Terça-feira, 13 de Março de 2007
Campo Maior, praça de guerra até meados do século XIX, foi com Ouguela, Elvas, Juromenha e Olivença, uma das principais defesas do corredor do Xévora-Caia, por onde se fizeram as maiores tentativas de invasão do nosso território a partir do país vizinho.
A sua função militar determinou fortemente o crescimento do casco urbano da vila. Confinada no cerco das muralhas, viu, durante séculos, limitado o seu crescimento e, mesmo, definido o tipo de utilização dos seus campos, uma vez que, por razões de estratégia militar, as terras que rodeavam a povoação não deviam ser arborizadas. Predominava, por isso, o campo aberto, servindo de plantio a searas e de pasto aos rebanhos de gado ovino.
Porém, em épocas de relações pacíficas com a Espanha, como no período que vai desde o século XIV, ao século XVII, abrandadas as preocupações defensivas, a vila pôde crescer para além das muralhas.
Esse crescimento foi então determinado por um outro factor: a existência de fontes que garantissem o abastecimento de água à população.
Durante o período atrás referido, a vila cresceu ao encontro das grandes nascentes de água. Assim, desenvolveu-se uma área de crescimento em direcção à Fonte S. Pedro, a nordeste do núcleo medieval, outra em direcção à Fonte Nova, a noroeste, uma terceira em direcção à área da Fonte das Negras, a leste.
As fontes, são, portanto, um dos factores do crescimento do núcleo urbano. Nesses pontos se localizam as mais antigas e persistentes nascentes de água do concelho.
A Fonte de S. Pedro, provavelmente a mais antiga, é local habitado desde os mais remotos tempos. Vestígios de ocupação romana, têm aparecido com abundância no espaço que a rodeia. Perto da fonte, localiza-se o mais antigo dos locais de culto de Campo Maior: a Ermida de S. Pedro. Este templo assenta sobre vestígios de um templo romano.
Estas fontes ficaram exteriores à vila quando, mais uma vez, por razões de estratégia militar, a vila teve de ser defendida após a Restauração de 1640. Na eminência de ataques pelo exército espanhol, a vila foi dotada de novas muralhas e de um conjunto de baluartes. Devido a isso, deu-se uma contracção do casco urbano que provocou o desaparecimento de bairros que se tinham estendido nas três direcções atrás referidas.
Mas, as fontes persistiram até à actualidade. Essas fontes exteriores estão localizadas nos pontos principais de acesso à vila e vão desempenhar uma tríplice função que definiu a sua estrutura muito particular: são simultaneamente fontes de abastecimento de água potável; são bebedouros para os animais e tanques para a lavagem das roupas.
Por outro lado, prevenindo a possibilidade de cercos demorados, a vila teve de se dotar de outras fontes, internas às muralhas, que assegurassem o abastecimento normal de água. Por isso, essas fontes internas eram mais simples porque desempenhavam apenas essa função. Na actualidade, estas fontes têm um mero carácter decorativo, pois o sistema de abastecimento de água ao domicílio tornou-as desnecessárias.


publicado por Francisco Galego às 18:06
Tudo indica que seja a mais antiga das fontes de Campo Maior.
É constituída por uma tríplice estrutura de acordo com as funções a que se destinava: fonte, bebedouro e tanque.
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Fonte de S. Pedro
Em primeiro plano, o tanque para lavar roupa, seguindo-se o bebedouro e a fonte.
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Localizada numa importante saída de Campo Maior, perto do local onde se ramificam os caminhos que dão acesso a Ouguela e às terras mais férteis do concelho.
Fica situada à entrada de um vasto terreno plano que antigamente se chamava “a defesa de S. Pedro”: este terreno, propriedade do município, tinha funções importantíssimas para a comunidade agrícola que habitou Campo Maior até meados do século XX. Aí se localizava uma área importante de cultivo de cereais, a qual servia também de pastoreio comunitário para os gados, em aproveitamento dos restolhos, e de rossio onde se faziam as eiras. A função de pastoreio comunitário está bem testemunhada na existência de um bebedouro de muros baixos destinado ao gado ovino, o qual fica a pouca distância da Fonte de S. Pedro, e é alimentado pelo mesmo nascente.
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Fonte do Rossio, vendo-se os bebedouros para animais de tracção e gado ovino
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A Fonte de S. Pedro foi sempre de tal importância para a população de Campo Maior que, quando se projectou a construção do cemitério no terreno murado adjacente à Ermida de S. Pedro, o povo protestou, temendo a contaminação das águas. A Câmara, devido à pertinência da razão invocada, mudou o local do cemitério para o sítio onde, até hoje, se localiza.


publicado por Francisco Galego às 18:00
Nenhum documento nos elucida sobre a razão deste nome. Será que, noutro tempo, foi a fonte destinada ao abastecimento de água feito por escravas negras?
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Fonte das Negras
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A fonte, na sua localização actual, é bastante recente, pois está datada de 1936. Mas, ela é muito mais antiga pois que assim se designam os terrenos em volta em documentos que referem a existência nesse local do convento de Santo António, de monges da Ordem de S. Francisco e que teve de ser demolido para se construírem as muralhas em 1645. A fonte primitiva estaria numa das paredes exteriores desse convento. A mesma nascente abastecia a comunidade religiosa que o habitava.
Embora a sua estrutura indique apenas a função de abastecimento de água para beber, o tanque de recepção das suas bicas é amplo para servir também de bebedouro aos animais de tracção. Mas, como a água que escorria deste bebedouro era utilizada para abastecer os tanquinhos onde as mulheres lavavam roupa, também esta fonte exterior desempenhava uma tríplice função.  


