Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018

De certo modo, não podemos deixar de nos sentirmos incomodados por este holocausto que, já desde há bastantes anos  tem vindo a acontecer no Próximo Oriente.

Perante a atitude algo agressiva de uma parte dos países desta Europa que tanto gosta de se considerar como o luzeiro da civilização europeia, ocidental e cristã. Custa aceitar que isto aconteça em países que pertencem à tão proclamada União Europeia.

            Os argumentos de que não se pode acolher esta massa descontrolada de refugiados, para preservar a segurança e a estabilidade das populações dos nossos países, quase chegam a ser convincentes. Mas, torna-se arrepiante quando, analisando melhor, constatamos que, na sua grande maioria, se trata de grupos de homens, mulheres, velhos e crianças em fuga dos seus países completamente destruídos por uma guerra que coloca em extremo risco as suas fundamentais condições de vida e a sua sobrevivência.

Visto o problema segundo esta perspectiva, não estarão estas pessoas a tentar escapar a um novo holocausto?

Talvez fosse aconselhável pensarmos que, quando o fogo arde na casa do nosso vizinho, manda a prudência que vamos acudir-lhe, não vá o fogo  propagar-se à nossa própria casa. Porque, pode acontecer que, nessa altura, não tenhamos também ninguém que nos venha acudir.

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Domingo, 12 de Agosto de 2018

PROPAGANDA VERSUS INFORMAÇÃO...

Por muitas razões, entre as quais sobressai o meu temperamento, mais inclinado a respeitar opiniões do que a abrir e manter situações de conflito, evito intrometer-me em disputas politizadas. Por outro lado, considero demasiado valiosa a democraticidade que deve reger as sociedades e as relações entre as pessoas, para me permitir a presunção de impor que as minhas posições sejam melhores, mais certas ou mais válidas, do que outras, mesmo que estejam em contradição com as minhas.

Mas, há situações que não consigo suportar e que têm a ver com o modo como determinadas pessoas ou grupos profissionais e os orgãos de comunicação social, têm assumido o exercício das suas funções. Nesta perspectiva, confesso a minha revolta pela maneira como certa imprensa e certo tipo de jornalistas, que deviam cumprir o seu dever de informar e o seu direito de analisar para melhor esclarecerem, reduzem a sua acção a uma contínua e descarada atitude de propaganda, não de factos, mas de opiniões distorcidas que, não tendo base real de sustentação, se limitam  a fazer vingar a visão que melhor serve os interesses que decidiram servir e favorecer.

A questão tende a configurar-se no sentido de que, enquanto a informação tenta descobrir e revelar a verdade, a propanganda, está mais ocupada em dissimular, contrapondo uma divulgação de versões tão manipuladas que acabam por se aproximar mais de uma contra-informação, por falseamento da verdade.

Na sabedoria dos provérbios populares encontramos alguns que ajudam a compreender o campo em que se colocam os conceitos de propaganda e de informação quando nos situamos no domínio da política. 

 

Tomemos como exemplos:

A verdade é como o azeite. Acaba sempre por vir  o de cima.

Pois é!... Mas, por vezes, demora tanto que, enquanto não vem, provoca grandes estragos.

A mentira tem perna curta.

Mas, por mais manca que a mentira seja, nem sempre aparece quem esteja interessado em a denunciar. Até porque...

Com papas e bolos se enganam os tolos.

E, infelizmente, por vezes são muito poucos os quem têm o sentido claro e os olhos abertos e são muitos os que, por serem ou porque  lhes convém parecê-lo, assumem o papel de cegos,surdos e tolos.

 

 



publicado por Francisco Galego às 15:29
Domingo, 05 de Agosto de 2018

É TEMPO DE FAZERMOS UMAS FÉRIAS

ESCREVER SEMPRE TAMBÉM CANSA

E HÁ COISAS MAIS INTERESSANTES

DO QUE PERDERMOS ESTE BELO TEMPO

A LER "POSTS" SEM GRANDE INTERESSE.

 

FIQUEM COM O MEU DESEJO

DAS MELHORES FÉRIAS

QUE PUDEREM TER



publicado por Francisco Galego às 00:02
Sexta-feira, 03 de Agosto de 2018

Tentei responder a cada um dos que assinalaram os meus 77. Mas, porque posso ter falhado com alguém, peço desculpa e aceitem este acrescento como forma de me penitenciar pelo esquecimento ainda que sem qualquer intencionalidade. Obrigado a todos.



publicado por Francisco Galego às 09:55
Sábado, 28 de Julho de 2018

Rui Silveira veio ao meu encontro para me comunicar que iria apresentar no CCCM, um esboço  do seu projecto de realização de um filme tendo enfoco centrado nas "Festas do Povo de Campo Maior". Sugeriu mesmo que eu fizesse uma intervenção que suscitasse a intervençao dos que assistissem a essa sessão que ocorreu ontem, dia 27 de Julho, a partir das 21h e 30m.

Pensando nos que teriam gostado de assitir e que o não puderam fazer, transcrevo a seguir o texto que por mim foi lido, no final dessa apresentação:

AS “FESTAS DO POVO DE CAMPO MAIOR”

As manifestações culturais nascem numa sociedade e reflectem as fases e a evolução dessa mesma sociedade.

Há manifestações culturais de carácter “mais erudito”.

Há manifestações culturais de carácter “mais popular”.

As “Festas do Povo de Campo Maior” são a manifestação de cultura popular mais notável produzida pela comunidade campomaiorense. Nasceram ligadas à celebração de um “mito” religioso local, próprio da sociedade essencialmente rural e agrícola que, - até meados do séc. XX -, era a sociedade campomaiorense. Mas, a motivação religiosa foi dando lugar à manifestação festiva de expressões artísticas que englobavam a intervenção e a participação de quase toda a população.

As “Festas do Povo de Campo Maior” começaram por ter um carácter meramente local. Mas, foram ganhando fama a nível regional, depois nacional, até atingirem fama, mesmo além-fronteiras.

Em finais do séc. XIX, com o crescimento duma nova estrutura social, a dos artistas, ligados às novas profissões artesanais, foram assumindo uma capacidade de invençâo e de criatividade que as tornaram tão excepcionáis que lhes valeram o nome de Festas dos Artistas.

Depois, já no séc. XX, porque envolviam toda a população, levaram a que, em cada rua, se formasse uma comunidade da vizinhança que nela habitava.  Tomaram então a designação de Festas do Povo.

E agora, que as comunidades dos vizinhos são já tão escassas que praticamente não dão para traçarem e realizarem novos projectos, ...

... em que irão tornar-se estas festas?

Esta é a questão fundamental que importa entender. Estamos a lidar com uma manifestação de cultura popular que, realizada numa vila cuja população tem oscilado entre 7 e 10 mil habitantes, chegou a atrair cerca de 1 milhão de visitantes.          

Mas, a sociedade actual nesta vila, está a atravessar um período de rápidas e acentuadas mudanças que poderão pôr em risco a própria existência desta manifestação cultural.

Daí o aparecimento de testemunhos como os que estão registado neste filme, alguns dos quais eu já tinha abordado no livro que publiquei em Julho de 2004, chamando a atenção para alguns problemas e procurando preservar a memória desta grande e notável realização de cultura popular da comunidade campomaiorense. 

Termino esta breve intervenção na qual - não por alarmismo, mas como advertência - chamo a atenção para que:

As “FESTAS DO POVO”, bem como outra manifestação da cultura popular campomaiorense que frequentemente lhe está associada – o “CANTAR E BAILAR AS SAIAS” –, se confrontam com grandes mudanças socio-culturais que poderão colocar em questão a sua sobrevivência. A menos que sejamos capazes de encontrar soluções mais adequadas às circuntâncias da sociedade em que actualmente vivemos.

Deixo-vos com esta interrogação:

            Como devemos proceder para garantirmos a preservação e a continuação desta importante manifestação de cultura popular, que são as “Festas do Povo de Campo Maior”?

 

 



publicado por Francisco Galego às 11:49
Sábado, 07 de Julho de 2018

Quanto às decisões e acções das organizações profissionais dos funcionários de Estado que oficialmente se designam como sindicatos, começo a ter algumas dúvidas e reservas sobre se, a maneira como actuam, está de acordo com o sentido que se deve dar às relações entre a entidade empregadora – o Estado – e as organizações dos profissionais que trabalham para o Estado.

