no rol dos esquecidos

Sou mais um dos incluídos

Neste grupo de boa gente

E por aqui estar presente

Eu sinto um certo prazer

Por isso lhes quero agradecer

Senhores que estão presentes

 

                     II

 

Tenho andado por muito lado

Sempre fui bem-sucedido

E eu penso cá p’ra comigo

Sou um homem privilegiado

Mas tenho de ter muito cuidado

Não vá dizer mal de alguém

Porque isso não parece bem

E para que não seja censurado

Por isso o meu muito obrigado

Minhas senhoras também

 

                     III

 

Junto da nossa juventude

Sou um homem muito feliz

Há um ditado que diz

Goza a vida com saúde

Pois eu tenho essa virtude

Passo a vida alegremente

A reinar com toda a gente

Eu levo o tempo a brincar

Por hoje aqui me encontrar

Obrigado a toda a gente

 

                     IV

 

Vou estando velho e cansado

Já não estou para me ralar

Agora só penso em passar

O meu tempo em qualquer lado

A falar do meu passado

E que eu me encontro bem

Sem dizer mal de ninguém

Vou bebendo o meu copinho

Acompanhado ou sozinho

E acho que assim está bem

 

 

(José Francisco Rúbio)

 


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publicado por Francisco Galego às 08:15
Domingo, 26 de Janeiro de 2014

Estes versos, feitos para serem declamados, podem ter um ritmo e uma métrica diferentes e caracterizam-se pelo encadeado dos versos em função do tema escolhido como nuclear de cada poema.

A preocupação central destas com posições poéticas, é essencialmente narrativa. Em muitas delas predomina a ironia. Outras são mais descritivas, tendo frequentemente um intenção moralizante.

Quanto à estrutura formal, nas “décimas” aparece primeiro uma quadra a que se chama mote. Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (daí o nome décimas). Cada uma dessas estrofes ou décimas, acaba com o verso que, pela mesma ordem, aparece na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira décima, e o último verso do mote terá de ser o último verso da última décima.

No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. Nas décimas o esquema de rima é o a,b,b,a,a,c,c,d,d,c.

 

 

TUDO À TERRA VAI PARAR

 

                     MOTE

 

Além tendes meus amigos,

Por onde haveis de passar;

Confunde-se o rico e o pobre,

E tudo à terra vai parar.

 

           DÉCIMA I

 

Vós que passais vede além,

Na sepultura deserta,

De fria terra coberta,

A face da vossa mãe.

Que poder a terra tem,

Sobre os reis, sobre os mendigos;

Olhai os vastos jazigos,

De tanta família honrada,

Feia porta e negra entrada,

Além tendes meus amigos.

 

           DÉCIMA II

 

Vede além aquela campa,

Cobrindo a corrupta ossada,

Sobre caveira mirrada,

Onde uma cruz se levanta,

No que chamas Terra Santa.

A tão infame lugar,

Onde tudo vai parar:

Esposas, crianças, maridos.

É uma estrada de descuidos,

Por onde haveis de passar.

 

           DÉCIMA III

 

Encima está o bronze santo,

Que toca a fúnebre entrada,

Chorando com voz magoada;

Aqui se acaba o encanto,

Rei dos choros é o pranto.

Confundem-se rico e pobre,

Junto à prateada salva,

E no jazigo de um nobre,

À sombra da murcha malva,

Confunde-se o rico e o pobre.

 

           DÉCIMA IV

 

A terra diz: eu criei

Tudo quanto é vegetal,

Pois tenho direito igual,

Do que criei comerei;

(Logo a terra é alto rei);

Em terra te vou formar,

Pois não tenho outro manjar;

Foi Deus que m’autorizou,

Vós sois terra e terra eu sou,

E tudo à terra vai parar.

 

 

(Manuel Paio)


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publicado por Francisco Galego às 08:00
Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014

Estes versos, feitos para serem declamados, podem ter um ritmo e uma métrica diferentes e caracterizam-se pelo encadeado dos versos em função do tema escolhido como nuclear de cada poema.

