Domingo, 10 de Novembro de 2013

Da minha rua eu levo,

Flores a São Joãozinho;

Uma p’ra pôr na bandeira,

Outra para o cordeirinho.

 

Há papoilas e há rosas,

Há de tudo o que é bonito;

Para pormos no altar,

De São João Bendito.

 

 

Com verdadeiro carinho,

Com amor firme e profundo;

Fizemos das nossas Festas,

As melhores festas do mundo.

 

Minha rua se vestiu,

De cores dignas de se ver;

E diz-me lá com franqueza,

Se não está linda a valer.

 

Se é mais bela ou menos bela,

Todas o são com certeza;

Importa é ver o esforço,

Desta gente camponesa.



publicado por Francisco Galego às 17:30
Terça-feira, 05 de Novembro de 2013

Amigo do seu amigo,

Povo muito hospitaleiro;

P’ras Festas dá o trabalho,

E também dá o dinheiro.

                                                       

As flores da minha rua,

Alegram-me o coração;

Só por pensar que as fiz,

Com gosto e satisfação.

 

 Com gosto e satisfação,

Fiz flores p’ra minha rua;

Mas olha que a “enramação”

Não é igual à da tua.

 

De beleza sem igual,

São Festas da tradição;

São feitas por este povo,

Que tira da terra o pão.

                                                       

Nesta terra alentejana,

Com suas espigas douradas;

Com gente trabalhadora,

De mãos bem calejadas.

 

De mãos bem calejadas,

Fazendo cravos e rosas;

Para criar um jardim,

Nestas ruas tão formosas.

 

De mãos bem calejadas,

Fazendo cravos e rosas;

Para criar um jardim,

Nestas ruas tão formosas.



publicado por Francisco Galego às 10:51
Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013

Trabalham ricos e pobres,

Sem se fazer excepção;

É digna de apreciar,

Esta bonita união.

 

Por vezes pensando eu,

Digo de mim para mim,

Mas que força tem o povo,

P’ra fazer uma Festa assim.

 

Do mundo já viste tudo,

Do bom até ao melhor;

Mas Festas é que não viste,

Como as de Campo Maior.

 

Com carinho verdadeiro,

Coração e amor profundo;

Fazemos das nossas festas,

As melhores festas do Mundo.

 

As festas da minha terra,

Vou-tas dizer a cantar,

Tantas noites sem dormir,

Muitos dias sem parar.



publicado por Francisco Galego às 10:48
Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013

Quando se pensou nas festas,

Pensei logo em fazer quadras;

Mas desculpem meus senhores,

Se algumas saem erradas.

                                                       

Se algumas saem erradas,

O autor é taberneiro;

Faz quadras, vende vinho,

Assim passa o dia inteiro.

 

Maravilha e perfeição;

Não há festas como estas;

Digo à nova geração:

Não deixem morrer as festas.

 

Raparigas venham ver,

Esta rua tão mimosa;

Enfeitada com verdura,

E com flores cor-de-rosa.

 

Acabámos o trabalho,

Vamos todos p’ra folia;

Vamos ver as outras ruas,

Cantando com alegria.

 

Queremos cantar, ser alegres,

Queremos ter alegria;

Acabada a enramação,

Vamos todos p’ra folia.



publicado por Francisco Galego às 10:42

Por entre flores à janela,

Espreita uma camponesa;

E o forasteiro se espanta,

Ao olhar tanta beleza.

 

Aqui a Campo Maior,

E às suas Festas do Povo;

Vem gente do estrangeiro,

Vem gente do mundo todo.

 

Dizia a minha avozinha,

Com uma grande comoção,

Não deixem morrer as festas,

Mantenham a tradição.

 

Às vezes penso comigo,

E digo de mim p’ra mim,

Mas que força tem o povo,

P’ra fazer festas assim.

                                                       

Camponesa, camponesa,

Eu sou de Campo maior;

Temos as festas mais lindas,

No mundo não há melhor.

 

Vou a fazer umas quadras,

Sempre com frases de novo;

Falando sempre nas festas.

Desta vila e deste povo.