Poderão ou deverão esses sindicatos exigir do mesmo modo concessões, direitos e vantagens na mesma medida e com os mesmos efeitos que outros sindicatos utilizam para condicionarem os comportamentos dos seus patrões?

Se não, vejamos: Os patrões são detentores directos dos bens patrimoniais e dos meios de produção, envolvidos na relação contratual que existe entre empregadores e empregados. Essa relação, lactum sensu, obedece às regras que regulamentam as relações do mercado de trabalho. Neste caso, se o patrão procura obter o máximo de lucro, os contratados têm de lutar para que os seus direitos fundamentais sejam, também, tomados em consideração.

Mas, no caso dos contratos com o Estado, quem é efectivamente o patrão? Poderão as regras contratuais estabelecidas ser consideradas do mesmo modo, ou deverão, devido à especificidade da situação, tentar a articulação mais justa entre os deveres dos que servem uma instituição pública e os direitos que preservem a dignidade dos que assumiram cumprir a sua função ao serviço dessa instituição?

O Estado é uma instituição gerida pelos que, em situação de eleição democrática, foram escolhidos por todos nós para assumir, ao nível mais elevado, a função de agir em defesa do interesse maior da Sociedade.

De facto, a falta de esclarecimento de certos conceitos e decisões, pode levar a consequências nem esperadas nem desejáveis. Na verdade, a confusão entre o conceito de Estado e o conceito de “patrão”, pode servir de base a certas reivindicações que, embora apresentadas como justas e progressistas, se não são compatíveis com as condições reais existentes, podem enfraquecer de tal modo o Estado nos seus compromissos sociais e no seu posicionamento democrático, que, ponham em risco a segurança mesmo dos que se batem por essas reivindicações. Se assim suceder, a sua luta, por mais justa que possa parecer, ela não conduz a uma solução que possa ser considerada como verdadeiramente justa e progressista.

Será por isso que, acontece que, organizações políticas, colocadas na oposição, que se caracterizam pelas suas posições conservadoras, aparecem, com certo oportunismo, a apoiar reivindicações que vão contra essas suas opiniões e opções?

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:04
Quinta-feira, 05 de Julho de 2018

O NOTÍCIAS DE CAMPO MAIOR

 

João Ruivo foi a alma do jornal O Campomaiorense que, numa primeira fase de publicação, durou de 1921 a 1923.

Durante este período o jornal procurou manter-se imparcial e acima das lutas partidárias. Embora João Ruivo fosse um activo militante republicano, era seu entendimento e sua prática que o jornalismo devia usar do máximo de neutralidade e democraticidade mantendo-se equidistante em termos de opiniões político-partidárias.

            A falta de recursos económicos, o peso excessivo das despesas e a fraca adesão dos leitores numa terra onde imperava o analfabetismo, ditaram a necessidade de procurar uma solução que viabilizasse a continuação do jornal.

            Um outro grupo de jovens, quase todos ligados a famílias de grandes proprietários agrícolas, alguns com cursos superiores, tomaram o encargo de fazer sair o jornal, começando assim a 2ª fase da sua publicação, que iria durar de 1924 a 1927.

            Este grupo agia sob a liderança do Dr. Francisco Telo da Gama personalidade que durante muito tempo marcou profundamente a vida de Campo Maior, quer  na chefia do município, quer como governador civil do distrito e mesmo como membro do governo, na função de secretário de Estado.

            A partir de certa altura, a colagem do jornal a tendências políticas que pugnavam por soluções políticas de carácter autoritário, levou o antigo grupo fundador a reagir criando outro jornal, intitulado  – Notícias de Campo Maior – ficando assim a vila com dois jornais a publicarem-se simultâneamente, nos anos de 1926 a 1928.

Depois, seguiu-se a Ditadura Militar que resultou da vitória do golpe de Estado levado a efeito por militares em 28 de Maio de 1926. A acção inibidora da censura, a suspensão das liberdades democráticas e a saída de Campo Maior de João Ruivo, ditaram o encerramento do Notícias de Campo Maior a partir 1 de Junho de 1929.

            O Campomaiorense que já tinha suspendido a sua publicação em 14 de Abril de 1927, voltaria a publicar-se nos anos de 1933 a 1935, então já com um total alinhamento com o Estado Novo e com a ideologia do corporativismo salazarista.

 



publicado por Francisco Galego às 00:05
Terça-feira, 03 de Julho de 2018

Numa entrevista, publicada na "Revista" do jornal "Expresso" nº 2.383 de 30/6/2018, p.32, sendo o entrevistado o Arquitecto Eduardo Souto Moura a quem foi atribuido o Leão de Ouro da Bienal de Arquitectura de Veneza, e que desenhara uma casa para Ciristiano Rolnado, declarou sobre os hábitos deste:

"Ele, das 8 horas às 12h e 30, treinava. Depois ia para o ginásio. A seguir almoçava massa com frango (...) A seguir dormia a sesta e depois fazia piscinas. Por fim, sentava-se no sofá a falar comigo e adormecia. Ao Jantar tornava a comer frango. Fiquei impressionadíssimo. Ali havia esforço, mesmo. Foi gesto a gesto, até chegar lá acima.Admiro-o imenso."



publicado por Francisco Galego às 11:42
Sábado, 30 de Junho de 2018

O CAMPOMAIORENSE

 

            O primeiro jornal que Campo Maior teve apareceu no ano de 1921, vivia Portugal um período agitado e de grande instabilidade social e política. Os governos mudavam devido a uma alucinante sucessão de golpes de estado, de revoltas e de desencontradas votações no parlamento.

            Muitos, desencantados e cansados de tanta perturbação, procuravam formas alternativas de intervenção social desviando-se da turbulência dos acontecimentos políticos.

Um grupo de jovens campomaiorenses que viriam a constituir-se numa associação que significativamente adoptou o nome de Pró Terra Nostra, (Pela Nossa Terra), resolveu criar um jornal – O Campomaiorense em torno do qual se pudessem realizar acções que promovessem o desenvolvimento de Campo Maior.

Eram jovens que podemos considerar de classe média, com algumas bases culturais, distribuídos por diversas profissões e condições sociais: funcionários públicos, comerciantes, empregados no comércio, agricultores, estudantes e alguns dedicados aos ofícios artesanais que então existiam em número significativo na vila.

            O Campomaiorense foi o primeiro jornal que Campo Maior teve. Este projecto, como sucede com quase todos os empreendimentos humanos, fez-se sob a liderança de um homem que marcou profundamente a vida de Campo Maior durante os anos vinte do século passado. Chamava-se João Ruivo. Era filho de um mestre-de-obras que deixou algumas construções notáveis na vila, como o Lagar União já desaparecido e o Bairro Operário.

            João Ruivo que tinha combatido como voluntário na 1ª Grande Guerra, exerceu funções importantes como funcionário da câmara municipal, onde chegou a chefiar os serviços administrativos e a ocupar por algum tempo o cargo de administrador do concelho. Autodidacta inteligente e aplicado, conseguiu adquirir uma sólida cultura. Foi correspondente de vários jornais de Lisboa, entre eles O Século e o Diário de Notícias, colaborou em vários jornais regionais como Brados do Alentejo, de Estremoz e o  Montes Claros de Borba, a Democracia do Sul e o Notícias D’ Évora e, de Elvas, A Fronteira e o Linhas de Elvas.



publicado por Francisco Galego às 00:02
Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

Quando bate uma tristeza ou o desencanto nos atormenta, a poesia, se bem escolhida, pode servir de bálsamo que nos dê algum alívio. Foi isso que me trouxe à memória, um belo texto e que, depois de o ler com muito consolo, resolvi partilhar com quem tiver a oportunidade ou a vontade de o ler ou reler. 

Trata-se de um poema que se apresenta como uma modesta brincadeira, mas que, bincando, toca em sentimentos que nos tomam com frequência e que, parcendo um quase nada, nos ajudam bastante a reequilibrar a nossa estabilidade emocional. 

