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EM OUGUELA

por Francisco Galego, em 26.10.11

Água medicinal


 

“Existe nos arrabaldes da Praça de Ouguela uma antiquíssima fonte, cuja água mineral é muito útil para expulsar os vermes, que vulgarmente lhe chamam lombrigas e que, antigamente, até tinha a virtude de extrair a solitária.

Esta água ainda hoje é procurada e conduzida para Lisboa, Madrid e para outras diversas povoações tanto de Portugal como de Castela. Mas a fonte está em estado de ruína e de dia para dia cada vez mais; e talvez haja séculos que não sejam consertados os seus canos, o que concorre para que as águas das chuvas e de nascentes próximos se introduzam nos mesmos canos e façam com que uma água tão útil seja alterada. Seguramente que, causaria muito melhor efeito, se se explorassem o seus canos até ao nascente.

Os dignos camaristas deste concelho, ainda que tenham grandes desejos de mandarem fazer melhoramentos a esta fonte, não têm meios, por serem as rendas do concelho muito diminutas. Assim, compete ao governo de Sua Majestade mandar fazer esta exploração e incumbir a peritos competentes que analisem a água do seu nascente.

A Fonte da Graça é bem digna de análise e reparos, pois água que tenha tais virtudes não nos consta que haja outra em Portugal.

Temos confiança que o excelentíssimo ministro das obras públicas nos há-de atender.

Manuel Gama Lobo

In, A VOZ DO ALEMTEJO , Nº 4 (2º Ano)      ELVAS, 4ª – FEIRA  3/10/1860

 

 

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publicado às 16:12


ARMAS DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 21.10.11

 

“Foi conquistada aos mouros esta povoação pelos Peres de Badajoz, em 1219; estes a deram à Igreja de Santa Maria do Castelo da mesma cidade, para sua fábrica, sendo bispo daquela catedral D. Pedro Peres, o qual lhe deu por armas a imagem de Nª Sr.ª com um cordeiro e um letreiro circunscrito que dizia – Sigillum Capituli Pacencis.

Foi no reinado de el-rei D. Dinis que veio a pertencer a Portugal. O qual lhe deu, entre outros privilégios, o foral de vila …

As actuais armas de Campo Maior são uma imagem de S. João Baptista. Que se vê no estandarte da câmara municipal desta vila; é provável que fossem adoptadas estas pelos anos de 1521 a 1522, em razão (segundo se lê na constituição do bispado de Elvas) de livrar S. João Baptista esta povoação do contágio da peste, que durou pelo espaço de dois anos, refugiando-se os seus habitantes para um sítio a três quartos de légua da vila, onde formaram choças para viverem, cujo sítio hoje conserva o mesmo nome.

 

Manuel da Gama Lobo

Campo Maior, 8 de Fevereiro de 1860

 

In, A VOZ DO ALEMTEJO –  ELVAS, 4ª – FEIRA , 4/4/1860       Número16

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publicado às 13:59


ASSASSÍNIO HORROROSO

por Francisco Galego, em 16.10.11

Do nosso correspondente de Campo Maior:

 

“O reverendo padre José António Saquette não faltava um só dia a ir cumprir os actos religiosos, na colegiada em que serviu por mais de cinquenta anos; faltando pois a comparecer na igreja nos dias 11 e 12 dos mês corrente, os sacerdotes seus colegas, se admiraram e, por isso, foram á porta dele que acharam fechada e, em seguida, recorreram á autoridade competente para judicialmente se lhe abrisse a porta. Encontraram! … Oh! Que horror! … Um cadáver assentado numa cadeira, junto a uma mesa, na acção de estar ceando. Estava o padre Saquette barbaramente assassinado com dezassete feridas feitas com vários instrumentos e uma, que tinha na testa, demonstrava ter sido feita com um machado. O padre não tinha criado, nem criada. Vivia só. Tinha fama de ter dinheiro e, além do seu, era depositário de algum das diversas confrarias a que pertencia e também de adornos de imagens, todos de prata e de valor. As autoridades têm feito as pesquisas possíveis para serem descobertos os assassinos. Campo Maior está aterrado, pois os roubos têm sido frequentes, sendo preciso estabelecer-se uma ronda nocturna, a quem alguns proprietários pagam, a qual alguma coisa tem evitado, mas não tudo, como se está vendo.”