 



publicado por Francisco Galego às 10:40
Domingo, 20 de Outubro de 2013

Campo Maior, terra amada,

De beleza sem igual;

As festas da minha terra

São jardim de Portugal.

 

 

Campo Maior, terra bela,

Terra de trabalhadores;

De dia vão trabalhar,

À noite fazem flores.         

                                                       

Campo Maior tua fama,

Vai para lá das fronteiras;

Tens as festas dos artistas,

E tens boas cantadeiras.

 

Festas de Campo Maior,

Feitas com muito carinho;

Todos dão o seu melhor,

Desde a criança ao velhinho.

 

Minha vila alentejana,

Minha terra camponesa;

Tuas festas têm fama,

De tanto gosto e beleza.

                                                       

Cheguem a Campo Maior,

Ao romper da madrugada;

Venha ver as lindas flores,

Destas mãos abençoadas.

 



publicado por Francisco Galego às 10:38
Terça-feira, 15 de Outubro de 2013

O povo que agora canta,

Jamais cantará de novo,

Se um dia se perderem,

As nossas festas do Povo.

 

Campo Maior terra bela,

A terra dos meus amores,

Que bela és enfeitada,

Toda coberta de flores.

 

As tuas Festas do Povo

São no mundo sem rival,

Com toda a sua beleza

Dão fama a Portugal.

 

Olhem bem p’ra a nossa rua,

Não precisou d’arquitecto;

Vejam bem as nossas flores

Reparem no nosso tecto.

 

Primavera é em Abril

Se das estações me lembro,

Mas vem a Campo Maior

Ver Primavera em Setembro.

 

Festas de Campo Maior

Como elas não há igual,

São as festas mais bonitas

Que já vi em Portugal.

 



publicado por Francisco Galego às 10:35
Quarta-feira, 04 de Setembro de 2013

É nossa convicção que as “saias” que já foram uma forma de manifestação de cultura popular em grande parte das povoações do Alto Alentejo, principalmente no distrito de Portalegre, e que, nos nossos dias, só são cantadas e dançadas com alguma regularidade e intensidade no concelho de Campo Maior, têm aqui subsistido graças ao grande impulso que têm recebido desse grande fenómeno em que se tornaram as Festas do Povo.

Se estas desaparecessem, desapareceria também o “cantar e bailar as saias” de Campo Maior? Só o tempo, esse grande mestre, terá a resposta para esta questão.

Entretanto, façamos aquilo que está ao nosso alcance ser feito: deixemos aqui lavrado para as gerações futuras o que ainda podemos testemunhar como manifestação viva da cultura popular das gentes de Campo Maior.

Neste tempo que é o nosso, o povo de Campo Maior canta assim as suas festas:

 

Numa manhã de Setembro,

A vila acorda mais bela;

E a camponesa sorri,

Debruçada na janela.

 

Durante meses e meses,

Mãos rudes fazem magia;

Transformam papel em flores,

Para nos dar alegria.

 

Vila de Campo Maior,

Terra de grande beleza;

Toda composta de flores,

Pareces uma princesa.

                                                       

O povo que agora canta,

Jamais cantará de novo,

Se um dia se perderem,

As nossas festas do Povo.

 

Campo Maior terra bela,

A terra dos meus amores,

Que bela és enfeitada,

Toda coberta de flores.



publicado por Francisco Galego às 10:00
Sexta-feira, 12 de Julho de 2013

São ruas cheias de flores,

De cravos, botões e rosas;

Todas feitas em papel

De cores esplendorosas.

 

Esta vila camponesa,

Está enfeitada a rigor;

Com lindas flores de papel

Que são poemas d’amor.

 

Povo de Campo Maior,

Como tu não há igual;

Estas tuas lindas festas,

São únicas em Portugal.

 

Cantar toda a gente canta,

Versos toda a gente faz;

Mas de festas como estas,

Ninguém mais é capaz.

 

Nós cá em Campo Maior,

Somos muito hospitaleiros;

Pomos cadeiras à porta,

P’ra sentar os forasteiros.



publicado por Francisco Galego às 10:58
Sexta-feira, 05 de Julho de 2013

Como todos os fenómenos humanos, as Festas de Campo Maior vão de ter de evoluir adaptando-se a novas condições para garantirem a sua sobrevivência. Nota-se, neste tempo que vivemos, uma procura ainda imprecisa de novas soluções. Serão as mais adequadas?

