Sexta-feira, 05 de Maio de 2017

Na coluna de opinão “Qualidade de vida”, sob o título “O MAL PELA RAIZ”, publicado, no Semanário “Expresso” de 29 de Abril de 2017, na página 17 do “Primeiro Caderno”, Luísa Schmidt chama a atenção para o problema da necessidade urgente de protecção do património florestal, assunto sobre o qual também já aqui escrevi, manifestando as minhas preocupações sobre esta questão.

A autora deste artigo refere, como exemplos, casos recentemente denunciados:

            - O arranque de centenas de árvores autóctones centenárias, no Parque Natural da Ria Formosa, no Algarve, para se construirem umas estufas, caso denunciado e interrompido pelas autoridades;

            - O anunciado arranque de mais de um milhar de árvores – pinheiros e ciprestes – no Parque Natural da Serra de Sintra, ao longo da estrada entre Malveira da Serra e a Lagoa Azul, alegando estarem velhas e doentes, embora os especialistas afirmem o seu bom estado, o que aponta para a ganância dos bons lucros com a venda das madeiras;

            - O brutal arranque de árvores na serra da Freita, em plena Rede Natura, que já fora flagelada pelos incêndios.

Perante isto, a autora do artigo interroga:

O que se passa em Portugal para que se continue a vandalizar o património florestal que ainda resta? Já não bastavam o fogo e as doenças. É também, a ganância, o abuso arrogante e a lastimável incapacidade da Administração Pública para cuidar do bem comum.

Refere também que “o Instituto da Conservação da Natureza... se mantém mudo e quedo” apesar das numerosas petições para salvação das árvores, contrapondo a  exemplar acção da Câmara de Arouca ao promover a reflorestação com espécies autóctones e lamentando a desproporção entre o muito pouco que se replanta e a enormidade do muito que se destrói.

Termina com uma tímida expectativa: Resta a ténue esperança dos movimentos cívicos que se têm oposto a toda esta destruição e só se espera que eles ganhem raízes, ramos e folhas.   

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Eu, porque às vezes sou tentado a pensar que, em vez de progredirmos, estamos a regredir, acrescento da minha lavra que deveríamos tomar em consideração o que é recomendado neste texto publicado no jornal “O Transtagano”, (PERIÓDICO DE INTERESSES MORAIS E ECONÓMICOS DA PROVÍNCIA), Elvas, nº 5, de 17 de Maio de 1860, ou seja, há 157 anos:

Arvoredos

“Se as câmaras municipais estabelecessem prémios para os plantadores e criadores de arvoredos, se mandassem plantar em todas as margens de rios e ribeiras… veríamos em breve melhorarem as condições e salubridade da nossa árida província…

À ilustrada câmara de Campo Maior recomendamos a Margem esquerda da ribeira de Caia e, sobretudo, a área compreendida na extensão das duas herdades denominadas as Godinhas, porque, pertencendo tais herdades ao município e arrendando-as a câmara em hasta pública, pode adicionar ao seu contrato a condição de arborização daquela margem da ribeira.”

Pois é! Muitas vezes o "Passado", pode e deve ser tomado como sábio mestre pelo "Presente".

 



publicado por Francisco Galego às 00:03
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