A sua doce toada, numa linguagem simples, directa, tão própria do doce tropicalismo que o português frequentemente assume nas terras do Brasil, foi a melhor forma  que encontrei para me desentristecer...

Permitam que partilhe convosco, esta tão doce opção de ir espairecer até esta terra imaginada - Pasárgada -, onde esquecendo, recuperamos o alivio, na esperança do melhor que poderá vir e que decerto virá, para nosso aconchego. Dele recolhi este recado: Quando tudo parece muito mau, devemos acreditar que há sempre um modo de voltar a ser melhor, mesmo que seja, apenas, recorrendo ao sonho de uma irrealidade apenas imaginada ...

 

Vou-me Embora p'ra Pasárgada (1)

 

Vou-me embora p'ra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

 

Vou-me embora p'ra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

 

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!


E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
P'ra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar

Vou-me embora p'ra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização

Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora p'ra Pasárgada.

 

 Manuel Bandeira

(1) Pasárgada foi a capital do antigo Império Persa. É hoje um importante sítio arqueológico, classificado como Património Mundial da Unesco.


  Poema extraído do livro de Manuel Bandeira -  "
Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90



publicado por Francisco Galego às 00:01
Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

Nós somos o que resulta da diferença que vai entre o que sonhámos ser e aquilo em que, efectivamente, nos tornámos. Do que ficou por fazer, resta apenas a frustação e o silêncio que alguns persistem em tentar preencher com inoportunas e inúteis palavras que ocupam o lugar que deve ser ocupado pela acção critica do pensamento que vai gerando a consciência. Melhor é deixar que o silêncio, seja o lugar próprio do que ficou por fazer e que deve também ficar por dizer.

Aquilo que nos personifica, é nossa maneira de interagirmos com os outros e de agirmos na diversidade de situações que vão tecendo o nosso viver. E isso deriva da cultura adquirida pela nossa experiência e que determina o nosso modo de estar e de ser.

A cultura define-se pelo património de conhecimentos que vamos amealhando e pela capacidade de aquisição e de acumulação de novos conhecimentos que vamos desenvolvendo.

Realizamo-nos na sequência dos projectos que vamos concebendo. Dos que se realizaram e dos que fomos deixando por realizar. Anulamo-nos ou apoucamo-nos, quando os projectos não existem, quando são inadequados, ou quando somos incapazes de os concebermos ou de os concretizarmos.

De facto, nós somos, efectivamente, aquilo em que nos vamos tornando. A nossa existência vai sendo moldada pela nossa História de Vida.



publicado por Francisco Galego às 00:01
Sexta-feira, 15 de Junho de 2018

Abordou-me para manifestar a sua não aceitação do que expressei num texto que eu publiquei.

Mas não quer assumir-se como crítico que se coloca no contraposto às minhas opiniões sobre a educação e sobre a atitude de muitos professores...

Está no seu direito. Eu, de acordo com o que entendo como meu dever, respeito a sua decisão.

Mas, isso não me impede de responder às suas reservas e discordâncias, sem revelar a identidade de quem as emitiu.

Começou por manifestar o seu repúdio por quase tudo o que eu escrevi, por considerar que tudo aquilo não passava do que considera como modernices e intelectualices de quem não tinha de suportar os casos e os problemas com que se deparam no dia a dia da sua acção, os professores.

É verdade que já não sou seu colega. Fui-o durante cerca de quarenta anos. Mas ainda não passou tanto tempo que tudo tenha mudado tanto que possa ser considerado muito diferente. Creio que me faltou ter escrito que, esses quase quarenta anos de profissão docente, não decorreram em escolas que pudessem ser consideradas excepcionais, quer pela sua inserção, sócio-económica e cultural, quer pela qualidade das suas intalações.

Mas deixemos isso e vamos directamente ao caso das modernices e intelectualices.

Permita que lhe refira o caso de um filósofo muito nomeado, mas muito mal conhecido: Immanuel Kant que viveu entre 1724 e 1804.

Nascido numa família modesta - seu pai, tinha uma oficina em que se dedicava aos trabalhos em coro - e Kant era o quarto dos nove filhos que foram nascendo.  

Desde muito novo revelou particular interesse e grande capacidade na aquisição de conhecimentos na escola que frequentou entre os oito e os dezasseis anos de idade.

Devido à morte prematura de seus pais, teve de se tornar preceptor de crianças das famílias endinheiradas, para garantir a sua sobrevivência e a continuidade dos estudos. Nesta condição ministrou o ensino dos mais diversos tipos de conhecimentos: matemática, fisica, geografia, ciências da natureza e mesmo a lógica, a ética e a metafísica.  

Só por volta dos 35 anos, conseguiu obter um grau académico correspondente aos actuais doutoramentos. Mas só aos 47 anos conseguiu lugar no ensino universitário.

Leitor atento de Jean Jacques Roussau (1712-1778) encontrou nas suas obras a razão porque repudiara a escola que frequentara e que baseava toda a aprendizagem numa rígida transmissão de conhecimentos que deviam ser memorizados, numa atitude passiva, pelos alunos. Rousseau contrapunha a isto o desenvolvimento das capacidades dos alunos para que assumissem um pensamento independente e criativo que os levassse a descobrir novos conhecimentos.

Tudo isto pode ser considerado uma modernice e intelectualice, só por ter sido assumido por dois notáveis filósofos há séculos?

Porém, por difícil que seja de entender, ainda hoje continuamos a assistir a um confronto entre estas duas maneiras de conduzir as acções de aprendizagem:

- A dos que acham que o conhecimento se transmite pela memorização e pela repetição;

- A dos que entendem que a aprendizagem deve consistir no desenvolvimento nos alunos, de um pensamento autónomo e criativo, treinado para ser capaz de, por si próprios, adquirirem e gerarem novos conhecimentos.

Porque há diferença entre o aprender a repetir e o ter a capacidade de aprender a aprender para progredir na aquisição de novos conhecimentos.

 

 



publicado por Francisco Galego às 11:44
Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Assim como o pensamento sobre as questões escolares deixou de se limitar à especulação reflexiva sobre as teorias pedagógicas para dar lugar à emergência das Ciências da Educação, focadas na observação e na análise das práticas educativas, também no que respeita à definição do estatuto dos professores, terá de se perspectivar uma nova geração de profissionais ligados à escola como lugar de educação e de formação das novas gerações. Começam já a notar-se indícios de um novo tempo: o dos educadores-formadores.

Mas, entretanto e ainda por muito tempo, as escolas apresentarão este carácter confuso, algo anárquico e desorientado que lhes confere certo ambiente de alienação. É que, nas escolas de hoje, coexistem muitas e muito diferentes maneiras de estar na profissão.

Ainda subsistem alguns que se assumem como meros comunicadores de conhecimentos. Outros, embora tenham competência para serem outro tipo de professores, vencidos pelas dificuldades, vão-se deixando reduzir à condição de meros funcionários da educação. Há tambem os que, pretendendo assumir uma atitude de verdadeiro profissionalismo docente, se angustiam por não encontrarem, nem as respostas, nem as condições, para agirem de forma profissionalmente competente.

Apenas uma minoria consegue ir ultrapassando as dificuldades e, qual fermento levedando a massa, vão trabalhando no sentido de desenvolverem uma acção que podemos considerar verdadeiramente educativa e formativa, tentando tornarem-se verdadeiros educadores-formadores.

Mas, como em todos os tempos de viragem:

- Há os que, saudosos do passado, lamentam o fim de um mundo com previlégios que gostavam de conservar;

- E há os que, esperançosos do futuro, anseiam pela emergência de novas soluções necessárias ao exercício da sua profissão.

As crises são dramaticamente perturbadoras. Mas são também geradoras de mudanças e as mudanças podem ser entendidas como condição básica do progresso, em busca de um contínuo aperfeiçoamento das nossas acções.

Ou será que tudo se deve reduzir apenas a uma questão de lutar pela obtenção e conservação dos benefícios que se obtêm pelo exercício de uma profissão?

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Domingo, 10 de Junho de 2018

(Por esta época, Campo Maior teria cerca de 5.000 habitantes)

 

No dia 1 de Dezembro de 1807, tinha entrado nesta vila o regimento de Guardas Walonas e um batalhão do Regimento de Córdova, que saíram no dia seguinte.(1)

No dia 11 do mesmo mês, entrou na vila o Regimento de Múrcia, que no dia 13, continuou a sua marcha.