            Do acerto das soluções e dos caminhos que se escolherem dependerá o seu direito a perdurarem ou a sentença da sua extinção. A lei da vida e da história não deixa lugar para as inadaptações.

           

É nosso desejo e nossa fé que haja um futuro ainda mais glorioso para as Festas do Povo de Campo Maior.

           

Campo Maior minha terra,

E terra dos meus amores;

Setembro Festa do Povo,

As ruas cheias de flores.

 

Foi o povo que as fez,

Com suas mãos carinhosas;

Cada rua é um jardim,

De flores maravilhosas.

 

Todos fizeram flores,

Todos cantaram cantigas;

Eram crianças e velhos,

Rapazes e raparigas.

 

Durante noites e noites,

Toda a gente fez as flores;

Sacrificando o descanso,

Esquecendo mágoas e dores.

 

Mas que ruas tão bonitas,

Já não sei qual a melhor;

Nunca mais esquecerás,

Festas de Campo Maior.

 

Mas que ruas tão bonitas,

Que flores maravilhosas!

São tantas, tantas as ruas,

Qual delas a mais formosa.

 

Novos velhos e crianças,

Numa labuta sem fim;

Transformaram estas ruas,

Num verdadeiro jardim.

 

 



publicado por Francisco Galego às 10:47
Sexta-feira, 21 de Junho de 2013

AS FESTAS DO POVO

 

As Festas de Campo Maior adquiriram desde cedo uma certa pujança a nível regional. Esse facto deve-se à grandiosidade de uma festa que consistia em ornamentar as ruas de toda uma povoação ou, pelo menos da maior parte das suas ruas, usando formas elaboradas de decoração e de iluminação recorrendo a vegetação natural e a um material de grande efeito decorativo, o papel, utilizado para fazer balões, franjas, lenços, cadeados e bandeirolas.

Mas, as festas, porque exigiam um considerável esforço e investimento à população local, só se podiam fazer quando a população dispunha de condições económicas favoráveis. Dependiam da produção dos anos agrícolas. Também dependiam das actividades de contrabando pois não poderiam ser alheias à sua localização de fronteira e a facilidade com que essas actividades se desenvolviam nesta região. Tratando-se de uma prática ilícita, ela pesava fortemente na economia local por ser muito lucrativa. Todas as oscilações que se verificavam, quer na parte de Portugal, quer na parte de Espanha, afectavam de uma maneira ou de outra a comunidade campomaiorense. Algumas das interrupções das festas são explicáveis por essas oscilações.

 

Trabalham ricos e pobres,

Sem se fazer excepção;

É digna de apreciar,

Esta bonita união.

 

Por vezes pensando eu,

Digo de mim para mim,

Mas que força tem o povo,

P’ra fazer uma Festa assim.[1]

 

Do mundo já viste tudo,

Do bom até ao melhor;

Mas Festas é que não viste,

Como as de Campo Maior.

 

Com carinho verdadeiro,

Coração e amor profundo;

Fazemos das nossas festas,

As melhores festas do Mundo.[2]



[1] Do Programa das Festas de, 1985

[2] Idem, 1989



publicado por Francisco Galego às 15:10
Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

 AS FESTAS DO POVO

 

 

Em Campo Maior costuma dizer-se que as festas se fazem quando o povo quer. Mais adequado seria dizer-se que as festas se faziam quando existiam condições para que o povo as pudesse fazer.

Muitos julgam que as festas tiveram sempre este modelo de ornamentação de ruas que agora as caracteriza. Nada mais longe da realidade. As festas começaram de forma muito modesta. No início não se distinguiam das festas que se realizavam em muitas outras localidades. Havia o hábito no Alentejo de decorar e refrescar o ambiente nos dias de festa decorando os espaços públicos com ramos, sobretudo os espaços onde decorriam as actividades festivas. Daí a designação de “enramação” para o acto de decorar as ruas e largos, recorrendo a ramos de murta, de buxo e de rosmaninho e, devido à falta de sistemas eficazes ou inexistentes de iluminação pública, as populações utilizavam os seus próprios recursos e criatividade para vencer as trevas da noite em dias de festa, com pequenas lamparinas de azeite ou anteparos de papel para proteger as velas do vento. Daí foi nascendo o hábito de enfeitar as ruas.