A preocupação central destas com posições poéticas, é essencialmente narrativa. Em muitas delas predomina a ironia. Outras são mais descritivas, tendo frequentemente um intenção moralizante.

Quanto à estrutura formal, nas “décimas” aparece primeiro uma quadra a que se chama mote. Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (daí o nome décimas). Cada uma dessas estrofes ou décimas, acaba com o verso que, pela mesma ordem, aparece na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira décima, e o último verso do mote terá de ser o último verso da última décima.

No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. Nas décimas o esquema de rima é o a,b,b,a,a,c,c,d,d,c.

 

 

DÉCIMAS DO SOLDADO 337/60 DO BATALHÃO DE CAVALARIA Nº 1 QUE FOI DEFENDER GLORIOSAMENTE A MÃE-PÁTRIA

 

                              MOTE

 

Adeus lindo Portugal,

 

Adeus meu pai, minha mãe;

 

Se vou à guerra e torno a vir,

 

Sabe-o Deus e mais ninguém.

 

 

 

           DÉCIMA I

 

Adeus linda pátria querida,

 

Adeus terra onde eu nasci!

 

P’ra tão longe vou de ti,

 

Talvez findar minha vida;

 

Esta pena é tão sentida,

 

E p’ra todos tão igual…

 

Adeus linda capital,

 

Já o barco vira a proa.

 

Adeus cidade de Lisboa,

 

Adeus lindo Portugal!

 

 

 

           DÉCIMA II

 

Foi triste a separação

 

Do pai e mãe que me criou;

 

Essa que ao mundo me deitou,

 

Eu trouxe no coração.

 

Desses a quem eu beijava a mão,

 

E me queriam tanto bem,

 

Eu me despeço porém,

 

Com muitas lágrimas a verter.

 

Se os não tornar a ver,

 

Adeus meu pai, minha mãe.

 

 

 

           DÉCIMA III

 

Adeus linda esposa querida,

 

E filho do coração;

 

Em nome duma razão,

 

Que nos pode custar a vida,

 

Nesta guerra tão renhida,

 

Que nos faz daqui sair,

 

Para mais penas sentir.

 

Nós muitos somos casados,

 

Por Deus será determinado,

 

Se vou à guerra e torno a vir.

 

 

 

           DÉCIMA IV

 

Adeus irmãos e cunhados,

 

Adeus parentes e amigos;

 

Sujeitos aos grandes perigos,

 

Nós cá vamos embarcados,

 

Por honra dos aliados

 

E á nossa pátria também.

 

Fiamo-nos na Virgem Mãe,

 

Vitoriosos havemos de ficar,

 

Se eu for r tornar a voltar,

 

Sabe-o Deus e mais ninguém

 

 

 

 

 

(Manuel Paio)

 


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publicado por Francisco Galego às 07:55
Sábado, 18 de Janeiro de 2014

Estes versos, feitos para serem declamados, podem ter um ritmo e uma métrica diferentes e caracterizam-se pelo encadeado dos versos em função do tema escolhido como nuclear de cada poema.

A preocupação central destas com posições poéticas, é essencialmente narrativa. Em muitas delas predomina a ironia. Outras são mais descritivas, tendo frequentemente um intenção moralizante.

Quanto à estrutura formal, nas “décimas” aparece primeiro uma quadra a que se chama mote. Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (daí o nome décimas). Cada uma dessas estrofes ou décimas, acaba com o verso que, pela mesma ordem, aparece na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira décima, e o último verso do mote terá de ser o último verso da última décima.

No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. Nas décimas o esquema de rima é o a,b,b,a,a,c,c,d,d,c.

 

 

 

O POBRE E O RICO

 

              MOTE

 

Sendo tu rico e eu artista,

Sem mim não podes passar;

Enquanto eu tiver vigor,

P’ra ti hei-de trabalhar.

 

           DÉCIMA I

 

Quando no mundo me viste,

À miséria reduzido,

Com ela tenho aprendido,

Este pouco que hoje sei.

Sempre p´ra ti trabalhei,

Ainda não tive outra vista,

Logo, se és capitalista,

É com a força do meu braço,

E tudo o que precisas eu faço,

Sendo tu rico e eu artista.

