Domingo, 14 de Outubro de 2018

O que nos distingue nas nossas atitudes sociais que, naturalmente, incluem as nossas atitudes, comportamentos, crenças e opiniões políticas, bipolariza a maneira como nos colocamos em cada momento e perante cada acontecimento.

Vejamos o caso comentado de tantas e tão assanhadas maneiras, em volta da concretizada demissão do ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Uma grande parte dos opinadores rejubila por terem alcançado a sua tão desejada saída de funções. Mas, haverá outros, à frente dos quais se deve colocar o próprio ministro, que terão sentido um enorme alívio por esta tomada de decisão.

Senão, vejamos: O que será que, de facto, está no fundo em questão? Se me permitem, vou expressar a minha simples e, talvez muito ingénua opinião, que consiste em analisar as atitudes e convicções que estão subjacentes a esta questão.

Parecece-me a mim que, analisada numa perspectiva verdadeiramente política, enquanto que, para uns, a nomeação para um cargo de elevada responsabilidade só pode ser encarada como o dever de o assumir, como o exercício responsável de uma missão que exige uma elevada consciência e total competência e capacidade, outros só vêem nessa escolha e nomeação, uma distinção, uma promoção, que confere importância e poder na escala da ascensão social.

Assim, perante a sua anulação, uns sentirão alívio e libertação do pesado fardo de responsabilidades que tinham assumido. Outros, a celebrarão como um sucesso ao encontro do seu íntimo desejo de que não possam ter os outros aquilo que a eles não fora concedido.

Concordo que quase me envergonho de ter tão rasteiras suspeitas sobre certas atitudes. Mas, confesso que é o que consigo ver no alarido produzido por certas criaturas, ao abrigo daquilo que elas arvoram como sendo “luta política”.



publicado por Francisco Galego às 16:23
Sexta-feira, 12 de Outubro de 2018

O compêndio é, como se sabe, a ciência sistematizada pelo método mais apto para ser transmitida pelo ensino. Por isso cumpre que o compêndio seja breve e preciso, sem ficar deficiente… Convém que os compêndios se correspondam, sem lacunas e sem obscuridade, ligando-se de modo tal que os primeiros sirvam de começo aos segundos.

 (…) entendemos que o governo, em lugar de abrir concursos para a confecção de compêndios destinados ao ensino das línguas que são professadas na instrução secundária, talvez devesse antes nomear uma comissão de homens de letras capazes de escrever os compêndios precisos, encarregando-lhe a homogeneidade possível nos preceitos, para ficarem bem patentes, nas ideias e nas palavras, os princípios de gramática geral comuns a todas as línguas e libertar-se assim o ensino das antinomias e contradições que o dificultam e confundem com grave prejuízo dos alunos e desvantagem dos próprios professores.

(…) Entende-se que os compêndios assim confeccionados não serão eternos… O governo ordenaria a sua revisão de tempos em tempos, para corresponderem sempre ao estado de adiantamento das ciências. E cremos que muitas vantagens se colheriam da uniformidade proposta, sendo uma delas, aliás importantíssima, facultar livros baratos aos alunos, pois que o governo mandando fazer avultadas edições e vendendo-os pelo preço de custo, evitaria a desordem que se nota nas províncias onde nas aulas públicas se não pode conseguir nunca o estado completo dos livros adoptados para as classes.”

 

João Dubraz – In, DEMOCRACIA PACÍFICA, Nº 17, Elvas, 4ª-feira, 30/1/1867

 



publicado por Francisco Galego às 00:03
Segunda-feira, 08 de Outubro de 2018

A Diocese de Elvas foi criada por bula do Papa Pio V de 9 de Junho de 1570.

Por bula do Papa Clemente XIII, expedida em 26 de Fevereiro de 1759 e pelo decreto de 30 de Dezembro do mesmo ano, foi instituido um seminário no bispado de Elvas em que assistissem os meninos de coro da sé catedral ou seminaristas, tendo lugares de reitor e vice-reitor, mestres de solfa e de latim.  Este seminário funcionou regularmente com internato de alunos e exercício de aulas, promovendo a instrução, tanto do clero regular, como do clero secular, elevense. Nele se leccionavam as aulas das disciplinas preparatórias e eclesiásticas, compatíveis com as circunstâncias do tempo: gramática latina, de história sagrada e eclesiástica, de explicação do catecismo, de teologia dogmática geral e especial, de instituições canónicas, de direito público e de música e cantochão.

 Nas vilas de Olivença e Campo Maior, havia algumas aulas e palestras, cujos professores deviam prestar contas mensais de frequência e aproveitamento dos seus alunos.

Segundo o Plano do seminário de educação estabelecido em Elvas datado de 1816, nesse ano, o Seminário Episcopal de Elvas devia abrir com as seguintes aulas:

- Ler, escrever, contar, gramática portuguesa, ortografia, doutrina cristã e história sagrada, gramática latina e mitologia, retórica, cronologia, história universal e pátria, geografia, filosofia racional e moral (lógica, metafísica e ética), princípios de álgebra, de teologia moral e dogmática, música e cantochão e francês.

Os seminaristas eram admitidos com a idade de doze anos, mediante atestados dos directores das aulas antes frequentadas.

Os seminaristas deviam, para se sustentarem, pagar uma mesada, suportar todas as suas despesas pessoais, dotar-se do uniforme regulamentar e do enxoval que incluía cama completa, candeiro, duas cadeiras, uma banca e um baú.

Nesse tempo o número de seminarista chegou aos dezanove e aconteceu mesmo, ter sido frequentado por alunos provenientes de arcebispado de Évora e do bispado de Portalegre, o que indicia ter o seminário de Elvas adquirido algum prestígio.

Em 13 de Dezembro de 1828, ano da aclamação de D. Miguel, fechou o seminário para só reabrir em Outubro de 1830.

Depois da Convenção de Évora Monte em 27 de Maio de 1834, fecharam-se as portas do seminário de Elvas.

A diocese de Elvas seria extinta em ‎30 de Setembro de 1881.



publicado por Francisco Galego às 00:03
Quarta-feira, 03 de Outubro de 2018

O património cultural de Campo Maior não consiste apenas, nos muros que restam do tempo passado. Campo Maior é uma terra habitada por uma comunidade que teceu uma história e uma cultura muito próprias. 

As Festas do Povo são a prova maior do poder de atracção que têm as manifestações duma legítima cultura local, que é muito nossa. Mas, sendo muito notáveis, não são a única realização própria da cultura campomaiorense.

O “cantar e bailar as saias” constitui também, uma extraordinária manifestação da cultura campomaiorense. Infelizmente, a falta de cuidado que se está a verificar com a sua conservação, faz com que esteja tão ameaçada de desaparecer da nossa memória colectiva, como estiveram as muralhas das nossas fortificações que foram caindo e só recentemente se começou a recorrer aos meios necessários para as restaurar.

            Sendo Campo Maior a terra que ainda mais preserva este hábito de “cantar e bailar as saias” e, havendo tantos milhares de campomaiorenses a viver longe de Campo Maior, porque não organizar verdadeiros festivais de saias? Não em espectáculo de palco como, à revelia da tradição, agora se vai fazendo. Mas numa autêntica animação das ruas e das praças, como devem ser cantadas e dançadas “as saias”, para que sirvam de pretexto para que os nossos emigrantes, os visitantes e as novas gerações, se sintam motivados e compensados ao visitarem a nossa terra. Tenho a certeza de que muitos teriam tanto orgulho em mostrar esta manifestação cultural aos seus descendentes e aos visitantes, como têm de ver e mostrar as “Festas do Povo de Campo Maior”, tanto mais que, este festival, teria a vantagem de poder ser anual.

            Claro que se propõe que, para preservação da verdadeira tradição, as saias deviam ser cantadas e dançadas em “bailes de roda”, numa “toada de valsa lenta” e “armadas ao desafio” para construirem diálogos, ora de “amável converseio” ora “chistes de escárnio e de mal-dizer”.    

            Mas isto sou eu a imaginar...

 



publicado por Francisco Galego às 14:09
Domingo, 30 de Setembro de 2018

 

A FORTIFICAÇÃO

 

       

Texto de Estêvão da Gama, in Notícias da antiguidade, aumento e estado presente da Villa de Campo Maior...Publ. por Rui Rosado Vieira, em 1993):

 

         “É esta Vila fortificada ao moderno, como uma das praças principais das fronteiras.

