Segunda-feira, 06 de Abril de 2015

A "FESTA" NOS ANOS 50  – UM  RECOMEÇO

 

As Festas do Povo de Campo Maior estavam a atingir o seu primeiro meio século de existência. Um novo ciclo ia começar. Preparavam-se novas adaptações na continuidade de uma já longa tradição.

Em Campo Maior, depois do constrangimento dos anos da guerra, notava-se a tendência para algum alívio, sobretudo no que respeitava às condições das classes médias.

Em 1950 falava-se novamente de Festas; mas estas só voltariam a realizar-se em 1952, 1953 e 1957. E, quando regressaram, as Festas voltaram para se renovarem, pois nestes anos dão-se algumas inovações a nível das ornamentações e das estruturas de decoração das ruas.

Embora se mantivesse o esquema tradicional, havia uma maior preocupação com a decoração dos “tectos” que deixaram de se limitar às formas tradicionais das franjas, cadeados, lenços e mantilhas, adquirindo uma maior riqueza ornamental. As flores artificiais multiplicaram-se em formas cada vez mais originais e elaboradas, as “entradas” feitas de caniços, deram lugar a estruturas construídas em materiais mais consistentes e com maior apuro decorativo, tornando-se um elemento essencial na ornamentação das ruas.

Cada rua procurava esmerar-se na descoberta de novos elementos: cordas de torcidos, tectos que são autênticos túneis de flores, entradas espectaculares em simbologia e em execução, ruas que reproduzem pomares, roseirais, flores que, de tão bem executadas, competem em graça e requinte com as naturais. A Festa que fora dos artistas, transfigurou-se numa espantosa manifestação de um povo artista.

A criatividade campeou de tal modo por toda a parte que, num desses anos, numa família muito pobre e muito numerosa, os Piedade, tiveram a brilhante ideia de enfeitar a sua pequena rua, tão pequena que é chamada de Caleja, forma castelhana de dizer ruínha, utilizando exclusivamente como material, papel de jornais. O efeito foi espectacular pela surpresa e pela criatividade de uma pobreza assumida e orgulhosamente ultrapassada de forma genial.

Os espectáculos de variedades passaram a constituir uma parte importante no programa das Festas, passando a recorrer a artistas de projecção nacional. As Festas são planeadas para atraírem cada vez mais a gente de fora que vem de terras cada vez mais distantes. Constituindo como objectivo a sua projecção a regiões cada vez mais longínquas, as Festas foram-se tornando progressivamente um acontecimento turístico de relevância.

Por outro lado, havia cada vez mais campomaiorenses deslocados. A grande migração para os centros industriais e o êxodo da emigração começavam a definir uma nova realidade social em Campo Maior. Os pequenos centros urbanos começavam a adaptar-se ao regresso periódico de uma grande massa dos seus naturais que chegado o Verão, vinham passar as férias acompanhados das suas famílias.

Assim, no começo dos anos cinquenta, a vontade das Festas voltou a renascer.



publicado por Francisco Galego às 09:26
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