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As fronteiras e as políticas regionais e de cooperação transfronteiriça

As questões fronteiriças marcaram desde sempre a História e o território da Europa, como em nenhum outro continente: conflitos bélicos e rivalidades que afectaram a cultura, a economia, a arquitectura e o modo de vida, principalmente nas regiões raianas. Em épocas de frequentes conflitos, foram barreiras de separação. Mas, também, sobretudo em tempos de maior tranquilidade, foram zonas de intensos contactos, encontros e de trocas de carácter cultural e civilizacional.

Desenvolvem-se actualmente, nos centros urbanos fronteiriços, no âmbito do aprofundamento da construção de uma “União Europeia”, e ao encontro de iniciativas como o Tratado Schengen de 1995 e da adesão à “Moeda Única” de 2002, claras tendências para uma maior colaboração territorial, para trocas de serviços, e desenvolvimento de sinergias e complementaridades que propiciem e assegurem um desenvolvimento mais  harmonioso, seguro e equilibrado. De certo modo, o sentido de fronteira vai-se atenuando na medida em que se desenvolvem novas oportunidades de esbater diferenças, dando lugar a uma maior coesão territorial, a um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável, através de acções e soluções que vão ao encontro de problemas comuns.

São passos dados neste sentido:

         - A criação pelo Conselho da Europa de instrumentos legais para a Cooperação Transfronteiriça, como as Comunidades de Trabalho e as Euroregiões;

         - O tratado de Schengen (1985) permitindo a circulação de pessoas, mercadorias e de capitais para investimentos;

         - O Acto Único Europeu (1986) com o objectivo de desenvolvimento de uma nova política regional europeia;

         - O Tratado de Maastricht (1992) que formalizou a cooperação transfronteiriça;

         - O INTERREG programa de financiamento comunitário;

         - A Convenção de Valência (2002), uma Convenção Quadro Europeia, entre Portugal e Espanha, sobre a cooperação transfronteiriça entre os dois estados ibéricos.

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publicado às 00:04

O Conceito de Eurocidade e a rede europeia de Eurocidades

Inicialmente o conceito era referido ao protagonismo que algumas cidades alcançavam pela sua dimensão económica, populacional, pela função administrativa, ou mesmo pela sua estratégica localização.

Hoje, aponta para os agrupamentos de cidades que, pela localização fronteiriça e pela  proximidade entre elas e que, embora de reduzida dimensão, se caracterizam pela semelhança ou complementaridade de recursos e de aspirações, tendo propiciado o desenvolvimento de um número considerável de projectos de cooperação transfronteiriça, compatível com a sua condição de membros da U.E.  

Objectivamente trata-se de projectos de constituição de sistemas urbanos plurinucleares, em rede, para a entreajuda na solução de problemas sociais, económicos, políticos ou mesmo socioculturais, visando a optimização dos meios, recursos e conhecimentos para que, agindo em complementarridade no uso das suas capacidades, esbaterem as dificuldades e resolverem os seus problemas.

São objecto das acções da Eurocidade: os equipamentos urbanos; a energia; os transportes e comunicações; a educação; o ensino e a formação profissional; o património, a cultura e as ciências; os tempos livres e os desportos; a saúde; a acção social; a habitação; a protecção civil; o ambiente e o saneamento básico; a defesa do consumidor; o ordenamento do território e o urbanismo; a polícia municipal; a cooperação externa.

A agenda do arranque da “Eurocidade Elvas-Badajoz-Campo Maior”, deve seguir um desenho estratégico que consiste num diagnóstico e reflexão conjunta multissectorial que analisa os problemas, as potencialidades, oportunidades e define os instrumentos de planeamento e ordenamento futuro do território.

Todos estes processos devem ser impulsionados e participados pelos governos centrais de Portugal e Espanha e por equipas de acessoria que, - numa estratégia de cooperação e complementaridade -, integrem, além de especialistas e técnicos, agentes económicos e sociais.

Depois desta fase de planeamento estratégico, terá de ser criado um Observatório da Eurocidade que acompanhe e monotorize a concretização das propostas estratégicas no plano da acção. Este Observatório Transfronteiriço visa melhorar  e desenvolver a cooperação entre os diversos actores e agentes, tanto públicos como privados, na concretização do desenvolvimento dos projectos a realizar.

Haverá também que constituir uma estrutura de governabilidade que deve incluir representantes das administrações nacionais, regionais e locais, bem como das universidades e dos agentes económicos e sociais.