O seu recinto se ocupa com o Baluarte de S. João (1) e o de Santa Cruz, entre os quais os fossos que lhes correspondem são cheios de água, a que chamam o Lago e o Laguinho (2). Têm muita tenca e excelentes pardelhas (3). Conservam-se todo o ano com abundância de água que recebem dos ribeiros da Fonte Nova e do Laguinho. Ao Baluarte de S. Cruz se segue uma cortina (4) muito grande e, no remate dela, fica-lhe cavaleiro (5) o meio baluarte a que chamam do Curral dos Coelhos. A este se segue o que chamam Baluarte de Lisboa e a ele o Baluarte de S. Sebastião entre os quais está a porta da Vila que chamam de Santa Maria. Segue-se o Baluarte da Boa Vista, a este o Meio baluarte de Santa Rosa, que de novo se fabrica (6), a ele o Baluarte de São Francisco, o Baluarte da Fonte do Concelho e o Baluarte do Pixa Torta (7), cuja cortina fecha a Praça no Baluarte de S. João e nela está situada a porta principal que chamam de S. Pedro (8).

Tem excelentes fossos, bastantes esplanadas, estradas encobertas e, em algumas partes, contra-escarpas (9).

Tem seis revelins, dois fortes, o principal se chama  Forte de S. João (10) para a parte do nascente, o outro de Forte do Cachimbo, para a parte do meio-dia (11). E, porque há outra narração que lhe dá diferentes sítios, se põem estes que são os verdadeiros.

Esta fortificação principiou-a D. João IV e a têm continuado a Rainha D. Luísa, El-Rei D. Afonso VI, El-Rei D. Pedro II e El-Rei D. João V que Deus guarde.

Mas, sem embargo de não estar acabada e ter muitas imperfeições, resistiu ao Sítio que lhe moveram os castelhanos em 27 de Setembro de 1712 (12), governando aquele exército o Marquês de Bay e as nossas armas Pedro de Mascarenhas e a Praça Estêvão da Gama de Moura e Azevedo.”

(...) “É Campo Maior uma das praças mais importantes da Província do Alentejo fronteira de Badajoz, sem que, entre uma ou outra, haja rio ou serra que possam impedir as operações de cavalaria, está fronteira a Albuquerque que é a segunda praça da Província da Estremadura.”

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Notas explicativas:

(1) O Baluarte de S. João, era vulgarmente designado como "Cavaleiro" por ter no meio uma construção mais elevada..

(2) Estes fossos designados militarmente como "fossos molhados", eram muito eficazes em termos defensivos sendo raros em Portugal.

(3) Alguns documentos da época referem que estes peixes eram usados como alimento pela população.

(4)  Uma cortina de muralha.

(5) Na parte de cima.

(6) Que estava a ser reconstruido quando foi escrito este texto.

(7) Era assim designado pela população, mas o seu nome oficial era o de Baluarte do Príncipe, em homenagem ao principe D. João que, devido à doença mental de sua mâe, a rainha D. Maria II, teve de assumir o governo do reino, sendo depois coroado  como D. João VI.

(8) Durante muito tempo, a população designava-a como "a Porta Nova" e ficava no topo da rua onde se localiza agora a CURPI, dando abertura para o Largo dos Cavajais. Foi demolida por decisão da Câmara Municipal, em 1908.

(9) Os muros que, pelo lado de fora, delimitavam os fossos que cercavam as muralhas da fortaleza.

(10) Foi demolido. No terreno que ele ocupava foi depois construido o Estádio Capitão César Correia.

(11) Ainda são visíveis alguns muros para o lado direito de quem sai à Porta da Vila.

(12) Este cerco durou cerca de um mês, tendo o exército sitiante retirado por cansaço das tropas, desgaste dos materiais e chuvadas intensas que dificultavam a manutenção das trincheiras.

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:05
Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

O CASTELO

 

O castelo de Campo Maior é obra muito antiga e muito forte tanto pela razão do sítio como pelas torres e muros. Foi fabricado pelos mouros (1) e reparado pelo rei D. Dinis que levantou a maior torre que nele há e, por essa razão, quiseram alguns atribuir-lhe a honra de edificador. Os romanos lhe deram o nome com muita propriedade porque daquele sítio se descobre o maior campo que há por aquele distrito.(2)

 

Segundo o  Dr. Ayres Varella, Teatro das antiguidades de Elvas,

(In, Estêvão da Gama, p. 29)

 

Porém duvidamos que a povoação fosse fundada no sítio onde está o castelo. Talvez no sítio de S. Pedro no qual há uma ermida e onde, segundo fontes muito antigas haveria uma fortaleza ou atalaia dos romanos.(3)

Dista a Ermida de S. Pedro da povoação de hoje dois mil passos em terreno plano, com um vale muito fresco, capaz e hortas e pomares, com água nativa e conserva um chafariz que é do concelho desta vila. Estamos persuadidos de que neste campo, por ser o maior que há nestas vizinhanças, fundaram os romanos este povo, obrigados por um acampamento em que se fixaram como sucedeu nas outras mais povoações que fundaram, como é sabido. Neste campo de S. Pedro se acham as ruínas, cimentos, sepulcros, além de colunas. Distante um quarto de légua, conserva-se um muro de pedra e cal que corta um pequeno ribeiro e a que ainda hoje se chama Muro da Represa, que servia para que os gados dos moradores bebessem nele.

(Estêvão da Gama, Notícias da antiguidade, aumento e estado presente da Villa de Campo Maior... p. 30)

 

Outras fontes documentais referem que:(…) o castelo e a povoação que nele se desenvolveu foram fundados pelos  mouros porque este buscavam os lugares altos para fazerem as suas fortalezas. Com o seu desenvolvimento acabou a povoação de S. Pedro.

- A vila foi restaurada depois pelos Peres de Badajoz no ano de 1219 que a deram ao bispado da cidade para sua fábrica. Depois,  com o Tratado de Alcanizes (1297), foi integrada no reino de Portugal. Logo que El-Rei D. Dinis entrou na posse da vila reparou-lhe o castelo.
(Idem, ibidem)

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(1) Não conheço provas documentais que comprovem esta suposição.
(2) Na verdade os romanos usavam esta expressão Campus Major para designar campos extensos, bastante planos e abertos, logo muito aptos para o aproveitamento agrícola.

(3) Neste local designado como Ad Septem Aras, que se pode traduzir à letra como "Dos Sete altares", passava uma estrada romana. O nome permite formular a hipótese de ter sido um local de apoio para os que, em viagem, necessitariam de apoio religioso, de condições de higiene, de descanso e mesmo de enterramento dos seus mortos em chão sagrado.. 

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:01
Sábado, 22 de Setembro de 2018

Vento que passas, leva-me contigo.


Sou poeira também, folha de outono.


Rês tresmalhada que não quer abrigo


No calor do redil de nenhum dono.


Leva-me, e livre deixa-me cair


No deserto de todas as lembranças,


Onde eu possa dormir


Como no limbo dormem as crianças.

 

MIGUEL TORGA

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 11:53
Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

CAMPO MAIOR NO CONTEXTO DA GUERRA DA SUCESSÃO DE ESPANHA (1701 – 1714)

 

A Guerra da Sucessão Espanhola disputou-se entre 1701 e 1714 pelo direito de sucessão da coroa espanhola, depois da morte do último monarca da Casa de Habsburgo, Carlos II de Espanha, sem deixar herdeiros da rainha Maria Luísa d'Orleães, a qual pertencia à família real francesa.

O imperador Leopoldo I da Áustria, parente próximo do rei falecido, julgando-se com direitos ao trono de Espanha, iniciou as hostilidades, e assim teve início a guerra.

O conflito seria concluído com a assinatura do Tratado de Paz com a Espanha (2° Tratado de Utrecht, 6 de Fevereiro de 1715). Antes, já desde Setembro de 1709, se faziam tentativas de pôr termo à guerra na cidade flamenga de Utrecht. Porém, a morte de José I, imperador da Alemanha, a quem sucedeu seu irmão Carlos III de Espanha provocava um desiquilibrio que ditou a necessidade de restabelecer a paz.

No caso português, são de referir os últimos episódios da guerra:

            - Em 15 de março de 1711, foi recuperada a praça de Miranda do Douro que, em 1710 fora entregue aos espanhóis  pelo sargento-mor da vila a troco de 6.000 dobrões;

            - Mas, em Campo Maior, o cerco movido pelo marquês de Bay em fins de Setembro de 1712, manteve a vila sob bombardeamento até finais de Outubro, tendo os espanhóis levantado o cerco e retirado para Badajoz, devido à eficaz defesa dos sitiados. 

