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O radicalismo reformista do Setembrismo suscitou muitas resistências dentro das suas próprias fileiras, dando uma força cada vez maior aos que preferiam que o país fosse governado de maneira mais moderada, sem alterações tão rápidas e profundas do Estado e da sociedade.
Foram alguns dos apoiantes iniciais e figuras de proa do Setembrismo, como o duque da Terceira e o próprio ministro da defesa do governo setembrista, Costa Cabral, que organizaram a conspiração palaciana de que resultou na revolta militar de 27 de Janeiro de 1842.
Este golpe provocou uma alteração profunda da situação política. O Partido Setembrista aceitou a Carta e mudou o seu nome para Partido Progressista. Os cartistas ou cabralistas, como usualmente passaram a ser designados, que saíram vitoriosos do golpe de Estado, tornaram-se dominantes.
Foram marcadas eleições para 5 de Junho de 1842 que foram vencidas pelos cabralistas com dilatada vantagem. Houve muitas reclamações acusando de viciação do escrutínio. Aliás, estes processos tornaram-se habituais durante o Cabralismo.
Em Campo Maior o Partido Progressista era muito pequeno, constituído por uma minoria em que predominavam elementos duma classe média intelectualizada, ligada ao comércio e ao funcionalismo, sendo alguns deles militares. Nele se destacava João Dubraz pela sua apaixonada militância.
Os cabralistas dispunham do apoio da família real, de grande parte da população e da maior parte do exército.
Restava aos progressistas a via da conspiração a que alguns dos seus elementos se entregaram de alma e coração, como foi o caso de João Dubraz, em Campo Maior.
Por volta de 1845 a situação política começou a mudar. Costa Cabral, demasiado confiado nos seus apoios políticos, começou a impor mudanças que se tornaram muito impopulares. O descontentamento cada vez mais generalizado que essas medidas provocavam, veio dar novo alento aos progressistas que levaram a efeito várias tentativas de revolta e passaram a apoiar as diversas revoltas populares que espontaneamente começaram a eclodir.
A maior dessas revoltas foi a chamada “Revolta do Minho”, que começou com o movimento espontâneo popular designado por “Maria da Fonte”, em volta da questão da proibição dos enterramentos nas igrejas e da obrigação de serem feitos nos cemitérios, bem como da decisão do governo levar a efeito um levantamento geral do cadastro das propriedades rurais.
Este movimento de revolta alastrou rapidamente a todo o país devido à feição cada vez mais prepotente que o governo de Costa Cabral assumia para impor as suas decisões.
O pequeno mas muito aguerrido grupo de progressistas de Campo Maior, no qual João Dubraz assumira posição de grande relevo, decidiu participar também neste clima geral de revolta.
Foi neste contexto que se deram os acontecimentos que são descritos no texto que a seguir transcrevo e que vos proponho para ajuizarem se há ou não razão para se poder considerar João Dubraz, dentro das características próprias do seu tempo, um escritor de elevado mérito literário. Repare-se no carácter “cinematográfico” da narrativa, que quase nos faz visualizar a situação que nos descreve e que nos transporta para a vivência de um acontecimento de elevado dramatismo.
 
