Sexta-feira, 04 de Maio de 2012

 

NA APANHA DA AZEITONA ( III )

 

Azeitona cordovil,

Tem o caroço pintado;

Tenho visto caras lindas,

Só tu és do meu agrado.[1]

                                                       

Eu subi à oliveira,

Sete folhas apanhei;

Foram sete as saudades,

Que p’ro meu amor mandei.

 

A folha da oliveira,

Apertada na mão quebra;

Quem tem uma filha só,

Julga que o vento lha leva.

 

A azeitona já está preta,

Já lá vai para o lagar;

Toda a moça qu’é bonita,

Diz ao pai que quer casar.

 

Azeitona retalhada,

Todo o ano tem valia;

Moça solteira em casando,

Perde logo a fantasia.[2]

 

Oliveira bem cortada,

Sempre parece oliveira;

A mulher que é bem casada,

Sempre parece solteira.[3]

 

Azeitona miudinha,

Vai toda para o lagar;

Eu também sou pequenina,

Mas nasci só para te amar.

 

 

 



[1] Publicada em Cantos Populares Portugueses – Recolhidos da tradição oral, por A.T.Pires. Elvas (1902-1910), p. 15.

[2] Idem, p. 153.

[3] Publicada em A Sentinella da Fronteira, nº 135, Elvas, 16 de Julho de 1882.



publicado por Francisco Galego às 16:37
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
mais sobre mim
Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
15
17
18
19

20
21
23
24
25
26

27
29
30
31


arquivos
pesquisar neste blog
 
Visitas
subscrever feeds
blogs SAPO