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DOS HOMENS E DA NATUREZA DAS COISAS

por Francisco Galego, em 26.02.10

Francis Bacon viveu em Londres entre 1561 e 1626. Importante filósofo e cientista, critico implacável do pensamento escolástico dominante na Idade Média, fundou a corrente de pensamento que ficou conhecida como o “empirismo inglês”. Elaborou uma teoria acerca da indução científica que o torna um dos criadores do pensamento científico moderno. Foi também um político influente com uma brilhante carreira como parlamentar e como chanceler no tempo em que na Inglaterra reinava Isabel I e em que Portugal, sob o domínio da Espanha era governado pelos “Filipes”.

Dele encontrei num dos jornais da semana que agora termina esta frase carregada de profunda compreensão das coisas: Só se pode vencer a natureza obedecendo-lhe

Com isto queria o brilhante pensador significar algo que muitos dos que, vivendo hoje, quase quinhentos anos depois, em pleno século XXI, teimam em não querer discernir: só pela compreensão sistemática das coisas da natureza conseguimos evitar que ela se volte contra nós, com a violência extrema que manifesta, quando contrariada pela teimosa ignorância dos humanos, como agora aconteceu na tragédia provocada pelas fortes chuvas que caíram na Madeira.

A arrogância dos homens é quase sempre directamente proporcional à sua ignorância. Depois, acabam sempre por sofrer as terríveis consequências.

Dizia Camões, poeta filosofante: Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades. Verdade absoluta porque incontestável. No entanto, há uma coisa no mundo que parece mudar tão pouco que, às vezes, se torna exasperante: como teima em manter-se tão agarrado a preconceitos tolos e infundados o comportamento de certos humanos!

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publicado às 17:47


Carnavais de outros tempos

por Francisco Galego, em 21.02.10

Depois do Carnaval, a Quaresma. Depois dos excessos e dos exageros, vem um tempo de sossego e de contenção.

Por temperamento, nunca fui de me envolver neste tipo de manifestações. Mas, nas minhas investigações, fui encontrado referências ao Carnaval de outros tempos e a maneira como era celebrado aqui, em Campo Maior. Por algumas notícias em antigos de jornais, pude aperceber-me das tradições carnavalescas que foram desaparecendo. Uma delas que eu ainda conheci, em tempos da primeira adolescência, antes de sair da vila, era o famoso baile da pinhata. As coisas passavam-se, mais ou menos, do seguinte modo: à mocidade, embalada pelos dias de folia, custava-lhe a despedida do Carnaval. Procurava, portanto, a todo o custo, prolongá-lo evitando mergulhar no período de abstinência que se ia seguir até à Páscoa. Por isso, no primeiro domingo da Quaresma, faziam-se, nas sociedades recreativas, os muito concorridos bailes da pinhata. Esta tradição que era bastante antiga, ter-se-á constituído por influência de Espanha. Penso assim porque me baseio numa notícia publicada num jornal de Elvas, O Transtagano, de 24 de Fevereiro de 1861, onde li o seguinte: este é o nome que tem o baile de máscaras que, no reino vizinho, pelo menos em Badajoz, costuma ter lugar no primeiro domingo de Quaresma. A dar fé neste documento, nessa época, a tradição dos bailes da pinhata ainda não estava implantada em Portugal.

Outra tradição carnavalesca a que ainda assisti foi a batalhas das flores de que encontrei uma preciosa descrição com mais de oitenta anos, no jornal O Campomaiorense que, numa notícia de 1923, descreve o Carnaval com bastante pormenor e numa linguagem bastante colorida. Esta batalha das flores poderá talvez ser considerada o antepassado dos actuais cortejos carnavalescos. Mas a outra, o enterro do carnaval, já não faz parte das minhas recordações. Na notícia que se transcreve parece haver uma continuação da marche aux flambeaux que encontrei descrita em jornais do século XIX. Proponho-vos a leitura da notícia:

“A época carnavalesca teve este ano um brilho desusado e que há muitos anos não tinha nesta vila … Fez-se uso dos saudosos pós pretos, malagueta queimada, talos de couve, águas sujas lançadas das janelas sobre os transeuntes, …esguichos e enfarruscadas…arremessaram-se ovos de cinza e até ovos de verdade…

No domingo e na terça-feira de Carnaval houve festivas batalhas de flores no corso elegante da Canada, onde uma enorme fila de algumas dezenas de coches, landaus, berlindas e cadeirinhas, volteavam para baixo e para cima num rodopio de carrossel. Deram viva nota os carros da elite feminina que se esmerou nas ornamentações a capricho e na confecção das toilettes garridas das senhorinhas. As crianças participaram como cúpidos, pierrots e pequenas fadinhas, animando o ambiente com a sua inocente alegria e as suas estridentes risadas.

