Quarta-feira, 15 de Abril de 2015

Sábado, 11 de Abril de 2015.

 

Ontem foi o regresso da viagem à Bélgica, ou seja, mais propriamente à parte da Flandres que se inclui na Bélgica.

Apesar do desconforto que sempre me causam as viagens, esta foi bastante agradável.

A partir da cidade de Turnhout, visitámos Tongeren e Bruges. A paisagem trouxe-me á memória le plat pay bas pays qu’est le mien cantado por Jacques Brel.

 

O tempo estava frio para quem ia do Sul. Mas, pelo que disseram, foi sorte apanhar bons dias de sol e temperaturas acima das que costuma haver nesta época do ano.

A viagem de ida foi feita de avião com partida de Lisboa pelas 17 horas. Parte do voo decorreu ainda com visibilidade suficiente e, porque as nuvens eram muito raras, foi possível avistar terra durante a maior parte do percurso.

 

Foi possível observar Turnhout com alguma demora. A cidade não é grande e enquadra-se pelo geometrismo da sua traça urbana e pelo seu estilo arquitectónico muito tradicional, no aspecto comum de todas as povoações que atravessámos, próximas e bastantes porque é evidente uma densidade demográfica e de povoamento superior à que estamos habituados no sul de Portugal. Um facto relevante é o quase perfeito equilíbrio masculino/feminino nos dados estatísticos que pude consultar.

Outra característica que ressalta à vista é a presença constante de uma certa ruralidade. Mais evidente nos povoados mais pequenos mas também em volta das próprias cidades.

 

Na Flandres, a natureza é evidentemente pródiga. As terras são atravessadas por uma rede de canais que percorrem o país em todas as direcções. Estes canais, funcionaram em tempos passados como vias privilegiadas de transporte de pessoas e bens e como meio de comunicação. Hoje a região está dotada de uma excelente rede de estradas e caminhos-de-ferro.

 

Turnhout fica na fronteira com a Holanda, daí a visível semelhança de modos de vida e de hábitos culturais, muito evidente na linguagem comum aos povos de ambos os lados. Significativamente, nós chegámos a Turnhout pelo aeroporto holandês de Eindhoven.

 

Do que nos foi dado observar ressaltou a ideia de uma prosperidade que, não sendo de ostentação, revela um considerável conforto e bem-estar no modo de vida da população. Não são visíveis sinais de pobreza.

 

Pelas informações a que tive acesso, soube que, desde finais da Idade Média, Turnhout foi importante centro de tecelagem. A revolução industrial que se antecipou na vizinha Inglaterra, fê-la adaptar-se, numa primeira fase, à produção de certos tecidos que pressupunham meios técnicos menos sofisticados. Depois, a produção local foi-se especializando na produção e na impressão de papel. Neste campo, a cidade tornou-se mundialmente famosa pela produção das “cartas de jogar”. Foi muito interessante a visita a um museu muito bem organizado e muito didáctico, o Nationaal Museum van de Speelkaart (Museu Nacional das Cartas de Jogar).

Mas, neste campo, a cidade adquiriu também fama pela produção de livros, cartazes e selos que fabricava para todo as partes do mundo.

 

Alguns dos edifícios, em geral bem restaurados e conservados, testemunham a grandeza da cidade em séculos passados.

 

Visitámos depois Tongeren, cidade que reivindica a fama de ser a mais antiga cidade da Bélgica. Fica situada no sudeste da região flamenga.

A sua origem remonta ao tempo dos tungri, povo gaulês submetido pelas legiões de Júlio César no século I a. C. Teria sido então sido fundada a cidade que se tornou um importante centro administrativo romano.

Porque o turismo cultural merece grande atenção nesta região e porque em Tongeren têm sido feitas importantes descobertas arqueológicas, esta cidade dispõe de um excelente museu mostrando a evolução das sociedades que viveram nesta região desde a remota Pré-História. O museu não se limita a mostrar vestígios do passado. Através dos mais modernos meios audiovisuais, os visitantes recebem importante informação sobre a evolução da humanidade.

 

Na cidade existe também algum património desde o período medieval até ao século XVIII, bem conservado e identificado.

 

Bruges, cidade de cerca de 120 mil habitantes, é a capital da província da Flandres Ocidental. Foi capital europeia da cultura em 2012, em parceria com a cidade espanhola de Salamanca.

Costuma ser designada como a “Veneza do Norte”, devido à associação da riqueza do seu património histórico e arquitectónico e aos amplos canais que percorrem a cidade mesmo no âmago do seu centro histórico. Por esses canais está ligada à vizinha cidade de Gant.

O povoamento da cidade remonta ao Império Romano.

O tempo disponível era demasiado escasso para a grandeza da cidade e para a riqueza e diversidade do seu património.

A opção foi observar o ambiente geral pois desde logo se evidenciou a importância que nela tem a actividade turística.

A quantidade de gente que aglomerava no centro histórico, os grupos que a visitavam em barcos viajando pelos canais, a diversidade dos tipos humanos e das línguas em que se expressavam, mostravam bem que esta era uma das suas mais importantes actividades.

Esta cidade acumulou ao longo dos séculos um património que resultava do facto de ter representado no norte da Europa um papel semelhante ao que algumas repúblicas italianas, com destaque para Génova e Veneza, tinham representado no sul.

Até ao século XVI, as repúblicas italianas serviam de ligação nas trocas comerciais entre a Europa e o mundo muçulmano, através do qual vinham os produtos do Oriente.

Desde o século XIII, navios italianos visitavam os portos do norte entre os quais Bruges adquiriu grande destaque.

A partir do século XVI, com os descobrimentos portugueses esse comércio foi deslocado para o Atlântico. Os produtos chegados a Lisboa eram distribuídos pelo Norte da Europa. Portugal teve em Bruges uma importante feitoria pois a cidade era um grande entreposto comercial.

A cidade veio a sofrer de rápido declínio quando, devido ao assoreamento do canal, ficou sem acesso ao mar. Então, Antuérpia ascendeu, tornando-se o centro económico dos Países Baixos.

Mas a riqueza acumulada nos séculos anteriores, dotaram Bruges de monumentos de tal riqueza que, no ano de 2.000, o seu centro histórico foi considerado Património Mundial pela Unesco.

 

Porém, sendo pouco o tempo para tanto que teria para ver, não foi possível mais do que visitar. Ora, visitar é “passar por”. Para conhecer é preciso tempo para observar, interpretar, tentando entender o que se está ver. Por isso, não sendo a melhor maneira, foi a maneira possível, ditada pelas circunstâncias. Melhor será de outras vezes se outras vezes houver.

 



publicado por Francisco Galego às 09:15
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