É fundamental a permanente monotorização do processo de construção e de acção da Eurocidade, como garantia de sucesso dos projectos fronteiriços a desenvolver no futuro.

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publicado às 13:05

  1. As fronteiras e as políticas regionais e de cooperação transfronteiriça

As questões fronteiriças marcaram desde sempre a História e o território da Europa, como em nenhum outro continente: conflitos bélicos e rivalidades que afectaram a cultura, a economia, a arquitectura e o modo de vida, principalmente nas regiões raianas. Em épocas de frequentes conflitos, foram barreiras de separação. Mas, também, sobretudo em tempos de maior tranquilidade, foram zonas de intensos contactos, encontros e de trocas de carácter cultural e civilizacional.

Desenvolvem-se actualmente, nos centros urbanos fronteiriços, no âmbito do aprofundamento da construção de uma “União Europeia”, e ao encontro de iniciativas como o Tratado Schengen de 1995 e da adesão à “Moeda Única” de 2002, claras tendências para uma maior colaboração territorial, para trocas de serviços, e desenvolvimento de sinergias e complementaridades que propiciem e assegurem um desenvolvimento mais  harmonioso, seguro e equilibrado. De certo modo, o sentido de fronteira vai-se atenuando na medida em que se desenvolvem novas oportunidades de esbater diferenças, dando lugar a uma maior coesão territorial, a um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável, através de acções e soluções que vão ao encontro de problemas comuns.

São passos dados neste sentido:

         - A criação pelo Conselho da Europa de instrumentos legais para a Cooperação Transfronteiriça, como as Comunidades de Trabalho e as Eurorregiões;

         - O tratado de Schengen (1985) permitindo a circulação de pessoas, mercadorias e de capitais para investimentos;

         - O Acto Único Europeu (1986) com o objectivo de desenvolvimento de uma nova política regional europeia;

         - O Tratado de Maastricht (1992) que formalizou a cooperação transfronteiriça;

         - O INTERREG programa de financiamento comunitário;

         - A Convenção de Valência (2002), uma Convenção Quadro Europeia, entre Portugal e Espanha, sobre a cooperação transfronteiriça entre os dois estados ibéricos.

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publicado às 00:02

 

OS TEXTOS QUE AGORA SE VÃO PUBLICAR, LIMITAM-SE A CHAMAR A ATENÇÃO PARA O PROJECTO DE ACÇÃO INTEGRADA E INTEGRADORA DESTA REGIÃO.

DAÍ O CARÁCTER SUCINTO E SIMPLIFICADO DA SUA APRESENTAÇÃO.

PARA MAIOR DESENVOLVIMETO, RECOMENDA-SE PROCURAR INFORMAÇÃO NA OBRA A SEGUIR INDICADA QUE SERVIU DE FONTE DE DADOS E DE IDEIAS PARA SUA ELABORAÇÃO.

(In, Garrinhas, João Paulo- Elvas, uma cidade de fronteira, 1ª Ed. Julho de 2018). Pág.s 242 a 275).

 

  1. A EUROCIDADE ELVAS-BADAJOZ- CAMPO MAIOR E O SEU OBSERVATÓRIO

O conceito de Eurocidade envolve projectos de integração e de promoção de acções cooperantes que promovam um leque significativo de domínios resolvendo problemas e situações estruturantes do desenvolvimento sustentado duma região.

A Eurocidade de Elvas-Badajoz-Campo Maior situa-se num corredor rodo-ferroviário de ligação de Madrid-Lisboa, num espaço territorial de notável potencial no domínio do turismo, pois envolve sete cidades classificadas como Património Mundial pela UNESCO.

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publicado às 11:50


AS TERRAS COMUNAIS DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 04.04.19

Segundo Albert Silbert que, a propósito de uma informação de 1758, faz referência pormenorizada ao estatuto e utilização destas terras comunais, designadas como "defesas", ou seja, os terrenos possuídos e geridos por uma comunidade local, ou pela administração de um concelho, geralmente terras incultas, ou que serviam para cultivar cereais, para pastos comuns e para logradores postos ao dispor da população local.

A defesa de São de São Pedro, em Campo Maior

A defesa de São de São Pedro, a sudeste da povoação, numa área arborizada e ligeiramente ondulada, era todos os anos dividida em sortes, ou seja, em partes de um moio de semente, cerca de uma dezena de hectares, as quais eram leiloadas e cedidas pela melhor oferta e nelas se praticava um afolhamento trienal, como nas restantes herdades da região. Este afolhamento não era rigorosamente respeitado, pois uma parte da terra em repouso era utilizada com outras culturas.