Muitos caros artisticamente ornamentados, participaram neste cortejo, brincando-se muito por toda a parte, dos carros para as janelas e das janelas para rua, travando uma autêntica batalha de papelinhos, tremoços, violetas, rebuçados e bombons.

 Pelas ruas, mascarados sem conta, luzidias cavalgadas, paródias, cegadas.

Bailes em quantidade. Os que se realizaram em casa dos Srs. Viscondes de Olivã primaram pela distinção. Houve também bailes nas casas do Sr. Barbas, do Sr. José Ramos e na do Sr. João Martins Leitão, nos quais se dançou e cantou até altas horas da madrugada.

Os bailes no Teatro do Castelo foram espampanantes de entusiasmo e os concursos de máscaras provocaram grande entusiasmo. Dançou-se o foxtrot, o two-step, o jazz-band, bem como danças regionais e nacionais.

No Grémio brincou-se, riu-se e dançou-se. Disseram-se frases de espírito e esboçaram-se alguns namoros. Várias senhoras da nossa melhor sociedade cantaram árias e canções para deleite dos que as puderam escutar.

Quando o baile terminou – 8 da manhã! – já o sol doirado e brilhante se espraiava alegre e contente pelas ruas da vila.

Para em tudo ser completo, o Carnaval terminou no enterro do Entrudo com a sua imponência macabra e tétrica, como se pode ajuizar pelas centenas de fantasmas envoltos em lençóis brancos, formando duas longas filas, conduzindo tocheiros acesos, numa guinchadeira de pranto infernal…

Atrás o esquife funerário seguido pela banda que executava com muito sentimento e profunda mágoa a marcha fúnebre de Chopin…

De vez em quando o cortejo parava para ser entoada a magistral oração do bacalhau a pataco por um sumo-sacerdote de voz de cana rachada.

Acabou-se o Carnaval. O Entrudo ficou morto e enterrado. Que descanse em paz até ao novo ano.”

 

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publicado às 12:46


Um enfado de Carnaval

por Francisco Galego, em 19.02.10

Quando escrevo este texto é Quarta-feira de Cinzas. Terminou o Carnaval. Guardadas as máscaras e os trajes exibidos pelas figuras grotescas do Entrudo, a vida vai agora voltar à normalidade. Este ano, o tempo não ajudou: a chuva constante anulou os planos dos promotores dos folguedos. Por razões familiares, não estive presente para assistir às manifestações carnavalescas em Campo Maior. Não posso, portanto opinar sobre o brilho e a alegria dos festejos.

Na localidade onde me encontro, as ruas costumavam despovoar-se, os lugares de estacionamento ficavam desertos. O pessoal debandava para os corsos das localidades próximas. Noutros tempos, havia quem se atreve-se a ir até à Mealhada. Alguns iam até Torres Vedras de antiga fama e tradição pelos seus cortejos. A maioria, ficava-se por Loures, fazendo um Carnaval mais caseiro e mais em conta.

Este ano não. Os centros comerciais da zona estavam cheios de gente que, enfastiadamente, gastava o tempo concedido pelo fim-de-semana prolongado pela ponte e pelo feriado. Que monótonos são, na maioria das vezes, os tempos livres das populações suburbanas desta cidade… Sobretudo quando chove e nem dá para esticar as pernas entorpecidas pela rotina diária dos dias de trabalho. Por isso faz-se a triste peregrinação destes grandes espaços onde as pessoas se amontoam para fazer pouco mais que nada: olham-se as montras, espreitam-se as lojas contendo qualquer impulso consumista porque, neste tempo de crise, os orçamentos não permitem descuidos mais ousados que as modestas concessões para dar algum prazer às crianças. Alguns permitem-se o luxo de ver um filme, tomar um café, comer um bolo. Depois vão voltar a casa e mergulhar no sofá em frente ao enfado de uma televisão que, na maioria das vezes, nem sequer os diverte.