CAMPO MAIOR, 24 DE MARÇO DE 1846 – 5 HORAS DA MADRUGADA.
Passou-se aviso à nossa gente e à hora prefixa estávamos reunidos numa cavalariça de meu pai, no largo da Misericórdia, onde hoje existe uma padaria. Transportámos para ali as armas em golpelhas de palha e por meio de outros disfarces engenhosos. (…) Ressoaram as cinco horas: nunca hora alguma fora tão solene para mim. À primeira badalada irrompemos com a lava de um vulcão, subimos rapidamente a rua do Poço, e aí, caindo ao Seabra uma pistola do cinto, ouviu-se uma detonação. Corremos qual mais por causa do desastroso e chegámos à Praça Velha (…)
A onda revolucionária passou diante da cadeia e desembocou no pequeno largo onde se abre a porta do castelo. O sentinela gritou, mas, tomado de medo, largou a espingarda e fugiu para o corpo da guarda, escondendo-se debaixo da tarimba (…) Entrámos de tropel vitoriando a liberdade e a rainha, e íamos invadir o casão quando vimos que estava lá um destacamento de caçadores: recuámos um pouco desconcertados, ficando diante da porta em montão. Não esperávamos encontrar o destacamento reunido com as armas na mão. Como se via a luta e o sangue foram inevitáveis.
Não posso dizer com certeza de que lado rompeu o fogo; asseveram uns que fomos nós os primeiros, dizem outros que foram os caçadores. Inclino-me à primeira opinião, porque os soldados estavam em grande desordem à nossa chegada. È certo que se ouviu uma detonação e que esta foi seguida de um tiroteio desordenado mas forte. Era horrorosa a gritaria, a situação tremenda: mais de cinquenta homens dentro e fora do casão, vozeavam e faziam fogo a oito passos de distância. Nós estávamos descobertos, os caçadores guarneciam-se detrás de uma pequena construção que há dentro. O fumo envolvia tudo. Nisto desenhou-se ante nós uma figura humana que agitou a espada como quem oferecia render-se: era o oficial. Mas o fogo não descontinuava apesar de muitos gritos para que cessasse. A figura desapareceu e nós avançámos de novo e apoderámo-nos afinal do casão. Tudo isto se passou em menos de três minutos.
O espectáculo que então presenciei foi horroroso, estranho e imponente. No fundo da casa jazia um caçador estendido que ainda agitava uma perna. Os soldados de punham as armas e abraçavam-nos pelos joelhos. Eram recrutas inexperientes, crianças que choravam em face da morte. O casão estava coberto, quase todo, de enxergões, as armas abatidas em desordem e os soldados despojavam-se também das correias que nos entregavam trémulos e chorosos.
(João Dubraz, 1869, p. 80 a 88)
 
Graças a este golpe de audácia, os progressistas ganharam a Praça de Campo Maior. Para que conste, aqui registo os nomes de alguns dos mais destacados participantes neste acontecimento: J. Dubraz que ficou a comandar a companhia de artilharia, João José da Fonseca Seabra a de cavalaria, ficando as companhias de infantaria entregues ao comando de Mariano Ferreira, Epifânio da Mata (amigo de J. Dubraz desde a infância) e João Carlos Gambôa Mello e Minas (outro grande amigo de J. Dubraz). O comando militar da Praça foi entregue a José Velez Caroço que viera com o primeiro reforço de Portalegre e que, para o efeito, foi graduado em major.
 O governo de Costa Cabral caiu. João Dubraz foi nomeado interinamente administrador do concelho. Tinha nessa altura 28 anos de idade.
 