Como se vê, o cultivo destas sortes da defesa de São Pedro era feito em regime de exploração privada pelos que tinham conseguido, em leilão, arrematar o direito ao seu uso, pelo período que decorria entre uma sementeira e a sua colheita. Era uma prática que nada tinha de trabalho colectivista.

Depois das ceifas, a Câmara vendia os restolhos, destinados à alimentação dos gados, pela melhor oferta. Mas, mesmo no tempo dos restolhos, uma parte da defesa de São Pedro, estava à disposição  dos habitantes da vila. Era numa parte integrante da Defesa de São Pedro – o Rossio – que a população podia realizar anualmente as suas eiras onde, após as ceifas e se procedia à debulha dos cereais. A notícia que a seguir se transcreve mostra a importância que a Defesa de São Pedro tinha para a população de Campo Maior, a qual se vai manter até ao inicio do século XX:

A VOZ DO ALEMTEJO, Nº 258, Elvas, Sábado, 25 de Julho de 1863

Campo Maior (correspondência particular)

“No dia 21 do corrente pelas 3 horas da tarde manifestou-se o fogo nas eiras públicas do Rossio de S. Pedro desta vila … naquele local havia próximo de 3 mil a 4 mil moios de trigo … sendo o Sr. administrador do concelho o primeiro que se apresentou no sítio do fogo, à testa do qual se conservou, para evitar que se comunicasse aos mais celeiros contíguos, que não seriam menos de 800.

Não sendo menos dignos de iguais encómios e felicitações os mui nobres proprietários que acorreram de pronto ao lugar do incêndio… e ainda mais se deve ao geral da povoação que, ouvindo tocar o sino da câmara, abandonaram as suas casas, correndo da melhor vontade, de moto próprio, a acudir a um tão inesperado incidente…tornando-se muito distintos por esta ocasião os serviços prestados pelos senhores: o subdirector da alfândega José das Dores; os artistas (artesãos)José António de Bastos, José Mendes da Mota, e Dâmaso de Albuquerque; os trabalhadores (assalariados) Manuel dos Santos Valadim, José Duarte, Manuel das Chagas e outros muitos cujos nomes ignoramos…

Campo Maior 22 de Julho de 1863”    

            Nota: O mesmo jornal abriu subscrição pública para ajuda aos que tinham sofrido significativas perdas com o incêndio e foi publicando as listas desses contributos recebidos, que foram bastantes e, alguns, bastante avultados.

 

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publicado às 17:02


CAMPO MAIOR – A CATÁSTROFE DE 1732

por Francisco Galego, em 31.03.19

Por Frei Manuel de Figueiredo:

 Eremita Augustiniano, cronista da sua província (1), e muito acreditado pregador no seu tempo, de seu nome António Dias da Silva e Figueiredo, foi natural de Campo Maior e morreu no Convento da Graça de Lisboa a 19 de Novembro de 1774.

Estava de visita à sua família, em Campo Maior, quando se deu a explosão do paiol na torre de menagem, provocando a terrível destruição de grande parte da vila de Campo Maior. Testemunhou, portanto, este trágico acontecimento por vivência directa, que descreveu em documento que publicou em Lisboa, com o seguinte título:

“Notícia do lastimoso estrago, que na madrugada do dia 16 de Settembro, deste presente anno de 1732, padeceu a Villa de Campo-Maior, causado pelo incêndio, com que hum raio, cahindo no armazém da pólvora, arruinou as torres do castello, e com ellas as casas da Villa. Escrita por António Dias da Sylva, e Figueiredo, natural da mesma Villa”, Lisboa Oriental, na Officina Augustiniana, 1732

 Transcrevo apenas algumas partes do relato que este nosso conterrâneo publicou:

"Desde o dia 14 de Setembro começou o céu a dispor-se para este estrago, encapotando-se na primeira noite os ares e fuzilando com alguns relâmpagos os quais, acompanhados de trovões, causaram muitos sustos, mas que não passaram de ameaços  (...)