Em Campo Maior, começou-se pelo costume de cada um enfeitar a parte da rua fronteira à sua casa e de decorar e expor as partes da habitação viradas ao exterior, apresentando-as assim à vista de quem se passeava pelas ruas nos dias de festa.

Esta atitude que no começo era de iniciativa particular, foi dando origem a uma colaboração cada vez mais intensificada entre aos vizinhos de cada rua, até que os projectos pessoais deram origem ao projecto comunitário.

 

 

Maravilha e perfeição;

Não há festas como estas;

Digo à nova geração:

Não deixem morrer as festas.

 

Raparigas venham ver,

Esta rua tão mimosa;

Enfeitada com verdura,

E com flores cor-de-rosa.

 

Acabámos o trabalho,

Vamos todos p’ra folia;

Vamos ver as outras ruas,

Cantando com alegria.

 

Queremos cantar, ser alegres,

Queremos ter alegria;

Acabada a enramação,

Vamos todos p’ra folia.



publicado por Francisco Galego às 14:51
Sexta-feira, 07 de Junho de 2013

AS FESTAS DO POVO


As Festas de Campo Maior adquiriram desde cedo uma certa pujança a nível regional. Esse facto deve-se à grandiosidade de uma festa que consistia em ornamentar as ruas de toda uma povoação ou, pelo menos da maior parte das suas ruas, usando formas elaboradas de decoração e de iluminação recorrendo a vegetação natural e a um material de grande efeito decorativo, o papel, utilizado para fazer balões, franjas, lenços, cadeados e bandeirolas.

Mas, as festas, porque exigiam um considerável esforço e investimento à população local, só se podiam fazer quando a população dispunha de condições económicas favoráveis. Dependiam da produção dos anos agrícolas. Também dependiam das actividades de contrabando pois não poderiam ser alheias à sua localização de fronteira e a facilidade com que essas actividades se desenvolviam nesta região. Tratando-se de uma prática ilícita, ela pesava fortemente na economia local por ser muito lucrativa. Todas as oscilações que se verificavam, quer na parte de Portugal, quer na parte de Espanha, afectavam de uma maneira ou de outra a comunidade campomaiorense. Algumas das interrupções das festas são explicáveis por essas oscilações.

 

Camponesa, camponesa,

Eu sou de Campo maior;

Temos as festas mais lindas,

No mundo não há melhor.

 

Vou a fazer umas quadras,

Sempre com frases de novo;

Falando sempre nas festas.

Desta vila e deste povo.

 

Quando se pensou nas festas,

Pensei logo em fazer quadras;

Mas desculpem meus senhores,

Se algumas saem erradas.

                                                       

Se algumas saem erradas,

O autor é taberneiro;

Faz quadras, vende vinho,

Assim passa o dia inteiro.



publicado por Francisco Galego às 12:20
Sexta-feira, 31 de Maio de 2013

AS FESTAS DO POVO


Em Campo Maior, começou-se pelo costume de cada um enfeitar a parte da rua fronteira à sua casa e de decorar e expor as partes da habitação viradas ao exterior, apresentando-as assim à vista de quem se passeava pelas ruas nos dias de festa.

Esta atitude que no começo era de iniciativa particular, foi dando origem a uma colaboração cada vez mais intensificada entre aos vizinhos de cada rua, até que os projectos pessoais deram origem ao projecto comunitário.


Por entre flores à janela,

Espreita uma camponesa;

E o forasteiro se espanta,

Ao olhar tanta beleza.

 

Aqui a Campo Maior,

E às suas Festas do Povo;

Vem gente do estrangeiro,

Vem gente do mundo todo.

 

Dizia a minha avozinha,

Com uma grande comoção,

Não deixem morrer as festas,

Mantenham a tradição.