No dia 8 de Janeiro de 1808, um batalhão dos Granadeiros Provinciais de Castela e no dia seguinte mais um batalhão do mesmo corpo, ficaram a fazer a guarnição da Praça, que só evacuaram em 16 de Março.

O comando espanhol tinha determinado que esta guarnição fosse sustentada à custa do povo, mas o Juiz de Fora conseguiu livrá-lo desta obrigação, vindo a mesma a ser assegurada pela Administração de Badajoz.

Um sargento-mor da Praça procurou revoltar o povo contra a frouxidão do governo português que tinha abandonado o Reino deixando-o em tão penosa situação. Mas o povo preferiu cumprir as ordens deixadas pelo príncipe regente e nada faltou ao fornecimento das tropas, sendo em parte providas pelo “Assento militar das provisões de boca” e, em parte, pelas pessoas particulares às quais eram passados escritos de divida, que nunca vieram a ser pagos. (2)

Campo Maior pode, contudo, considerar-se um dos Povos menos vexados pelos franceses.

O comando francês teve por mais acertado abandonar a Praça de Campo Maior. Em consequência deste abandono, os seus armazéns foram espoliados de toda a pólvora, munições e apetrechos de guerra, as armas dos particulares foram guardadas em depósito. O Regimento Nº 20 que constituía a sua guarnição, foi extinto e uma parte dele mandada para França. Esta extinção foi declarada no dia 14 de Maio de 1808. Os arquivos, espingardas e mais utensílios militares foram mandados para Elvas.(3)

Igual espoliação se verificou quanto ao Hospital Real Militar e ao Assento. Mas a povoação foi deixada em paz. À excepção de um Regimento de Suíços que entrara nesta Praça no dia 12 de Março e saiu no dia 13, não mais se viu tropa francesa, o que não foi pequena fortuna.

(Segundo o Padre João Mariano, p. 38 a 46)

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 (1) A Espanha tinha-se aliado submissamente ao poder militar de Napoleão, imperador dos franceses.

(2) Para escapar aos franceses que estavam quase a chegar a Lisboa e que o obrigariam a renunciar à coroa e à independência de Portugal, a favor de Napoleão Bonaparte, o príncipe D. João, depois coroado como D. João VI, que assumira a regéncia em nome de D. Maria I sua mãe, mentalmente afectada e incapaz de governar, embarcara com a família real e a corte para o Brasil em 21 de Janeiro de 1808, deixando recomendado que não se oferecesse resistência às tropas francesas.

(3) Esta expoliação e desarme ainda tornou mais notável o sucesso da revolução de 2 de Julho de 1808 que expulsou de Campo Maior as tropas espanholas ocupantes desta praça de guerra.



publicado por Francisco Galego às 00:03
Segunda-feira, 04 de Junho de 2018

Tentando opor-se ao expansionismo dos exércitos de Napoleão Bonaparte, Portugal começou por participar, com uma divisão auxiliar, ao lado da Espanha contra a França, embora sem declaração formal de guerra. Mas esta campanha correu mal às armas peninsulares.

Seguidamente, a Espanha mudou de estratégia e aliou-se a Napoleão. Passando de aliados a inimigos, mudaram radicalmente de uma atitude colaboração diplomática, para uma declaração de guerra a  Portugal que foi invadido por um exército hispano‑francês através de uma campanha relâmpago que durou três meses, perdendo Olivença para a Espanha e a Guiana, colónia na América do Sul, para a França.

Portugal, nesta conjuntura europeia de conflito entre a Inglaterra e a França, procurou fazer aceitar uma posição de neutralidade, assumindo compromissos de circunstância, devido à falta de um aparelho militar forte e dissuasor.

Mas, Napoleão Bonaparte, na incapacidade proceder  à invasão das ilhas britânicas, devido à superioridade do seu poder naval, decretou um Bloqueio Continental, para impedir o acesso dos navios ingleses aos portos dos outros países da Europa. A este bloqueio só não aderiram a Suécia e Portugal.

Aproveitando a aliança com a Espanha, Napolão assinou com Manuel Godoy, primeiro‑ministro de Espanha, o Tratado de Fontainebleau, de 27 Outubro de 1807, no qual secretamente se combinava a conquista de Portugal e a sua divisão em três partes, em favor dos dois países conquistadores.

Em consequência deste acordo, Portugal foi sujeito a cinco invasões, entre 1801 e 1812, algumas desencadeadas pela Espanha, com o apoio político e militar da França, sendo outras, as de 1809, 1810 e 1812, de iniciativa exclusivamente francesa, tendo como chefes militares, .Junot, Soult, Masséna.

Lisboa era o objectivo principal de qualquer ofensiva externa. Daí que, o arco defensivo constituido pelas praças de guerra formado por Ouguela, Campo Maior, Elvas e Juromenha fosse muito importante pela sua situação geográfica no eixo Madrid-Lisboa, porque dificultava atingir directa e rapidamente o objectivo de alcançar a capital portuguesa  por  efectivos militares numerosos. Essa terá sido a razão de essa via não ter sido utilizada pelos franceses como eixo de penetração principal.  Os espanhóis tinham-no utilizado na "Guerra das Laranjas" de 1801, tendo daí resultado a perda de Olivença e a ocupação de Campo Maior em 1807.

 

 



publicado por Francisco Galego às 08:24
Quarta-feira, 30 de Maio de 2018

Uma leitora habitual dos textos que aqui vou publicando, pediu-me que, numa breve síntese, ordenasse os períodos mais significativos da História da Vila de Campo Maior.

Ora, aqui temos um desafio muito difícil de aceitar: Dizer muito, escrevendo o menos possível. Mas, porque não tentar?

Assim, das coisas que tenho escrito, retirei estes “quadros à pena”, sem a certeza de estar a corresponder devidamente ao pedido.   

 

O território onde nasceu a povoação que viria a ser a vila, sede do concelho, de Campo Maior, terá sido chamado pelos romanos, Campus Major.  Para eles poderia significar que se tratava de terra plana, extensa e produtiva. O seu povoamento no período da romanização terá estabelecido um conjunto de Villae, ou seja, pequenos agregados populacionais que, em muitos casos, deram origem a unidades agricolas que depois, viriam a ser designadas como os montes, residência e centro administrativo das actuais herdades.

Esta organização ter-se-á mantido no tempo dos invasores godos e mesmo no período do domínio muçulmano. Mas, não são conhecidos testemunhos significativos da sua presença, neste “Campus Major” que ficava entre as cidades de Badajoz e de Elvas, em que esta civilização, de origem árabe e de carácter acentuadamente urbano, deixou poucas marcas significativas. Alguns documentos dão notícia de pequenos aldeamentos no sítio onde irá desenvolver-se a vila, em volta de um castelum construido num monte maiori.

Tendo este território, que compreendia os aldeamentos de Ouguela e de Campo Maior, sido conquistado no final da 2ª década do Séc. XII, pelo reino de Leão, foi o mesmo doado em senhorio ao bispo de Badajoz. O rei Afonso X de Leão e Castela confirmou essa doação em 1257, ao conceder-lhe, em 1260, o primeiro foral que lhe conferiu o estatuto de vila, depois sede de concelho.

 A vila de Campo Maior foi integrada, formalmente, na soberania portuguesa, pelo Tratado de Alcanizes (1297), no reinado de D. Dinis, que lhe concedeu novo foral. Mas, manterá laços de dependência eclesiástica ao bispo de Badajoz que só foram cortados por D. João I, em 1392.

Por direito de sucessão dinástica, Portugal ficou integrado na monarquia castelhana, a partir de 1580.

Com a Restauração da Indepência de Portugal, em 1640, seguiu-se a guerra com risco de invasão de Portugal pelos exércitos de Espanha.  Campo Maior, com Ouguela, Elvas, Juromenha e Olivença, tornou-se importante praça-de-guerra. Dotada de notável fortificação, integrou o arco defensivo contra as invasões pelo corredor defensivo do “Caia-Guadiana”, formado por Ouguela, Campo Maior, Elvas, Juromenha e Olivença.

