Sábado, 15 de Março de 2014

Este cardeal, José Policarpo, que agora morreu e foi ontem sepultado, era uma figura pública com que eu simpatizava. Homem com grande carreira dentro da hierarquia eclesiástica. E, ao mesmo tempo com grande aceitação fora da Igreja.

Há excepções como esta. Nem era amaneirado no comportamento - tinha uma expressão e uma atitude completamente masculinizada – nem as suas acções mostravam respeito ou obediência reverencial – manifestava com frontalidade as suas opiniões e convicções.

 

Sempre tive facilidade em entender-me com gente que, assim como ele, assumiam a sua vivência do catolicismo que professavam. Tive mesmo amizade com alguns sacerdotes que tive o privilégio de conhecer e com os quais houve mesmo verdadeira amizade.

 

Em termos de crença em transcendências, desde muito cedo me convenci de que o agnosticismo era a posição em que me sentia mais à vontade. Mesmo quando as circunstâncias me aproximaram de outro tipo de crenças, de carácter mais imanente, que são as ideologias.

 

Crer foi verbo que nunca soube bem como assimilar. Sempre fui mais de procurar entender.

 

Sou capaz de entender e aceitar os princípios éticos e comportamentais propostos por uma doutrina. Por isso me sinto, tantas vezes, em consonância com os crentes religiosos, principalmente com os cristãos que são os que, por conhecer melhor, mais me influenciaram. Também me senti sempre mais em consonância com os que, partindo do marxismo, o praticam de facto enquanto doutrina. Mas não consigo aderir incondicionalmente a qualquer tipo de convicção. E isto aplica-se tanto às religiões como às ideologias.

 

Penso que assim acontece em relação ao cristianismo porque, partindo de uma crença que radica no judaísmo bíblico, se tornou doutrina vivida, atitude existencial, com a pregação e o exemplo de Jesus Cristo. Já o marxismo, que no início foi uma filosofia, se me tornou difícil de aceitar quando se tornou ideologia com o leninismo. Mas aceitou-o sempre que ele se configura como uma doutrina base da organização social.

 


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publicado por Francisco Galego às 15:31
Domingo, 21 de Março de 2010

Defendo a aposta nas novas gerações porque, além de ter convivido com elas durante quase toda a minha vida, entendo que nos mais jovens se encontra a possibilidade de lançar os alicerces de projectos que gostaríamos que se realizassem no tempo. Afinal são eles que cá estarão num futuro próximo.

Muitos pensam que não vale a pena apostar nos jovens porque estes não se interessam senão com as coisas que os divertem. Com o devido respeito, permitam-me afirmar que não há nada mais errado do que pensar assim. Nas novas gerações há certamente atitudes de desvario que merecem ser censuradas. Ninguém de bom e perfeito juízo será capaz de negar tal evidência. Mas, provavelmente, foi assim em todos os tempos. Eu, por lidar desde há muito com o conhecimento do passado, fui descobrindo os problemas que existiram noutros tempos e verificando que, quanto mais recuamos no tempo, maiores eram os problemas e menores eram os recursos para os resolver.

Vivemos hoje numa sociedade de informação. Tudo que aconteça, em qualquer parte do mundo, chega rapidamente ao nosso conhecimento. E o volume desses factos que diariamente até nós chegam é de tal ordem que chega a assustar-nos.

Os jovens de hoje já nasceram num mundo diferente. A informação faz parte integrante do seu modo de viver. E, se há jovens que se perdem nos descaminhos da vida, isso também acontecia em tempos passados, com a agravante de que os nossos pais e avós não tiveram tantas oportunidades como aquelas que estão a ser dadas aos nossos filhos e netos.

A grande maioria dos que nasceram em Campo Maior no tempo dos pais e dos avós da minha geração, tiveram apenas como oportunidade de vida, sem alternativa nem escolha, arrastarem-se numa vida de esforçado trabalho nos campos, com muito pouco conforto e com a presença constante de carências que hoje nem conseguimos imaginar.

Por mais que os problemas nos atormentem, mantenhamos a confiança num futuro melhor e na capacidade das novas gerações que irão construir as condições de vida no futuro que eles próprios irão construir. O caminho natural da vida é o progresso, ainda que por vezes as coisas desandem de tal maneira que até nos possa parecer que estamos a regredir.

