Domingo, 06 de Outubro de 2013

Agora que já passaram alguns dias, analisemos com alguma objectividade e distanciação os facto realcionados com as eleições autárquicas em Campo Maior.

A situação que se criou em volta do recente processo eleitoral fez com que, neste concelho, as soluções encontradas tivessem gerado um caso que dificilmente poderá ter pontos de comparação com o que se passou por todo o país.

Nos outros concelhos, apresentaram-se partidos políticos institucionalizados e movimentos de cidadãos que resolveram organizar-se para se apresentarem, fora da tutela de qualquer desses partidos. Essa situação já se tinha verificado aqui, em Campo Maior, noutros actos eleitorais.

Desta vez, talvez por não lhe ter sido possível cumprirem as exigências legalmente estabelecidas, um grupo constituído em volta da figura tutelar de um político local, resolveu colocar-se sob os símbolos de um pequeno partido, de que nunca se tinha sequer ouvido falar, aqui em Campo Maior, para se apresentarem à eleição.

Dito de outro modo: as coisas começaram muito mal. E, como diz o ditado, quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita. A situação que já era por natureza estranha, agravou-se ainda mais porque não havia qualquer afinidade ideológica ou geográfica entre esse partido, a comunidade local e o grupo em questão.

Assim, o partido funcionou como barriga de aluguer para, por inseminação artificial, gerar o resultado desejado por quem o alugou.

Esta solução tão estranha, dificilmente podia funcionar em condições de normalidade e isso mesmo ficou confirmado pelos resultados obtidos. Se não, analise-se o que aconteceu:

  1. Embora se tenham apresentado à eleição quatro partidos e organizações políticas institucionalizadas e localmente reconhecidas (PS; PSD; CDU; BE), apenas uma destas conseguiu votação significativa para ganhar a eleição, tendo as outras ficados reduzidas a pequenas percentagem dos votos expressos;
  2. A segunda organização mais votada foi o grupo que alugou os símbolos dum partido praticamente desconhecido para se apresentar à eleição;
  3. Parece legitimo concluir, que esta eleição se polarizou mais em volta de pessoas do que de ideologias, propostas ou programas;
  4. Parece também lógico pensar que foi muito mais a credibilidade, a simpatia e confiança depositada nessas pessoas que determinou a decisão do eleitorado.

 

Nesta análise baseio a minha convicção de que a eleição para os órgãos autárquicos, aqui em Campo Maior, tem muito pouco a ver com o que se passou, em geral, no resto do país. Veja-se que aqui a vitória obtida pelos que se candidataram pelo PS, é arrasadora, quer quanto ao número de votos recolhidos, quer quanto ao número de eleitos.

Esta diferença tão acentuada, não pode sequer ser comparada com a restrita vitória do mesmo partido, se tomarmos em conta os resultados obtidos em todo o país.

Por isso mesmo, aqui, o cantar vitória e o assumir a derrota, dizem sobretudo respeito aos que polarizaram nas suas pessoas este confronto eleitoral.

 


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publicado por Francisco Galego às 14:56
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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