Segunda-feira, 28 de Novembro de 2016

A IGREJA, O CONVENTO E O HOSPITAL DE SÃO JOÃO DE DEUS

A estrutura fundamental desta igreja ainda existe. Mas, a igreja propriamente dita, há muito deixou de existir enquanto lugar de culto.

Falamos de um templo que se localizava no quarteirão delimitado pelas ruas de Santa Cruz – uma rua em ângulo recto, em que um dos lados liga o Largo dos Carvajais ao Largo de Santa Cruz e o outro está na continuação da Rua de São João.

Quando, indo pela Rua de Santa Cruz, se vira para ir para a Rua de São João, do lado esquerdo de quem está voltado para Sul, fica um prédio onde, em tempos idos, estavam as instalações do Convento de São João de Deus e o Hospital Militar que lhe ficava anexo. O local da Igreja ainda lá está e é localizável pelo largo portão que dava acesso ao templo. O convento de São João de Deus ou dos frades hospitalários, foi criado por D. João IV após a Restauração da Independência de Portugal em 1640. Este rei, mandando fortificar Campo Maior, tornando a vila uma forte praça de guerra para defesa da fronteira dos ataques de Espanha, durante uma guerra que durou de 1640 a 1668, mandou dotar a guarnição militar dos cuidados hospitalares dos frades da congregação de São João de Deus que se dedicavam a essa missão. Convento e Igreja ocupavam o espaço que ficava entre a Rua S. João de Deus – hoje chamada Rua Vasco Sardinha -, a Rua de Pedroso – hoje chamada Visconde de Seabra – e a Rua de Santa Cruz.

A Igreja e as duas espaçosas enfermarias anexas, ocupavam todo lado do edifício virado para a Rua de S. João. Quando, em 1732, se deu a explosão da Torre de Menagem do castelo onde se instalara o paiol da praça de guerra, a vila ficou em grande parte destruída, tendo a igreja, o convento e o hospital de São João de Deus, sofrido grande destruição. Na eminência de nova guerra, D. João V mandou reparar tudo com grande rapidez. Mas a traça do edifício sofreu grandes transformações.

Com a pacificação geral da Europa depois da derrota de Napoleão Bonaparte e do restabelecimento da paz no Congresso de Viena em 1815, as praças de guerra deixaram de ter tanta importância.

Após a Revolução Liberal de 1820, houve em Portugal um período de guerras civis. Em consequência da guerra civil de 1828-1832, tendo vencido os liberalistas, foram extintas as ordens religiosas masculinas. O cuidado hospitalar dos militares passou para o encargo das autoridades civis. A Congregação de São João de Deus deixou de existir em Campo Maior. A igreja, as antigas instalações do convento e do hospital foram deixadas ao abandono de que resultou a sua acentuada degradação.

Essas instalações acabaram por ser adquiridas pelo Dr. José Maria Fonseca Regala, médico-cirurgião e abastado proprietário que as restaurou e reformulou, tornando-as residência da sua família e instalações de apoio às tarefas das suas actividades como empresário agrícola.

A parte que antes ocupada pela igreja e pelo hospital, tem sido nas últimas décadas usada como instalações de uma empresa comercial. Mas, no interior, são visíveis ainda traços da sua antiga função. Sobretudo no que respeita à Igreja que não sofreu grandes alterações no que respeita à sua traça arquitectónica inicial.



publicado por Francisco Galego às 00:07
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