 

Às vezes penso comigo,

E digo de mim p’ra mim,

Mas que força tem o povo,

P’ra fazer festas assim.




publicado por Francisco Galego às 12:18
Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

 As Festas em honra de São  Baptista, tornaram-se Festas dos Artistas

 

Em Campo Maior, começou-se pelo costume de cada um enfeitar a parte da rua fronteira à sua casa e de decorar e expor as partes da habitação viradas ao exterior, apresentando-as assim à vista de quem se passeava pelas ruas nos dias de festa.

Esta atitude que no começo era de iniciativa particular, foi dando origem a uma colaboração cada vez mais intensificada entre aos vizinhos de cada rua, até que os projectos pessoais deram origem ao projecto comunitário.

 

Campo Maior tua fama,

Vai para lá das fronteiras;

Tens as festas dos artistas,

E tens boas cantadeiras.

 

Festas de Campo Maior,

Feitas com muito carinho;

Todos dão o seu melhor,

Desde a criança ao velhinho.

 

Minha vila alentejana,

Minha terra camponesa;

Tuas festas têm fama,

De tanto gosto e beleza.

                                                       

Cheguem a Campo Maior,

Ao romper da madrugada;

Venha ver as lindas flores,

Destas mãos abençoadas.

 



publicado por Francisco Galego às 12:15
Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

As Festas em honra de São  Baptista, tornaram-se Festas dos Artistas


Em Campo Maior costuma dizer-se que as festas se fazem quando o povo quer. Mais adequado seria dizer-se que as festas se faziam quando existiam condições para que o povo as pudesse fazer.

Muitos julgam que as festas tiveram sempre este modelo de ornamentação de ruas que agora as caracteriza. Nada mais longe da realidade. As festas começaram de forma muito modesta. No início não se distinguiam das festas que se realizavam em muitas outras localidades. Havia o hábito no Alentejo de decorar e refrescar o ambiente nos dias de festa decorando os espaços públicos com ramos, sobretudo os espaços onde decorriam as actividades festivas. Daí a designação de “enramação” para o acto de decorar as ruas e largos, recorrendo a ramos de murta, de buxo e de rosmaninho e, devido à falta de sistemas eficazes ou inexistentes de iluminação pública, as populações utilizavam os seus próprios recursos e criatividade para vencer as trevas da noite em dias de festa, com pequenas lamparinas de azeite ou anteparos de papel para proteger as velas do vento. Daí foi nascendo o hábito de enfeitar as ruas.


Primavera é em Abril

Se das estações me lembro,

Mas vem a Campo Maior

Ver Primavera em Setembro.

 

Festas de Campo Maior

Como elas não há igual,

São as festas mais bonitas

Que já vi em Portugal.

 

Campo Maior, terra amada,

De beleza sem igual;

As festas da minha terra

São jardim de Portugal.

 

 

Campo Maior, terra bela,

Terra de trabalhadores;

De dia vão trabalhar,

À noite fazem flores.         




publicado por Francisco Galego às 12:09
Sexta-feira, 03 de Maio de 2013

As Festas em Honra de São  Baptista, tornaram-se Festas dos Artistas


Em 1893, um grupo de jovens ligados às actividades de comércio e aos ofícios artesanais de loja aberta, resolveram reatar a tradição de fazerem as Festas em Honra de São João que tinham deixado de se fazer havia cerca de quarenta anos, ou seja, desde meados do século XIX.

Desde logo, traçaram o projecto de ornamentação das ruas e da sua iluminação nocturna, ao mesmo tempo que elaboravam um programa do qual se destacavam as festas de igreja com missa solene e procissão, as arvoradas e os concertos pelas bandas locais ou as convidadas de terras vizinhas, as touradas à vara larga, os bailes, os descantes populares e o fogo de artifício.

            Embora se tratasse de reatar as festas antigas, a festa foi mudada de 28 de Outubro para início de Setembro, parecendo que o motivo desta mudança se poderá justificar por diversos factores, entre os quais terão maior peso, as incertezas do clima atreito a ventanias e trovoadas nos finais de Outubro e porque as actividades do campo, nomeadamente as vindimas, actividade agrícola que nesse tempo tinha grande importância em Campo Maior e se desenvolvia a partir de meados de Setembro.