O pior efeito desta demorada e desgante guerra foi o país ter ficado depauperado, com os locais de conflito bastante arruinados. Seguiu-se um periodo de graves dificuldades.

A Inglaterra tivera uma atitude pouco louvável que levou à aproximação de Portugal da França e da Espanha, reduzindo-se o tráfico com a Inglaterra e a Holanda. Foi dada particular importância à incrementação do tráfico com o Brasil. As relações com a França de Luís XV nem sempre foram fáceis de gerir, chegando mesmo à ruptura das relações diplomáticas  que se manteve até 1737.

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In, Joaquim Veríssimo Serrão – História de Portugal, Vol. V (1640- 1750) Ed. Verbo



publicado por Francisco Galego às 00:03
Sábado, 15 de Setembro de 2018

CAMPO MAIOR NO CONTEXTO DA GUERRA DA SUCESSÃO DE ESPANHA (1701 – 1714)

 

A Guerra da Sucessão Espanhola disputou-se entre 1701 e 1714 pelo direito de sucessão da coroa espanhola, depois da morte do último monarca da Casa de Habsburgo, Carlos II de Espanha, sem deixar herdeiros da rainha Maria Luísa d'Orleães, a qual pertencia à família real francesa.

O imperador Leopoldo I da Áustria, parente próximo do rei falecido, julgando-se com direitos ao trono de Espanha, iniciou as hostilidades, e assim teve início a guerra.

O conflito seria concluído com a assinatura do Tratado de Paz com a Espanha (2° Tratado de Utrecht, 6 de Fevereiro de 1715). Antes, já desde Setembro de 1709, se faziam tentativas de pôr termo à guerra na cidade flamenga de Utrecht. Porém, a morte de José I, imperador da Alemanha, a quem sucedeu seu irmão Carlos III de Espanha provocava um desiquilibrio que ditou a necessidade de restabelecer a paz.

No caso português, são de referir os últimos episódios da guerra:

            - Em 15 de março de 1711, foi recuperada a praça de Miranda do Douro que, em 1710 fora entregue aos espanhóis  pelo sargento-mor da vila a troco de 6.000 dobrões;

            - Mas, em Campo Maior, o cerco movido pelo marquês de Bay em fins de Setembro de 1712, manteve a vila sob bombardeamento até finais de Outubro, tendo os espanhóis levantado o cerco e retirado para Badajoz, devido à eficaz defesa dos sitiados. 

O pior efeito desta demorada e desgante guerra foi o país ter ficado depauperado, com os locais de conflito basatante arruinados. Seguiu-se um periodo de graves dificuldades.

A Inglaterra tivera uma atitude pouco louvável que levou à aproximação de Portugal da França e da Espanha, reduzindo-se o tráfico com a Inglaterra e a Holanda. Foi dada particular importância á incrementação do tráfico com o Brasil. As relações com a França de Luís XV nem sempre foram fáceis de gerir, chegando mesmo á ruptura das relações diplomáticas  que se manteve até 1737.

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In, Joaquim Veríssimo Serrão – História de Portugal, Vol. V (1640- 1750) Ed. Verbo



publicado por Francisco Galego às 00:05
Segunda-feira, 10 de Setembro de 2018

CAMPO MAIOR NA GUERRA DA RESTAURAÇÃO

 

No inicio de 1641, havia uma grande  necessidade de reforçar a defesa da fronteira do Alentejo, .

O conde de Vimioso, que assumiu o posto de capitão-general do Alentejo, concentrou os meios de defesa em Elvas, sendo depois substituido por Matias de Albuquerque que devastou algumas terras da Estremadura espanhola, tendo obtido uma importante vitória no lugar de Lobon, perto do Montijo. Esta Batalha do Montijo deu grande ânimo ao exército português, tendo Matias de Albuquerque sido agraciado com o titulo de Conde de Alegrete.

 O conde de Monterrey, fortificado em Badajoz, atacou Campo Maior e Olivença. Campo Maior apesar de dispor de poucos meios, resistiu. O ataque a Olivença foi mais violento, mas a vila resistiu por ter sido prontamente socorrida.

Foi feito um grande esforço para reparar as fortalezas e castelos da raia, alguns dos quais estavam desmantelados.

A guerra recrudesceu em meados de 1648. Elvas tornou-se o alvo privilegiado dos ataques que fizeram perigar a defesa da cidade que sofreu um cerco de três meses: Outubro, Novembro e Dezembro. A peste agravou muito a situação de defesa da cidade, chegando a fazer 300 mortos por dia.

Quando cehegaram reforços sob o comando do conde Cantanhede, às quais se juntaram as guarnições de Juromenha, Vila Viçosa, Borba, Campo Maior, Arronches e Monforte, foi possível passar ao contra-ataque a fim de impedir que o exército inimigo fosse atacar Lisboa. Obteve-se uma vitória que permitiu assegurar a independência do reino.

No dia 14 de Janeiro de 1659, deu-se a batalha que constituiu um dos momentos mais altos para a vitória final na Guerra da Restauração: A Batalha das Linhas de Elvas.

Na manhã de dia 15 foi tomado o Forte da Graça. Os castelhanos deixaram mais de 5.000 prisioneiros e muitos mortos, alguns afogados no Caia e no Guadiana e outros foram refugiar-se em Badajoz.

  1. Sancho Manuel, devido a esta vitória recebeu o título de conde de Vila Flor. O relato deste feito foi registado pelo conde da Ericeira.

Contudo, a guerra ainda se reacendeu nos anos de 1663 a 1665, em que se deram as últimas campanhas da Restauração.

Seguidamente começou uma crise política interna, no reinado de D. Afonso VI.

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In, Joaquim Veríssimo Serrão – História de Portugal, Vol. V (1640- 1750) Ed. Verbo

 



publicado por Francisco Galego às 00:01
Quarta-feira, 05 de Setembro de 2018
NA CRISE DE 1383-1385  (1)
 

Nesta crise dinástica, Campo Maior, que estava muito ligada ao bispo de Badajoz, tomou o partido de Castela, tendo sido uma das últimas vilas a aceitarem D. João I como rei de Portugal.

 

A expugnação da vila por D. João I

 

“Na guerra que lavrou no reino depois do falecimento de D. Fernando, em 1383, os habitantes da vila seguiram o partido de Castela por influência do seu alcaide-mor, Paio Rodrigues Marinho.

D. João I em pessoa, cercou Campo Maior e, depois de quatro semanas de assédio apertado, rendeu-a por assalto em 13 de Outubro de 1388 e o castelo entregou-se-lhe por preitesia (capitulação) no 1º de Novembro, sendo alcaide-mor Gil Vasques de Barbuda”.

(Dubraz, opus cit. p. 192)

 

1580 - SOB O DOMÍNIO CASTELHANO

 

Monroyo, o Martim de Freitas de Campo Maio (2)

 

"O caso de Afonso de Monroyo, explicado, defendido com tanto calor ante D. João de Áustria, aconteceu a 19 de Junho de 1580. D. Jerónimo de Mendonça, portador de uma carta selada de Filipe II para o alcaide-mor, tendo feito já em câmara a aclamação, prendeu este no castelo por se recusar a entregar as chaves do mesmo sem ordem dos governadores do reino ou do fronteiro-mor. Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal) respeitou a rigidez de Monroyo e, a homem tão leal, não duvidou mais tarde confiar um comando marítimo.”

(Dubraz, Op. cit. 192)

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(1)

Esta crise constituiu a primeira grande tentativa de unificar num só reino, os reinos de Portugal e de Castela.

  1. Fernando, rei de Portugal, casado com Leonor Teles, tinha apenas uma filha D. Beatriz, que casou com D. João I, rei de Castela.

Após a morte de D. Fernando, o reino dividiu-se entre os que aceitavam a unificação e os que queriam, a todo o custo, manter a indepência do Reino de Portugal. Esta facção era comandada por D. João, o Mestre da Ordem de Aviz, e militarmente tinha como principal comandante D. Nuno Álvares Pereira que conseguiria várias importantes vitórias para as armas de Portugal. Por outro lado,  o Dr. João das Regras que, nas cortes de Coimbra conseguiu justificar a razão de que fosse coroado rei de Portugal, D. João, mestre de Ordem de Aviz, porque, embora fosse filho natural de uma relação de D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço, era descendente directo dos reis de Portugal devendo, portanto, ser coroado como legítimo rei.

Depois de várias vitórias no campo militar, em 1411, foi assinada a paz, reconhecida a legitimidade de D. João I e a independência do reino de Portugal.

