Quarta-feira, 18 de Março de 2015

As “Festas” dos anos 30 aos anos 50 

                             

A revolta de 28 de Maio de 1928 começou por um pronunciamento militar que acabou num golpe de Estado. Movimento de ideologia nacionalista, antidemocrático e antiparlamentar, pôs fim à 1ª República e implantou um regime ditatorial que construiu uma nova situação política – a do chamado Estado Novo – que iria consolidar o poder pessoal de Salazar.

Em Campo Maior, durante a 1ª República, uma certa classe média constituira uma pequena elite, baseada na classe média dos “artistas” e dos funcionários públicos, que muito dinamizara a vida cultural da vila. Mas hostilizada pelo novo regime político, foi condenada a um quase total desparecimento. Alguns saíram para outras regiões e, os que ficaram, tiveram de se submeter às imposições do novo poder.

João Ruivo, grande dinamizador que participara na criação dos jornais locais, das colectividades recreativas e dos grupos de futebol, nomeadamente o Sporting Clube Campomaiorense, saíu para continuar a sua carreira de funcionário público e, prudentemente, afastou-se quase completamente de Campo Maior.

As Festas só regressaram em 1934. A gente que agora as promovia, pertencia a uma nova geração, com nova mentalidade e perfilhando diferente ideologia. Começaram por promover as festividades anuais de carácter religioso, como o São Joãozinho, dando-lhes um carácter caritativo, pois eram organizadas com o objectivo de recolher fundos de apoio às obras sociais da Misericórdia. Finalmente, abalançaram-se a realizar as Festas do Povo. Na comissão que as levou a efeito constam os nomes de jovens afectos ao novo regime político, sendo alguns deles elementos activos da Legião Portuguesa.

Na década de trinta realizar-se-ão por quatro vezes as Festas, sendo que entre 1934 e 1938, apenas falharam no ano de 1935, apesar de ter deflagrado a Guerra Civil de Espanha em Julho de 1936.

Houve nova interrupção nos anos de 1939 e 1940, anos iniciais da 2ª Grande Guerra. Mas, ainda se realizaram duas vezes, durante este conflito mundial - : em 1941 e 1944 - , seguindo-se depois uma prolongada interrupção por sete anos até 1952.



publicado por Francisco Galego às 09:11
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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