            Organizadas pelos estratos da população que não estavam ligados ao trabalho agrícola, as festas, desde o seu início, foram designadas pelo povo como as Festas dos Artistas. Mas o seu nome oficial, aquele por que eram designadas nos programas e nos artigos e notícias dos jornais era o de Festas em Honra de São João Baptista.


O povo que agora canta,

Jamais cantará de novo,

Se um dia se perderem,

As nossas festas do Povo.

 

Campo Maior terra bela,

A terra dos meus amores,

Que bela és enfeitada,

Toda coberta de flores.

 

As tuas Festas do Povo

São no mundo sem rival,

Com toda a sua beleza

Dão fama a Portugal.

 

Olhem bem p’ra a nossa rua,

Não precisou d’arquitecto;

Vejam bem as nossas flores

Reparem no nosso tecto.

 




publicado por Francisco Galego às 12:07
Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Fantasias e realidades sobre as origens das “Festas do Povo"

 

Na data de 28 de Setembro, celebrava-se o fim do Sítio de Campo Maior de 1712, em que a vila estivera na eminência de se render, por falta de condições para continuar a resistir ao terrível poder de fogo dos invasores. A maneira como as tropas sitiantes tinham retirado quando a vila já estava praticamente vencida, foi considerada um milagre atribuído à divina intervenção, por interferência de São João Baptista, Patrono e Protector de Campo Maior. Daí que o dia ficasse assinalado como feriado municipal e se decidisse que, nesse dia, se fizessem festejos em honra do Santo Precursor de Jesus Cristo.

Aqui está a explicação de se fazerem festas em honra de São João, em dia de São Simão, tanto mais que, em Campo Maior, desde tempos imemoriais, também se comemorava o São João, do dia 23 para 24 de Junho que, no calendário litúrgico lhe é consagrado, com arraial no sítio de São Joãozinho, no recinto onde existe uma capela assinalando o local onde o santo aparecera a um habitante de Campo Maior, no distante século XVI, quando terminava o reinado de D. Manuel e começava o de D. João III, o Piedoso.

 

 

São ruas cheias de flores,

De cravos, botões e rosas;

Todas feitas em papel

De cores esplendorosas.

 

Esta vila camponesa,

Está enfeitada a rigor;

Com lindas flores de papel

Que são poemas d’amor.

 

Povo de Campo Maior,

Como tu não há igual;

Estas tuas lindas festas,

São únicas em Portugal.

 

Cantar toda a gente canta,

Versos toda a gente faz;

Mas de festas como estas,

Ninguém mais é capaz.



publicado por Francisco Galego às 10:05
Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Fantasias e realidades sobre as origens das “Festas do Povo"

 

Estas festas de Setembro começaram a fazer-se no ano de 1893. Eram designadas como Festas em Honra de São João Baptista, porque consistiam no reatar de uma tradição que vinha de tempos antigos. Antes havia o costume institucionalizado de se fazer uma missa solene e uma procissão em 28 de Outubro, em honra de São João Baptista, na qual participavam as autoridades municipais que assumiam a organização e despesas de uma festa com iluminação nocturna das ruas, decoradas com ramos para que passasse a procissão com a imagem do Santo Padroeiro de Campo Maior.

Foi, portanto, em volta do culto de São João Baptista que se constituiu essa antiga tradição que consistia na realização de uma festa no dia 28 de Outubro, apesar do calendário litúrgico consagrar esta data a um outro santo – São Simão.

 

Durante noites e noites,

Toda a gente fez as flores;

Sacrificando o descanso,

Esquecendo mágoas e dores.

 

Mas que ruas tão bonitas,

Já não sei qual a melhor;

Nunca mais esquecerás,

Festas de Campo Maior.

 

Mas que ruas tão bonitas,

Que flores maravilhosas!

São tantas, tantas as ruas,

Qual delas a mais formosa.