(2) Martim de Freitas, alcaide do castelo de Coimbra, recusou-se a entregar as chaves do seu castelo ao Infante D. Afonso que assumira a regência do reino depois da deposição de seu irmão, D. Sancho II, pelo Papa. Só o fez depois da morte deste e de D. Afonso III ter sido coroado como rei.



publicado por Francisco Galego às 00:03
Quinta-feira, 30 de Agosto de 2018
NA CRISE DE 1383-1385  (1)
 

Nesta crise dinástica, Campo Maior, que estava muito ligada ao bispo de Badajoz, tomou o partido de Castela, tendo sido uma das últimas vilas a aceitarem D. João I como rei de Portugal.

 

A expugnação da vila por D. João I

 

“Na guerra que lavrou no reino depois do falecimento de D. Fernando, em 1383, os habitantes da vila seguiram o partido de Castela por influência do seu alcaide-mor, Paio Rodrigues Marinho.

D. João I em pessoa, cercou Campo Maior e, depois de quatro semanas de assédio apertado, rendeu-a por assalto em 13 de Outubro de 1388 e o castelo entregou-se-lhe por preitesia (capitulação) no 1º de Novembro, sendo alcaide-mor Gil Vasques de Barbuda”.

(Dubraz, opus cit. p. 192)

 

1580 - SOB O DOMÍNIO CASTELHANO

 

Monroyo, o Martim de Freitas de Campo Maio (2)

 

"O caso de Afonso de Monroyo, explicado, defendido com tanto calor ante D. João de Áustria, aconteceu a 19 de Junho de 1580. D. Jerónimo de Mendonça, portador de uma carta selada de Filipe II para o alcaide-mor, tendo feito já em câmara a aclamação, prendeu este no castelo por se recusar a entregar as chaves do mesmo sem ordem dos governadores do reino ou do fronteiro-mor. Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal) respeitou a rigidez de Monroyo e, a homem tão leal, não duvidou mais tarde confiar um comando marítimo.”

(Dubraz, Op. cit. 192)

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(1)

Esta crise constituiu a primeira grande tentativa de unificar num só reino, os reinos de Portugal e de Castela.

  1. Fernando, rei de Portugal, casado com Leonor Teles, tinha apenas uma filha D. Beatriz, que casou com D. João I, rei de Castela.

Após a morte de D. Fernando, o reino dividiu-se entre os que aceitavam a unificação e os que queriam, a todo o custo, manter a indepência do Reino de Portugal. Esta facção era comandada por D. João, o Mestre da Ordem de Aviz, e militarmente tinha como principal comandante D. Nuno Álvares Pereira que conseguiria várias importantes vitórias para as armas de Portugal. Por outro lado,  o Dr. João das Regras que, nas cortes de Coimbra conseguiu justificar a razão de que fosse coroado rei de Portugal, D. João, mestre de Ordem de Aviz, porque, embora fosse filho natural de uma relação de D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço, era descendente directo dos reis de Portugal devendo, portanto, ser coroado como legítimo rei.

Depois de várias vitórias no campo militar, em 1411, foi assinada a paz, reconhecida a legitimidade de D. João I e a independência do reino de Portugal.

(2) Martim de Freitas, alcaide do castelo de Coimbra, recusou-se a entregar as chaves do seu castelo ao Infante D. Afonso que assumira a regência do reino depois da deposição de seu irmão, D. Sancho II, pelo Papa. Só o fez depois da morte deste e de D. Afonso III ter sido coroado como rei.



publicado por Francisco Galego às 10:23
Sábado, 25 de Agosto de 2018

As acentuadas deficiências estruturais que as comunidades mais problemáticas e mais carentes de recursos apresentam, tornam particularmente difícil promover o seu desenvolvimento. Porque, para criar os projectos e desenvolver os processos que levem à sua transformação, são necessários os recursos humanos que concebam e programem as soluções mais adequadas, mais eficazes e que melhor garantam processos rápidos e seguros para acudir às carências mais prementes.

Ora, um dos aspectos mais determinantes do seu desenvolvimento é, sem dúvida, o nível cultural das populações. Por isso, a disponibilidade, a vontade, a apetência e o interesse pelas questões culturais, é inversamente proporcional ao nível cultural que essas comunidades possuem.

Poderiamos, muito a propósito, lembrar aqui a frase de Almeida Garrett (1789-1854), referindo-se a uma manifestação que era um instrumento cultural muito importante no seu tempo:

O teatro é um grande meio de civilização, mas não prospera onde a não há. Não têm procura os seus produtos enquanto o gosto não forma os seus hábitos e com eles o sentimento de necessidade.

Dito de outro modo: quase nunca aquilo de que as pessoas mais necessitam, é aquilo que elas mais gostariam que lhes seja  propiciado.

Este é o dilema com que se confrontam todos os que se dedicam à educação, à politica, e a outras missões de carácter eminentemente social.

Por isso, alguns dos que se dedicam a essas missões, não com o objectivo de bem servirem, mas no fito de muito entreterem ou agradarem, com grande proveito e com pouco esforço, optam por propiciar o que é mais desejado.

Contudo, a solução mais justa e mais honesta, talvez seja a de, remando contra a maré, criar e promover o gosto por aquilo que é efectivamente mais necessário.

Há os que contrapõem que esta atitude é completamente utópica, ou mesmo destituida de qualquer sentido da realidade das coisas. Que é inútil gastar tempo, recursos e esforços a tentar propiciar maiores oportunidades aos que não têm qualquer apetência para questões culturais. Porque, quem nem sequer sabe pensar, não tem paciência para aturar pensamentos e paleios que nem consegue entender. Ou seja, são demasiado ignorantes para apreciarem aquilo que por eles se tente fazer.

Os que assim pensam, fazem uma inversão dos valores em causa. Porque, ao pensarem que “nem vale a pena tentar, porque eles nem sabem o que isso é”, ou que, “não são suficientemente inteligentes para entender o benefício que isso lhes poderia trazer”, são de facto eles que dão prova da sua fraca clarividência intelectual e cultural, por manifestarem a impossibilidade de perceberem que, quando o nível cultural médio sobe, tendem também a subir os índices de produtividade e de segurança, garantindo-se assim melhores condições de vida e mais conforto para todos os elementos que integram a sociedade.



publicado por Francisco Galego às 00:01
Terça-feira, 21 de Agosto de 2018

Há que esclarecer a diferença entre os que. por opção ideológica são contra a "liberdade de imprensa", que está subjacente nas "meias verdades" e nos ataques contra os jornais e os jornalistas, bem claramente explicitos nos ataques de Donald Trump e dos seus acólitos, ao considerarem os jornais e os jornalistas como "INIMIGOS DO POVO" e os que, numa perspectiva absolutamente contrária,  ficam muito incomodados quando o jornalismo, por ser de má qualidade ou movido por certas intenções, deixa de ser a garantia da "LIBERDADE" e da "DEMOCRACIA", colocando-se ao serviço de apoiantes e de causas que atacam estes dois princípios básicos das "SOCIEDADES DEMOCRÁTICAS". Neste caso devemos denunciar as práticas que afastam os "jornais" e os "jornalistas" daquilo que devem ser as suas linhas de orientação. 

 

Tendo consciência de que, como em tudo, há casos de comportamento exemplar, queixamo-nos muito do jornalismo produzido por parte significativa da nossa comunicação social. E, na verdade, nem é preciso argumentar ou justificar em apoio de tal situação.

Quando em vez da informação nos é impingida opinião, quando essa opinião não se baseia em factos verificados, ou comprovados, mas em boatos ou efabulações construidas para atingir certos objectivos; quando, a intenção não é a de esclarecer, mas a de convencer, então não estamos no domínio do jornalismo, mas no antro da baixa política que vive de inventar, alarmar, desestabilizar, desacreditar, divulgando sem comprovar e dando como realidade o que é simples invencionice.

Esta questão vem de muito longe. Já Eça de Queiroz, em 1867, quando dirigia a jornal, o Distrito de Évora, assumia uma posição muito crítica sobre o jornalismo do seu tempo, escrevendo que: "a ambição dos jornalistas não era escrever, mas a de serem políticos. Daí a sua principal característica: “o respeitinho pelos superiores”.



publicado por Francisco Galego às 10:57
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018

De certo modo, não podemos deixar de nos sentirmos incomodados por este holocausto que, já desde há bastantes anos  tem vindo a acontecer no Próximo Oriente.

Perante a atitude algo agressiva de uma parte dos países desta Europa que tanto gosta de se considerar como o luzeiro da civilização europeia, ocidental e cristã. Custa aceitar que isto aconteça em países que pertencem à tão proclamada União Europeia.

