Sábado, 14 de Março de 2015

           O ANO DE 1828

 

Na década de vinte, do século passado, as festas ficaram bem documentada pelo relato feito nos jornais locais: Primeiro, O Campomaiorense e depois, O Notícias de Campo Maior.

As Festas de 1927 alcançaram tal brilhantismo e projecção, que perduraram por muito tempo na memória da comunidade campomaiorense. Era frequente a referência às Festas de 1927, como o ano das festas grandes. Podemos afirmar que até aí, decorreu um período em que as Festa do Povo alcançaram momentos de brilho progressivo, culminando em 1927, momento máximo e canto do cisne, pois no ano seguinte começou um tempo de declínio que decorreu nas duas décadas seguintes.

Portugal sofreu profundas mudanças, fruto da alteração radical da sua estrutura social, cultural, económica e política. Não apenas Portugal, mas o Mundo, pois um trágico destino se preparava para a humanidade numa das épocas mais difíceis da sua História.

As Festas de 1928 foram, de facto, muito modestas, a julgar pelas poucas notícias delas que até nós chegaram. Só vinte e cinco anos depois, em 1952, as Festas voltariam a despertar um entusiasmo semelhante.

 

O Notícias de Campo Maior, 30 de Setembro de 1928

FESTAS DO POVO

   Com menos entusiasmo que nos últimos dois anos, realizaram-se nos dias 2 a 5 do corrente, nesta vila, as tradicionais e pitorescas Festas do Povo.

   Poucas ruas ornamentadas; decorações muito simples e modestas, em tudo se fazendo sentir os efeitos do péssimo ano agrícola e da crise que atravessam as classes trabalhadoras, pois é o elemento popular que toma sobre si o encargo de transformar as ruas da povoação em autênticos jardins de verdura e de flores, nos dias das festas, nos anos fartos em que tudo corre bem.

   No primeiro dia, após a festa de igreja, realizou-se a procissão, que, como de costume, teve farta concorrência.

   As três touradas à vara larga foram muito concorridas de público, mas decorreram monotonamente e sem interesse de maior.

   O gado foi cedido pelos lavradores Srs. Pompeu Caldeira e Francisco da Silva Rasquilho Corado, pai e filho.

   O maior êxito das festas foi obtido pela distinta Banda Municipal de Estremoz, nos magníficos concertos que deu no jardim público. Esta banda, que vinha já precedida de grande fama, colheu fortes aplausos por parte dos milhares de pessoas que, em volta do coreto, com a maior atenção e interesse, assistiram a todos os concertos.

   Execução primorosa e correcta; perfeita afinação; Grande sonoridade; disciplina e obediência à batuta. Pode afirmar-se que se trata de um brilhante núcleo musical, conjunto admirável que muito honra a importante cidade alentejana e que deve servir de justo e legítimo orgulho ao seu regente, o distinto professor, Sr. tenente José António Lima, que se afirmou à altura da sua missão, conquistando as melhores simpatias e merecida admiração no público campomaiorense.

   A execução e interpretação correctíssima e conscienciosa de todas as peças do seleccionado e escolhido reportório com que o maestro Lima nos mimoseou, foram coroadas de vibrantes palmas, conservando-se sempre a assistência possuída do maior entusiasmo.

   E foi esta a nota característica e predominante das Festas do Povo no corrente ano.

(…)         A concorrência de forasteiros às festas foi pequena, no entanto fizeram negócio as hospedarias e cafés dos Srs. António Rita, Joaquim Rodrigues, Manuel Andrade e Manuel Nicolau, onde o público já hoje encontra um serviço que satisfaz pelo asseio e boa cozinha.

   E, para finalizar, os nomes da Comissão de Festas, que, com sacrifício e muitas dificuldades, as puderam levar a efeito:

               Presidente – José Rodrigues Valente

               Secretário – José Maria Paio Serrano

               Tesoureiro – António do Espírito Santo Dragão

               Vice-Presidente - Francisco Vitorino Grilo

               Vice-Secretário – Manuel Azinhais Ruivo

               Vice-Tesoureiro – António Mourato Caramelo

               Vogais – Gonçalo Camilo Marques; José Joaquim Martins;

                             Félix Henrique Garcia

 

           



publicado por Francisco Galego às 09:30
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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