 

Novos velhos e crianças,

Numa labuta sem fim;

Transformaram estas ruas,

Num verdadeiro jardim.



publicado por Francisco Galego às 09:59
Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

 

Fantasias e realidades sobre as origens das “festas do povo”

 

As Festas do Povo de Campo Maior têm sido explicadas de muitas maneiras e sempre de modo mais ou menos fantasiado. Segundo alguns, teriam nascido numa determinada rua, a Rua Nova, e ligadas à actividade dum determinado grupo – o dos contrabandistas. Trata-se duma explicação muito interessante, porque muito romântica, mas que não tem o mínimo fundamento de verdade.

Nenhum documento ou facto conhecido, pode confirmar semelhante afirmação. É certo que o contrabando foi sempre uma actividade importante em Campo Maior, como é natural numa terra de fronteira. Mas é também um facto comprovado que os contrabandistas, em anos em que os negócios lhes calhavam mais a jeito, tinham por hábito festejar organizando um desfile e um arraial em honra de São Joãozinho que tomavam como protector e padroeiro das suas arriscadas actividades. Mas estas festas faziam-se em Junho no dia de São João e nada tinham a ver com as outras festas que, a partir dos finais do século XIX, se começaram a realizar, primeiramente, em Outubro, depois, em Setembro.

 

Nós cá em Campo Maior,

Somos muito hospitaleiros;

Pomos cadeiras à porta,

P’ra sentar os forasteiros.

 

Numa manhã de Setembro,

A vila acorda mais bela;

E a camponesa sorri,

Debruçada na janela. 

 

Durante meses e meses,

Mãos rudes fazem magia;

Transformam papel em flores,

Para nos dar alegria.

 

Vila de Campo Maior,

Terra de grande beleza;

Toda composta de flores,

Pareces uma princesa.



publicado por Francisco Galego às 09:53
Sexta-feira, 05 de Abril de 2013

Fantasias e realidades sobre as origens das “Festas do Povo”


Não é fácil demarcar com rigor a data de começo das Festas do Povo de Campo Maior. Como para quase todos as realizações levadas a cabo colectivamente pelo povo, estas festas tiveram a sua génese ao longo de um período largo de tempo. As manifestações de cultura popular deixam poucos testemunhos escritos, tornando-se, quase sempre, muito difícil reconstituir a maneira como nasceram e como foram evoluindo.

Mas o povo, quando não sabe inventa. Não por má fé ou censurável intenção, mas porque é próprio do homem buscar explicação para as coisas que lhe despertam interesse ou curiosidade.

 

Nunca vi ruas assim,

Mas quem seria o pintor?

Foi o povo que as pintou

Com carinho e com amor.

                                                       

Campo Maior minha terra,

E terra dos meus amores;

Setembro Festa do Povo,

As ruas cheias de flores.

 

Foi o povo que as fez,

Com suas mãos carinhosas;

Cada rua é um jardim,

De flores maravilhosas.

 

Todos fizeram flores,

Todos cantaram cantigas;

Eram crianças e velhos,

Rapazes e raparigas.




publicado por Francisco Galego às 09:48
Sexta-feira, 29 de Março de 2013

As  “saias” e as Festas do Povo de Campo Maior:



As “saias” que nasceram como expressão cultural dos homens e mulheres que faziam do trabalho nos campos a sua principal actividade, começaram por reflectir um modo de vida essencialmente rural. A população camponesa cantava enquanto trabalhava nas tarefas agrícolas que, antes da mecanização da agricultura, eram desempenhadas pela mão-de-obra local. Ora, nas grandes propriedades, tornava-se necessário o recurso a grandes ranchos de homens, mulheres e crianças. O trabalho fazia o lugar da escola preparando, desde muito jovens, os que estavam fatalmente condenados a fazer do trabalho nos campos o seu modo de vida. Cantar ajudava a passar o tempo e tornava mais fácil suportar o esforço dispendido. Cantava-se o quotidiano da vida nos campos e cantavam-se os amores e os desencantos duma gente que, de Verão ou de Inverno, tinha de suportar esforços consideráveis para angariar o seu magro sustento.