 Seriam as 3 horas da madrugada quando, cruzando-se duas trovoadas, uma da parte do Poente, outra da parte do Meio-Dia, fizeram despertar com horríveis trovões os moradores. Quase uma hora durou o horror da tormenta em que as duas trovoadas pareciam travar um combate disputando qual delas devia assolar a vila. Até que, (...) caiu o raio na torre maior, ignorando-se de que parte a feriu. Uniu-se o fogo vindo do céu ao da terra quando rebentaram as bombas, granadas e pólvora que se guardava no interior da torre. Havia nela 5.732 arrobas e 6 arráteis de pólvora, 4.816 granadas ordinárias, 830 granadas reais, 711 bombas, 2.575 granadas desatacadas. Tudo isto com o seu impulso deu ruína ao castelo e sepultura à vila. (...)

O impulso foi tão violento que as casas caíram ao mesmo tempo parecendo que disputavam umas às outras o terreno para se derrubarem. Ficaram arruinadas 840 casas e mesmo as poucas que resistiram ao estrago, tiveram seu dano em telhados e portas. Foi tal o impulso que, mesmo as portas que não estavam voltadas para o castelo, foram violentamente arrancadas das suas ombreiras. Serviu de escudo ao pequeno número das casas que ficaram de pé o grande edifício da Igreja Matriz que susteve a maior parte do chuveiro de pedras da torre. Mas o magnífico templo que susteve o maior ímpeto do castelo, sofreu algum destroço, destruindo-se todo o frontispício e a abóbada do coro que estava sobre a porta principal e que era obra de pedraria e muito forte. Também ficaram danificadas as abóbadas das suas três naves e algumas das colunas que são de cantaria. Quebraram-se as portas, tendo as principais sido arrancadas com tal violência que foram parar junto ao altar-mor. Nem as imagens ficaram incólumes de tamanho ímpeto (...)

O mais sensível estrago foi o que padeceu a Igreja, Convento e Hospital de S. João de Deus,(2)onde não ficou casa alguma que não padecesse ruína. (...) A Misericórdia e Hospital desta vila também tiveram o seu dano.  Maior dano experimentou o Convento de São Francisco, onde não ficou porta inteira, nem mesmo a mais interior, abrindo grandes roturas nas suas abobadas as muitas e grandes pedras que sobre elas caíram. Arruinou-se também o frontispício da sua Igreja, obra recém acabada, caindo em terra a imagem de Santo António que estava nesse frontispício, tendo caído os pedaços na cabeça de um pobre homem que procurava refúgio no espaço sagrado da Igreja, provocando-lhe a morte. (...) a Ermida do invicto Mártir S. Sebastião, que está num baluarte da muralha, não sofreu ruína, (...), por ficar numa parte para onde não se encaminhou o ímpeto da explosão.

Dentro do próprio castelo, sofreram ruína os “armazéns de outras provisões de guerra” e ainda, duas torres que ficaram em pé, sofreram seu dano ficando descoberta uma que conservava em si alguns barris de pólvora, os quais não rebentaram. Ficaram também demolidas as Casas da Câmara e a Cadeia desta vila. (3)

A fortificação sofreu seu dano, principalmente nas portas da Praça que, sendo fortíssimas, foram arrancadas como impulso da explosão.

Mesmo à distância de quatro léguas se fez sentir o efeito da explosão, pois os moradores de Arronches e Albuquerque deram notícia de terem sentido, nessa hora, um extraordinário abalo nas suas casas. (...)

(...) Não se pode averiguar o número certo das pessoas que morreram ou ficaram feridas nestas ruínas cujo número, prudentemente, se conjectura chegar aos 2.000 (...)

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(1) Pertencia à Ordem dos Agostinianos Eremitas, conhecida como Ordem dos Gracianos, sedeada no Convento da Graça de Lisboa.  

(2) A Igreja, Hospital Militar e o Convento de São João de Deus de Campo Maior, ocupavam todo o quarteirão que, actualmente fica limitado por: a Oeste e a Norte pela Rua de Santa Cruz; a Sul pela Rua Vasco Sardinha; a Leste pela Rua Visconde de Seabra, antiga Rua de Pedroso.

(3) Estes dois edifícios localizavam-se na Praça Velha, encostados à muralha do antigo castelo.

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NOTAS:

A partir de meados de Século XVI, quando a artilharia já se tinha tornado dominante como arma de guerra, a situação antes descrita tornou-se bastante frequente, como dão a entender as notas que fui recolhendo das leituras que fui efectuando e que refiro seguidamente. Infelizmente, não tive o cuidado de tomar nota das fontes onde foram recolhidas. 