 

           DÉCIMA II

 

Quando no mundo me viste,

Logo de mim precisaste;

Fiz-te o berço onde t’embalaste

E a cama onde dormiste.

Fiz-te o fato que vestiste,

As botas para calçares;

Para te ensinar a andar,

Fiz-te um carrinho com rodas,

Tenho-te feito tantas modas,

Sem mim não podes passar.

 

           DÉCIMA III

 

Faço-te prédios para habitares,

Amasso o pão p’ra comeres;

Faço livros p’ra aprenderes

E leis p’ra me castigares.

Faço barcos p’ra embarcares,

Sou navegante e pescador,

Sou hortelão e lavrador,

Fabrico o vinho que bebes,

E tudo quanto me deves,

Eu quanto eu tiver vigor.

 

           DÉCIMA IV

 

Já não te faço mais nada!

Vou-te fazer um caixão,

P’ra te levarem à mão,

Á derradeira morada.

Vou-te fazer uma enxada,

P’ra teu corpo sepultar.

P’ra teus ossos encerrar,

Vou-te fazer um jazigo,

E já sem ter contas contigo,

P´ra ti hei-de trabalhar.

 

 

(Manuel Paio)


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publicado por Francisco Galego às 08:50
Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

AS MODAS QUE AGORA USAM

            MOTE

Eu vejo o mundo perdido,

Não sei como hei-de viver;

Tanto cabelo comprido,

E tantas pernas a aparecer!

 

           DÉCIMA I

Onde estarão os nascentes,

Das modas que usam agora?

Os que não trazem de fora,

Usam roupas transparentes,

Usam trajos indecentes.

Devia ser proibido!

Vejo-me comprometido,

Em olhar p´ra mocidade.

Em luxo, em uso e vaidade,

Eu vejo o mundo perdido.

 

           DÉCIMA II

Se um dia vamos à praia,

Não temos que admirar;

Que o que s´está a usar,

Já passa de minissaia!

É tudo a fazer arraia,

Mas todos gostam de ver…

É todo o mundo a dizer:

Já está tudo desnudado!

Mas eu estou velho e cansado,

Não sei como hei-de viver.

          

           DÉCIMA III

Vê-se na rapaziada,

Umas grandes cabeleiras;

Bigodes, suíças e peras,

A patilha enviesada,

Uma calcinha agarrada,

Para ser mais distinto.

Está o luxo introduzido,

Nem sabem o que estão a usar,

Tanta barba por cortar,

Tanto cabelo comprido!

 

           DÉCIMA IV

É custoso diferenciar,

Os homens das raparigas;

Umas com calças compridas,

Outras nem podem andar,

Nem se evitam de mostrar

E até mostram com prazer.

O que é bom é p’ra se ver,

Seja ou não seja perfeito,

É costas, braços e peito

E tantas pernas a aparecer!

 

           (Manuel Paio)

 

 


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publicado por Francisco Galego às 08:44
Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

Estes versos, feitos para serem declamados, podem ter um ritmo e uma métrica diferentes e caracterizam-se pelo encadeado dos versos em função do tema escolhido como nuclear de cada poema.

A preocupação central destas com posições poéticas, é essencialmente narrativa. Em muitas delas predomina a ironia. Outras são mais descritivas, tendo frequentemente um intenção moralizante.

Quanto à estrutura formal, nas “décimas” aparece primeiro uma quadra a que se chama mote. Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (daí o nome décimas). Cada uma dessas estrofes ou décimas, acaba com o verso que, pela mesma ordem, aparece na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira décima, e o último verso do mote terá de ser o último verso da última décima.

No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. Nas décimas o esquema de rima é o a,b,b,a,a,c,c,d,d,c.

 

 

          

           Mote II

 

Nasce o martírio p’ra sofrer,

Nasce o Judas p’ra gozar;

Está o cinismo a embrutecer,

E a inocência a trabalhar.

 

                I

 

Martírio é a tristeza

Que não se sabe defender,

Que trabalha até morrer

De rastos sem ter defesa.