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publicado às 12:10


DESMASCARAR-SE NO CARNAVAL

por Francisco Galego, em 16.02.10

                                                                                             

O jornal de hoje traz uma frase que encerra o seguinte pensamento:

Que ideia a de que no Carnaval as pessoas se mascaram.

No Carnaval desmascaram-se.

Vergílio Ferreira (1916-1996)

 

Parecerá estranha semelhante afirmação. Mas quem o conheceu, não como escritor, mas como pessoa, facilmente entenderá o que ele pretendia significar. O sorumbático mas amável professor que conheci no liceu de Évora, era bastante céptico sobre as reais intenções da maioria das pessoas com quem tinha de conviver no quotidiano da sua vida. Lembro-me da ironia mordaz que usava para comentar os apatetados ditos e comportamentos que ousávamos exibir na sua presença. A disciplina nas suas aulas impunha-se sem gritos nem alaridos. Ele conseguia impor-nos silêncio com o peso do silêncio com que nos intimidava. Nunca sobrepunha a sua voz ao nosso alarido. Olhava-nos em silêncio e nós acabávamos por serenar. Seguia-se então a aula que, sem que quase nos apercebêssemos disso, se tornava importante a ponto de a seguirmos com gosto.

Tentando hoje perceber o sentido desta frase, apercebo-me de que, como pessoa, Vergílio Ferreira procurava acima de tudo parecer aquilo que era e ser aquilo que parecia. Daí a dimensão de autenticidade que a sua imagem projectava naqueles que com ele privavam. Ao contrário de quase todos os outros que afivelam a máscara do que pretendiam parecer, ele era aquilo que parecia e assumia plenamente, com toda a naturalidade, aquilo parecia ser.

Por isso, o Carnaval que é um período de licença para comportamentos não sujeitos, nem a repressões, nem censuras, serve para que alguns possam tentar parecer aquilo que no fundo gostariam de ser, ou seja, para tirarem em público a máscara com que disfarçam a sua real natureza, ou com que escondem a patetice do seu verdadeiro estado de alma.

Vergílio Ferreira tinha um filho da minha idade, meu colega de turma. Éramos vizinhos: a casa onde eu me hospedava ficava a escassos metros da rua onde moravam. Durante bastante tempo, fomos inseparáveis. Chamava-me parceiro, esse companheiro de adolescência que perdi de vista, como muitos outros, ao longo da vida. Não era filho biológico, pois que, como ele e eu acidentalmente descobrimos, era filho de um casamento anterior de sua mãe, Regina, nossa professora de Desenho.

Por um erro ou descuido que ainda hoje não sei explicar, tinham-no mantido na ignorância desse facto até aos catorze anos de idade. Não lhe fez nada bem esse segredo, como vim a saber anos mais tarde. Todos nós falhamos. Aqui está a prova de como o homem que nunca aceitou afivelar máscaras, para nunca ter vontade de se desmascarar, consentiu, em coisa de tamanha importância e que depois teve tão pesadas consequências, parecer ser aquilo que depois se verificou que, efectivamente, nunca deveria ter fingido ser.

 

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publicado às 15:52

Se atentarmos bem nas práticas de muitos dos que fazem da actividade política a sua principal ocupação, acabamos por entender que é a ausência de uma noção clara destes três conceitos, ou um deficiente e degenerado modo de os entender que está na base das suas atitudes, comportamentos e maneiras de conduzir a gestão que desenvolvem em consequência dos cargos de que estão empossados.

Basta consultar um bom dicionário para podermos entender que, sendo conceitos essenciais para a prática política, eles estão completamente ausentes do pensamento e das práticas de alguma gente que tem grande peso na tomada de decisões. Tratando-se de decisões de grande responsabilidade social, elas são geradoras de importantes e, por vezes, trágicas consequências.

Alguns, não tendo qualquer noção do que sejam a estratégia, o planeamento e a táctica, ignorando ou desprezando a necessidade de definirem e orientarem com rigor as suas decisões, limitam-se a agir empiricamente, decidem em cada caso concreto como mais lhes convém, ou como melhor lhes parece, sem cuidarem da responsabilidade social implícita na sua função de governantes. O que resulta da acção destes desgovernados é uma sequência de actos sem lei nem norte, decisões tomadas sem definir com clareza as finalidades, acções iniciadas sem planeamento prévio, nem cálculo dos recursos disponíveis a utilizar. Vão ao sabor das circunstâncias, tacteando ao acaso da improvisação, muitas vezes sem sequer remediar os erros que vão cometendo. Como resultado, desperdiçam recursos, gastam tempo, perdem oportunidades e não só não resolvem como, por vezes, agravam os problemas.