Juromenha:1644 / 1658 - Grandes obras de adaptação do castelo a uma fortaleza para uso da artilharia durante a Guerra da Restauração, alterando significativamente a fortificação medieval.

Em 1659 - Grande explosão do paiol de pólvora que destruiu a maior parte da fortaleza incluindo o antigo paço.

Parte do castelo de Estremoz foi destruída por explosão do paiol de pólvora em 1698.

A Alcáçova do castelo da cidade de Miranda do Douro foi arrasada pela violenta explosão do paiol da pólvora em 8 de Maio de 1762 que destruiu uma grande parte do núcleo urbano.

No Cerco de Almeida que ocorreu entre 15 e 28 de Agosto de 1810, no início da Terceira Invasão Francesa, a praça-forte de Almeida estava sob o comando do Coronel William Cox. As forças sitiantes estavam sob comando do Marechal Ney. Uma forte explosão no paiol deixou a praça sem meios de defesa. Nessa explosão morreram à volta de 500 homens (cerca de 200 eram artilheiros) e os danos materiais foram muito grandes. Uma parte da povoação de Almeida desapareceu e o resto ficou muito danificado. Só seis casas tinham conservado os seus telhados. Perante reacção adversa de alguns oficiais portugueses, Cox acabou por aceitar a capitulação. A guarnição entregou a praça aos franceses no dia 28 de Agosto.

Torres Vedras: Em 1810, o Castelo passou a forte das Linhas de Torres e, em Dezembro de 1846, serviu de quartel às tropas do Conde de Bonfim, de que resultou o agravamento do seu estado de ruína provocado pela explosão do paiol da pólvora.

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publicado às 12:15


O ANTIGO CASTELO DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 28.03.19

Estêvão da Gama de Moura e Azevedo foi governador militar e historiador da vila e do concelho de Campo Maior, vila onde nasceu e foi baptizado, em 27 de Março de 1672 e onde morreu em 23 de Abril de 1714.

João Dubraz , nas suas memórias, refere que ele terá feito a seguinte descrição do antigo castelo de Campo Maior, realçando que (O castelo de agora é quase outro, tanto nas acomodações que contém, como no aspecto ...) e transcreve a descrição que ele, Estêvão da Gama fez, nas suas memórias, em que refere o estado do castelo antes da catrátofe de 1732.

  O castelo está situado na parte mais alta da povoação, ao meio-dia, com quatro torres pequenas e uma grande, junto das quais estavam as casas do alcaide-mor, na parte interior que hoje se chama castelejo, em que se fizeram os armazéns. Tem duas portas: uma para o norte, outra para o sul. Depois das torres tem outra fortificação, que mostra ser mais moderna, porque tem um género defesas. E tem uma terceira fortificação, que guardava toda a vila velha, que ficava com duas portas que ficavam, uma para a Barreira, outra para Santa Maria; e a da Barreira chamava-se Porta do Sol.

A torre grande tem no seu vão três formosas casas que servem de armazém, na qual estão as granadas e a pólvora, porque, com a experiência de 1712, se verificou que a dita torre é à prova de bomba, pois que lhe cairam em cima nove das de maior potência e não lhe causaram a menor ruína. As outras torres estão ocupadas por apretechos militares e  todas as munições necessárias a uma praça de fronteira. Dentro, do castelo, na vila velha, havia casas nobres e algumas ruas, mas só achámos o nome de Rua dos Infantes, o que mostra que, em algum tempo, moravam nela pessoas reais.

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publicado às 09:30


O CASTELO DE CAMPO MAIOR

por Francisco Galego, em 22.03.19

A fortaleza a que se chama castelo contém verdadeiramente dois castelos. Do mais antigo restam alguns panos de muralhas e partes do castelejo.

A parte maior, a mais moderna, compreende dois planos, tem seis torres com plataformas, podendo, em cinco delas, laborar a artilharia de rodízio. As torres são todas ligadas por parapeitos com canhoneiras. Há também uma torre de vigia no plano superior e é aí a praça de armas e a ermida.

Do lado do Ocidente eleva-se um recinto ameado, com duas torres, ao Norte e ao Sul, resto do primitivo castelo, destruído em grande parte pela terrível explosão do armazém da pólvora em 1732. As ameias, os adarves e algumas seteiras que restam, estampam nesta construção o selo interessante da Idade Média.

Nada, porém, denuncia ali um edifício dos árabes – contra ao que pretendem alguns antiquários.