Esta convicção não me vem de uma natureza optimista mas da convicção que retiro do estudo que tenho feito acerca da evolução das sociedades humanas ao longo do tempo. Mesmo os períodos de profunda crise como o que estamos a atravessar são, na maior parte dos casos, fases de transição em que se dão os ajustamentos necessários para resolver os problemas levantados por erros que se foram acumulando e que é necessário corrigir. Mesmo que nos pareça que o mundo “via desabar sobre as nossas cabeças”, convém manter sempre a esperança numa melhoria do tempo que está para vir. Os que se consomem a pensar que o “mundo está perdido” acabam por se condenar a não aproveitarem o que de bom a vida tem para nos dar. Penso assim não por infundado optimismo mas porque procuro desenvolver um pensamento crítico acerca da vida. Pensar criticamente é pensar com optimismo. A melhor forma de encarar o futuro é não querermos que ele seja uma estagnação e uma repetição do passado. Só acreditando que a mudança se dá no sentido do progresso podemos contribuir para a criação de um futuro melhor. O optimismo é uma forma crítica e inteligente de entender o caminho da humanidade.


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publicado por Francisco Galego às 09:00
Terça-feira, 16 de Março de 2010

Fui um dos muitos que tiveram de partir à procura de oportunidades que, naquele tempo, não existiam em Campo Maior. A consequência, não prevista nem desejada pelo jovem que daqui partiu com cerca de treze anos, foi a de a maior parte da minha vida ter decorrido por outras terras onde o destino e a profissão me levaram ao longo de meio século.

Afastado geográfica mas não afectivamente, pois sempre mantive laços com a terra que foi o espaço da minha infância e de parte minha adolescência, voltei vai para cinco anos. Encontrei mudanças que me chocaram. Atitudes e comportamentos que me surpreenderam. Deixei que o tempo me mostrasse causas e razões. Formulei explicações, fui elaborando juízos de valor e alicerçando opiniões. Fiz escolhas tentando encontrar o que melhor garantisse que seria feito o que me parecia ser mais necessário.

E aqui estou expectante de que esta terra possa voltar a conceber e a desenvolver projectos que lhe possibilitem um futuro melhor do que o passado recente que foi o seu viver nas últimas duas décadas da sua existência. Às vezes desespero e chego a pensar que as perspectivas de mudança são tão ténues e tão demoradas que talvez uma real mudança nem chegue a acontecer. Para me convencer a mim próprio, procuro razões para acreditar que poderá haver um futuro mais risonho para esta terra. Bastaria que fosse possível vencer esta acomodação em que se caiu.

Estou consciente das dificuldades que se nos deparam. Não tenho, como é evidente a capacidade mágica de apontar soluções infalíveis para resolver o problema. Mas creio que a aposta em projectos de qualidade é sempre o meio mais seguro para encontrar o caminho para essas soluções.

Sei também que será praticamente impossível mudar os hábitos culturais das gerações mais idosas. Por isso entendo que poderá haver grande vantagem em apostar em projectos virados para as gerações mais jovens. Desejo sobretudo que, havendo verdadeiro empenho e autêntica vontade de desenvolver projectos bem estruturados, haverá a possibilidade de derrotar a acomodação, a lassidão e o marasmo que vai sufocando lenta mas inexoravelmente a vida local.

 

 


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publicado por Francisco Galego às 18:28
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Francis Bacon viveu em Londres entre 1561 e 1626. Importante filósofo e cientista, critico implacável do pensamento escolástico dominante na Idade Média, fundou a corrente de pensamento que ficou conhecida como o “empirismo inglês”. Elaborou uma teoria acerca da indução científica que o torna um dos criadores do pensamento científico moderno. Foi também um político influente com uma brilhante carreira como parlamentar e como chanceler no tempo em que na Inglaterra reinava Isabel I e em que Portugal, sob o domínio da Espanha era governado pelos “Filipes”.

Dele encontrei num dos jornais da semana que agora termina esta frase carregada de profunda compreensão das coisas: Só se pode vencer a natureza obedecendo-lhe

Com isto queria o brilhante pensador significar algo que muitos dos que, vivendo hoje, quase quinhentos anos depois, em pleno século XXI, teimam em não querer discernir: só pela compreensão sistemática das coisas da natureza conseguimos evitar que ela se volte contra nós, com a violência extrema que manifesta, quando contrariada pela teimosa ignorância dos humanos, como agora aconteceu na tragédia provocada pelas fortes chuvas que caíram na Madeira.

A arrogância dos homens é quase sempre directamente proporcional à sua ignorância. Depois, acabam sempre por sofrer as terríveis consequências.