A partir de meados do século XVII, a praça-de-guerra de Campo Maior, irá desempenhar uma missão defensiva de grande importância: Durante a Guerra da Restauração (1640-1648); durante a Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714), no cerco de 1712; na Guerra das Laranjas (Maio a Junho de 1801), o cerco de 1801; nas  Guerras Peninsulares-Invasões Francesas (1808-1814), o cerco de 1811; na Guerra dos Sete Anos ou Guerra Fantástica (1756 - 1763).

Em 1732, durante uma trovoada seca, um raio fizera explodir a Torre de Menagem do seu castelo que, servindo de paiol, continha uma quantidade significativa de explosivos. A vila ficou, na sua maior parte, destruída tendo morrido ou ficado ferida uma grande parte da sua população. Mas, devido à situação de guerra que ainda ameaçava,  a restauração da vila e da praça-de-guerra fora, por decisão de D. João V,  muito rápida, estando concluída passados cerca de dez anos.

Com a pacificação geral da Europa, a fortificação foi desactivada em meados do século XIX. A vila conseguiu restabelecer-se tendo como base da sua economia uma agricultura próspera, devido à fertilidade e variedade dos seus campos e ao engenho das suas gentes, desenvolvendo uma próspera agricultura, um importante e diversificado artesanato local e intensificando as trocas comerciais com a Espanha, em grande parte feito pela prática do contrabando.

Actualmente tem-se notabilizado como importante polo industrial nos ramos da torrefacção e da comercializaçao do café e pela grande manifestação de arte popular que, com base numa tradição de religiosidade “sanjoanina”, veio a ser denominada como Festas dos Artistas,  Festas das Flores ou Festas do Povo de Campo Maior.

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Domingo, 27 de Maio de 2018

A “Festa de S. João”

Depois “Festas dos Artistas”

E também “Festas das Flores”

E baptizadas de novo

Como as “Festas do Povo”

Sendo uma festa local

Ganhou fama nacional

Depois internacional

Alcançando tal dimensão

Que as “Festas de Campo Maior”

Já chegaram ao Japão

Será que vão ou não

Atingir prestígio tal

Que chegarão mesmo a ser

Património Imaterial

A nível mundial ?



publicado por Francisco Galego às 11:15
Quinta-feira, 24 de Maio de 2018

Não é por não saberes que fazes figura de tolo. Tolice seria fingires um saber que não possuis. Não podes ter saber sobre todas as coisas. Mas podes alcançar uma atitude muito sábia, sabendo aceitar as tuas limitações.

 

A ignorância, em si, não é defeito, nem falta de virtude. É apenas um défice de saber sobre algumas coisas.

 

Defeito e falta de virtude é a arrogância de impôr a nossa razão sobre qualquer questão, sem ter dela um verdadeiro conhecimento.

 

Maior defeito é a ignorância prepotente dos que, não sabendo, impôem a sua vontade e o seu poder, silenciando os que possuem um maior conhecimento. Então a ignorância torna-se estúpida tirania.

 

Os tiranos são os que ignoram, ou não tomam em consideração, a capacidade e a competência dos que estão acima deles por possuirem sobre as coisas um maior e um melhor conhecimento.

 

A melhor forma de agir com sensata sabedoria, é proceder com bem intencionada, justa e recta consciência.

 

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Para ser grande, sê inteiro:

Nada teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és,
No mínimo que fazes.

(Fernando Pessoa - Odes de Ricardo Reis)

 



publicado por Francisco Galego às 10:30
Sábado, 19 de Maio de 2018

 

 

De tudo o que sou

 

Só sei o que vou sendo

 

No passado fui aquilo em que me tornara

 

No presente sou aquilo em que me tornei

 

No futuro serei aquilo em que me irei tornando

 

Depois quando já não houver nem presente nem futuro

 

Serei apenas uma memória que se irá desvanecendo

 

Até deixar de ser

 

Quando já nem houver memória de quem fui

 

 



publicado por Francisco Galego às 11:15
Domingo, 13 de Maio de 2018

Há dois conceitos que, exprimindo sentimentos de desânimo, de cansaço e de desistência, se colocam, em termos de atitude, em polos contrapostos: o do desencanto e o do desespero.

O desespero implica sempre uma atitude dramática, que tende a tornar-se revolta ou radical renúncia.

O desencanto traduz-se apenas numa consciencilização de que, no decurso das novas vivências, subsiste sempre uma imutável presença do que, mesmo mudando, permance como um fundo imutável da realidade.

O poema que se transcreve, traduz de modo calmo, ponderado e ternamente sentido, a consciência existencial desse desencanto que se traduz no amargo sentimento, expresso com amável ternura, do que se mantém "sempre o mesmo", indiferente à nossa ansiosa  esperança de mudança.

 

Viver sempre também cansa!

 
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo..."

 

De: José Gomes Ferreira.

 


publicado por Francisco Galego às 11:00
Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

Que fazer perante a trágica situação de termos uma população tão impreparada, e tão facilmente manipulável por tantos inescrupulosos oportunistas, instalados nos orgãos de comunicaçõa social ou utilizando as redes sociais de comunicação?

 

Persistir na denúncia constante destas situações. Lutar pelo aprofundamento de um sistema educativo de qualidade, gerador de uma cultura democrática e de uma maior participação cívica dos cidadãos.

Prosseguir no esforço de dar um novo alento político  à sociedade, fazendo emergir novos líderes capazes de elaborar e pôr em execução projectos que garantam novas soluções que melhorem as condições de vida das populações.

Regressar aos valores éticos que tornem de novo a política uma arte e uma ciência ao serviço da sociedade e não a habilidade astuta dos que só pensam em beneficiarem-se mediante negociatas escusas, tráficos de influências e práticas de corrupção. Os homens e as mulheres, de verdade e de boa vontade, devem juntar esforços para pôr fim a estas situações abusivas que estão a tornar cada vez mais insuportável esta nossa forma de viver.

Necessitamos de políticas direccionadas para o desenvolvimento económico, para a garantia da segurança e da estabilidade social, através de maiores e melhores oportunidades para as novas gerações, pois nelas assenta a possibilidade de sustentação das gerações mais idosas que vão deixando de estar em condições de participarem na produção, para que possam viver de reformas que lhes garantam uma aceitável qualidade de vida na sua velhice.

Só com políticos sérios, honestos e competentes, homens e mulheres de sólido carácter, poderemos ter soluções adequadas para os problemas que hoje se deparam às comunidades locais.

Precisamos de começar a suspeitar dos que prometem grandes facilidades, vantagens e constantes diversões. Os tempos que aí vêm são tempos difíceis. Prestemos atenção aos que nos avisam dos perigos que teremos de enfrentar. O nosso sistema social está em crise e as crises só podem ser vencidas com o esforço e os sacrifícios de todos.

Devemos estar sempre muito atentos aos vendedores de promessas que nunca pagam, porque nunca tiveram a intenção de pagar as promessas que vão fizendo.



publicado por Francisco Galego às 10:54
Quarta-feira, 09 de Maio de 2018

Dois conceitos que, sendo diferentes, são tão frequentemente confundidos.

A fama é, geralmente, efémera e tanto pode ser adquirida por muito boas, como pelas piores razões. A fama garante a notoriedade no presente. Mas nem sempre se projecta como memória no futuro. A fama pode resultar da riqueza ou do poder que se tem, independentemente da maneira como foram adquiridos. Pois que, por vezes, resulta das piores acções, justificando as piores censuras.

O prestígio é um modo de se ser considerado e tende a persistir como memória no futuro. O prestígio só se adquire pelo cuidado que se tem em não ostentar, nem o poder, nem a grandeza, nem a riqueza. Pois nele pesa o modo como estes foram adquiridos. Nele só contam as melhores intenções, as melhores obras e as acções que implicam os mais nobres benefícios.

A fama tanto pode resultar do bem como do mal que se faz. Mas só das acções virtuosas, benéficas e bem intencionadas, pode resultar o prestígio de quem as pratica.