A lenda da moira encantada poder-se-ia considerar tradição oral transmitida de pais para filhos, se a poesia popular não tivesse encantado, em todos os velhos castelos, uma moira, mais ou menos formosa, protesto eloquente contra um certo fanatismo religioso.

(Texto elaborado com base na obra publicada por João Dubraz em 1868 e 1869)

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publicado às 00:05


CAMPO MAIOR - ORIGEM DO NOME DA VILA

por Francisco Galego, em 17.03.19

Sobre a origem do nome, fazem os antiquários (1) conjecturas, crendo alguns que venha de campus major, por se avistar do castelo, para Leste, uma vasta planície. O nome seria de origem romana, pois assim eram designadas as terras extensas e planas, boas para a agricultura, porque nelas se podiam melhor cultivar o trigo, a vinha, o olival e criar rebanhos de gado.

Outros supõem que a povoação teria começado nas proximidades da Ermida de S. Pedro, onde se têm encontrado alguns vestígios da presença dos romanos. Mas, com as invasões do Império Romano pelos povos ditos bárbaros, as guerras que se travaram, terão  afastado o povoado do campus major para se situar num ponto elevado onde pudessem construiram um castelo para defesa da população.

Outros ainda, crêem piamente que houve um campus major, escolhido pelos antigos povoadores, para ampliarem a vila velha, a qual começava nos Cantos de Baixo, onde, numa casa  antiga, está no vão de uma janela,  uma pedra com três caras esculpidas, símbolizando os três períodos da vida: Juventude, Idade Madura, e Velhice.         

Há antiquários que atribuem a construção do castelo aos romanos e outros que a atribuem aos mouros (2). Nada disto se pode asseverar nem negar face às provas que se conhecem.

Os panos amuralhados denunciam-nos a arquitectura simples dos castelos da Idade Média.

Estêvão da Gama, - governador militar e cronista dos factos históricos de Campo Maior - em texto redigido nas primeiras décadas do séc. XVIII -, cita o livro de Francisco Brandão, Monarquia Lusitana, em que se diz que os moradores de Elvas ganharam o castelo de Campo Maior pela ruim vizinhança que lhe faziam os seus moradores, então castelhanos.

As crónicas mais antigas, dizem-nos somente que D. Dinis reformou o castelo, para o que terá aproveitado uma construção anterior. Numa memória dos franciscanos, assevera-se que o castelo foi edificado em 1310. Nessa memória refere-se que “veio a vila à corte deste reino, por D. Dinis, que reformou e reparou o castelo”.

(Texto elaborado a partir do que João Dubraz escreveu, no seu livro publicado em 1868 e em1869)

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(1) Este termo que, para nós significa que alguém se dedica a coleccionar ou  transaccionar coisas antigas, significava para João Dubraz, os que se dedicam ao estudo das coisas antigas.

(2) Contudo, é pouco seguro atribuir a sua fundação aos mouros, só por estar o castelo num monte, pois que, tanto os romanos, como os godos, os árabes e todos os povos da Idade Média, construíam as suas fortalezas em lugares elevados, mesmo que tivessem burgos ou arrabaldes próximos. Os castelos alcandorados garantiam melhor o acolhimento e a defesa das populações em situações de cerco por tropas inimigas.

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publicado às 09:10


PEÇO DESCULPA, MAS... EM MEU ENTENDIMENTO...

por Francisco Galego, em 14.03.19

O poema tem de ter o peso das coisas que invoca: alegria, contentamento, bem-estar, lágrimas, angústia, ou o desespero do que nem se consegue dizer claramente escrevendo.

Sem isso, não é poema e, poderá mesmo, nem conseguir ser boa prosa. São apenas palavras colocadas a jeito de parecerem ser aquilo que não podem ser.

Não é a forma que pode, só por si, expressar e causar o sentimento. E as palavras, se não têm sentido, nada nos dizem. Podem até parecer... Mas, de facto, não são (...) se nelas não houver  a verdade do que pretendem dizer.

Há o sentir, há o ritmo, ou a rima, há a concordância e, acima de tudo, tem de haver a autenticidade do que se sente; a autenticidade do que encanta, ou do que causa paz, alegria, dor, amargura ou sofrimento.

O poema tem de ser expressão da vida, tal qual se sente.

Se forem vazios de sentido, os versos, mesmo que bem alinhados, podem não formar um verdeiro poema.

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publicado às 00:07


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