Dizia Camões, poeta filosofante: Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades. Verdade absoluta porque incontestável. No entanto, há uma coisa no mundo que parece mudar tão pouco que, às vezes, se torna exasperante: como teima em manter-se tão agarrado a preconceitos tolos e infundados o comportamento de certos humanos!


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publicado por Francisco Galego às 17:47
Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

                                                                                             

O jornal de hoje traz uma frase que encerra o seguinte pensamento:

Que ideia a de que no Carnaval as pessoas se mascaram.

No Carnaval desmascaram-se.

Vergílio Ferreira (1916-1996)

 

Parecerá estranha semelhante afirmação. Mas quem o conheceu, não como escritor, mas como pessoa, facilmente entenderá o que ele pretendia significar. O sorumbático mas amável professor que conheci no liceu de Évora, era bastante céptico sobre as reais intenções da maioria das pessoas com quem tinha de conviver no quotidiano da sua vida. Lembro-me da ironia mordaz que usava para comentar os apatetados ditos e comportamentos que ousávamos exibir na sua presença. A disciplina nas suas aulas impunha-se sem gritos nem alaridos. Ele conseguia impor-nos silêncio com o peso do silêncio com que nos intimidava. Nunca sobrepunha a sua voz ao nosso alarido. Olhava-nos em silêncio e nós acabávamos por serenar. Seguia-se então a aula que, sem que quase nos apercebêssemos disso, se tornava importante a ponto de a seguirmos com gosto.

Tentando hoje perceber o sentido desta frase, apercebo-me de que, como pessoa, Vergílio Ferreira procurava acima de tudo parecer aquilo que era e ser aquilo que parecia. Daí a dimensão de autenticidade que a sua imagem projectava naqueles que com ele privavam. Ao contrário de quase todos os outros que afivelam a máscara do que pretendiam parecer, ele era aquilo que parecia e assumia plenamente, com toda a naturalidade, aquilo parecia ser.

Por isso, o Carnaval que é um período de licença para comportamentos não sujeitos, nem a repressões, nem censuras, serve para que alguns possam tentar parecer aquilo que no fundo gostariam de ser, ou seja, para tirarem em público a máscara com que disfarçam a sua real natureza, ou com que escondem a patetice do seu verdadeiro estado de alma.

Vergílio Ferreira tinha um filho da minha idade, meu colega de turma. Éramos vizinhos: a casa onde eu me hospedava ficava a escassos metros da rua onde moravam. Durante bastante tempo, fomos inseparáveis. Chamava-me parceiro, esse companheiro de adolescência que perdi de vista, como muitos outros, ao longo da vida. Não era filho biológico, pois que, como ele e eu acidentalmente descobrimos, era filho de um casamento anterior de sua mãe, Regina, nossa professora de Desenho.

Por um erro ou descuido que ainda hoje não sei explicar, tinham-no mantido na ignorância desse facto até aos catorze anos de idade. Não lhe fez nada bem esse segredo, como vim a saber anos mais tarde. Todos nós falhamos. Aqui está a prova de como o homem que nunca aceitou afivelar máscaras, para nunca ter vontade de se desmascarar, consentiu, em coisa de tamanha importância e que depois teve tão pesadas consequências, parecer ser aquilo que depois se verificou que, efectivamente, nunca deveria ter fingido ser.

 


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publicado por Francisco Galego às 15:52
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Pirro, foi um rei do Épiro, país que se situava a norte da Grécia, junto ao mar Adriático. Viveu entre 318 e 272 a.C. Nasceu, no ambiente conturbado que se vivia naquela região depois da morte de Alexandre Magno e da desagregação do imenso império que ele tinha conquistado na parte oriental do Mediterrâneo.

Pirro subiu ao trono com apenas 12 anos. Foi destronado e conseguiu depois reconquistar o poder. Aos 20 anos era já uma figura lendária, tantas eram as situações porque passara e tantos eram os conflitos em que tinha participado.

Tendo recebido uma excelente preparação militar, dera provas de grande bravura e de capacidade como estratego nos muitos combates que travara. Táctico de génio, era, contudo, medíocre como político. Faltou-lhe o sentido do concreto e não teve capacidade para avaliar a força real de que dispunha. Por isso, sonhou chegar muito além do que realmente podia almejar.

Tomava como modelo Alexandre Magno que unificara o Oriente até ao Indo e aos confins do Egipto. Concebeu para si o projecto de se tornar o grande unificador do Ocidente.

Em cumprimento dos seus planos megalómanos, depois de vários êxitos militares na sua região, acudiu ao pedido de auxílio das cidades gregas do sul da Itália, que lhe pediam ajuda contra os romanos que estavam em plena fase de expansão.

