Segunda-feira, 22 de Junho de 2015

Os meus olhos buscavam-no por toda a parte e o mundo não mo devolvia. Cheguei a odiar todas as coisas, porque nada o continha.

(João Tordo, in O Luto de Elias Gro, parafraseando Santo Agostinho).

 

Os meus olhos buscavam por toda a parte o amigo que a morte me levara, e o mundo não mo devolvia. Cheguei a odiar todas as coisas, porque nada o continha, e ninguém mais me podia dizer como antes, ao chegar depois de uma ausência: «Aí vem ele!»

(Santo Agostinho, in Confissões)

 

Em certa fase da minha vida, no final da adoslescência, cheguei a pensar que tinha encontrado a minha fé. Ia regularmente, nas horas adequadas, aos sítios onde se realizavam as assembleias dos crentes na esperança de comungar com eles da proximidade de Deus. Mas, ao contrário de Santo Agostinho, que sentiu que o tinha encontrado quando entendeu que o tinha compreendido, em mim, o que se definiu foi a convicção de que, não estava ao alcance da minha razão humana entender a Unicidade e a Infinitude de um ser Supremo. Não tendo sido iluminado pela evidente revelação que os crentes designam como a Graça Divina, optei por orientar o meu projecto de vida partindo da aceitação das limitações da racionalidade, própria da minha condição humana.

Um curso de  Filosofia, mal escolhido e mal servido por professores que me pareceram, não muito dedicados, nem bastante esclarecidos, levou-me a entender que nunca poderia ser um verdadeiro crente. Para mim ficava apenas a aceitação critica de uma atitude de não-crença. O que incluia a exclusão, tanto da afirmação da existência de uma transcendênia divina, como a da afirmação da sua  não existência.

Aceitando a preponderância da minha tendência para a racionalização, teria de partir sempre da consciência das limitações da minha razão. Esta seria a base fundamental que tinha para construir um projecto pessoal que me fosse aproximando progressivamente daquilo que eu considerasse ser mais concordante com o modelo do que gostaria de me iria tornando.

Qual o lugar de Deus nesta escolha?

Não sei, pois que, desde há muito, desisti de tentar saber, por ter percebido que não tenho capacidade para claramente o poder entender.

Tive foi a preocupação de ir traçando um caminho orientado para aquilo que, em meu entender, pudesse ter a aprovação de um "juizo final" se, no fim de tudo, descobrisse tal exitência.

E no caso de não existir? Tudo estaria bem porque teria valido a pena ter feitor aquilo que, desde há muito, considero ser o princípio estruturante das minhas acções e decisões: “O QUE DEVE SER FEITO, DEVE SER BEM FEITO.”

Este era o caminho certo e o modo mais adequado de o percorrer. E seria a forma mais segura de atingir a aprovação de um Deus que, tanto quanto eu, na minha limitação, o consigo imaginar, seria um Juiz Supremo que condenaria o crente hipócrita, mas que concederia a salvação ao não-crente de comportamento correcto e que vivera de forma justa para consigo e para com os seus semelhantes.

Assim, o meu agnostícismo, resulta mais da dúvida por incapacidade de entender, do que da convicta negação da inexistêcia da transcendência divina.

 

NOTA: Agnóstico vem do grego: agnose, ou seja, não-conhecimento ... o agnosticismo é a convicção de que a razão humana é incapaz de prover fundamentos racionais suficientes para justificar tanto a crença de que Deus existe, como  a crença de que Deus não existe. (Wikipédia).

O agnóstico define-se como não podendo ter uma atitude de crença da existência de Deus, tanto  face à fé dos que se definem como teístas, como à convicção dos que se difinem como ateus, negando a sua existência.



publicado por Francisco Galego às 15:15
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