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A COMEMORAÇÃO DA PÁSCOA ( II )

por Francisco Galego, em 31.03.10

Nos anos 50 do século passado, as coisas começaram a mudar. A emigração, tanto interna como para o estrangeiro, provocou grandes mudanças na sociedade campomaiorense. Foi por essa altura que se começou a generalizar o hábito das famílias se deslocaram para junto dos rios para celebrarem a Páscoa. Primeiramente em grupos pequenos, partiam em carroças no Domingo de Páscoa ainda quando o sol mal começara a raiar e regressavam ao cair da tarde. Quem tinha familiares num monte ou num moinho à beira-rio podia arriscar-se a permanências de mais de um dia. Mas o tempo era ainda muito incerto e não havia os recursos “campistas” que existem hoje para se acampar em qualquer lugar. Além disso, as pessoas, nesse tempo, gostavam ainda de guardar recato e, por isso, escolhiam lugares onde pudessem estar com alguma privacidade. Assim, o mais normal era que fossem muitos os lugares para onde as famílias se deslocavam para celebrar a Páscoa.

Lembro-me de a Ermida de Nossa Senhora da Enxara ser um lugar ermo, abandonado e em tal estado de degradação que as suas dependências serviam para recolha de gado. Depois começou a ser escolhida por grupos de homens que aí se juntavam para acamaradarem em alegre convívio. Lentamente começaram a aparecer as famílias até que, por volta dos anos 60, se transformou no lugar de romaria que é nos dias correntes. A beleza do lugar, a facilidade do acesso para o crescente número de automóveis que foram surgindo, a recuperação de antigos actos de culto religioso, o aperfeiçoamento dos recursos para acampamentos, tudo se conjugou para que tão rapidamente se tornasse na maior romaria em que actualmente participam os campomaiorenses.

 

 

 

A Ermida de Nossa Senhora da Enxara, antes da actual restauração. Foto de Orlando Ribeiro, in: Geografia e Civilização. Temas Portugueses, 1961.

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publicado às 09:00


A COMEMORAÇÃO DA PÁSCOA ( I )

por Francisco Galego, em 28.03.10

Esta antiga tradição sofreu, na minha terra, mudanças muito significativas ao longo dos últimos cinquenta anos. Pouco sobreviveu do que ainda recordo dos meus tempos de infância. Nesse tempo, o essencial da comemoração da Páscoa passava mais pelas manifestações de culto, sobretudo as várias procissões que se realizavam: a do Senhor dos Passos, a de Nossa Senhora das Dores, a de Domingo de Ramos e a do Senhor Morto.

Lembro-me do costume de se cobrirem de ramos e flores as calçadas das ruas por onde passava a procissão e frente aos Passos, do esmero com que cada Passo era ornamentado, havendo até um certo despique para cada um ser o mais bonito. Recordo também a peregrinação que as famílias faziam na visitação das Igrejas e dos Passos que estavam ornamentados e iluminados a preceito. Também recordo o costume de não se consumir qualquer espécie de carnes em todas as Sextas-feiras da Quaresma.

Nessa época as procissões eram espectaculares. Sobretudo a do Senhor dos Passos que incluía o Encontro no Terreiro. A imagem dramática do Senhor, carregando a pesada cruz, percorria a via-sacra da visitação dos Passos. Regressando pelo Terreiro, encontrava-se com as imagens de São João Evangelista e de Nossa Senhora das Dores as quais, saindo em procissão da Matriz, desciam pela Rua Estreita, vindo ao seu encontro.

Começava então o sermão perante as três imagens santas reunidas a meio do largo. Este era feito por pregadores de renome, creio que dominicanos, convidados especificamente para esse efeito. Alguns desses pregadores eram precedidos de tal fama que, quando se sabia que vinham, atraíam tal assistência que o acanhado espaço do Terreiro não dava para conter tanta gente. Esses monges pregadores atingiam tal efeito dramático com as suas prédicas que conseguiam comover profundamente a audiência que os escutava em profundo silêncio.