No extremo oposto há também os que planeiam até ao ínfimo pormenor, descrevendo com minúcia todos os passos e cada gesto a executar. Mas, porque o fazem sem terem definido uma estratégia, partem para a acção sem uma consciência clara das razões porque agem, nem dos objectivos que devem atingir. O tempo, o esforço e os meios gastos para planear esgotam a capacidade para bem agir. Nestas condições torna-se difícil alcançar o pleno sucesso.

Em contrapartida, outros arvoram-se em grandes tácticos recorrendo a manigâncias mais ou menos astutas para obterem benefício próprio, ou para satisfazerem a sua insana vontade de poder. Recorrem a truques e trafulhices, julgando estar a executar hábeis tácticas e a desenvolver inteligentes projectos. Na realidade o que eles fazem nada tem a ver com a Política, se entendermos a Política como a capacidade de determinar com rigor as necessidades reais e como a arte de escolher as melhores soluções atendendo às condições de que se dispõe, num determinado momento e em determinadas circunstâncias. No fundo a Política deve ser a ciência e a arte de fazer o melhor dentro do que é possível ser feito.

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publicado às 09:00

Os conceitos de estratégia, planeamento e táctica tiveram a sua origem no domínio militar, mas foram passando para outros domínios como o político e o empresarial, sendo tomados em consideração sempre que se trata de tomar decisões de forma a garantir o máximo de eficácia com o mínimo de esforço e despendendo o menor gasto de recursos.

Estes conceitos foram explicitados por grandes pensadores como Maquiavel (1469-1527), escritor e politico italiano que desempenhou cargos importantes ao serviço de Florença, sua cidade natal. Na sua obra, A Arte da Guerra, publicada em 1521, explicitou a doutrina de que, durante a guerra, tinha de haver uma relação muito íntima entre a acção militar e as finalidades da política. Frederico II, o Grande, rei da Prússia entre 1740 e 1786, grande estadista, homem de grande cultura e chefe militar eminente, considerava a guerra como um assunto do Estado e, por isso, exigia um rigor matemático na definição das estratégias e tácticas militares que garantissem que, com o mínimo de recursos e de esforços, se obtivessem os melhores resultados. Napoleão Bonaparte introduziu na estratégia militar o conceito de planeamento em larga escala e em amplos espaços, para a preparação das suas campanhas militares. Carl von Clausewitz (1780-1831), oficial do exército prussiano, membro de estado-maior e director da Academia de Guerra, na sua obra Da Guerra publicada postumamente entre 1832 e 1834, baseado nos estudos que fez sobre as campanhas napoleónicas, explicitou a ideia de que a estratégia ocupava o nível mais elevado da direcção militar e, por isso, tinha de ser delineada em conjugação com a política.

O conceito, hoje mais ou menos consensualizado, de estratégia define-a como uma metodologia científica, uma maneira bem estruturada para elaborar projectos ou planos de acção, tendo em consideração os recursos de que se dispõe para se poderem atingir certos objectivos que se destinam a concretizar os fins em vista. Trata-se, portanto, de um saber que permite estruturar uma actividade para conseguir realizar qualquer projecto ou intenção com vista a atingir determinados objectivos convergentes para uma finalidade.

Intimamente ligado ao conceito de estratégia foram-se explicitando os conceitos de planeamento e de táctica.

O planeamento consiste em elaborar uma antevisão da acção que pressupõe o traçar de um projecto geral que fixe os objectivos, considere os recursos necessários e os disponíveis, calendarize as etapas e o tempo de execução.

Se a estratégia define o que fazer tendo em vista as intenções e o planeamento define como desenvolver a acção para realizar o que se pretende, a táctica consiste em usar da melhor maneira os recursos, recorrer aos métodos mais adequados e mais eficazes para desenvolver a acção planeada. A táctica diz respeito ao como fazer, à maneira de proceder, aos modos de agir a que devemos recorrer para ultrapassar obstáculos, resolver situações que se nos colocam quando temos de desenvolver uma acção.

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publicado às 12:32


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