Segunda-feira, 23 de Março de 2015

 As “Festas” dos anos 30 aos anos 50 

 

O ano de 1934

 

Sobre as Festas de 1934, aconteceu algo difícil de explicar que é o facto de não aparecerem referidas em nenhum dos textos até hoje publicados sobre as Festas do Povo. No entanto, elas existiram como seguidamente se comprova, porque foram amplamente noticiadas, tanto pelo único jornal local – O Campomaiorense – que continuou a publicar-se porque estava nas mãos de gente partidária do novo regime político, como por jornais publicados noutras localidades.

 

O Campomaiorense, 8 de Julho de 1934

FESTAS DO POVO

   Continua despertando muito interesse na população desta vila, a realização, que promete ser brilhante, das tradicionais Festas do Povo.

   A comissão organizadora tem recebido valiosos donativos, esperando que quem pode fazê-lo a auxilie, de forma a poder realizar com êxito a sua iniciativa.  E bem o merecem, diremos nós, porque, nem só de pão se vive e é até louvável que ao povo se proporcione um pouco de prazer espiritual, por via de espectáculos da sua preferência como estas festas, em que cada um se alheia por momentos, das preocupações e das dificuldades da vida. Se a vida não corre de feição, nem por se andar de cabeça baixa, com cara de dia de finados, se remedeia alguma coisa … Pelo contrário, quanto mais triste se ande, menos as dívidas se pagam …

   De resto, a receita liquida é para a Misericórdia e para a Casa do Povo.Não há, portanto, mesmo para os macambúzios e taciturnos, para os que querem isolar-se no seu pessimismo, mal tolerando uma gargalhada saudável do seu próximo, motivo ou razão de peso que valha qualquer má vontade.

   As Festas do Povo vão fazer-se e muito bem. E o comércio local tem todo o interesse em auxiliar a sua realização.

   É preciso que não falte. Por nós, repetimos, contem connosco rapazes.

 

Jornal da Situação, Portalegre, Nº 31-32, 2 de Setembro de 1934

Festas do Povo

Campo Maior – a Leal e Valorosa

 

Começam hoje nesta histórica, risonha e progressiva vila alentejana, as tradicionais Festas do Povo que, se a memória não me falha, já não se realizavam desde 1927. Festas verdadeiramente interessantes e originais, cheias de cor e movimento, de graça e beleza, elas foram e serão sempre o motivo para que a população da vila dê, durante os dias festivos, largas à sua mocidade e à sua alegria.

Têm nome no nosso distrito e até fora dele, as Festas do Povo de Campo Maior, cujas ruas e largos são transformados como por encanto em verdejantes jardins, graças às mãos virtuosas e hábeis das minhas gentis patrícias que fazem prodígios para apresentarem trabalhos que são verdadeiros mimos de graça e arte.

Quanto trabalho, quanta luta, quanta canseira despende o povo da minha terra, para a engrinaldar, patenteando-a bonita, linda, muito branca e asseada, toda luz e encanto!

Impõe-se ainda Campo Maior como sendo uma terra farta e rica, pelas suas produções de saborosos vinhos, magníficos trigos e azeites finíssimos. Sendo uma terra essencialmente agrícola, é, no entanto, de grande importância na indústria da moagem e panificação, lagares de azeite dos mais modernos e aperfeiçoados, fabricação de potes em barro para vinho e ainda nas finíssimas e saborosas conservas do Serafim da Conceição, já conhecidas e apreciadas em Portugal como no Brasil. (…)

                                   Portalegre, na última semana de Agosto,

                                                           Lavadinho Mourato

 

Por Campo Maior!

A comissão que levou a efeito este ano as Festas do Povo e que trabalhou de uma maneira decidida para o seu maior brilhantismo, era assim constituída: Tenente António Falcão, presidente; Estêvão Bastos Caldeirão, José Rita Ensina, Marciano Ribeiro Cipriano, David Fonseca Caraças, Joaquim Pereira Cunha do Rosário, Júlio Alegria Lindo, Benjamim António Caeiro, João Martins Centeno, José Gonçalves Niza, José César Leitão e António Afonso Borrega.

Bem merecem as nossas saudações que aqui foram bem expressas.

 

Jornal de Elvas, Ano 9º, Nº 352, 7 de Setembro de 1934

 

AS FESTAS DE CAMPO MAIOR

A progressiva vila de Campo maior, situada num recanto do nosso querido Alentejo, esteve em festa nos dias 2, 3, 4 e 5.

A risonha vila, mercê do temperamento progressista que invade os cérebros dos seus filhos, tem ultimamente subido na escala do progresso duma maneira notável, caminhando sempre sem um único desfalecimento.

As suas festas, ‘Festas do Povo’ revestiram-se de uma característica especial, sob todos os aspectos interessantíssima e original. Trata-se da ornamentação das ruas cujos moradores disputam, com invulgar entusiasmo, o ‘Prémio da Comissão.

Semelhante número, repleto de cor e garridice, engrandece sobremaneira o programa dos festejos sendo, certamente, o que mais atrai a presença dos forasteiros. A beleza das ornamentações, a intuição, a originalidade das decorações, são bem o índice onde se nota, logo à primeira vista, o gosto daquele laborioso povo, incansável em extremo, de promover o seu torrão. Ruas houve, engalanadas a capricho, que deliciaram a nossa vista. Nestas circunstâncias e sem pretendermos ferir o orgulho dos moradores das outras ruas que também admirámos, colocamos quanto ao nosso gosto, no primeiro plano, as ruas do General Magalhães e Visconde de Seabra. Aquela, pelo grandioso trabalho que os seus moradores tiveram de desenvolver, num conjunto harmonioso de cenas, cuja estética nos impressionou deveras e esta, pela originalidade da sua ornamentação.

Os xailes de papel, bem acabados, que pendiam por sobre a rua, davam-lhe uma nota triunfal de beleza, sendo a entrada constituída por um ‘arco’ tendo de cada lado pintados uma camponesa que aborrecidamente exclamava:

                                               Ando triste e assustada

                                               Inté me pula o coração

                                               Ganhará a nossa rua

                                               O Prémio da Comissão?

E um camponês que alegremente lhe respondia:

                                               Meu amor minha aligria

                                               Não andes nessa encerteza

                                               A nossa rua Maria

                                               Ganha o prémio concerteza.

E quem sabe se o alegre camponês, com a ideia de acalmar os nervos à sua mais que tudo, inspirou magicamente, a opinião abalizada dos componentes do júri.

 



publicado por Francisco Galego às 09:50
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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