 

(No mesmo Noticiário, um pouco mais adiante)

 

Homicidas

            “Há dias entraram nas cadeias desta cidade (Elvas) três indivíduos de Campo Maior, por serem acusados de terem assassinado o padre Saquette daquela vila. Um deles era regedor de uma das freguesias de Campo Maior!

            Quiséramos que o processo decorresse com brevidade, como quiséramos ver punidos com o rigor das leis os perpetradores de tão atroz delito. Os castigos produzem tanto maior efeito quanto mais recente está o crime que os justifica.”

 

In, A VOZ DO ALEMTEJO –  ELVAS, 5ª – FEIRA , 15/2/1860       Número 9

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publicado às 18:27


DA VINHA E DO VINHO

por Francisco Galego, em 11.10.11

Passámo a época das vindimas e estamos no início de nova produção vinícola.

 O vinho é uma das mais antigas produções do nosso território. Foram os romanos que o introduziram associado à produção dos cereais e do azeite. Estes três produtos agrícolas compunham a trilogia básica de sustentação para as populações romanizadas. A pecuária, sobretudo suínos e ovinos, eram as produções complementares para o abastecimento da carne, do leite e da lã.

Mas o vinho foi sempre considerado uma produção de excelência. Na Idade Média era tomado como complemento alimentar de grande importância e eram-lhe atribuídos efeitos terapêuticos no ataque a muitas maleitas. Nos Descobrimentos Marítimos, os navegadores perceberam que o vinho era o principal antídoto para o terrível escorbuto que resultava de uma alimentação desvitaminada por não poderem ingerir produtos frescos como frutas e vegetais, durante as longas viagens sem se aproximarem de terra.

 

O vinho foi sempre produzido em particamente todas as regiões do nosso país. Mas, no Alentejo, até há pouco tempo, a vinha ou bacelo aparecia associada ao olival. Com o alastramento da filoxera, a vinha sofreu forte redução na segunda metade do século XIX.

Actualmente, o vinho pode ser considerado produto de destaque da nossa produção agrícola por três ordens de razões: pela quantidade, pela variedade e pela excelência da sua qualidade. São portugueses alguns dos vinhos mais famosos do mundo.

 

Para ficarmos como uma noção da projecção dos vinhos portugueses, consideremos os seguintes dados:

- Em 1756 foi criada a Região Demarcada do Douro, primeira região vitivinícola a ser demarcada em todo o mundo. Governava em Portugal o Senhor Marquês de Pombal, em nome de Sua Majestade, D. José, soberano absoluto do Reino de Portugal e dos Algarves d’aquém e d’além-mar;

- No ano de 2010 foram vendidos 86 milhões de litros de vinho do Porto, tendo sido facturados dois milhões e meio de euros na exportação de vinho do Porto para o Brasil e o aumento das exportações de porto nesse ano foi de cerca de 3% o que correspondeu a 370 milhões de euros;

- A venda de vinho da Madeira no primeiro semestre de 2011 aumentou 5% e a venda total deste vinho para o estrangeiro atingiu a soma de 6.750 milhões de euros.

 

Mas, porque as condições climáticas não foram as mais favoráveis, espera-se uma redução de 30% na produção de vinho na Região Demarcada do Douro.

Por outro lado, há problemas difíceis de compreender no que respeita à produção do vinho: os agricultores queixam-se de uma sufocante falta de apoios e de se verem coagidos a vender a sua produção a preços muito baixos.

Coisas deste modo português de complicar em vez de facilitar, ou malhas que o “cego” capitalismo tece?

 

(Fonte de dados; DN, 2/10/11)


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publicado às 21:39


À PROCURA DE UM NOVO MODELO?

por Francisco Galego, em 06.10.11

Com a criação do 2º modelo a que podemos chamar “das flores de papel”, as festas que já tinham sido oficialmente chamadas de “Festas em Honra de São João Baptista” e de “Festas do Povo”, embora o povo insistisse em chamar-lhe “Festas dos Artistas”, as festas de Campo Maior começaram a ser conhecidas como “Festas da Flores”.

