Segunda-feira, 30 de Março de 2015

As “Festas” nos anos 40

 

            Em Junho de 1940, no âmbito das comemorações do centenário, é inaugurada na Praça do Império, em Lisboa, a Exposição do Mundo Português, concebida como uma exaltação simultânea dos grandes feitos da pátria e da integração dos territórios ultramarinos no conjunto da nacionalidade. Apesar de alguns focos de descontentamento, quer do sector laboral, quer entre os estudantes e os intelectuais, os anos seguintes decorreram com alguma tranquilidade. O regime tinha criado as estruturas necessárias para assegurar a sua defesa e manutenção.

          No Alentejo em geral e, particularmente em Campo Maior, a situação das classes trabalhadoras atingiu dimensões de grande miséria, devido aos baixos salários dos trabalhadores agrícolas e ao carácter sazonal dos trabalhos no campo, que colocavam no desemprego grande parte da população, durante uma grande parte do ano. A situação era persistente e difícil, pois atingia foros de catástrofe sempre que uma seca mais prolongada, ou que chuvas mais abundantes, impediam as tarefas agrícolas ou destruíam as sementeiras, comprometendo as colheitas.

            Nestas condições, difícil seria esperar que houvesse tendência para festas ou diversões. Todas as capacidades e energias se concentravam no esforço para assegurar, até ao limite da resistência, as condições mínimas para sobreviver. Apesar de tudo isto, as festas realizaram-se duas vezes na década de quarenta: em 1941 e 1944. Mas, tanto num ano como no outro, isso só aconteceu devido à intervenção de um organismo corporativo – A Casa do Povo de Campo Maior.

            As notícias sobre este período e estes acontecimentos, são escassas e vêm-nos dos jornais que, na época, se publicavam em Elvas e essas notícias são pouco animadas

 

Jornal de Elvas, Nº 687, 28 de Setembro de 1941

 

Começaram ontem as Festas do Povo, promovidas pelo Grupo Desportivo da Casa do Povo, por ocasião da bênção e inauguração do Cruzeiro da Independência de Portugal.

 A fim de inaugurarem o Cruzeiro, Casa do Povo, Quartel da Legião Portuguesa e o estádio Capitão César Correia, estão nesta vila os Exmos. Srs.

Arcebispo de Évora, Sub-Secretário das Corporações, e General Comandante da Legião Portuguesa.

As ruas estão ornamentadas com muitas verduras, bandeiras, flores naturais e artificiais.

 

Nos dois anos seguintes as Festas não se realizaram. Lá fora, a guerra não parava de se agravar, envolvendo cada vez mais países e expandindo as acções de combate a todas as regiões do mundo, a todos os mares e a todos os oceanos. Até ao verão de 1942, o exército alemão dominava a Europa, o Próximo e o Médio Oriente e o Norte de África.

 

Jornal de Elvas, Nº 730, 26 de Julho de 1942

FESTAS DO POVO

   Segundo consta, não se realizam este ano as festas do povo, devido à grande falta de papel, madeiras, pregaria e muitos artigos que são necessários para a ornamentação das ruas e, muito principalmente, a falta de transporte e ao melindroso estado da guerra mundial.

 

         No ano de 1944, todas as condições se mantinham quer no que respeita à situação da Guerra Mundial, quer no que se refere à situação da política nacional. Mesmo no que concerne à situação social e económica em Campo Maior, há grandes semelhanças com os dois anos anteriores, porque as condições agrícolas continuaram muito desfavoráveis. Contudo, as Festas realizaram-se e, mais uma vez, foi o Grupo Desportivo da Casa do Povo que as promoveu. Só que esta instituição já não podia dispor da forte liderança do Capitão César Correia. Já não havia projectos em curso. A Casa do Povo tinha regressado ao marasmo rotineiro em que ia arrastar a sua existência até ao fim do Estado Corporativo, em 1974.

         Em 1945, terminava a guerra e começava um período que iria marcar profundamente a civilização mundial: A Guerra Fria, o terror das armas nucleares, o mundo sob a tensão constante de um novo conflito que só não se desencadeava porque todos sabiam que desta vez não haveria vencedores, apenas vencidos.

 

 



publicado por Francisco Galego às 09:56
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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