Hoje, o modo de viver das gentes de Campo Maior está completamente mudado. Natural será, portanto, que as “saias” que hoje se cantam tenham outros temas, reflectindo outras situações e outras preocupações. Sendo as “Festas do Povo” uma realização colectiva tão importante, tornaram-se o tema predominante do modo tradicional de cantar nesta comunidade raiana.


 

Venham a Campo Maior,

Ver o mais lindo jardim;

Tenho corrido mil terras,

Nunca vi ruas assim.

 

Nunca vi ruas assim,

Mas quem seria o pintor?

Foi o povo que as pintou

Com carinho e com amor.

                                                       

Campo Maior minha terra,

E terra dos meus amores;

Setembro Festa do Povo,

As ruas cheias de flores.

 

Foi o povo que as fez,

Com suas mãos carinhosas;

Cada rua é um jardim,

De flores maravilhosas.

 

Todos fizeram flores,

Todos cantaram cantigas;

Eram crianças e velhos,

Rapazes e raparigas.



publicado por Francisco Galego às 09:42
Sexta-feira, 22 de Março de 2013

As  “saias” e as Festas do Povo de Campo Maior:


A Festas do Povo são actualmente o tema mais glosado pelas quadras do “cantar as saias”. Há razões para se pensar que a sobrevivência e grande vitalidade das “saias” em Campo Maior, se explique fundamentalmente por essa grande manifestação da cultura campomaiorense que são as suas festas. Nas festas, o povo de Campo Maior, agora todo o povo, sem distinções sociais a dividi-lo, canta e danças as “saias”, nas ruas e nos largos, relembrando velhas quadras, inventando “modas novas”, dando vida a esta tão antiga tradição.

Ora, se têm sido as Festas o facto que mais tem contribuído para a preservação das “saias” em Campo Maior, então as saias correm o risco de irem sendo relegadas para o campo da memória onde se enterram todas as coisas que vão caindo em desuso. Porque, as Festas do Povo atingiram um tal plano de grandeza, em termos de investimento e de realização que, se os apoios de que puderam dispor nas suas últimas realizações falharem, correrão, provavelmente, o risco de caírem num progressivo esquecimento.

Esta foi talvez a mais forte razão para a decisão de levar a efeito esta investigação sobre as “saias” que, ainda, se cantam e se dançam na vila de Campo Maior.

 

Nunca vi ruas assim,

Mas quem seria o pintor?

Foi o povo que as pintou

Com carinho e com amor.

                                                       

Campo Maior minha terra,

E terra dos meus amores;

Setembro Festa do Povo,

As ruas cheias de flores.

 

Foi o povo que as fez,

Com suas mãos carinhosas;

Cada rua é um jardim,

De flores maravilhosas.

 

Todos fizeram flores,

Todos cantaram cantigas;

Eram crianças e velhos,

Rapazes e raparigas.




publicado por Francisco Galego às 09:29
Sexta-feira, 15 de Março de 2013

As  “saias” e as festas do povo de Campo Maior:

 

 

As Festas do Povo alcançaram nas últimas duas décadas tal esplendor e notabilidade, que a sua fama ultrapassou fronteiras, levando o nome de Campo Maior às mais longínquas regiões.

Naturalmente, as festas tornaram-se motivo de grande orgulho para todos os campomaiorenses: os que habitam na vila e os que estão disseminados pelo vasto mundo. Aliás, esta espantosa manifestação cultural constitui, não apenas pólo de atracção massiva de forasteiros das mais inesperadas proveniências, mas funciona principalmente como pretexto para a grande reunião dos campomaiorenses, porque, por muito afastados que estejam, quase todos se esforçam por estar presentes quando as festas se realizam.

 

Venham ver as nossas festas,

Festas de grande valor;

Ficam no Alto Alentejo,

Vila de Campo Maior.

 

Vem, amigo forasteiro,

Venham ver as nossas festas;

De norte a sul do país,

Não há outras como estas.

 

Se vens às Festas do Povo,

Leva contigo uma flor;

Que este povo habilidoso,

Fez com carinho e amor.

 

Venham a Campo Maior,

Ver o mais lindo jardim;

Tenho corrido mil terras,

Nunca vi ruas assim.



publicado por Francisco Galego às 09:13
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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