Sexta-feira, 24 de Junho de 2016

A história que vou contar ter-se-á passado, há cerca de 500 anos. Reinava em Portugal  D. Manuel I.

            Campo Maior era então, uma povoação bastante pequena, com nove ruas dentro do castelo - "a Vila Velha" - e mais algumas do lado de fora das muralhas. Teria aproximadamente dois mil habitantes, ou seja, cerca de seis vezes menos do que possui actualmente.  

            Ora, a certa altura, declarou-se uma grande epidemia de peste. As pessoas ficavam doentes e, passado pouco tempo, morriam. Naquele tempo, nas terras pequenas, não havia médicos, nem medicamentos. As péssimas condições de higiene e a deficiente alimentação, faziam que qualquer doença provocasse a morte rápida de muitas pessoas, mas principalmente das crianças e dos mais velhos que eram os mais fracos.

            As pessoas pensavam que as pestes eram um castigo de Deus. Por isso, mandavam oficiar missas nas igrejas, rezavam e imploravam o perdão dos seus pecados, para se verem livres da doença.

            Vendo que as suas preces não eram atendidas, pensando que o ar estava ainda empestado pela doença, os moradores de Campo Maior que ainda não tinham sido atingidos pela peste, resolveram sair da vila. Escolheram um lugar no meio dos campos e aí construíram casas de paredes de barro e cobertas de ramos e folhas, a que se dava o nome de "choças". Ainda hoje esse lugar é chamado pelos campomaiorenses como sendo o "lugar das Choças".

            Ficaram nesse lugar muito tempo com medo de que, se voltassem às suas casas na vila, pudessem ser apanhados pela peste.

            Mas, um belo dia, no ano de 1520, um homem chamado Gonçalo Rodrigues que andava a trabalhar na sua horta, perto da vila, sentindo-se cansado, sentou-se à sombra duma figueira a descansar. De repente, apareceu-lhe uma figura rodeada de uma grande luz. Assustado, o bom homem exclamou:

“Quem sois vós senhor? Que luz é esta que não parece ser coisa deste mundo?”

Ao que, numa voz forte e calma, a figura respondeu:

“Não temas Gonçalo! Eu sou João Baptista. Não vês como está o teu povo? Vai dizer à tua gente que podem voltar às suas casas. Os vossos sacrifícios e sofrimentos despertaram a compaixão de Deus Nosso Senhor. Não haverá mais peste. Mas, em memória da graça que por Deus vos foi concedida, quero que façam na vossa terra uma igreja em meu nome e devoção.”

            O bom do Gonçalo nem queria acreditar no que lhe tinha acontecido. Foi logo ter com a sua gente e contou-lhes a extraordinária aparição que tivera. Desde logo, todos decidiram que iriam fazer a igreja em honra de São João Baptista.

 

Fonte: Frei João Mariano de Nossa Senhora do Carmo  Fonseca (Séc.s  XVIII - XIX)

 



publicado por Francisco Galego às 00:01
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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