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publicado às 17:36

Inicio hoje a apresentação de um escritor campomaiorense que nasceu e viveu durante a quase totalidade da sua existência em Campo Maior. Chamava-se João Francisco Gonçalves Brás. Era filho de um comerciante com loja aberta no Largo da Misericórdia, a que o povo chama o Terreiro e quem tem, desde 1869, o nome oficial de Largo Barão de Barcelinhos.
Este escritor nosso conterrâneo, nasceu no dia 20 de Janeiro de 1818, numa época muito conturbada. Portugal foi, no início do século XIX, teatro de guerra entre as duas grandes potências da época: a França e a Inglaterra,
A França era nesse tempo governada pelo imperador Napoleão Bonaparte que, com os seus poderosos exércitos, conquistara toda a Europa. Mas Portugal, que possuía grandes domínios coloniais, dependia em muito do apoio da Inglaterra, grande potência marítima que, com as suas poderosas armadas, dominava todos os mares. Ligava o nosso país à Inglaterra uma aliança que remontava ao reinado de D. Fernando. Por isso, ao contrário da Espanha que se colocou sob a dependência de Napoleão, Portugal resistiu e isso teve como consequência a invasão, por três vezes, do território de Portugal. O país, devido à grave crise que atravessava, não tinha condições para se defender. A rainha D. Maria I, afastada do governo por alienação mental, e o príncipe regente D. João que em seu nome governava, fugiram com toda a corte para o Brasil para não serem obrigados a abdicar do trono e da independência do país em favor de Napoleão, como aconteceu com os espanhóis.
Em defesa dos seus próprios interesses foram os ingleses que vieram combater os franceses em Portugal. Com o apoio da população os ingleses venceram e as tropas napoleónicas, derrotadas, foram expulsas de Portugal. Mas, com a corte ausente, os ingleses ficaram a governar o país no qual se comportavam como se de uma colónia sua se tratasse. Cresceu na população um sentimento de revolta e um profundo desejo de recuperar a independência e a dignidade face à usurpação estrangeira, o que veio a acontecer com a vitoriosa Revolução Liberal de 1820.
Foi neste ambiente que cresceu e viveu João Dubraz na vila de Campo Maior. Nele se definiu uma intransigente atitude de nacionalismo de convicções profundamente liberalistas que o levaram a tomar posição contra todas as formas de opressão e manifestações de tirania.
Ainda adolescente começou a participar nos grandes acontecimentos políticos que se verificaram na sua época. Empunhou as armas e combateu em defesa dos seus ideais. Chegou a ser distinguido com a graduação em postos de destaque dentro das forças militares de Campo Maior. Foi um político combativo, empenhado e de uma coragem muitas vezes enaltecida pelos seus contemporâneos. Ocupou cargos de destaque na administração local. Chegou a desempenhar o cargo de administrador do município de Campo Maior.
Tudo isto teve como contrapartida grandes inimizades, ressentimentos profundos e odiosas perseguições. Perseguido e preso conheceu a deportação e o exílio forçado.
Quando entendeu que o país, com o advento da Regeneração em 1851, estava pacificado e atingira condições de estabilidade social e governativa, afastou-se de toda a actividade política. Dedicou-se por algum tempo ao comércio como seu pai. Casou. Estabilizou. Ganhou condições para se dedicar às actividades que mais apreciava: ler, aprender, estudar, escrever.
Este homem, que eu considero o maior escritor campomaiorense de todos os tempos, conseguiu pelo seu próprio esforço de autodidacta adquirir um nível cultural tão elevado, que se tornou um competente professor de Francês, Português e Latim. Adoptou o pseudónimo literário de João Dubraz por afrancesamento do seu nome de família. Escreveu na maior parte dos jornais que se publicaram em Elvas no século XIX e publicou várias obras muitos apreciadas no seu tempo e que hoje constituem uma das mais importantes fontes para o conhecimento da história de Campo Maior.
 

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publicado às 15:00

Na continuação da tentativa de traçar o seu perfil biográfico,  volto à  figura desse grande escritor campomaiorense que assinava os seus escritos com o nome afrancesado de João Dubraz.
Nascido em Campo Maior, filho de António Francisco Braz, comerciante com loja no Terreiro, hoje Largo Barão de Barcelinhos, e de sua esposa Maria Gonçalves.
Embora sejam muito escassas as referências que nas suas obras fez a aspectos da sua vida familiar, há uma bem interessante sob o seu nascimento que, ao mesmo tempo que fornece algumas informações, nos permite apreciar a beleza e valor literário da sua escrita:
“…é hoje, dia de S. Sebastião, 20 de Janeiro…. Desde pequeno ouvi dizer sempre que, neste dia, no ano de 1818, depois da meia-noite, viera eu ao mundo. A tal respeito levantava-se às vezes entre mim e a minha pobre mãe uma questão grave: pretendia ela que, tendo eu nascido na noite do dia 20, nascera ainda no dia de S. Sebastião. Não queria contar os dias senão de sol a sol. Eu sorria-me. Conhecia-lhe o fraco de uma certa parcialidade a favor do mártir santo e, tão mal a ocultava ela que dizia muitas vezes: Apesar de muito devota de S. João Baptista, por minha vontade chamavas-te Sebastião, para que o santo te livrasse de bexigas. Posso dizer pois que, por um triz não fiquei Sebastião e, não obstante, bexigoso… Minha mãe, ah! Não existe desde o nefasto 15 de Agosto de 1858. Os meus primeiros anos são apenas recordações suaves, que começam a cobrir-se da névoa que precede a nossa transformação física.”
(Dubraz “Recordações...”`, 2ª edição, p. 33)
 
