Sábado, 27 de Fevereiro de 2016

Sucessos

 

Que houve nas fronteiras

De Elvas, Olivença, Campo Maior e Ouguela,

No primeiro ano da Restauração de Portugal,

Que começou no 1º de Dezembro de 1640

E teve fim no último de Novembro de 1641

 

Dirigidos

 

À majestade de D. João IV,

rei de Portugal e nosso senhor

 

Escritos

 

pelo Doutor Aires Varela,

cónego na magistral da Santa Sé de Elvas,

comissário da Bula da Cruzada

e vigário geral na dita cidade e seu bispado

 

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Sobre Campo Maior, relata este documento que: 

 

    - Os de Campo Maior, ainda que na Vila Nova tenham muita água,

       na Vila Velha e Castelo, não têm nenhuma, mas têm grandes

       cisternas que, com notável diligência, encheram;

 

   - Campo Maior, é lugar de mil e duzentos vizinhos, tem castelo

      e vila velha que são coisa pouca, situados numa eminência,

      superior a todo aquele território, bastante murados;

 

     -  Mas, a Vila Nova, que é corpo da povoação, está em plano

      aberto e sem defesa alguma;

 

   - O monte de S. Sebastião, que toma o nome de uma ermida

      deste santo nele fundada, fica a cavaleiro da Vila Nova;

 

   - Este lugar faz rosto a Badajoz e Vilar D’El Rei, com cujos

      termos parte, ora por marcos, ora pelo rio Xévora;

 

   - Com a mesma certeza que os desta vila tiveram

      da aclamação feita nesta cidade, fizeram eles com particular

      demonstração de alegria;

 

   - E, como convinha, trataram da sua defesa, fazendo ofício

     de capitão-mor Pedro da Silva Menezes;

 

    - Começaram com singular assistência a entricheirarem-se

      e tudo foram obrando quase de olhos fechados porque,

      sem notícia ou com muito pouca de semelhantes fortificações,

      continuaram a entricheirar por grande distância;

 

    - Foi Matias de Albuquerque a esta vila.

      Pareceram-lhe bem as trincheiras obradas;

 

    - Ordenou que se fizesse, no monte de S. Sebastião,

      um valente baluarte que os daquela vila conseguiram

      com grande trabalho e gasto.

 

Pela notícia que nos dá este antigo documento, ficamos a saber que: 

 

- Campo Maior seria, nesse tempo, vila de 4 a 5 mil habitantes;

 

- A construção da fortaleza que transformou Campo Maior

numa praça de guerra, começou pela construção

do baluarte de S. Sebastião ou do Mártir Santo, cuja ermida já existia;

 

- Que foi a própria população que tomou a inicitiva

  de construção das defesas da vila, devido à eminente

  situação de guerra com a Espanha;

 

- Que Campo Maior aderiu, desde o primeiro momento, à

Restauração da Independência do Reino de Portugal.

 

Destas informações resulta o valor patrimonial

acrescentado que este espaço tem para

a história da vila de Campo Maior.

 

 

Nota:

Segundo informou Vitorino D'Almada, este documento escrito por Ayres Varela, terá sido impresso e publicado por Domingos Lopes Rosa, em Lisboa,no ano de 1642 e reimpresso pela Typographia Elvense, no ano de 1861.

 

 

(Segundo Estêvão da Gama, 1722)

 

ERMIDA DE SÃO SEBASTIÃO

         “Há outra Ermida do glorioso Mártir São Sebastião, colocada em meio de um baluarte do mesmo nome, de cuja imagem faz especial menção o Doutor Novaiz, por ser de admirável escultura. Esta Igreja que estava muito danificada, pela falta de devoção, neste ano de 1714, em  que os oficiais do Regimento de Infantaria desta guarnição a tomaram por sua conta e a reedificaram, fazendo-lhe uma tribuna nova, pintando-a toda, com a capela a óleo, festejando-lhe seu dia com a solenidade da Igreja, e com comédias, fogos e outros aplausos. Os mais dos soldados são confrades e elegem todos os anos um oficial Maior, assim de Infantaria como de Cavalaria, para juiz.

 

( Segundio , António Dias da Silva e Figueiredo, 1732)

 

Notícia do lastimoso estrago, que na madrugada do dia 16 de Settembro, deste presente anno de 1732, padeceu a Villa de Campo-Maior, causado pelo incêndio, com que hum raio, cahindo no armazém da pólvora, arruinou as torres do castello, e com ellas as casas da Villa. Escrita por António Dias da Sylva, e Figueiredo, natural da mesma Villa”, Lisboa Oriental, na Officina Augustiniana, 1732

 

“(...) a Ermida do invicto Mártir S. Sebastião, que está num baluarte da muralha, não sofreu ruína, mas não é tão notável o prodígio por ficar numa parte para onde não se encaminhou o ímpeto da explosão.”

 

Pela notícia que nos dão  estes dois últimos  antigos documentos, ficamos a saber que:

 

- A antiga Ermida de São Sebastião, foi transformada em capela  da guarnição militar da Praça  de Guerra, da vila de Campo Maior, em 1714 e que não tendo sofrido estrago de monta aquando da explosão de 1732, que danificou grande parte da vila e matou uma parte significativa da sua população, esta ermida pode ser considerada um dos mais antigos edifícios de Campo Maior.

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:07
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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