Para a rapaziada, a comemoração da Páscoa começava verdadeiramente no Sábado de Aleluia. Juntavam-se no Largo da Matriz munidos dos chocalhos. Esperavam com impaciência que os sinos da igreja anunciassem a Ressurreição. Quando os sinos começavam a repicar anunciando a ressurreição do Senhor, partiam em revoada percorrendo as ruas da vila parando a chocalhar furiosamente em frente às lojas de comércio até que o comerciante que já estava previamente preparado, lançasse sobre aquele bando ávido, os rebuçados, as amêndoas e os confeitos. Os adultos divertiam-se com as autênticas batalhas que se travavam procurando cada qual recolher o maior número de doces possível.

Para as famílias, a festa acontecia verdadeiramente no Domingo de Páscoa. A maioria das pessoas vestiam os seus trajes domingueiros e iam em passeio até à Ermida de São Joãozinho comer o folar. Aí a banda dava concerto, improvisavam-se bailaricos, namoriscava-se. Algumas famílias optavam por ir até às quintas e às hortas que rodeavam a vila.

A festa da Páscoa era em grande parte também uma festa de sabores: o ensopado, o assado de borrego, o arroz de miúdos e os bolos amassados, merengues, broinhas, que faziam as delícias de crianças e adultos. Infelizmente eram tempos de grandes dificuldades. Tempo da Grande Guerra, de faltas de quase tudo, tempo de grandes misérias. Por isso, nem todos tinham acesso a tais iguarias. De qualquer modo, cada um, de acordo com as suas posses, procurava ter “rancho melhorado” e, ainda que pouco, o borrego era a base dos comeres nesta celebração.

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publicado às 20:16


RAZÕES DE ESPERANÇA…(II)

por Francisco Galego, em 21.03.10

Defendo a aposta nas novas gerações porque, além de ter convivido com elas durante quase toda a minha vida, entendo que nos mais jovens se encontra a possibilidade de lançar os alicerces de projectos que gostaríamos que se realizassem no tempo. Afinal são eles que cá estarão num futuro próximo.

Muitos pensam que não vale a pena apostar nos jovens porque estes não se interessam senão com as coisas que os divertem. Com o devido respeito, permitam-me afirmar que não há nada mais errado do que pensar assim. Nas novas gerações há certamente atitudes de desvario que merecem ser censuradas. Ninguém de bom e perfeito juízo será capaz de negar tal evidência. Mas, provavelmente, foi assim em todos os tempos. Eu, por lidar desde há muito com o conhecimento do passado, fui descobrindo os problemas que existiram noutros tempos e verificando que, quanto mais recuamos no tempo, maiores eram os problemas e menores eram os recursos para os resolver.

Vivemos hoje numa sociedade de informação. Tudo que aconteça, em qualquer parte do mundo, chega rapidamente ao nosso conhecimento. E o volume desses factos que diariamente até nós chegam é de tal ordem que chega a assustar-nos.

Os jovens de hoje já nasceram num mundo diferente. A informação faz parte integrante do seu modo de viver. E, se há jovens que se perdem nos descaminhos da vida, isso também acontecia em tempos passados, com a agravante de que os nossos pais e avós não tiveram tantas oportunidades como aquelas que estão a ser dadas aos nossos filhos e netos.

A grande maioria dos que nasceram em Campo Maior no tempo dos pais e dos avós da minha geração, tiveram apenas como oportunidade de vida, sem alternativa nem escolha, arrastarem-se numa vida de esforçado trabalho nos campos, com muito pouco conforto e com a presença constante de carências que hoje nem conseguimos imaginar.

Por mais que os problemas nos atormentem, mantenhamos a confiança num futuro melhor e na capacidade das novas gerações que irão construir as condições de vida no futuro que eles próprios irão construir. O caminho natural da vida é o progresso, ainda que por vezes as coisas desandem de tal maneira que até nos possa parecer que estamos a regredir.