           

 



publicado por Francisco Galego às 19:02
Sexta-feira, 04 de Maio de 2018

Sem inspiração nem assunto memorável que me pudesse inspirar, recorri ao estimável “BORDA D´ÁGUA”, o “Verdadeiro Almanaqueque já vai no seu 89º ano de publicação e que, quando a inspiração nos falece, sempre nos pode socorrer com as suas sábias e úteis lembranças de casos,  factos e comemorações.

Assim começo por referir que neste Sábado, dia 4 do 5º mês, deste ano de 2018, o Sol nasceu pelas 6 horas e 30 minutos, e terá o seu ocaso pelas 20 horas e 30 minutos.

Começa esta folhinha pelo dito de que “Em casa vazia, Maio depressa se avia”. Confesso que não consigo decifrar o sentido da frase. Mas deve ser por deficiência do meu entendimento, pois que, os ditos do "Almanaque..." encerram sempre verdades profundas.

Depois vem a indicação de que este dia é dedicado a S. Máximo de Jerusalém. Mais uma vez tenho de declarar a minha grande ignorância, pois não sabia que houvesse santo com tal nome, como também desconhecia que este fosse o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona. Mas isto é útil para que me torne menos convencido e tome consciência das muitas coisas notáveis que eu por completo desconheço. Uma boa dose de modéstia só nos pode fazer bem...

Mas, por último vem a mais importante informação:

As mulheres nascidas em Maio são formosas e bem proporcionadas, meigas, e sensíveis.  Têm bom coração, bons sentimentos e finas, sobre todos os pontos de vista.

Mas, como ninguèm é perfeito... São pouco enérgicas, embora consigam realizar as suas ocupações.

Quanto aos homens... Têm carácter vivo e alegre, são afectuosos e sentimentais (...) inteligentes e inventivos ...

Nada refiro sobre questões como astrologia, agricultura, jardinagem e animais, por serem assuntos sobre os quais não tenho, nem conhecimentos, nem opinião, sendo tão ignorante sobre tais assuntos que, nem sequer tenho vontade de saber.

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:03
Segunda-feira, 30 de Abril de 2018

O 1º de Maio é a festa universal do trabalho, determinada no CONGRESSO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES, em Julho de 1889.

A Casa do Povo de Campo Maior que se refere no texto que adiante se transcreve, era uma cooperativa dos trabalhadores de Campo Maior, por eles fora fundada e por eles era gerida. Nasceu como sucursal da Casa do Povo de Lisboa, que tinha a sua sede na Rua da Mouraria daquela cidade. A iniciativa de criação destas cooperativas era de um partido então existente que se chamava "Partido Socialista Português", o qual era mal tolerado pelos salazaristas que não pararam de lhe mover encarniçada perseguição até á sua interdição.

A Casa do Povo de Campo Maior, criada em finais de 1932 e inaugurada em 11 de Janeiro de 1933, cresceu rapidamente, chegando a ter inscritos cerca de três mil associados. Mas, teve existência curta e atribulada e, devido às perseguições de que foi alvo, viu-se compelida ao encerramento e dissolução, em 31 de Dezembro desse mesmo ano de 1933. Contudo, o seu sucesso fora tão rápido e tão grande, que os salazaristas viriam a fundar outro organismo, com o mesmo nome de Casa do Povo de Campo Maior, mas com diferentes objectivos, orientada por outros principios e com finalidades, não cooperativistas, mas corporativistas, de acordo com a ideologia do Estado Novo, logo, sem automonia e  controlada pelo governo central. Este tipo de organização foi-se depois expandindo por todo o país.

Após o 25 de Abril de 1974, a Casa do Povo de Campo Maior, sofreu nova reestruturação, segundo novos estatututos, tornando-se uma associação de carácter mais democrático.

 

 

Acta da sessão extraordinária – 1º de Maio de 1933

A forma como decorreram as Festas do 1º de Maio levadas a efeito por esta comissão.

Eram vinte horas e meia quando a filarmónica local regida pelo hábil regente Senhor José Matias Branco, depois de percorrer algumas ruas desta localidade, se dirigiu à sede desta casa aonde cumprimentou a sua Comissão Organizadora, tocando o hino “Primeiro de Maio”, sendo saudada por esta comissão e cerca de mil sócios desta casa, que se achavam presentes, com uma entusiástica salva de palmas. Em seguida iniciou-se a marcha através das ruas desta vila aonde se encontravam cerca de quatro mil pessoas, na sua maior parte trabalhadores rurais, sócios desta casa. Dirigiu-se então aos Paços do Concelho aonde a comissão organizadora foi cumprimentar a autoridade administrativa e Comissão “Pró Campo Maior”. Usou então da palavra o companheiro Sardinha, Presidente da Comissão Organizadora da Casa do Povo, que saudou a autoridade administrativa e Comissão “Pró Campo Maior”. A autoridade administrativa pediu, em nome dos trabalhadores de Campo Maior, o cumprimento integral das leis, do horário de trabalho, do descanso semanal e da protecção às mulheres e menores nos trabalhos agrícolas e que o acompanhassem em dois vivas: Um à Comissão “Pró Campo Maior” e outro aos trabalhadores portugueses. Em seguida, usou da palavra o presidente da comissão já referida, Senhor José Augusto Corte Real Mascarenhas que, agradecendo o cumprimento, lamentou que aquela comissão pouco ou nada tivesse feito, mas que era seu desejo fazer muito, mas para isso contava com o concurso de todos os campomaiorenses. Deu por findo o seu discurso, sendo muito ovacionado com uma salva de palmas. Usou então da palavra o administrador do Concelho, Senhor Domingos Calado Branco, que disse congratular-se com a feição que o problema social ia tomando em Campo Maior. Depois de fazer várias considerações sobre o problema social, a Comissão “Pró Campo Maior”, terminou bradando um viva à dita comissão e outro aos trabalhadores de Campo Maior, sendo delirantemente ovacionado. Fez-se então o desfile pelas principais ruas desta vila aonde se incorporavam cerca de mil pessoas, vendo-se nas portas e janelas o elemento feminino que saudava o Primeiro de Maio com luminárias. Ao chegar-se novamente à sede desta casa tocou a filarmónica outra vez o hino “Primeiro de Maio”, sendo entusiasticamente aplaudido com uma salva de palmas. Pelas vinte e três horas, realizou-se uma sessão solene. Depois de tocado o hino usou da palavra o companheiro Sardinha que, na qualidade de Presidente da Casa, convidou o companheiro Eduardo Costal para presidir à “mesa”. Este companheiro, depois de saudar os sócios da Casa do Povo, lamentou que não tivesse competência para tão honroso cargo, mas que aceitava, certo de que todos os companheiros o desculpariam se os trabalhos não fossem orientados como era seu desejo. Convidou para o secretariar os companheiros Francisco Leonardo, da Casa do Povo de Santa Eulália, que veio expressamente a esta localidade assistir à manifestação e Manuel Augusto Rondão. Deu em seguida a palavra ao companheiro José das Chagas que depois de saudar os companheiros presentes e todos os trabalhadores internacionais, pediu um minuto de silêncio em memória dos mártires de Chicago e dissertou sobre as origens do Primeiro de Maio e o massacre dos operários de Chicago pela polícia daquela cidade(1). Ao terminar pediu à assistência que o acompanhasse num viva aos trabalhadores internacionais, sendo delirantemente aplaudido pela assistência e sinceramente felicitado pelos companheiros da Comissão Organizadora. Em seguida, o presidente da mesa deu a palavra ao companheiro Sardinha, que dissertou sobre o Primeiro de Maio na Europa e em Portugal, pedindo dois minutos de silêncio, um pela memória do falecido ministro do trabalho socialista Augusto Dias da Silva e outro pela memória do nosso chorado companheiro Manuel Lavadinho Mourato. Terminou saudando a Casa do Povo de Lisboa, os companheiros presentes e aqueles que pelos afazeres da sua vida profissional não podiam estar ali, assim como a filarmónica local e os trabalhadores de Portugal, sendo muito ovacionado. Foi então dada a palavra ao companheiro Pinto que lastimou que os poderes públicos não tivessem nunca olhado pela classe dos trabalhadores rurais e terminou pedindo pão para os famintos, trabalho para os que mendigam e liberdade para todos, sendo entusiasticamente aplaudido. Usou da palavra o presidente da mesa, que agradeceu a boa ordem e compostura de que a assistência deu provas, durante o decorrer da sessão, sendo esta encerrada em seguida. Eram doze horas. Tocou o hino a filarmónica local. Resolveu-se também exarar um voto de louvor aos trabalhadores de Campo Maior pela forma como se conduziram no decorrer da manifestação, assim como à filarmónica local e ao seu regente Senhor José Matias Branco.

