Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

COMO CASTIGO, O EXÍLIO

 

1957 – A minha qualidade quanto a estudos não melhorou. Meu pai, em desespero de causa, no fim do 1º período do 5º ano (actual 9º), enviou-me, como aluno internado para um colégio na aldeia das Mouriscas, no concelho de Abrantes. Para um moinante habituado à cidade, aquilo era um fim do mundo, no meio do nada. Um velho professor primário reformado, servia-nos de professor de Português e era nosso tutor em termos de internato. De uma severidade extrema, predispôs-se desde o primeiro momento para me aplicar os castigos corporais e “psicológicos” que domassem os meus hábitos de vadiagem. Fiz tudo para evitar que tivesse pretextos para concretizar os seus planos quanto à minha pessoa.

Esse jogo de vontades entre o velho professor Raposo e o jovem atrevido apostado em salvar o pêlo e a dignidade, devolveram-me os hábitos de trabalho que em Évora tinha perdido.

Resultado: nunca provei os “remédios pedagógicos” que o professor administrava com a sua cana-da-índia e fiz o brilharete de passar às duas secções (Letras e Ciências) no final do ano, nos exames realizados em Santarém. Infelizmente o colégio só leccionava até ao 5º ano. Para meu tolo contentamento e minha desgraça, voltei de novo para Évora. O resultado foi que, no final do 6º ano, só obtive nota positiva (um nível mínimo de 10 valores) nas duas disciplinas mais fáceis do currículo.



publicado por Francisco Galego às 17:44
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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