Esta convicção não me vem de uma natureza optimista mas da convicção que retiro do estudo que tenho feito acerca da evolução das sociedades humanas ao longo do tempo. Mesmo os períodos de profunda crise como o que estamos a atravessar são, na maior parte dos casos, fases de transição em que se dão os ajustamentos necessários para resolver os problemas levantados por erros que se foram acumulando e que é necessário corrigir. Mesmo que nos pareça que o mundo “via desabar sobre as nossas cabeças”, convém manter sempre a esperança numa melhoria do tempo que está para vir. Os que se consomem a pensar que o “mundo está perdido” acabam por se condenar a não aproveitarem o que de bom a vida tem para nos dar. Penso assim não por infundado optimismo mas porque procuro desenvolver um pensamento crítico acerca da vida. Pensar criticamente é pensar com optimismo. A melhor forma de encarar o futuro é não querermos que ele seja uma estagnação e uma repetição do passado. Só acreditando que a mudança se dá no sentido do progresso podemos contribuir para a criação de um futuro melhor. O optimismo é uma forma crítica e inteligente de entender o caminho da humanidade.

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RAZÕES DE ESPERANÇA…(I)

por Francisco Galego, em 16.03.10

Fui um dos muitos que tiveram de partir à procura de oportunidades que, naquele tempo, não existiam em Campo Maior. A consequência, não prevista nem desejada pelo jovem que daqui partiu com cerca de treze anos, foi a de a maior parte da minha vida ter decorrido por outras terras onde o destino e a profissão me levaram ao longo de meio século.

Afastado geográfica mas não afectivamente, pois sempre mantive laços com a terra que foi o espaço da minha infância e de parte minha adolescência, voltei vai para cinco anos. Encontrei mudanças que me chocaram. Atitudes e comportamentos que me surpreenderam. Deixei que o tempo me mostrasse causas e razões. Formulei explicações, fui elaborando juízos de valor e alicerçando opiniões. Fiz escolhas tentando encontrar o que melhor garantisse que seria feito o que me parecia ser mais necessário.

E aqui estou expectante de que esta terra possa voltar a conceber e a desenvolver projectos que lhe possibilitem um futuro melhor do que o passado recente que foi o seu viver nas últimas duas décadas da sua existência. Às vezes desespero e chego a pensar que as perspectivas de mudança são tão ténues e tão demoradas que talvez uma real mudança nem chegue a acontecer. Para me convencer a mim próprio, procuro razões para acreditar que poderá haver um futuro mais risonho para esta terra. Bastaria que fosse possível vencer esta acomodação em que se caiu.

Estou consciente das dificuldades que se nos deparam. Não tenho, como é evidente a capacidade mágica de apontar soluções infalíveis para resolver o problema. Mas creio que a aposta em projectos de qualidade é sempre o meio mais seguro para encontrar o caminho para essas soluções.

Sei também que será praticamente impossível mudar os hábitos culturais das gerações mais idosas. Por isso entendo que poderá haver grande vantagem em apostar em projectos virados para as gerações mais jovens. Desejo sobretudo que, havendo verdadeiro empenho e autêntica vontade de desenvolver projectos bem estruturados, haverá a possibilidade de derrotar a acomodação, a lassidão e o marasmo que vai sufocando lenta mas inexoravelmente a vida local.

 

 

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publicado às 18:28


QUEM FOI O VISCONDE DE OUGUELA?

por Francisco Galego, em 03.03.10

Carlos Ramiro Coutinho foi conhecido pelos títulos adquiridos de 3º Barão de Barcelinhos e de 1º Visconde de Ouguela. Nasceu em Lisboa a 30 de Junho de 1828. Era filho de Ricardo Sylles Coutinho e de D. Rosa Máxima da Silva Coutinho.

O pai do Visconde de Ouguela era um dos heróis da luta contra o absolutismo de D. Miguel. Integrou a falange que, em 1933, combateu ao lado de D. Pedro até à vitória final dos liberalistas e restauração da monarquia constitucional. Tornou-se depois um importante comerciante da praça de Lisboa, tendo conseguido alguns meios de fortuna que lhe permitiram dar uma cuidada formação a seu filho. Manteve até ao fim dos seus dias a casa comercial, situada em pleno Chiado, que era ponto de encontro e tertúlia dos que perfilhavam os ideais liberalistas.

No colégio que frequentou em Lisboa, foi colega de Camilo Castelo Branco, tendo mantido, até ao fim dos seus dias, uma grande amizade com este grande escritor. Frequentou a Universidade de Coimbra onde fez, com grande brilhantismo, o curso de Direito. Atingiu rapidamente notabilidade como advogado, distinguindo-se na defesa de casos difíceis que foram muito divulgados pelos principais órgãos de imprensa do seu tempo.