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(1) O 1° de Maio que se comemora em todo o Mundo, é o Día Internacional do Trabalhador em homenagem aos chamados Mártires de Chicago, um grupo de sindicalistas anarquistas que foram executados en 1886.



publicado por Francisco Galego às 14:14
Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

 

Em meados do passado mês de Março, fui surpreendido por um cartaz enfeitado com flores de papel, à maneira das nossas “FESTAS DO POVO”, afixado no gradeamento exterior da CRECHE - INFANTÁRIO DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA virado para a “Avenida”, que nâo resisti a transcrever, na esperança de que, a sua realização, não tenha consistido apenas numa mera actividade de ocupação de tempo e de entretenimento, mas numa verdadeira e necessária aprendizagem, numa acção educativa e de formação, cujo conteúdo eu aqui reproduzo:

 

Livres e

 

Independentes

 

Bravos e confiantes

 

Esperançosos na vitória, deu-se uma

 

Revolução!

 

Discordaram  das leis,

 

Amanheceram a lutar.

 

Direitos maiores puderam

 

Espalhar!

 

 

Parabéns às "educadoras-formadoras"

 

Boas e felizes "aprendizagens"

para os educandos!



publicado por Francisco Galego às 00:01
Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

PARA TI NESTE DIA 19 DE ABRIL...

 

O nosso viver tende a ser formado por uma sequência, em que o antes foi o ponto de partida do presente e este será a base em que assentará o nosso futuro. Por isso, manda a cautela que se procure ir construindo uma sequência de projectos de vida, pois essa será a forma mais organizada de irmos tecendo o nosso viver.

Nesta perspectiva, torna-se importante a ponderação do nosso passado a fim de bem entendermos o que convém que sejam as nossas acções, para tentarmos garantir alguma segurança em relação ao que, em consequência, queremos que a nossa vida possa vir a ser no tempo futuro. Se o resultado não for o esperado, haverá sempre a consolação de termos tentado e, provavelmente, a capacidade para ponderarmos a melhor maneira de nos adaptarmos às condições que nos foram ditadas pelo imprevisíveis acasos que as constituem.

Mas, claro que existem outras opções. E, cada um de nós, tem a liberdade de fazer outras escolhas, assumindo depois as consequências que daí possam advir.



publicado por Francisco Galego às 10:03
Sábado, 14 de Abril de 2018

Nas casas de João de Aguiar Mexia(1), no Terreiro das Estalagens(2), se tem acomodado o Sr. Infante D. Francisco, as três vezes que tem vindo a esta Praça. Sendo a primeira em segunda-feira, 18 de Dezembro do ano de 1713, a segunda em 14 de Setembro de 1714 e a terceira em 13 do dito mês de Setembro de 1715.(3)

Nestas casas se fez aposentadoria para S. Majestade, que Deus guarde, no ano de 1716. De que não usou porque, vindo no dia 12 de Novembro a esta Praça, voltou no mesmo dia a Elvas, por causa da chuva que sobreveio (4).

João V, vinha acompanhado de seus irmãos, os Senhores Infantes D. Francisco e D. António, todos em coche e, com eles: o Marquês de Marialva, D. Diogo de Noronha, camarista de Sua Majestade; D. Duarte António da Câmara, depois Conde de Aveiras, camarista do Sr. D. Francisco; e Rodrigo de Melo da Silva, depois Conde de S. Lourenço, camarista do Sr. D. António. Acompanhava Sua Majestade, o Duque de Cadaval, D. Nuno Álvares Pereira, Mestre de Campo General junto à sua real pessoa e Governador das Armas da Província de Estremadura, o qual vinha a cavalo.

Governava esta Praça o Brigadeiro Estêvão de Moura e Azevedo, o qual teve ordem por carta do Secretário de Estado, Diogo Mendonça de Corte Real, escrita no dia antecedente, para que não fizesse nenhuma demonstração militar, nem política, porque S. Majestade estava incógnito e assim o ordenava (…)

O governador esperou El-Rei à entrada da porta da Praça com os Coronéis D. Felipe Alarcão de Mascarenhas, do Regimento de Infantaria; Martinho Afonso Mexia, do Regimento de Cavalaria; o Tenente Coronel de Cavalaria João da Rocha de Vasconcelos; o Sargento-Maior de Infantaria, Fernão da Mesquita Barba; o Sargento-Maior da Praça, Francisco da Silveira; e muitos outros oficiais.

Sua Majestade não se deteve e se foi apear à Igreja de S. João Baptista, aonde lhe beijaram as mãos os oficiais referidos e os da Câmara e algumas pessoas particulares. Daí passou a ver o Castelo e, na Praça de Armas estava formado o Regimento de Infantaria.

Subiu El-Rei à Torre Grande e dela viu toda a Praça e o terreno em que foram abertos os ataques para o Sítio do ano de 1712. Daí passou à Igreja Matriz onde foi recebido com Pálio e Te-Deum Laudamus e com mais cerimónias do ritual.

Tornou a entrar no coche e, sem mais demora, voltou a Elvas, desaprovando o dia a resolução de dormir uma ou duas noites nesta Praça, para o que tinha chegado a ela João Xavier a preparar as casas sobreditas, nas quais quis seu dono manifestar o ardente desejo de servir a Sua Majestade, mandando prover a sua ucharia (5) de tudo o que pode permitir o pouco tempo de uma noite e uma manhã.

Mandou S. Majestade dar cem moedas para os soldados da guarnição da Praça.

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In, (Estêvão da Gama, Notícias da Antiguidade, Aumento e Estado Presente da Vila de Campo Maior (...), ( p. 52 e 53)

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(1) Refere-se ao que foi depois chamado Palácio de Olivã, onde agora está instalada a Biblioteca Municipal João Dubraz; a Repartição das Finanças Públicas e o Lagar-Museu do Azeite.

(2) Hoje Largo do Barata. Chamava-se "das Estagens", pela mesma razão porque a actual Rua da Poterna, se chamou "Rua da Estalagem Velha". Pois que,  por estarem situadas perto das entradas da vila, ali estavam as casas onde se acomodavam os visitantes.

(3) Estas visitas tinham como finalidade, acompanhar a reconstrução da vila que ficara muito afectada como consequência da destruição provocada pelo Cerco de 1712.

(4) Nesta época não existia ainda a ponte sobre o Caia, tendo este rio que ser passado a vau, coisa que se tornava impraticável na situação de grandes chuvadas.

(5) Ucharia = despensa provida de bens alimentares e outros, destinados à acomodação dos hóspedes que se recebiam em casa.



publicado por Francisco Galego às 15:03
Segunda-feira, 09 de Abril de 2018

Houve uma urgente necessidade de reforçar a defesa da fronteira do Alentejo, no inicio de 1641, começo da "Guerra da Restauração".

O conde de Vimioso, que assumiu o posto de capitão-general do Alentejo, concentrou os meios de defesa em Elvas, sendo depois substituido por Matias de Albuquerque que devastou algumas terras da Estremadura espanhola, tendo obtido uma importante vitória no lugar de Lobon, perto do Montijo. Esta Batalha do Montijo deu grande ânimo ao exército português, tendo Matias de Albuquerque sido agraciado com o titulo de Conde de Alegrete.

 O conde de Monterrey, fortificado em Badajoz, atacou Campo Maior e Olivença. Campo Maior apesar de dispor de poucos meios, resistiu. O ataque a Olivença foi mais violento  mas resistiu por ter esta vila ter sido prontamente socorrida.

Foi feito um grande esforço para reparar as fortalezas e castelos da raia, alguns dos quais estavam desmantelados.

A guerra recrudesceu em meados de 1648. Elvas tornou- se o alvo privilegiado dos ataques que fizeram perigar a defesa da cidade que sofreu um cerco de três meses: Outubro, Novembro e Dezembro. A peste agravou muito a situação de defesa da cidade, chegando a fazer 300 mortos por dia.