Atravessou o Adriático com os seus exércitos de 25 mil homens e 20 elefantes. Travou duas importantes batalhas contra os romanos: a de Heracleia, em 280 a. C., e a de Ausculum (Ascoli), em 279. C.

A decisão destes recontros pareceu ter sido favorável ao exército de Pirro. Mas, tinha sofrido baixas tão grandes que, estando tão longe da sua terra, dificilmente poderia receber reforços. Conta-se que, num momento de lucidez em que estava a ser cumprimentado pela vitória, Pirro terá comentado: “Pois! … Mais uma vitória como estas e estarei completamente vencido”.

Verdade seja que, a partir daí, Pirro não mais conheceu a vitória. Depois de uma tremenda derrota, em 275 a.C., na Batalha Meleventum, Pirro ficou reduzido a 1/3 do seu exército. Teve de retirar para o Épiro onde morreu em 272 a.C. (Os romanos mudaram o nome desta batalha para Beneventum, tal como os portugueses, muitos séculos depois, mudaram o nome de Cabo das Tormentas para Cabo da Boa Esperança). Esta situação histórica pareceu sempre tão paradigmática que até hoje se diz que houve uma “vitória à Pirro”, sempre que as consequências que dessa vitória resultam são tão nefastas que mais valia que ela não tivesse acontecido.

 

A que propósito vem esta história?

A propósito da minha profunda convicção de que o conhecimento da História pode ser muito útil para melhor fundamentarmos as decisões que temos de tomar ao longo da nossa vida. Neste sentido, podemos usar a História como uma autêntica mestra de vida.

Mas vem, sobretudo, a propósito da tendência, que os homens, tanto individualmente como associados em grupos ou em instituições, têm para se envolverem em situações e projectos sem avaliarem bem as consequências que daí podem advir.

Chega às vezes a ser dolorosa a constatação de como, com tanto esforço, tanto empenho e tanta determinação, se está de facto a caminhar no sentido que menos conviria ter seguido. Mais doloroso ainda é assistir à celebração de vitórias que se pode desde logo perceber que trazem mais incómodos que vantagens. Ou que as vitórias são apenas aparentes porque, na realidade, os vencedores ficam tão fragilizados que mais valia não se terem desgastado em tão inúteis combates.

De que serve envolvermo-nos em lutas que, se tivéssemos avaliado, com justo critério as circunstâncias, a capacidade e as probabilidades de êxito, teríamos compreendido que não preparavam realmente o êxito que pretendíamos alcançar?

Que sentido faz lutar por causas que, bem analisadas, não trazem efectivamente vantagens reais?

Estamos a viver tempos de pouca ponderação, de muito barulho e muita agitação, sem que se façam prévias e fundamentadas análises das situações.

Porque a verdade é, evidentemente, esta: quem parte para a luta sem uma análise clara das consequências ou age com inconsciência, ou está a ser instrumentalizado por quem quer atingir objectivos que podem realmente não coincidir com os nossos. Uma coisa é certa: muitas vezes só se alcançam “vitórias à Pirro” e estas são, às vezes, de efeitos mais desastrosos que algumas derrotas. Pelo menos, as derrotas, se bem analisadas, sempre servem de lição para não voltarmos a repetir os erros que cometemos.


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publicado por Francisco Galego às 10:51
Quinta-feira, 07 de Janeiro de 2010

 

Findo o período das Festas, a vida retoma a sua normalidade. Será que retoma mesmo? Mas o que é para nós hoje, em Portugal, a normalidade? A continuação do que vinha sendo ao longo de 2009? Ou o regresso ao tempo anterior, um tempo em que a crise ainda não tinha desabado sobre as nossas cabeças?

Convinha muito, mas mesmo muito, que o discurso do presidente Cavaco Silva fosse o início de uma nova atitude dos que desempenham funções políticas. Porque, se atendermos aos comportamentos que tiveram ao longo do ano que terminou, nada de bom nos espera no ano que agora começa.

Se reparamos bem nos últimos acontecimentos e situações da nossa vida política mais recente, acabamos por pensar que (consequência da crise?) todos terão perdido o sentido da realidade e começaram, cada um por seu lado, a desempenhar papéis que não eram os que lhes competia desempenhar. Se não vejamos:

O Presidente da República que devia desempenhar a função de equilibrador, equidistante de todas as forças partidárias, pareceu não ter percebido que, efectivamente, já não era líder de um partido, nem um político no activo na função de primeiro-ministro. Vimo-lo interferir no jogo partidário, conspirando ou fazendo outros conspirar em seu nome ou mando do seu interesse e vontade. Vimo-lo a criticar uns, apoiando implicitamente outros. Vimo-lo calar-se quando devia intervir e esclarecer, falar e opinar quando devia guardar uma atitude discreta.