            Os argumentos de que não se pode acolher esta massa descontrolada de refugiados, para preservar a segurança e a estabilidade das populações dos nossos países, quase chegam a ser convincentes. Mas, torna-se arrepiante quando, analisando melhor, constatamos que, na sua grande maioria, se trata de grupos de homens, mulheres, velhos e crianças em fuga dos seus países completamente destruídos por uma guerra que coloca em extremo risco as suas fundamentais condições de vida e a sua sobrevivência.

Visto o problema segundo esta perspectiva, não estarão estas pessoas a tentar escapar a um novo holocausto?

Talvez fosse aconselhável pensarmos que, quando o fogo arde na casa do nosso vizinho, manda a prudência que vamos acudir-lhe, não vá o fogo  propagar-se à nossa própria casa. Porque, pode acontecer que, nessa altura, não tenhamos também ninguém que nos venha acudir.

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Domingo, 12 de Agosto de 2018

PROPAGANDA VERSUS INFORMAÇÃO...

Por muitas razões, entre as quais sobressai o meu temperamento, mais inclinado a respeitar opiniões do que a abrir e manter situações de conflito, evito intrometer-me em disputas politizadas. Por outro lado, considero demasiado valiosa a democraticidade que deve reger as sociedades e as relações entre as pessoas, para me permitir a presunção de impor que as minhas posições sejam melhores, mais certas ou mais válidas, do que outras, mesmo que estejam em contradição com as minhas.

Mas, há situações que não consigo suportar e que têm a ver com o modo como determinadas pessoas ou grupos profissionais e os orgãos de comunicação social, têm assumido o exercício das suas funções. Nesta perspectiva, confesso a minha revolta pela maneira como certa imprensa e certo tipo de jornalistas, que deviam cumprir o seu dever de informar e o seu direito de analisar para melhor esclarecerem, reduzem a sua acção a uma contínua e descarada atitude de propaganda, não de factos, mas de opiniões distorcidas que, não tendo base real de sustentação, se limitam  a fazer vingar a visão que melhor serve os interesses que decidiram servir e favorecer.

A questão tende a configurar-se no sentido de que, enquanto a informação tenta descobrir e revelar a verdade, a propanganda, está mais ocupada em dissimular, contrapondo uma divulgação de versões tão manipuladas que acabam por se aproximar mais de uma contra-informação, por falseamento da verdade.

Na sabedoria dos provérbios populares encontramos alguns que ajudam a compreender o campo em que se colocam os conceitos de propaganda e de informação quando nos situamos no domínio da política. 

 

Tomemos como exemplos:

A verdade é como o azeite. Acaba sempre por vir  o de cima.

Pois é!... Mas, por vezes, demora tanto que, enquanto não vem, provoca grandes estragos.

A mentira tem perna curta.

Mas, por mais manca que a mentira seja, nem sempre aparece quem esteja interessado em a denunciar. Até porque...

Com papas e bolos se enganam os tolos.

E, infelizmente, por vezes são muito poucos os quem têm o sentido claro e os olhos abertos e são muitos os que, por serem ou porque  lhes convém parecê-lo, assumem o papel de cegos,surdos e tolos.

 

 



publicado por Francisco Galego às 15:29
Domingo, 05 de Agosto de 2018

É TEMPO DE FAZERMOS UMAS FÉRIAS

ESCREVER SEMPRE TAMBÉM CANSA

E HÁ COISAS MAIS INTERESSANTES

DO QUE PERDERMOS ESTE BELO TEMPO

A LER "POSTS" SEM GRANDE INTERESSE.

 

FIQUEM COM O MEU DESEJO

DAS MELHORES FÉRIAS

QUE PUDEREM TER



publicado por Francisco Galego às 00:02
Sexta-feira, 03 de Agosto de 2018

Tentei responder a cada um dos que assinalaram os meus 77. Mas, porque posso ter falhado com alguém, peço desculpa e aceitem este acrescento como forma de me penitenciar pelo esquecimento ainda que sem qualquer intencionalidade. Obrigado a todos.



publicado por Francisco Galego às 09:55
Sábado, 28 de Julho de 2018

Rui Silveira veio ao meu encontro para me comunicar que iria apresentar no CCCM, um esboço  do seu projecto de realização de um filme tendo enfoco centrado nas "Festas do Povo de Campo Maior". Sugeriu mesmo que eu fizesse uma intervenção que suscitasse a intervençao dos que assistissem a essa sessão que ocorreu ontem, dia 27 de Julho, a partir das 21h e 30m.

Pensando nos que teriam gostado de assitir e que o não puderam fazer, transcrevo a seguir o texto que por mim foi lido, no final dessa apresentação:

AS “FESTAS DO POVO DE CAMPO MAIOR”

As manifestações culturais nascem numa sociedade e reflectem as fases e a evolução dessa mesma sociedade.

Há manifestações culturais de carácter “mais erudito”.

Há manifestações culturais de carácter “mais popular”.

As “Festas do Povo de Campo Maior” são a manifestação de cultura popular mais notável produzida pela comunidade campomaiorense. Nasceram ligadas à celebração de um “mito” religioso local, próprio da sociedade essencialmente rural e agrícola que, - até meados do séc. XX -, era a sociedade campomaiorense. Mas, a motivação religiosa foi dando lugar à manifestação festiva de expressões artísticas que englobavam a intervenção e a participação de quase toda a população.

As “Festas do Povo de Campo Maior” começaram por ter um carácter meramente local. Mas, foram ganhando fama a nível regional, depois nacional, até atingirem fama, mesmo além-fronteiras.

Em finais do séc. XIX, com o crescimento duma nova estrutura social, a dos artistas, ligados às novas profissões artesanais, foram assumindo uma capacidade de invençâo e de criatividade que as tornaram tão excepcionáis que lhes valeram o nome de Festas dos Artistas.

Depois, já no séc. XX, porque envolviam toda a população, levaram a que, em cada rua, se formasse uma comunidade da vizinhança que nela habitava.  Tomaram então a designação de Festas do Povo.

E agora, que as comunidades dos vizinhos são já tão escassas que praticamente não dão para traçarem e realizarem novos projectos, ...

... em que irão tornar-se estas festas?

Esta é a questão fundamental que importa entender. Estamos a lidar com uma manifestação de cultura popular que, realizada numa vila cuja população tem oscilado entre 7 e 10 mil habitantes, chegou a atrair cerca de 1 milhão de visitantes.          

Mas, a sociedade actual nesta vila, está a atravessar um período de rápidas e acentuadas mudanças que poderão pôr em risco a própria existência desta manifestação cultural.

Daí o aparecimento de testemunhos como os que estão registado neste filme, alguns dos quais eu já tinha abordado no livro que publiquei em Julho de 2004, chamando a atenção para alguns problemas e procurando preservar a memória desta grande e notável realização de cultura popular da comunidade campomaiorense. 

Termino esta breve intervenção na qual - não por alarmismo, mas como advertência - chamo a atenção para que:

As “FESTAS DO POVO”, bem como outra manifestação da cultura popular campomaiorense que frequentemente lhe está associada – o “CANTAR E BAILAR AS SAIAS” –, se confrontam com grandes mudanças socio-culturais que poderão colocar em questão a sua sobrevivência. A menos que sejamos capazes de encontrar soluções mais adequadas às circuntâncias da sociedade em que actualmente vivemos.

Deixo-vos com esta interrogação:

            Como devemos proceder para garantirmos a preservação e a continuação desta importante manifestação de cultura popular, que são as “Festas do Povo de Campo Maior”?

 

 



publicado por Francisco Galego às 11:49
Sábado, 07 de Julho de 2018

Quanto às decisões e acções das organizações profissionais dos funcionários de Estado que oficialmente se designam como sindicatos, começo a ter algumas dúvidas e reservas sobre se, a maneira como actuam, está de acordo com o sentido que se deve dar às relações entre a entidade empregadora – o Estado – e as organizações dos profissionais que trabalham para o Estado.

Poderão ou deverão esses sindicatos exigir do mesmo modo concessões, direitos e vantagens na mesma medida e com os mesmos efeitos que outros sindicatos utilizam para condicionarem os comportamentos dos seus patrões?

Se não, vejamos: Os patrões são detentores directos dos bens patrimoniais e dos meios de produção, envolvidos na relação contratual que existe entre empregadores e empregados. Essa relação, lactum sensu, obedece às regras que regulamentam as relações do mercado de trabalho. Neste caso, se o patrão procura obter o máximo de lucro, os contratados têm de lutar para que os seus direitos fundamentais sejam, também, tomados em consideração.