publicado por Francisco Galego às 17:57
Esta fonte só está localizada no sítio actual desde 1936, pois que, antes de ser derrubada a cortina de muralha seiscentista que ligava o baluarte de S. Francisco ao meio baluarte de Santa Rosa, esta fonte não existia. A sua função era desempenhada por uma outra que lhe fica muito próxima: a Fonte de S. Francisco.
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Fonte do Chafariz ou da Abertura
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Tal como a Fonte das Negras, apresenta um tanque de recepção das bicas de grande dimensão, pois desempenhava também a função de bebedouro para os animais de tracção. Aliás, o nome de chafariz indica claramente essa função.
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Fonte do Chafariz ou da Abertura - Painel de azulejos
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O seu frontispício é decorado por interessante painel de azulejos representando uma cena campestre, onde figura o típico carro canudo, meio de transporte muito utilizado até meados do século XX.


publicado por Francisco Galego às 17:52
A fonte actual tem um efeito meramente decorativo.
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Fonte de S. Francisco
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Foi deslocada para o seu local actual, nos anos 30 do século passado.
A data que ostenta, 1766, é a da sua construção inicial, mas foi transferida quando da demolição da cortina de muralha seiscentista que ligava o baluarte de S. Francisco ao meio baluarte de Santa Rosa.
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Pormenor da Fonte de S. Francisco

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Antes ficava defronte da actual Rua de S. Francisco e fazia parte de uma estrutura que compreendia: um bebedouro (chafariz) que ficava um pouco mais abaixo; um tanque de lavagem. Naquele tempo, este tanque ficava num largo, por isso mesmo chamado largo do chafariz, no sítio que agora é ocupado por um edifício que já foi lagar de azeite e é agora uma oficina.



publicado por Francisco Galego às 17:48
A fonte actual, datada de 1936, nada tem a ver com a fonte primitiva que ficava no centro do largo chamado dos Cantos de Baixo. A antiga fonte foi desmontada e retirada do local para permitir a circulação dos autocarros da carreira que tinham de dar a volta da Rua de Ramires, para a Rua da Misericórdia, para terem acesso ao Terreiro, onde se situava a central.
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Antiga Fonte dos Cantos de Baixo
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Este largo desempenhou durante séculos uma função social importantíssima pois que era aí que os homens que trabalhavam nos campos como jornaleiros se juntavam ao fim do dia para conviverem e era aí que se dirigiam ao começo do dia à procura de contratos de trabalho.
Para as mulheres, a fonte, devido à sua localização muito central, no centro histórico da vila, era além de local de abastecimento de água, também um ponto de encontro, de convívio e de circulação de informações sobre a vida local. Alimentada por uma abundante nascente, raramente secava.
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Actual Fonte dos Cantos de Baixo
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Provavelmente, a sua nascente localizava-se um pouco mais a norte, mais ou menos na actual Rua General Magalhães, antes designada de Rua de Nantio, corruptela de Menantio. Esta palavra denuncia a existência de um nascente de água. O termo menantio é da mesma raiz que manancial, ou seja, sítio de onde a água emana.
É bem provável que esta nascente abastecesse também a fonte desaparecida que existiria na confluência das ruas chamadas Fonte de Cima e Fonte de Baixo e que estaria localizada no sítio ocupado pelo baluarte que, significativamente se chamava, Baluarte da Fonte do Concelho.
A fonte primitiva foi desmantelada, esteve durante muitos anos guardada, sendo finalmente reconstruída na Praça Velha, na proximidade do castelo.
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A antiga fonte, na Praça Velha

 



publicado por Francisco Galego às 17:38
É uma fonte interior às muralhas seiscentistas mas, por estar localizada numa entrada importante da vila, apresentava a dupla função de fonte e de bebedouro para os animais. Mas o tanque destinado a esta última função foi recentemente demolido.
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Antiga fonte do Largo do Barata, vendo-se a fonte e o bebedouro dos animais
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A fonte propriamente dita que ainda se encontra no mesmo local, mas associada a uma estrutura muito recente de carácter meramente decorativo.
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Fonte do Largo do Barata. Estado actual



publicado por Francisco Galego às 17:33
É a mais recente das fontes de Campo Maior. Está datada de 1954. Contudo, é bem provável que perto deste local tenha existido uma outra fonte, associada ao extinto e desaparecido convento de S. João de Deus, que abrigava o hospital militar de Campo Maior, nos séculos XVII e XVIII.
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Fonte do Largo da Casa do Povo
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Ainda hoje é visível uma fonte no pátio de acesso à casa que ocupa parte do terreno que pertencia ao convento e que fica entre as ruas de S. João, Santa Cruz, Visconde de Seabra e Vasco Sardinha.


publicado por Francisco Galego às 17:30
Das três fontes exteriores que rodeiam Campo Maior, será provavelmente, a de construção mais recente. Daí a razão do nome. Temos, contudo, de relativizar o seu carácter de novidade, pois que, já em documentos do século XVIII, aparece designado o ribeiro que lhe está adjacente como o Ribeiro da Fonte Nova, o qual tinha a interessante função de abastecer a lagoa que então existia entre os baluartes de S. João e de Santa Cruz.
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Fonte Nova
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Nesta fonte, a tríplice função está bem testemunhada: existe uma estrutura que é a fonte propriamente dita, abastecida por um cano que vem de uma distância de cerca de um quilómetro no caminho de Degolados, sendo visíveis ainda as arcas de água;da fonte, a água escorre para um grande bebedouro destinado aos animais; deste a água era encaminhada para os tanques de lavagem de roupa que hoje estão cobertos por uma construção.
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Fonte Nova - Bebedouro dos animais


publicado por Francisco Galego às 17:26
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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