Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

Sim. É indiscutivelmente certo: o nível geral de instrução para o geral da população subiu muito nos últimos cem anos. Há cem anos, todos os elementos adultos da minha família eram analfabetos. Hoje, todos os elementos adultos da minha família sabem ler e escrever.

Mas, o nível de instrução, não subiu em todos os cantos do mundo. E, mesmo onde foi mais generalizado, apesar do tão propalado direito universal à educação, o nível de instrução não subiu do mesmo modo e com os mesmos efeitos para todos.

Se o principio da universalidade do direito parecia conduzir à unificação, a prática consiste em tal diversificação que, os efeitos da subida do nível geral de instrução ainda acentuou mais a desigualdade de oportunidades, criando grandes diferenças tanto no que respeita às oportunidades como nas competências adquiridas para usar essas oportunidades. O que se verifica é que, o que à primeira vista parece instrumento, numa análise mais cuidada, verificamos que pode transformar-se em armadilha.

Senão... vejamos:

A maneira como a capacidade de leitura e a facildade de acesso aos mais avançados meios de comunicação podem tornar-se instrumentos tenebrosos de manipulação das consciências, dando cada vez mais poder aos mais poderosos e tornando cada vez mais destituidos e menos influentes os mais desprovidos de recursos e que menos podem, porque não sabem, tomar as mais acertadas e justas decisões.

Vejamos... por exemplo, que:

- Certos governantes vêm à praça pública clamar aos quatro ventos que os seus adversários são um perigo para a segurança e bem-estar do povo porque, com aquilo que anunciam e que pretendem fazer, irão pôr em causa o pagamento da nossa “dívida pública”. E, tanto o repetem que chegam a convencer muita gente bem intencionada e muitíssimo necessitada, de que, aquilo que dizem, é a mais indiscutível das verdades.

Mas... será mesmo?

- Então, a dívida já era pública quando foi feita, ou só sou se tornou pública quando teve de ser paga?

- Quem se comprometeu a pagá-la quando foi feita?

- Quem benificiou mais com ela?

- Quem usufruiu dos proventos que a dívida propiciou?

Parece que, vista por esta perspectiva, a questão muda de figura, porque é óbvio que, a “dívida pública”, foi constituída e usada, em benefício de uma reduzida élite de governantes ao serviço de banqueiros que integram os estratos sociais mais elevados e com maior poder de decisão.

Então... porque é que, quando se trata de pagar, têm de ser todos, sobretudo os que menos podem e que menos beneficiam, que são constrangidos aos maiores sacrifícios?

É que tirar muito pode significar pouco para quem muito tem.

Mas tirar um pouco a quem pouco tem, pode colocá-lo numa situação muito, mas mesmo muito trágica.

E isso é que faz toda a diferença.



publicado por Francisco Galego às 14:55
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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