            Quase nada se sabe da sua infância. Apenas que aos dez anos já sabia ler e escrever, sinal de que teria frequentado as aulas que nessa altura eram ministradas na vila, embora não tenhamos referências sobre o tipo de mestres que as terão leccionado.
            Em 1835, com 17 anos de idade alistou-se, como voluntário, na Guarda Nacional de Infantaria de Campo Maior, tendo recebido as divisas de graduado no posto de anspeçada.
Numa outra referência feita na página 58 da mesma obra, dá-nos a indicação de ter estado em Lisboa. Decorria ao ano de 1836, João Dubraz tinha 18 anos, mas nada informa quanto à duração e às finalidades da viagem. Refere que foi ele quem trouxe para Campo Maior a notícia de que estava eminente a revolução que viria a eclodir no mês seguinte e que ficou conhecida como “o Setembrismo”, movimento liberalista radical a que João Dubraz aderiu apaixonadamente:
A vinte de Agosto cheguei a Campo Maior vindo de Lisboa; havia nessa noite teatro, ou antes, cantavam lá umas espanholas proximamente chegadas à vila. Dirigi-me logo ao castelo para encontrar os meus amigos, que me rodearam, como é costume nas terras de província quando alguém vem de fora, em tempo de excitação pública. Disse que em Lisboa se esperava que a 24 houvesse uma manifestação no Porto a favor da Constituição de 1820 e que a Guarda Nacional estava resolvida (asseverava-se) a secundar o grito do Porto. Estas notícias causaram certo entusiasmo, as plateias pediram que fosse tocado o hino de 1820… (Dubraz “Recordações...”`, 2ª edição, p. 58)

TEATRO DO CASTELO
No ano seguinte, com 19 anos, começou a sua actividade política. Como ele próprio diz, a política tornou-se a sua paixão e exclusiva ocupação:
            “Desde 1837 até ao presente, não houve acontecimento político em Campo Maior do qual me não coubesse alguma parte, directa ou indirecta…” (Idem, p. 34)
Numa acta de reunião da Câmara Municipal de Campo Maior datada de 17 de Agosto de 1837, consta que João Francisco Gonçalves Braz, (note-se que ainda usava o nome de baptismo), se tornou furriel da Companhia da Guarda Nacional deste concelho, que se encontrava em formação, tendo esta graduação efeito a partir de 2 de Agosto.
Mas a situação política agravava-se. Havia sinais de uma crescente revolta e indícios de preparação de golpes de Estado. O Setembrismo estava em risco de queda do seu governo.
Em Julho de 1837 rebentou a sublevação militar conhecida por Revolta dos Marechais … O governo mandou pôr a Praça (Campo Maior) em estado de guerra e, não havendo suficiente número de artilheiros, lembrou-se não sei quem da formação de uma secção de guarda nacional de artilharia para reforçar os soldados de linha... com vinte e um voluntários saídos de infantaria. Eu fui um desses artilheiros improvisados e obtive dos meus camaradas o galão de anspeçada. (Idem, p. 62)
 
