Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2013

 

 

Morreu um homem que nos inspira para que, quando nos olhamos no espelho, vejamos, não a cor da nossa pele, ou o reflexo do poder, da fama ou da riqueza que adquirimos, mas apenas a justiça, a força e a pureza dos nossos pensamentos, dos nossos comportamentos e das nossas atitudes.


 

A sua biografia, publicada em 1992, escolheu como título Um Longo Caminho para a Liberdade. Mas a vida de Nelson Mandela foi mais do que esse título expressa. Na verdade, foi um longo caminho, porque longa foi a sua vida: nascido em 1918, faleceu agora com 95 anos de idade.

 

Mas, se queremos expressar com exactidão o significado e o valor da sua vida, melhor será que se diga que foi longo, muito penoso, muito sofrido, mas muito glorioso esse caminho. Porque se tratava, não apenas de lutar para atingir a liberdade pessoal de que o privaram durante grande parte da sua vida. Tratava-se, mais do que isso de libertar o seu povo dessa enorme vergonha que se se chamou apartheid, pelo qual alguns se atribuíam o direito de privar, a grande maioria que eram os outros, dos seus direitos mais elementares, apenas porque eram diferentes pela cor da pele.

 

Mas, a sua luta foi ainda mais gloriosa porque, libertando o seu povo, libertou todos os homens e mulheres que justamente se sentiam oprimidos pela tirania imposta a outros homens e mulheres com base nesse incrível anacronismo a que se dá o nome de racismo.

 

Ainda que desde há muito tivesse havido alguém a proclamar a igualdade essencial de todos os homens, porque todos eram igualmente filhos de Deus, poucos, muito poucos, tiveram ouvidos para ouvir aquilo que claramente fora dito. E, verdade seja dita, continuam a existir ouvidos que se recusam a entender essa tão clara verdade.  

 

 

 

O seu povo, por carinho, tratava-o por Madiba, desprezando o nome Nelson copiado dos brancos e adoçando com ternura o nome Mandela que a sua família africana lhe atribuíra.

 

Este homem fez da sua vida um exemplo de coragem para vencer o medo. E um exemplo  de força, sacrifício e rectidão para conservar a pureza das suas  intenções, apesar de todas as injustiças, perseguições e humilhações.

 

Uma vez libertado e glorificado, repudiou qualquer desejo de vingança adoptando a reconciliação e perdão como vias para atingir os seus objectivos. Em vez de lutar para que apenas os negros se libertassem, fez questão de impor que todos pudessem coabitar sem diferenciação, sem vinganças e sem ressentimentos, num país de tantas e diferentes línguas e de tão variadas raízes étnicas.

 

 Como todos os grandes homens, Nelson Mandela sempre soube que a injustiça não se deve combater com injustiça, porque com ela apenas mudam os injustiçados, mas a injustiça continua a manter-se.



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publicado por Francisco Galego às 14:18
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