Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012

As quadras que a seguir se transcrevem, referem a situação dos trabalhadores no tempo do Estado Novo. Algumas, de forma divertida, outras clamando contra as duras condições de vida dos trabalhadores, referem a situação dramática dos que, nesse tempo de grande miséria, viviam sujeitos à apertada vigilância dos maiorais e manajeiros e sob a permanente ameaça de despedimento pelos patrões, o que significaria a perda do magro e raro salário que ganhavam, a mourejar de sol a sol, no trabalho do campo. Algumas são também clara manifestação de revolta contra as injustiças e as profundas desigualdades sociais:  

 

Pedi a Deus que me desse,

 Uma vida d’alegria;

Deus então me respondeu,

Trabalha, semeia e cria.

 

O meu vizinho barbeiro,

Passa a vida alegre à porta;

Eu trabalho noite e dia,

Não passo da cepa torta.[1]

 

Homem rico é mandrião,

Faz figura de espantalho;

O pobre sempre a sofrer,

E às vezes nem tem trabalho.

 

Nasci pobre, pobre sou,

Fortuna não me conhece;

Mas enfim, é sorte minha,

Quem mais faz menos merece.[2]

 

Ó rico tira o chapéu,

Vai um enterro a passar;

É o corpo d’um operário,

Que morreu a trabalhar.



[1] Idem, nº 145,  Elvas, 20 de Agosto de 1882.

[2] Idem, nº 137, Elvas, 23 de Julho de 1882.



publicado por Francisco Galego às 16:19
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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