Seguiu-se um período de grande confusão. Os Cartistas (liberalistas moderados) ganhavam terreno a nível eleitoral e a nível de apoio das populações.
Por outro lado, surgiram guerrilhas armadas que espalhavam a insegurança, atacando as povoações. Algumas aproximaram-se dos termos de Elvas e Campo Maior.
João Dubraz envolveu-se muito na busca e perseguição dos grupos de guerrilha, na condição de elemento da Guarda Nacional. Por esta acção a Guarda Nacional foi louvada por portaria do ministério do reino de 10 de Abril de 1839. Por portaria do ministério do reino de 14 de Junho do mesmo ano, foi a secção de artilharia louvada e João Dubraz eleito capitão.
Mas a feição setembrista da artilharia tornava-a suspeita e era considerada perigosa pelos adversários. Começava a desenhar-se a transição política do Setembrismo moderado para a restauração do Cartismo.
Em Junho de 1840, sendo ministro do reino Rodrigo da Fonseca, a artilharia foi dissolvida, passando os seus membros para a infantaria, menos João Dubraz que passou para a cavalaria. A guarda nacional tinha os dias contados. A Revolta de Costa Cabral lavrou-lhe a sentença de morte. O setembrismo foi derrotado e João Dubraz deixou de ser militar e passou para a oposição ao novo regime que saiu da revolução vitoriosa.
 A Carta de 1826 foi restaurada em 1842. Começava uma nova época que viria a ficar conhecida como o Cabralismo, pois que Costa Cabral, futuro conde de Tomar, foi a sua figura de proa.
João Dubraz, com a idade de 24 anos, era um jovem que começara a entrar na sua idade adulta.
 

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publicado às 14:41


O CASTELO DE CAMPO MAIOR - IV

por Francisco Galego, em 03.03.08
O CASTELO MEDIEVAL DE CAMPO MAIOR (Segundo Rui Vieira)
         “Descrever as origens de Campo Maior e do seu castelo de forma fundamentada não é tarefa fácil.
São hoje bastante divergentes e muito inseguras as explicações dos que escreveram sobre os primórdios de Campo Maior e do seu castelo.
Quanto ao castelo, uns atribuem a sua construção primitiva aos romanos, outros aos muçulmanos. Há ainda os que dizem que a fortaleza foi mandada reedificar por D. Dinis sobre as ruínas da construção muçulmana. Outros ainda afirmam que quando Campo Maior ingressou na coroa portuguesa, em 1297, não possuía castelo e que este foi mandado erguer por D. Dinis, em 1310. (…)
(Os documentos de que dispomos) … “permitem-nos afirmar que o castelo que, com a sua torre de menagem e com pequenas alterações, se conservou até 1732, era muito diferente do actual (…)
A fortaleza representada nos desenhos (de Duarte De Armas) de inícios do século XVI era de planta rectangular, ocupava uma área de mais de 6 mil metros, dispunha de sete torres, uma das quais era a de menagem, de configuração quadrangular, com cerca de 100 metros de perímetro. A altura desta torre seria de cerca de 35 metros (…)
A muralha que nos primeiros anos do século XVI cingia a vila, iniciava-se junto ao castelo, no sítio designado Curral dos Coelhos, seguindo pela Praça Velha, provavelmente no alinhamento da fachada dos edifícios que naquela artéria são fronteiros ao castelo, continuando-se pela Rua da Barreira, Bairro Fidalgo, Rua da Soalheira, prolongando-se até à Porta de Santa Maria (actual Porta da Vila).
(…) A aldeia fora das portas estendia-se pelos terrenos onde actualmente se encontram as Ruas do Poço, da Poterna, de Quebra-Costas e pela parte mais alta da actual Rua Direita. Na parte exterior à muralha existiam também duas igrejas (…)