O primeiro-ministro que, embora tenha ganho as eleições, perdeu a maioria absoluta de apoiantes no parlamento, continuou a agir como se nada tivesse mudado. Assim, a convicção com que antes defendia e tentava justificar os seus pontos de vista e decisões, deu origem a uma obstinada, por vezes arrogante tentativa de impor a sua vontade, quando devia, prudentemente, ter tentado negociar para obter apoios e gerar consensos através de pacientes negociações.

Os partidos da oposição, em geral, passaram a comportar-se como se juntos constituíssem uma maioria efectiva, parecendo perder completamente a noção de que tal não passava de uma aparência conjuntural sem qualquer viabilidade de persistência e que se desmoronaria ao mínimo incidente porque, de facto, é pouco que os une e muito o que os coloca em constante conflito de interesses.

Como aceitar tal destempero e tanta irresponsabilidade, num momento em que o país vive uma fase tão crítica da sua história recente? Porque o que realmente acontece é que, na verdade, estamos a meio de uma grave crise. O desemprego não pára de crescer. A dívida externa atinge valores cada vez mais preocupantes, O défice disparou para níveis dificilmente comportáveis.

O Presidente disse: “Podemos estar a caminhar para uma situação explosiva.” E nós acreditamos, porque é mesmo à beira do abismo que todos nós pensamos que o país se encontra no momento actual.

O navio em que todos vamos embarcados, está no meio de uma desatada tempestade e parece que, em vez de nos unirmos para tentarmos manter o rumo e evitar que o barco adorne de vez e se afunde, entretemo-nos a lutar freneticamente como se não passássemos de uma “nave de loucos”.

Por todas estas razões, o Presidente da República, na sua mensagem de Ano Novo, não se limitou a cumprir a tradição de expressar os habituais votos de saúde, bem-estar e prosperidade para todos os portugueses. Optou por lançar o grito de alerta que esta situação grave, quase desesperada, parece exigir. Ainda bem que o fez. Com ela assumiu aquilo que deve ser a sua função de zelador e garante do equilíbrio institucional, colocando-se numa perspectiva acima dos partidos. Traçou um quadro realista da situação em que vivemos, diagnosticou problemas, alertou para a necessidade de encontrar soluções para podermos ultrapassar o momento crítico que vivemos. Apelou ao bom senso, à boa vontade e ao empenho de todos. Incitou ao entendimento e à negociação, em busca de formas consensuais para enfrentar a crise esquecendo razões, ressentimentos e tensões.

Para garantirmos um futuro para todos nós, precisamos de encontrar objectivos comuns, trabalharmos em conjunto, em favor do país a que todos pertencemos. Se este apelo for entendido e aceite, poderemos ter, de novo, a expectativa de um BOM ANO para todos.

 
 

 


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publicado por Francisco Galego às 09:00
Sexta-feira, 01 de Janeiro de 2010

O dia primeiro? Primeiro de quê?

Para muitos será o dia mais "chato" do ano. Tudo fechado. Nada para fazer.

Há região mega-urbana de Lisboa o hábito de fazer a chamada "volta dos tristes". De facto, querem maior tristeza do que se meter uma família, melancolicamente no seu pequeno e muito usado carro e andar às voltas, sem itinerário e sem destino pelos arredores da grande cidade?

Vai-se a Sintra, come-se uma queijada. Em Colares escorropicha-se um copito. Depois, até à Praia Grandes espreitar o mar. Volta-se pela marginal e acaba-se em Lisboa, a subir a Avenida da Liberdade, depois a da República, direito ao Campo Grande, de regresso a casa no triste bairro onde se reside.

A vida que, já de si é desinteressante, torna-se angustiosamente fastidiosa nestes dias em que, segundo a tradição, nos devemos divertir.

Há, de facto, formas muito desinteressantes de viver!

Ainda bem que a consciência da realidade varia com a capacidade que temos para a compreender. Dizia Schopenhauer, com a simplicidade do seu genial pensamento:

As pessoas comuns pensam apenas como passar o tempo. Uma pessoa inteligente tenta usar o tempo.

Quem tiver a capacidade de entender que analise criticamente o que nela se pretende dizer. Talvez assim decida fazer algo de útil neste dia primeiro.

 

 


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publicado por Francisco Galego às 12:22
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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