Senhores isto com certeza,

Está muito bem de ver,

Quem este verso compreender

Renega-se de tal raça.

Parecendo cães de caça,

Nasce o martírio p’ra sofrer.

 

                   II

 

Nasce a peste venenosa,

P’ra ser cofre do veneno,

Faz o grande, faz o pequeno,

Com ideia rancorosa.

A fortuna é invejosa,

Não quer senão ganhar,

Com ideias de roubar,

Aquele que ganha o pão.

Com sintomas de João Brandão,

Nasce o Judas p’ra gozar.

 

 

 

 

               III

 

Nasce um homem a esmolar,

O dote do seu coração,

Também nasce um comilão,

Com ideias de roubar.

Nasce um homem p’ra mandar,

Com o estudo aprender,

E não chegou a conhecer,

Quanto custa a produzir.

P’ra maiores penas sentir,

Está o cinismo a embrutecer.

 

 

 

                      IV

 

Nasceu tudo da verdade,

Também nasceu a mentira,

Ainda o que mais admira,

É uma luta de tal vaidade.

Senhores que infelicidade,

Se de dez um par estragar,

Quando se devia poupar,

E trabalhar só p’ra comer.

Quanto é triste assim viver

E a inocência a trabalhar.

 

                        (Declamado por: José Francisco Rúbio)

 


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publicado por Francisco Galego às 08:16
Segunda-feira, 06 de Janeiro de 2014

Estes versos, feitos para serem declamados, podem ter um ritmo e uma métrica diferentes e caracterizam-se pelo encadeado dos versos em função do tema escolhido como nuclear de cada poema.

A preocupação central destas com posições poéticas, é essencialmente narrativa. Em muitas delas predomina a ironia. Outras são mais descritivas, tendo frequentemente um intenção moralizante.

Quanto à estrutura formal, nas “décimas” aparece primeiro uma quadra a que se chama mote. Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (daí o nome décimas). Cada uma dessas estrofes ou décimas, acaba com o verso que, pela mesma ordem, aparece na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira décima, e o último verso do mote terá de ser o último verso da última décima.

No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. Nas décimas o esquema de rima é o a,b,b,a,a,c,c,d,d,c

 

               Mote

 

A mulher com quem eu casei,

Sempre viveu farta e cheia;

Mandava-a temperar a açorda,

Com as “cordalhas” da candeia.

 

                       I

Não via a cor ao dinheiro,

Com isso era estimada,

Muitas vezes era escovada,

C’uma escova de marmeleiro.

Isto é que é o verdadeiro,

Mentiras nunca as direi,

Uma saia lhe comprei,

Ao fim de casado dez anos.

Vendeu tripas aos milhanos,

A mulher com quem casei.

 

                   

                     II

Um ano matei-lhe um porquinho,

Que não pesava uma grama,

Para comer teve fama,

Ainda lhe sobrou toucinho.

Comia muita carne e bebia muito vinho,

Quando chegava em casa alheia,

Se pedia uma boa ceia,

Em recompensa dava-lhe um tombo,

De água nos olhos e lenha no lombo,

Viveu sempre farta e cheia.

 

                      III

Uma vez chamava-lhe filha,

Outra vezes era “canorsa”,

A cama era de palhoça,

Levantava-a com uma forquilha.

Como ninguém ela brilha,

Isso posso eu afirmar,

Fome nunca a deixei passar,

Mas sempre desviada da fartura,

Com a sombra da gordura,

Mandava-a temperar o jantar.

 

                      IV

Era uma boa sujeita,

Disso poso eu dar sinais,

Do que via comer às mais,

Ficava ela satisfeita.

Era de barriga estreita,

Escassa como uma centopeia,

Não enchia tripa e meia,

Era uma louva-a-deus de gorda,

Mandava-lhe temperar a açorda,

Com as “cordalhas” da candeia.

 

                           ( Declamado por: José Francisco Toureiro Rúbio)

 


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publicado por Francisco Galego às 08:03
Quarta-feira, 01 de Janeiro de 2014

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

 

Carlos Drummond de Andrade

 



publicado por Francisco Galego às 08:47
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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