Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Começo por dizer ao leitor (ou leitora) que discordou de algumas das ideias  do meu texto anterior, que terá sido culpa minha não ter sabido explicitar  claramente o que penso acerca do tema em questão.

Já quanto à sua afirmação de que considera injusta e pouco esclarecida a minha afirmação de que a política do anterior governo, consistiu fundamentalmente em processos de regressão, invocando como prova disso o alargamento dos exames como forma de implementar uma maior qualidade do ensino, quero esclarecer que considero que esse foi um dos mais gravosos motivos dessa regressão, baseando-me, entre outros aspectos, nos seguintes:

- Focar as questões da educação escolar nos exames, tende a transformar os professores em treinadores para garantirem bons resultados em termos de conhecimentos específicos;

- Quanto mais os exames forem introduzidos nos níveis etários mais baixos da educação escolar, mais se desviam os professores da sua função de educadores, tendendo a reduzí-los à mera função de instrutores.

Ora, como entendo que três vectores devem orientar a educação escolar - Instrução; Educação; Formação -, para que haja progressividade  desde o saber aprender a aprender, para o saber ser e para o saber agir, essa progressividade deve ser acompanhada de processos de avaliação contínua e continuada que, sem excluir os exames, acompanhem o desenvolvimento dos alunos.

A visão dos exames como o processo que avalia com rigor os conhecimentos, é muito limitativa e muito pouco adequada às verdadeiras finalidades da educação.

Aqueles que tanto propalaram os erros e deficiências daquilo que designaram como o "eduquês" - sem com isto negar que tenha havido desvios e exageros a exigirem correcção -, cairam em exageros regressivos que apetece designar como o "examinês" do qual resulta que se pretenda apenas medir o que o aluno sabe, sem tomar em consideração aquilo em que se está a tornar e aquilo que vai ser capaz de fazer e realizar como ser social.

Focar as questões da educação escolar nos exames, terá como resultado seleccionar os alunos por classes, determinando assim que terão melhores oportunidades educativas os mais dotados e os mais privilegiados em termos de recursos, condenando ao fracasso os que mais necessitam de reforços educativos que compensem as suas dificuldades de forma a evoluirem até níveis razoáveis de formação. Só assim se podem garantir condições aceitáveis de sobrevivência nas sociedades tecnologicamente evoluidas para que estamos a evoluir.

Evidentemente que nada disto pressupôe a exclusão do recurso a exames. Há situações em que eles são o instrumento mais adequado para avaliar o grau de conhecimento e de aptidões  resultantes da educação escolar. O mal está em constituí-los como instrumento único ou privilegiado dessa avaliação.

 



publicado por Francisco Galego às 09:04
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