Porém, devido a factores políticos e sociais que provocaram grandes mudanças na sociedade, as “festas” conheceram um período de apagamento não se tendo realizado entre os anos de 1972 e 1982.

Desde início dos anos oitenta do século passado, as “Festas” regressaram mas com tal dimensão e fulgor que alguns designam este novo período como o do “gigantismo das Festas do Povo”.

Por um lado, a decoração das ruas e largos tornou-se cada vez mais elaborada. Por outro lado, a área ornamentada foi-se estendendo para novas zonas urbanizadas. Estes dois factores associados atraíram cada vez mais visitantes.

Um escritor regional traduziu esta nova mudança chamando significativamente a 1985 o “ano das multidões” e a 1989 o “ano do milhão”, tal foi a afluência de visitantes que se então se verificou.

Este “gigantismo” correspondeu a um maior nível de exigência e gerou a necessidade de criar um novo modelo que adaptasse as “Festas” às suas novas condições.

As “Festas do Povo de Campo Maior” encontram-se desde então numa situação dilemática:

- Para responderem a novas necessidades exigem Inovação;

- Para não se descaracterizarem, têm de preservar a Tradição.

Fundamentalmente, o dilema consiste em:

Como inovar mantendo a tradição?

A nível da inovação urge encontrar um modelo de gestão que consiga estruturar uma equipa que conceba, desenvolva e avalie um projecto adaptado às novas circunstâncias. Esta necessidade já se manifestou na criação da Associação das Festas de Campo Maior em 1994.

A nível da produção, torna-se difícil conciliar alguma “profissionalização” sem com isso afectar a imprescindível participação activa e empenhada da população.

Como a necessidade é mestra de engenho, tenhamos confiança de que iremos encontrar as melhores soluções.

 

 

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publicado às 19:21


FESTAS DO POVO DE CAMPO MAIOR - O MODELO INICIAL

por Francisco Galego, em 01.10.11

As “Festas do Povo” têm-se desenvolvido ao longo de mais de um século em várias etapas que correspondem a sucessivas adaptações às mudanças políticas e sociológicas por que foram passando o país e vila de Campo Maior. Isto sem falar das suas raízes, mais remotas, no início do século XVIII, em que a “Festa” não passava de uma celebração religiosa em honra de S. João Baptista e que tinha lugar no dia 28 de Outubro de cada ano.

Contudo, foi em 1893 que surgiu o modelo que iniciaria o processo que verdadeiramente originou as “Festas” que conhecemos na actualidade. Nesse ano surgiu o primeiro modelo que iria perdurar até meados do século passado e que consistia fundamentalmente em ornamentar os espaços públicos com ramos, com pequenas lamparinas de azeite, com balões de papel para protecção das velas de cera para iluminar as ruas à noite. Os mais abastados, tinham por hábito ornamentar e iluminar os átrios das suas casas que mostravam, mantendo abertas as portas e as janelas. Alguns artesãos construíam habilidosos engenhos ou interessantes cenários que exibiam nos largos ou em frente às suas casas.

 Neste primeiro modelo, as “Festas” consistiam em missa solene, procissão, mastros enramados, touradas, arruadas e concertos pelas bandas, iluminações nocturnas, cantares e bailes de roda.

Nos anos trinta e quarenta do século XX, começaram a aparecer as ornamentações de papel. Primeiro muito timidamente, consistiam em bandeirolas e franjas a ligar os mastros, mas ainda sem flores de papel.

O modelo a que poderemos chamar “das flores de papel”, só surgiu no início dos anos cinquenta. Concretamente foi nas “Festas” de 1952 e 1953 que apareceram as primeiras ruas que fizeram das flores o elemento principal da sua ornamentação. Os mais velhos lembrar-se-ão das “trapaças”, flores muito simples e singelas que substituíram as franjas e as bandeirolas na formação dos tectos e dos cadeados que substituíram os festões em ramagem de bucho.

Foi nesses anos que começou uma nova evolução que não parou até aos dias actuais.

 

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publicado às 18:08


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