Quando cehegaram reforços, sob o comando do conde Cantanhede, às quais se juntaram as guarnições de Juromenha, Vila Viçosa, Borba, Campo Maior, Arronches e Monforte, foi possível passar ao contra-ataque a fim de impedir que o exército inimigo fosse atacar Lisboa. Obter uma vitória significaria assegurar a independência do reino.

No dia 14 de Janeiro de 1659, deu-se a batalha que constituiu um dos momentos mais altos para a vitória final na Guerra da Restauração: A Batalha das Linhas de Elvas.

Na manhã de dia 15 foi tomado o Forte da Graça. Os catelhanos deixaram mais de 5.000 prisioneiros, muitos mortos, alguns afogados no Caia e no Guadiana. Os outros foram refugiar-se em Badajoz.

  1. Sancho Manuel, devido a esta vitória, recebeu o título de conde de Vila Flor. O relato deste feito foi registado pelo conde da Ericeira.

Contudo, a guerra ainda se reacendeu nos anos de 1663 a 1665, em que se deram as últimas campanhas da Restauração.

Seguidamente começou uma crise política interna, no reinado de D. Afonso VI.

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IN, Joaquim Veríssimo Serrão – HISTÓRIA DE PORTUGAL, Vol. V (1640- 1750) - A RESTAURAÇÃO E A MONARQUIA ABSOLUTA, Ed. Verbo

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publicado por Francisco Galego às 15:03
Sexta-feira, 06 de Abril de 2018

A primeira igreja matriz de Campo Maior, dedicada a Santa Clara, ficava dentro dos muros do primitivo castelo, no local onde agora se situa um armazém que, até ao início do século XX, serviu de salão para festas, bailes, representações teatrais e outros divertimentos. Este edificio ainda conserva na sua fachada a bilheteira que dá testemunho desta utilização.  

O crescimento da vila e da população, entre os séculos XII e XVI, tornou esta igreja demasiado pequena e de difícil acesso, porque localizada fora da nova zona urbana para onde crescera a povoação. Daí a necessidade de ser construida uma nova igreja. A igreja foi dedicada a Nª Sr.ª da Expectação, nome que foi também dado a uma das duas freguesias urbanas que existem em Campo Maior.

Esta nova matriz que o povo durante muito tempo designou como a “Igreja Nova”, foi construida entre 1570 e 1646. No seu patio lateral leste, foi construida a Capela do Calvário, em 1707. Nos meados do séc. XVIII procedeu-se à colocação dos altares, das tribunas, do cadeiral do altar-mor e à pintura do altar do Santíssimo Sacramento.

Em 1766, no mesmo pátio lateral, foi construída a Capela dos Ossos, em memória das mortes provocadas pela explosão do paiol que estava na torre de menagem, por efeito de um raio, durante uma trovoada, em 16 de Setembro de 1732, entre as três e as quatro horas da madrugada. Das cerca de mil habitações que compunham a vila, cerca de 800 ficaram total ou parcialmente destruidas. A própria igreja matriz ficou muito danificada. Igrejas, conventos e edifícios em geral, sofreram os desastrosos efeitos da explosão.

Numa população de cerca de 5.000 habitantes, morreram cerca de 250 pessoas e ficaram feridas cerca de 2.000.

Graças à rápida decisão de D. João V que ordenou que se acudisse com importante socorro, a vila foi restaurada em pouco tempo para que pudesse acolher a população sobrevivente e para garantir a sua função de praça de guerra, defendendo a fronteira de qualquer tentativa de invasão que poderia ocorrer. E a memória de tal possibilidade estava bem presente devido ao cerco sofrido em 1712 que, devido a uma tenaz resistência, tão importante fora para garantia da independência, da paz e da segurança do nosso território.

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:02
Quarta-feira, 04 de Abril de 2018

Depois do cerco de 1801, Campo Maior ficou ocupado pelas tropas francesas. Contudo, esta praça de guerra, pode considerar-se uma das que menos foi sentiu o peso desse domínio. Napoleão julgou os portugueses subjugados porque os viu sofridos. E contou achar da parte da Espanha igual moderação.

No início do ano de 1808, o comando francês teve por mais acertado abandonar a Praça de Campo Maior. À excepção de um Regimento de Suíços que entrou nesta Praça no dia 12 de Março e saiu no dia 13, não mais se viu tropa francesa, o que não foi pequena fortuna. Em consequência deste abandono, os seus armazéns foram espoliados de toda a pólvora, munições e apetrechos de guerra, as armas dos particulares foram guardadas em depósito. O Regimento Nº 20 que constituía a sua guarnição, foi desorganizado e extinto e uma parte dos seus elementos foram mandados para França. Esta extinção foi declarada no dia 14 de Maio de 1808.

Os arquivos, espingardas e mais utensílios militares foram mandados para Elvas. Igual espoliação se verificou quanto ao Hospital Real Militar e ao Assento. Mas a povoação foi deixada em paz.  

Quase sem saberem um do outro, os dois povos entraram em efervescência e se inflamaram. No dia 30 de Maio de 1808, deram-se os primeiros sinais de revolta em Badajoz os quais tiveram depois reflexos em Campo Maior.

Francisco Cesário Rodrigues Moacho, boticário e Luís José Xara, sem outra ocupação para além de um pequeno tráfico contingente sendo, portanto, ambos de condição humilde e medíocre fortuna, resolveram aproveitar a oportunidade da ocasião para restituir à sua Pátria a liberdade perdida. A estes juntou-se Francisco Pedro Xavier da Costa, que antes da desactivação da Praça era secretário do extinto Regimento Nº 20, da guarnição de Campo Maior e, sabendo que antigos militares estavam dispostos a passar a Espanha para assegurarem a sua subsistência combatendo ao lado dos espanhóis contra os franceses, resolveu ir com Cesário de jornada até Badajoz, em 8 de Junho. O primeiro procurava serviço como militar. O segundo procurou o comissário do Governo Supremo de Sevilha para lhe expor um plano que foi atendido com interesse sendo-lhe sido prometido que uma decisão seria tomada no praso de oito dias.

À conspiração associou-se em Campo Maior, o mercador Manuel António Gonçalves Niza que põs a sua casa à disposição para nela se reunirem.

Assim se deu começo ao processo que se veio a desenvolver em Campo Maior que, desde o início, teve a concordância e o apoio do General Galluzo que assegurava as ligações à Junta de Badajoz.

As tropas espanholas, designadas para ajudarem Campo Maior, eram comandadas por Nicolau Moreno de Monroy e consistiam num batalhão de cerca de 700 voluntários de Valença a que se juntou no dia seguinte um esquadrão do Regimento de Maria Luísa.

Guiadas por Luís Xara chegaram à Porta de São Pedro na madrugada de 2 de Julho de 1808, tendo-lhe sido franqueado o acesso à vila. Foram presos os responsáveis militares da vila. Quando o povo se começou a aperceber do que se estava a passar, começaram a surgir manifestações de apoio de uns e de desagrado de outros conforme era a sua afeição.

O comandante das tropas espanholas fez uma proclamação ao povo de Campo Maior. Foi constituída uma Junta do Governo Provisional de Campo Maior.

Cesário quis entregar as chaves da Praça ao Coronel Diogo Pereira da Gama do comandante de extinto Regimento Nº 20, mas este não as quis aceitar e daí resultou que o comando militar da Vila ficou entregue a Nicolau Moreno de Monroy. Este instalou o seu quartel general nas casas de D. José Carvajal.

A 4 de Julho procedeu-se à aclamação solene de Sua Alteza Real, o principie D. João. Foi rezada missa, tendo-se procedido à bênção das bandeiras de Espanha e de Portugal que foram levadas em procissão até ao castelo, ficando ali expostas lado a lado. Mas, a situação era perigosa, pois a vila estava desarmada, a praça com duas brechas, os armazéns sem munições e o inimigo fortemente armado e estacionado em Elvas.

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 Fonte: João Mariano de Nª Sr.ª do Carmo Fonseca -  Relação abreviada dos factos mais recomendáveis da revolução de Campo Maior em 1808, 1813.  

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:03
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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