Segunda-feira, 09 de Março de 2015

 

As Festas de 1927, alcançaram tal brilhantismo e projecção, que vão perdurar por muito tempo na memória da comunidade campomaiorense que se referia a 1927 como o ano das festas grandes. Só vinte e cinco anos depois, em 1952, as Festas voltariam a despertar um entusiasmo semelhante.

Nesta década de vinte, tão bem documentada pelo relato feito pelos jornais locais, torna-se inútil porque repetitivo, fazer qualquer comentário, porque dificilmente se poderia acrescentar algo que viesse enriquecer o nosso conhecimento sobre as festas. Restará apenas sublinhar que foi um período em que as Festa do Povo alcançaram momentos de brilho culminando em 1927, momento máximo e canto do cisne, pois no ano seguinte já se percebe que está achegar o tempo de declínio que serão as duas décadas seguintes, marcadas por dois acontecimentos que lançaram a Europa num períodos mais negros da sua história: A Guerra Civil de Espanha (1936-1939) que serviu de ensaio para a 2ª Grande Guerra (1939-1945). O país ia sofrer profundas mudanças, fruto da alteração radical da sua estrutura social, cultural, económica e política. Não apenas o país, mas o Mundo, pois um trágico destino se preparava para a humanidade num dos períodos mais difíceis da sua História.

As Festas de 1928, foram de facto muito modestas, a julgar pelas poucas notícias delas que até nós chegaram.

 

O Notícias de Campo Maior, 30 de Setembro de 1928

FESTAS DO POVO

   Com menos entusiasmo que nos últimos dois anos, realizaram-se nos dias 2 a 5 do corrente, nesta vila, as tradicionais e pitorescas Festas do Povo.

   Poucas ruas ornamentadas; decorações muito simples e modestas, em tudo se fazendo sentir os efeitos do péssimo ano agrícola e da crise que atravessam as classes trabalhadoras, pois é o elemento popular que toma sobre si o encargo de transformar as ruas da povoação em autênticos jardins de verdura e de flores, nos dias das festas, nos anos fartos em que tudo corre bem.

   No primeiro dia, após a festa de igreja, realizou-se a procissão, que, como de costume, teve farta concorrência.

   As três touradas à vara larga foram muito concorridas de público, mas decorreram monotonamente e sem interesse de maior.

   O gado foi cedido pelos lavradores Srs. Pompeu Caldeira e Francisco da Silva Rasquilho Corado, pai e filho.

   O maior êxito das festas foi obtido pela distinta Banda Municipal de Estremoz, nos magníficos concertos que deu no jardim público. Esta banda, que vinha já precedida de grande fama, colheu fortes aplausos por parte dos milhares de pessoas que, em volta do coreto, com a maior atenção e interesse, assistiram a todos os concertos.

   Execução primorosa e correcta; perfeita afinação; Grande sonoridade; disciplina e obediência à batuta. Pode afirmar-se que se trata de um brilhante núcleo musical, conjunto admirável que muito honra a importante cidade alentejana e que deve servir de justo e legítimo orgulho ao seu regente, o distinto professor, Sr. tenente José António Lima, que se afirmou à altura da sua missão, conquistando as melhores simpatias e merecida admiração no público campomaiorense.

   A execução e interpretação correctíssima e conscienciosa de todas as peças do seleccionado e escolhido reportório com que o maestro Lima nos mimoseou, foram coroadas de vibrantes palmas, conservando-se sempre a assistência possuída do maior entusiasmo.

   E foi esta a nota característica e predominante das Festas do Povo no corrente ano.

(…)         A concorrência de forasteiros às festas foi pequena, no entanto fizeram negócio as hospedarias e cafés dos Srs. António Rita, Joaquim Rodrigues, Manuel Andrade e Manuel Nicolau, onde o público já hoje encontra um serviço que satisfaz pelo asseio e boa cozinha.

   E, para finalizar, os nomes da Comissão de Festas, que, com sacrifício e muitas dificuldades, as puderam levar a efeito:

               Presidente – José Rodrigues Valente

               Secretário – José Maria Paio Serrano

               Tesoureiro – António do Espírito Santo Dragão

               Vice-Presidente - Francisco Vitorino Grilo

               Vice-Secretário – Manuel Azinhais Ruivo

               Vice-Tesoureiro – António Mourato Caramelo

               Vogais – Gonçalo Camilo Marques; José Joaquim Martins;

                          Félix Henrique Garcia



publicado por Francisco Galego às 09:13
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