Desde muito cedo abraçou os ideais democráticos, aproximando-se dos princípios preconizados pela ideologia socialista. Era, sobretudo, um filantropo e um idealista muito propenso a gestos de grande alcance humanitário. O carácter avançado das suas ideias e as suas actividades políticas provocaram muitos ressentimentos e rancores. Acusavam-no de republicano e de perigoso revolucionário. Na verdade, ao longo de toda a sua vida, manteve-se sempre bastante conservador no que respeitava aos seus hábitos sociais e estilo de vida. Ainda muito novo foi nomeado moço fidalgo com exercício no paço e exerceu um cargo de grande notabilidade como o de Ouvidor do Conselho de Estado. Chegou mesmo a conviver com o rei D. Luís que manifestava por ele elevada consideração.

Em 1859 tornou-se deputado, integrando no Parlamento a facção que apoiou os governos regeneradores de Fontes Pereira de Melo, Casal Ribeiro e Martens Ferrão.

Em 1860 foi nomeado Ajudante e Substituto Honorário do Procurador-geral da Fazenda Nacional. No mesmo ano casou com a viúva do Barão de Barcelinhos, tornando-se responsável pela gestão de uma casa de tão grandes encargos e haveres que teve de se afastar durante algum tempo da actividade política.

Em 1864 pediu a demissão do cargo de Substituto do Procurador da Fazenda e foi agraciado com o título de Barão de Barcelinhos que tinha sido usado pelo anterior marido de sua mulher. Por esta altura, passou a interessar-se vivamente pelo concelho de Campo Maior, principalmente pela aldeia de Ouguela. Seria a preparação para o título que lhe viria a ser atribuído alguns anos depois? O que aconteceu de facto foi que, em muito pouco tempo, se tornou o maior proprietário e contribuinte do concelho de Campo Maior.

Em 1867 assumiu a chefia da comissão que defendeu junto do governo e do rei a defesa da continuação do município, ameaçado de extinção pela reforma administrativa de Martens Ferrão.

Por decreto de 31 de Maio de 1868 recebeu o título de Visconde de Ouguela.

Pelas obras que escreveu, pelos cargos que ocupou, pela sua acção humanitária em defesa dos oprimidos, principalmente dos operários, tornou-se uma das mais notáveis figuras do seu tempo. Foi agraciado com várias distinções pelo governo português e pelos governos de Espanha, da França e da Rússia.

Era possuidor de avultados bens. Possuía propriedades rústicas e urbanas no valor estimado de 342 contos de réis em Lisboa, na Ilha da Madeira e no Concelho de Campo Maior. Só de contribuições prediais pagavam 2.450$000 contos de réis. Além disso, possuía avultados bens móveis em acções, inscrições e valores de carteira e era accionistas do Banco de Portugal.

Em 1872 o Visconde de Ouguela estava envolvido no projecto de criação de um novo banco que se deveria chamar Banco Real e Nacional. Precisamente neste ano de 1872, o Visconde foi atingido por duas tremendas tragédias que o haviam de aniquilar. Uma, a nível familiar, foi a morte de uma enteada a quem o ligava um profundo afecto, atingida por doença irremediável e de prolongada agonia. A morte desta criança, lançou-o numa profunda tristeza. Sete dias depois da morte da criança que tanto adorava, em Agosto de 1872, devido a uma delação caluniosa, foi acusado de ser participante activo numa conspiração para atentar contra vida do rei D. luís, com o objectivo de derrubar o trono e o sistema político. Em consequência dessa acusação, foi preso por algum tempo na cadeia do Aljube. Embora tivesse sido ilibado de todas as acusações, estes factos causaram-lhe uma mágoa tão profunda que se retirou completamente de todas as actividades como homem público e desistiu de todos os seus anteriores projectos.

A gente de Ouguela terá, deste modo, perdido uma grande oportunidade para afastar os fantasmas da inevitável decadência da sua terra.

O visconde de Ouguela que tinha sido uma das mais notáveis figuras do país no terceiro quartel do século XIX, morreu completamente retirado e de certo modo esquecido, em 5 de Janeiro de 1897.

 

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publicado às 13:40


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