Mas, no caso dos contratos com o Estado, quem é efectivamente o patrão? Poderão as regras contratuais estabelecidas ser consideradas do mesmo modo, ou deverão, devido à especificidade da situação, tentar a articulação mais justa entre os deveres dos que servem uma instituição pública e os direitos que preservem a dignidade dos que assumiram cumprir a sua função ao serviço dessa instituição?

O Estado é uma instituição gerida pelos que, em situação de eleição democrática, foram escolhidos por todos nós para assumir, ao nível mais elevado, a função de agir em defesa do interesse maior da Sociedade.

De facto, a falta de esclarecimento de certos conceitos e decisões, pode levar a consequências nem esperadas nem desejáveis. Na verdade, a confusão entre o conceito de Estado e o conceito de “patrão”, pode servir de base a certas reivindicações que, embora apresentadas como justas e progressistas, se não são compatíveis com as condições reais existentes, podem enfraquecer de tal modo o Estado nos seus compromissos sociais e no seu posicionamento democrático, que, ponham em risco a segurança mesmo dos que se batem por essas reivindicações. Se assim suceder, a sua luta, por mais justa que possa parecer, ela não conduz a uma solução que possa ser considerada como verdadeiramente justa e progressista.

Será por isso que, acontece que, organizações políticas, colocadas na oposição, que se caracterizam pelas suas posições conservadoras, aparecem, com certo oportunismo, a apoiar reivindicações que vão contra essas suas opiniões e opções?

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:04
Quinta-feira, 05 de Julho de 2018

O NOTÍCIAS DE CAMPO MAIOR

 

João Ruivo foi a alma do jornal O Campomaiorense que, numa primeira fase de publicação, durou de 1921 a 1923.

Durante este período o jornal procurou manter-se imparcial e acima das lutas partidárias. Embora João Ruivo fosse um activo militante republicano, era seu entendimento e sua prática que o jornalismo devia usar do máximo de neutralidade e democraticidade mantendo-se equidistante em termos de opiniões político-partidárias.

            A falta de recursos económicos, o peso excessivo das despesas e a fraca adesão dos leitores numa terra onde imperava o analfabetismo, ditaram a necessidade de procurar uma solução que viabilizasse a continuação do jornal.

            Um outro grupo de jovens, quase todos ligados a famílias de grandes proprietários agrícolas, alguns com cursos superiores, tomaram o encargo de fazer sair o jornal, começando assim a 2ª fase da sua publicação, que iria durar de 1924 a 1927.

            Este grupo agia sob a liderança do Dr. Francisco Telo da Gama personalidade que durante muito tempo marcou profundamente a vida de Campo Maior, quer  na chefia do município, quer como governador civil do distrito e mesmo como membro do governo, na função de secretário de Estado.

            A partir de certa altura, a colagem do jornal a tendências políticas que pugnavam por soluções políticas de carácter autoritário, levou o antigo grupo fundador a reagir criando outro jornal, intitulado  – Notícias de Campo Maior – ficando assim a vila com dois jornais a publicarem-se simultâneamente, nos anos de 1926 a 1928.

Depois, seguiu-se a Ditadura Militar que resultou da vitória do golpe de Estado levado a efeito por militares em 28 de Maio de 1926. A acção inibidora da censura, a suspensão das liberdades democráticas e a saída de Campo Maior de João Ruivo, ditaram o encerramento do Notícias de Campo Maior a partir 1 de Junho de 1929.

            O Campomaiorense que já tinha suspendido a sua publicação em 14 de Abril de 1927, voltaria a publicar-se nos anos de 1933 a 1935, então já com um total alinhamento com o Estado Novo e com a ideologia do corporativismo salazarista.

 



publicado por Francisco Galego às 00:05
Terça-feira, 03 de Julho de 2018

Numa entrevista, publicada na "Revista" do jornal "Expresso" nº 2.383 de 30/6/2018, p.32, sendo o entrevistado o Arquitecto Eduardo Souto Moura a quem foi atribuido o Leão de Ouro da Bienal de Arquitectura de Veneza, e que desenhara uma casa para Ciristiano Rolnado, declarou sobre os hábitos deste:

"Ele, das 8 horas às 12h e 30, treinava. Depois ia para o ginásio. A seguir almoçava massa com frango (...) A seguir dormia a sesta e depois fazia piscinas. Por fim, sentava-se no sofá a falar comigo e adormecia. Ao Jantar tornava a comer frango. Fiquei impressionadíssimo. Ali havia esforço, mesmo. Foi gesto a gesto, até chegar lá acima.Admiro-o imenso."



publicado por Francisco Galego às 11:42
Sábado, 30 de Junho de 2018

O CAMPOMAIORENSE

 

            O primeiro jornal que Campo Maior teve apareceu no ano de 1921, vivia Portugal um período agitado e de grande instabilidade social e política. Os governos mudavam devido a uma alucinante sucessão de golpes de estado, de revoltas e de desencontradas votações no parlamento.

            Muitos, desencantados e cansados de tanta perturbação, procuravam formas alternativas de intervenção social desviando-se da turbulência dos acontecimentos políticos.

Um grupo de jovens campomaiorenses que viriam a constituir-se numa associação que significativamente adoptou o nome de Pró Terra Nostra, (Pela Nossa Terra), resolveu criar um jornal – O Campomaiorense em torno do qual se pudessem realizar acções que promovessem o desenvolvimento de Campo Maior.

Eram jovens que podemos considerar de classe média, com algumas bases culturais, distribuídos por diversas profissões e condições sociais: funcionários públicos, comerciantes, empregados no comércio, agricultores, estudantes e alguns dedicados aos ofícios artesanais que então existiam em número significativo na vila.

            O Campomaiorense foi o primeiro jornal que Campo Maior teve. Este projecto, como sucede com quase todos os empreendimentos humanos, fez-se sob a liderança de um homem que marcou profundamente a vida de Campo Maior durante os anos vinte do século passado. Chamava-se João Ruivo. Era filho de um mestre-de-obras que deixou algumas construções notáveis na vila, como o Lagar União já desaparecido e o Bairro Operário.

            João Ruivo que tinha combatido como voluntário na 1ª Grande Guerra, exerceu funções importantes como funcionário da câmara municipal, onde chegou a chefiar os serviços administrativos e a ocupar por algum tempo o cargo de administrador do concelho. Autodidacta inteligente e aplicado, conseguiu adquirir uma sólida cultura. Foi correspondente de vários jornais de Lisboa, entre eles O Século e o Diário de Notícias, colaborou em vários jornais regionais como Brados do Alentejo, de Estremoz e o  Montes Claros de Borba, a Democracia do Sul e o Notícias D’ Évora e, de Elvas, A Fronteira e o Linhas de Elvas.



publicado por Francisco Galego às 00:02
Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

Quando bate uma tristeza ou o desencanto nos atormenta, a poesia, se bem escolhida, pode servir de bálsamo que nos dê algum alívio. Foi isso que me trouxe à memória, um belo texto e que, depois de o ler com muito consolo, resolvi partilhar com quem tiver a oportunidade ou a vontade de o ler ou reler. 

Trata-se de um poema que se apresenta como uma modesta brincadeira, mas que, bincando, toca em sentimentos que nos tomam com frequência e que, parcendo um quase nada, nos ajudam bastante a reequilibrar a nossa estabilidade emocional. 

A sua doce toada, numa linguagem simples, directa, tão própria do doce tropicalismo que o português frequentemente assume nas terras do Brasil, foi a melhor forma  que encontrei para me desentristecer...

Permitam que partilhe convosco, esta tão doce opção de ir espairecer até esta terra imaginada - Pasárgada -, onde esquecendo, recuperamos o alivio, na esperança do melhor que poderá vir e que decerto virá, para nosso aconchego. Dele recolhi este recado: Quando tudo parece muito mau, devemos acreditar que há sempre um modo de voltar a ser melhor, mesmo que seja, apenas, recorrendo ao sonho de uma irrealidade apenas imaginada ...

 

Vou-me Embora p'ra Pasárgada (1)

 

Vou-me embora p'ra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

 

Vou-me embora p'ra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

 

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!


E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
P'ra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar

Vou-me embora p'ra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização

Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora p'ra Pasárgada.

 

 Manuel Bandeira

(1) Pasárgada foi a capital do antigo Império Persa. É hoje um importante sítio arqueológico, classificado como Património Mundial da Unesco.