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publicado às 17:29


O CASTELO DE CAMPO MAIOR - III

por Francisco Galego, em 02.03.08
Figueiredo, António Dias da Silva e, (1732)
El-rei D. Dinis, que foi o primeiro a ter a sua possessão, enobreceu-a com o foral de vila e fortificou-a com um vistoso castelo no ano de 1310, o qual, situado em local eminente, … (tinha) seis pequenas torres que acompanhavam uma grande a que chamavam a da homenagem, que tinha de altura pouco mais de 160 palmos (mais ou menos 35 metros) e de circunferência 240 (cerca de 50 metros). No seu interior, além de um grande armazém de munições de guerra, sobrava espaço para um largo caminho que, com suave subida, conduzia a um espaçoso eirado (terraço), donde se descortinava até à distância de muitas léguas. Tinha uma tão forte abóbada toda de cantaria, à prova de bomba e de tal grossura que sobre ela trabalhavam duas peças de artilharia de bom calibre, que nela se conservaram até aos primeiros anos das guerras de 1704. Nessa altura foram experimentadas, tendo os seus tiros provocado tal abalo nas casas que foram descidas para se colocarem noutro local.
Este castelo cercava uma povoação situada num plano, de 1076 fogos em que se contavam 5.743 pessoas. Esta povoação estava guarnecida por uma forte e moderna muralha, defendida por nove baluartes, um orelhão[1] e uma praça baixa. Tem duas portas principais e uma falsa (poterna).
 


[1] Orelhão – Maciço arredondado de alvenaria no ângulo de um bastião de uma fortaleza, onde eram construídas as torres para proteger os canhões.

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publicado às 17:26


O CASTELO DE CAMPO MAIOR - II

por Francisco Galego, em 01.03.08
 
CASTELO E FORTALEZA (Segundo João Mariano do Carmo Fonseca)
 
“…El-Rei D. Dinis reduziu a melhor forma essa tal ou qual fortificação que havia, construindo novos muros, reparando outros antigos, destruindo deles muitos que impediam a execução do plano segundo o qual se fez o castelo na parte mais alta da vila, ficando dentro dela a Igreja de Santa Clara que então era freguesia e se conservou com este mesmo Orago até 1530, em que, por ocasião de se reedificar a Igreja, se mudou para o de Nossa Senhora da Assumpção que teve até 1646, em cujo tempo a nova Igreja , construída no interior da vila começou a servir de paróquia sob o Orago de Nossa Senhora da Expectação.
Também ficaram dentro algumas casas, mas poucas; a maior parte ficou fora.
Foi construída esta nobre fortaleza no ano de 1310.
Desde o reinado de D. Dinis até ao d’El-Rei D. João II não consta que houvesse alteração na forma deste castelo. Porém, este monarca deu-lhe mais extensão, alargando-a para a parte do ocidente e acrescentando-lhe uma grande torre, a que se chamou torre de menagem…
D. João II pôs também novas Armas à vila.
Seguiu-se El-Rei D. Manuel. No seu tempo se fez a grande redução da vila ao estado em que de presente se acha, no que respeita á sua extensão. Para se formarem as muralhas que a cercam em roda, arrasaram-se edifícios e se cortaram ruas. Ainda hoje existem algumas; de outras nem memória há de seus nomes a não ser nas antigas escrituras. Fechada a vila com a nova cerca, ficou com duas portas: uma para Norte, com o nome de S. Pedro; outra para o Ocidente, com o nome de Santa Maria.
Antes havia na vila quatro entradas e em cada uma delas uma grande cruz de mármore. O lugar da primeira era junto à Ermida de S. Pedro. O da segunda junto à Ermida de Santa Maria dos Pastores, que ficava à parte esquerda do rastilho da porta deste nome. Esta Ermida veio a ser derrubada. A terceira estava numa encosta vizinha a esta Ermida. A quarta estava num sítio chamado o Prado.
Permaneceu a praça com esta fortificação todo o tempo que mediou entre El-Rei D. Manuel e El-Rei D. João IV, no governo do qual foi consideravelmente alterada e reduzida ao sistema moderno.

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publicado às 17:19


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