Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016

Subjacente às filosofias e às opções que determinam as práticas educativas, está quase sempre a concepção que se tem sobre o actual conceito de cultura ao qual estão intimamente ligadas as opções sobre o que deve ser a formação das novas gerações.

Segundo Kant (1724-1804), a razão humana consiste na capacidade que tem de levantar permanentemente problemas, mesmo aqules que não sabemos resolver.

Frases de Eduardo Lourenço, em apresentação comentada da obra, Cultura - Tudo o que é preciso saber, de Dietrich Schwanitz:

“A cultura não é a resposta, é a questão”.

“A cultura é o diálogo da humanidade consigo própria”.

“Não há um paradigma. Não há cultura, mas culturas”.

 

A cultura será, portanto, a maneira como, cada civilização, cada povo, cada época,  se questionam a si próprias sobre: O que são? Para onde caminham? Que caminhos devem seguir?

Porque, nem as perguntas, nem as respostas são as mesmas, pois variam com o tempo, com as circunstâncias e com as situações.

Dietrich Schwanitz definiu a cultura como “a compreensão da nossa civilização” e como “um conhecimento que sabe avaliar-se a si mesmo”. Por isso, não se trata de saber coisas, mas de dar sentido às coisas.

Onde não houver pensamento não há cultura; há apenas coisas. Neste sentido podemos designar como contracultura, o que existe para nos distrair da verdadeira cultura.

Numa situação de contracultura, o tempo como que pára, instalando-se um presente contínuo, sem passado e sem futuro. Ou seja, deixa de haver memória de si mesmo e não existe projecto de construção do nosso próprio futuro.

Jean Jacques Rousseau colocou a cultura no centro da formação humana. A cultura é um conhecimento que se assimila, que se desenvolve e que se transmite. Por isso, a cultura pressupõe a capacidade de compreender e alargar a capacidade de agir.

Acontece que, em contradição com isto, a escola, cedendo às tendências mais conservadoras da sociedade, em vez de cuidar das novas gerações dotando-as duma capacidade expansiva de aprender, tornando-as  learners (dotados da capacidade de aprender), procura que acumulem grande quantidade de saberes, para que se tornem  knowers (acumuladores de saberes).

O sujeito conhecedor acumula enciclopédicos conhecimentos que pode exibir. O sujeito dotado da capacidade de aprender elabora, organiza e desenvolve os seus conhecimentos, em função da suas necessidades de conhecer para melhor agir. 
 
Noutros tempos em que era lenta a descoberta e difícil a aquisição de conhecimentos, era importante a sua acumulação. Hoje o conhecimento,  está em permanente desenvolvimento e é  continuamente acumulado de formas muito variadas e de fácil acessibilidade.
Daí a necessidade de adoptar uma atitude cultural mais dinâmica e adequada ao rápido e continuo desenvolvimento do saber.
 
O sujeito cultural deve ser um sujeito com memória de si mesmo e que, sendo capaz de elaborar o projecto daquilo que pretende tornar-se, pode planear o seu próprio futuro.


publicado por Francisco Galego às 00:04
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