Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018

ACHMET

No capítulo 1º a acção é localiza na zona de fronteira ainda em disputa entre cristãos e mouros, os campos entre Ielch (Elvas) e Badajoz.

É apresentada a personagem Achmet, sobrinho do mui alto e poderoso Abdallah, emir de Badajoz e primo do emir de Sevilha.

A acção começa por uma caçada aos javalis e aos gamos que, como por artes mágicas, é interrompida por uma súbita tempestade que leva os companheiros de volta a Badajoz, separando-os de Achmet que é levado até um local à beira de um lago do qual se levanta um mágico alcazar mourisco, donde sobe uma música divinal e um hino entoado por lindas fadas que incitam o jovem donzel a ir ao seu encontro.

Surge perante ele uma angélica beldade: a rainha das fadas, Ulina.

O lago é referido como Lago do Muro “situado nos verdes campos que agora pertencem a Campo Maior” e que receberam o nome de terras do Muro”.

O jovem mouro é arrancado ao mundo real e entra num mundo mágico: - um magnífico castelo enterrado no interior do Lago do Muro. Aí a rainha das fadas abre para o jovem príncipe a “visão do futuro”. Perante os olhos do jovem mouro passam os episódios mais relevantes da conquista do sul de Portugal pelos cristãos e da expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica.

A acção até aqui centrada no príncipe Achmet, suspende-se e somos levados a outro lugar.

O capítulo 2º começa no ano de 1201, reinando em Portugal de D. Sancho I. Nos “verdes plainos da Godinha”, entre as terras da cidade cristã de Elvas e os arredores da muçulmana cidade de Badajoz, numa brilhante cavalgada, damas e cavaleiros assistem a “uma aposta à carreira” de quatro damas. Destacou-se como vencedora a bela D. Ângela, jovem dama de dezassete anos de idade, filha do alcaide de Elvas, que montava um ginete fouveiro, ou seja, ruivo, malhado de branco.

 

O alcaide de Elvas, Fernão de Soisa, falando com os seus companheiros, recorda a sua participação na fatídica tentativa de conquistar Badajoz, de que resultou o desastre e prisão de D. Afonso Henriques.

A certa altura, um dos jovens cavaleiros recita para a cavalgada umas trovas que relatam coisas fantásticas ocorridas com a bela fada Ulina, onde são invocadas velhas lendas que referem o destino do príncipe Achmet, aprisionado no Lago do Muro pela fada Ulina, até que uma dama o fosse libertar.

A récita foi interrompida pelo levantar de umas abetardas dando início à sua caçada com falcões.

Surge um mágico que espanta o corcel da jovem D. Ângela que parte à desfilada e desaparece. Por mais que os companheiros a tivessem procurado, não a conseguiram encontrar.

D. Ângela foi levada pelo corcel até às Terras do Muro, junto do lago, cujas águas desapareceram. Ficou apenas um muro, junto ao qual estava um donzel montando um valente corcel. Logo entre os dois jovens nasceu uma fulgurante paixão. Mas, por artes de um mago inimigo da fada rainha Ulina, a jovem é levada para longe do seu amado.

No capítulo 3º descreve-se a viagem fantástica de Achmet depois de sair do encantado Lago do Muro. Levado pelos ares até à “ilha encantada”, parecendo tratar-se da Ilha da Madeira, onde mais tarde começaria a fantástica aventura das Descobertas. Aí encontra a sua bela Ângela, adormecida. Então ele decide resgatá-la á custa de grandes perigos que vence com portentosas demonstrações de coragem.

No capitulo 4º relata-se o seu regresso às terras donde tinham partido.

No capítulo 5º os dois amantes são levados por Ulina, a rainha das fadas, para o Castelo-do-Amor, sugerindo-se que está edificado no local onde hoje é o castelo de Campo Maior. Aí os dois vão poder entregar-se ao seu profundo amor, condenado pela vontade dos homens, devido à diferença das suas religiões.

No capítulo 6º Judith, a feiticeira judia que vivia numa torre no cimo da Serra de Segóvia, desvendou a Fernando de Soisa, a verdadeira situação de sua filha no Castelo-do-Amor e o modo como a pode libertar do seu amante, o príncipe Achmet, atraindo-o a um torneio para o matar.

No capítulo 7º relata o torneio de que resulta a morte de Achmet, vencido no torneio da Cabeça Aguda. Mas o corpo de Achmet desapareceu.

No Epílogo assistimos à dolorosa solidão de Ângela, encantada no seu Castelo-do-Amor. Parece sugerir-se  aqui a origem da lenda da “moura encantada” que, em tempos idos, os adultos contavam às crianças, na vila de Campo Maior e que João Dubraz terá resolvido publicar para memória futura.

 

 



publicado por Francisco Galego às 10:53
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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