  Poema extraído do livro de Manuel Bandeira -  "
Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90



publicado por Francisco Galego às 00:01
Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

Nós somos o que resulta da diferença que vai entre o que sonhámos ser e aquilo em que, efectivamente, nos tornámos. Do que ficou por fazer, resta apenas a frustação e o silêncio que alguns persistem em tentar preencher com inoportunas e inúteis palavras que ocupam o lugar que deve ser ocupado pela acção critica do pensamento que vai gerando a consciência. Melhor é deixar que o silêncio, seja o lugar próprio do que ficou por fazer e que deve também ficar por dizer.

Aquilo que nos personifica, é nossa maneira de interagirmos com os outros e de agirmos na diversidade de situações que vão tecendo o nosso viver. E isso deriva da cultura adquirida pela nossa experiência e que determina o nosso modo de estar e de ser.

A cultura define-se pelo património de conhecimentos que vamos amealhando e pela capacidade de aquisição e de acumulação de novos conhecimentos que vamos desenvolvendo.

Realizamo-nos na sequência dos projectos que vamos concebendo. Dos que se realizaram e dos que fomos deixando por realizar. Anulamo-nos ou apoucamo-nos, quando os projectos não existem, quando são inadequados, ou quando somos incapazes de os concebermos ou de os concretizarmos.

De facto, nós somos, efectivamente, aquilo em que nos vamos tornando. A nossa existência vai sendo moldada pela nossa História de Vida.



publicado por Francisco Galego às 00:01
Sexta-feira, 15 de Junho de 2018

Abordou-me para manifestar a sua não aceitação do que expressei num texto que eu publiquei.

Mas não quer assumir-se como crítico que se coloca no contraposto às minhas opiniões sobre a educação e sobre a atitude de muitos professores...

Está no seu direito. Eu, de acordo com o que entendo como meu dever, respeito a sua decisão.

Mas, isso não me impede de responder às suas reservas e discordâncias, sem revelar a identidade de quem as emitiu.

Começou por manifestar o seu repúdio por quase tudo o que eu escrevi, por considerar que tudo aquilo não passava do que considera como modernices e intelectualices de quem não tinha de suportar os casos e os problemas com que se deparam no dia a dia da sua acção, os professores.

É verdade que já não sou seu colega. Fui-o durante cerca de quarenta anos. Mas ainda não passou tanto tempo que tudo tenha mudado tanto que possa ser considerado muito diferente. Creio que me faltou ter escrito que, esses quase quarenta anos de profissão docente, não decorreram em escolas que pudessem ser consideradas excepcionais, quer pela sua inserção, sócio-económica e cultural, quer pela qualidade das suas intalações.

Mas deixemos isso e vamos directamente ao caso das modernices e intelectualices.

Permita que lhe refira o caso de um filósofo muito nomeado, mas muito mal conhecido: Immanuel Kant que viveu entre 1724 e 1804.

Nascido numa família modesta - seu pai, tinha uma oficina em que se dedicava aos trabalhos em coro - e Kant era o quarto dos nove filhos que foram nascendo.  

Desde muito novo revelou particular interesse e grande capacidade na aquisição de conhecimentos na escola que frequentou entre os oito e os dezasseis anos de idade.

Devido à morte prematura de seus pais, teve de se tornar preceptor de crianças das famílias endinheiradas, para garantir a sua sobrevivência e a continuidade dos estudos. Nesta condição ministrou o ensino dos mais diversos tipos de conhecimentos: matemática, fisica, geografia, ciências da natureza e mesmo a lógica, a ética e a metafísica.  

Só por volta dos 35 anos, conseguiu obter um grau académico correspondente aos actuais doutoramentos. Mas só aos 47 anos conseguiu lugar no ensino universitário.

Leitor atento de Jean Jacques Roussau (1712-1778) encontrou nas suas obras a razão porque repudiara a escola que frequentara e que baseava toda a aprendizagem numa rígida transmissão de conhecimentos que deviam ser memorizados, numa atitude passiva, pelos alunos. Rousseau contrapunha a isto o desenvolvimento das capacidades dos alunos para que assumissem um pensamento independente e criativo que os levassse a descobrir novos conhecimentos.

Tudo isto pode ser considerado uma modernice e intelectualice, só por ter sido assumido por dois notáveis filósofos há séculos?

Porém, por difícil que seja de entender, ainda hoje continuamos a assistir a um confronto entre estas duas maneiras de conduzir as acções de aprendizagem:

- A dos que acham que o conhecimento se transmite pela memorização e pela repetição;

- A dos que entendem que a aprendizagem deve consistir no desenvolvimento nos alunos, de um pensamento autónomo e criativo, treinado para ser capaz de, por si próprios, adquirirem e gerarem novos conhecimentos.

Porque há diferença entre o aprender a repetir e o ter a capacidade de aprender a aprender para progredir na aquisição de novos conhecimentos.

 

 



publicado por Francisco Galego às 11:44
Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Assim como o pensamento sobre as questões escolares deixou de se limitar à especulação reflexiva sobre as teorias pedagógicas para dar lugar à emergência das Ciências da Educação, focadas na observação e na análise das práticas educativas, também no que respeita à definição do estatuto dos professores, terá de se perspectivar uma nova geração de profissionais ligados à escola como lugar de educação e de formação das novas gerações. Começam já a notar-se indícios de um novo tempo: o dos educadores-formadores.

Mas, entretanto e ainda por muito tempo, as escolas apresentarão este carácter confuso, algo anárquico e desorientado que lhes confere certo ambiente de alienação. É que, nas escolas de hoje, coexistem muitas e muito diferentes maneiras de estar na profissão.

Ainda subsistem alguns que se assumem como meros comunicadores de conhecimentos. Outros, embora tenham competência para serem outro tipo de professores, vencidos pelas dificuldades, vão-se deixando reduzir à condição de meros funcionários da educação. Há tambem os que, pretendendo assumir uma atitude de verdadeiro profissionalismo docente, se angustiam por não encontrarem, nem as respostas, nem as condições, para agirem de forma profissionalmente competente.

Apenas uma minoria consegue ir ultrapassando as dificuldades e, qual fermento levedando a massa, vão trabalhando no sentido de desenvolverem uma acção que podemos considerar verdadeiramente educativa e formativa, tentando tornarem-se verdadeiros educadores-formadores.

Mas, como em todos os tempos de viragem:

- Há os que, saudosos do passado, lamentam o fim de um mundo com previlégios que gostavam de conservar;

- E há os que, esperançosos do futuro, anseiam pela emergência de novas soluções necessárias ao exercício da sua profissão.

As crises são dramaticamente perturbadoras. Mas são também geradoras de mudanças e as mudanças podem ser entendidas como condição básica do progresso, em busca de um contínuo aperfeiçoamento das nossas acções.

Ou será que tudo se deve reduzir apenas a uma questão de lutar pela obtenção e conservação dos benefícios que se obtêm pelo exercício de uma profissão?

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Domingo, 10 de Junho de 2018

(Por esta época, Campo Maior teria cerca de 5.000 habitantes)

 

No dia 1 de Dezembro de 1807, tinha entrado nesta vila o regimento de Guardas Walonas e um batalhão do Regimento de Córdova, que saíram no dia seguinte.(1)

No dia 11 do mesmo mês, entrou na vila o Regimento de Múrcia, que no dia 13, continuou a sua marcha.

No dia 8 de Janeiro de 1808, um batalhão dos Granadeiros Provinciais de Castela e no dia seguinte mais um batalhão do mesmo corpo, ficaram a fazer a guarnição da Praça, que só evacuaram em 16 de Março.

O comando espanhol tinha determinado que esta guarnição fosse sustentada à custa do povo, mas o Juiz de Fora conseguiu livrá-lo desta obrigação, vindo a mesma a ser assegurada pela Administração de Badajoz.

Um sargento-mor da Praça procurou revoltar o povo contra a frouxidão do governo português que tinha abandonado o Reino deixando-o em tão penosa situação. Mas o povo preferiu cumprir as ordens deixadas pelo príncipe regente e nada faltou ao fornecimento das tropas, sendo em parte providas pelo “Assento militar das provisões de boca” e, em parte, pelas pessoas particulares às quais eram passados escritos de divida, que nunca vieram a ser pagos. (2)

Campo Maior pode, contudo, considerar-se um dos Povos menos vexados pelos franceses.

O comando francês teve por mais acertado abandonar a Praça de Campo Maior. Em consequência deste abandono, os seus armazéns foram espoliados de toda a pólvora, munições e apetrechos de guerra, as armas dos particulares foram guardadas em depósito. O Regimento Nº 20 que constituía a sua guarnição, foi extinto e uma parte dele mandada para França. Esta extinção foi declarada no dia 14 de Maio de 1808. Os arquivos, espingardas e mais utensílios militares foram mandados para Elvas.(3)

Igual espoliação se verificou quanto ao Hospital Real Militar e ao Assento. Mas a povoação foi deixada em paz. À excepção de um Regimento de Suíços que entrara nesta Praça no dia 12 de Março e saiu no dia 13, não mais se viu tropa francesa, o que não foi pequena fortuna.

(Segundo o Padre João Mariano, p. 38 a 46)

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 (1) A Espanha tinha-se aliado submissamente ao poder militar de Napoleão, imperador dos franceses.

(2) Para escapar aos franceses que estavam quase a chegar a Lisboa e que o obrigariam a renunciar à coroa e à independência de Portugal, a favor de Napoleão Bonaparte, o príncipe D. João, depois coroado como D. João VI, que assumira a regéncia em nome de D. Maria I sua mãe, mentalmente afectada e incapaz de governar, embarcara com a família real e a corte para o Brasil em 21 de Janeiro de 1808, deixando recomendado que não se oferecesse resistência às tropas francesas.

(3) Esta expoliação e desarme ainda tornou mais notável o sucesso da revolução de 2 de Julho de 1808 que expulsou de Campo Maior as tropas espanholas ocupantes desta praça de guerra.



publicado por Francisco Galego às 00:03
Segunda-feira, 04 de Junho de 2018

Tentando opor-se ao expansionismo dos exércitos de Napoleão Bonaparte, Portugal começou por participar, com uma divisão auxiliar, ao lado da Espanha contra a França, embora sem declaração formal de guerra. Mas esta campanha correu mal às armas peninsulares.

Seguidamente, a Espanha mudou de estratégia e aliou-se a Napoleão. Passando de aliados a inimigos, mudaram radicalmente de uma atitude colaboração diplomática, para uma declaração de guerra a  Portugal que foi invadido por um exército hispano‑francês através de uma campanha relâmpago que durou três meses, perdendo Olivença para a Espanha e a Guiana, colónia na América do Sul, para a França.

Portugal, nesta conjuntura europeia de conflito entre a Inglaterra e a França, procurou fazer aceitar uma posição de neutralidade, assumindo compromissos de circunstância, devido à falta de um aparelho militar forte e dissuasor.

Mas, Napoleão Bonaparte, na incapacidade proceder  à invasão das ilhas britânicas, devido à superioridade do seu poder naval, decretou um Bloqueio Continental, para impedir o acesso dos navios ingleses aos portos dos outros países da Europa. A este bloqueio só não aderiram a Suécia e Portugal.

Aproveitando a aliança com a Espanha, Napolão assinou com Manuel Godoy, primeiro‑ministro de Espanha, o Tratado de Fontainebleau, de 27 Outubro de 1807, no qual secretamente se combinava a conquista de Portugal e a sua divisão em três partes, em favor dos dois países conquistadores.

Em consequência deste acordo, Portugal foi sujeito a cinco invasões, entre 1801 e 1812, algumas desencadeadas pela Espanha, com o apoio político e militar da França, sendo outras, as de 1809, 1810 e 1812, de iniciativa exclusivamente francesa, tendo como chefes militares, .Junot, Soult, Masséna.

Lisboa era o objectivo principal de qualquer ofensiva externa. Daí que, o arco defensivo constituido pelas praças de guerra formado por Ouguela, Campo Maior, Elvas e Juromenha fosse muito importante pela sua situação geográfica no eixo Madrid-Lisboa, porque dificultava atingir directa e rapidamente o objectivo de alcançar a capital portuguesa  por  efectivos militares numerosos. Essa terá sido a razão de essa via não ter sido utilizada pelos franceses como eixo de penetração principal.  Os espanhóis tinham-no utilizado na "Guerra das Laranjas" de 1801, tendo daí resultado a perda de Olivença e a ocupação de Campo Maior em 1807.

 

 



publicado por Francisco Galego às 08:24
Quarta-feira, 30 de Maio de 2018

Uma leitora habitual dos textos que aqui vou publicando, pediu-me que, numa breve síntese, ordenasse os períodos mais significativos da História da Vila de Campo Maior.

Ora, aqui temos um desafio muito difícil de aceitar: Dizer muito, escrevendo o menos possível. Mas, porque não tentar?

Assim, das coisas que tenho escrito, retirei estes “quadros à pena”, sem a certeza de estar a corresponder devidamente ao pedido.   

 

O território onde nasceu a povoação que viria a ser a vila, sede do concelho, de Campo Maior, terá sido chamado pelos romanos, Campus Major.  Para eles poderia significar que se tratava de terra plana, extensa e produtiva. O seu povoamento no período da romanização terá estabelecido um conjunto de Villae, ou seja, pequenos agregados populacionais que, em muitos casos, deram origem a unidades agricolas que depois, viriam a ser designadas como os montes, residência e centro administrativo das actuais herdades.

Esta organização ter-se-á mantido no tempo dos invasores godos e mesmo no período do domínio muçulmano. Mas, não são conhecidos testemunhos significativos da sua presença, neste “Campus Major” que ficava entre as cidades de Badajoz e de Elvas, em que esta civilização, de origem árabe e de carácter acentuadamente urbano, deixou poucas marcas significativas. Alguns documentos dão notícia de pequenos aldeamentos no sítio onde irá desenvolver-se a vila, em volta de um castelum construido num monte maiori.

Tendo este território, que compreendia os aldeamentos de Ouguela e de Campo Maior, sido conquistado no final da 2ª década do Séc. XII, pelo reino de Leão, foi o mesmo doado em senhorio ao bispo de Badajoz. O rei Afonso X de Leão e Castela confirmou essa doação em 1257, ao conceder-lhe, em 1260, o primeiro foral que lhe conferiu o estatuto de vila, depois sede de concelho.

 A vila de Campo Maior foi integrada, formalmente, na soberania portuguesa, pelo Tratado de Alcanizes (1297), no reinado de D. Dinis, que lhe concedeu novo foral. Mas, manterá laços de dependência eclesiástica ao bispo de Badajoz que só foram cortados por D. João I, em 1392.

Por direito de sucessão dinástica, Portugal ficou integrado na monarquia castelhana, a partir de 1580.

Com a Restauração da Indepência de Portugal, em 1640, seguiu-se a guerra com risco de invasão de Portugal pelos exércitos de Espanha.  Campo Maior, com Ouguela, Elvas, Juromenha e Olivença, tornou-se importante praça-de-guerra. Dotada de notável fortificação, integrou o arco defensivo contra as invasões pelo corredor defensivo do “Caia-Guadiana”, formado por Ouguela, Campo Maior, Elvas, Juromenha e Olivença.

A partir de meados do século XVII, a praça-de-guerra de Campo Maior, irá desempenhar uma missão defensiva de grande importância: Durante a Guerra da Restauração (1640-1648); durante a Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714), no cerco de 1712; na Guerra das Laranjas (Maio a Junho de 1801), o cerco de 1801; nas  Guerras Peninsulares-Invasões Francesas (1808-1814), o cerco de 1811; na Guerra dos Sete Anos ou Guerra Fantástica (1756 - 1763).

Em 1732, durante uma trovoada seca, um raio fizera explodir a Torre de Menagem do seu castelo que, servindo de paiol, continha uma quantidade significativa de explosivos. A vila ficou, na sua maior parte, destruída tendo morrido ou ficado ferida uma grande parte da sua população. Mas, devido à situação de guerra que ainda ameaçava,  a restauração da vila e da praça-de-guerra fora, por decisão de D. João V,  muito rápida, estando concluída passados cerca de dez anos.

Com a pacificação geral da Europa, a fortificação foi desactivada em meados do século XIX. A vila conseguiu restabelecer-se tendo como base da sua economia uma agricultura próspera, devido à fertilidade e variedade dos seus campos e ao engenho das suas gentes, desenvolvendo uma próspera agricultura, um importante e diversificado artesanato local e intensificando as trocas comerciais com a Espanha, em grande parte feito pela prática do contrabando.

Actualmente tem-se notabilizado como importante polo industrial nos ramos da torrefacção e da comercializaçao do café e pela grande manifestação de arte popular que, com base numa tradição de religiosidade “sanjoanina”, veio a ser denominada como Festas dos Artistas,  Festas das Flores ou Festas do Povo de Campo Maior.

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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