Domingo, 14 de Fevereiro de 2016

Reparei agora que, o dia de hoje, 14 de Fevereiro, domingo, estava, no calendário do "almanaque", indicado como "O Dia de S. Valentim" e "Dia dos Afectos e dos Namorados". Estranhei que esta designação de "Dia dos Afectos", embora seja uma dedicação tão delicada e tão simpática, seja tão escamoteada que eu nem sabia da sua existência. 

Porém, pensando melhor, sendo o que o objectivo predominante é nitidamente comercial, torna-se mais natural que, em vez dos afectos, se pense mais em presentes, lembranças, prendas e ofertas. E, é em volta disso que tanto se comemora e que tanto as montras dos comércios se ornamentam com uma extraordinária panóplia de objectos alusivos a esta comemoração.

 Embora se trate de coisas completamente distintintas, pois este "Dia dos Namorados", não tem qualquer intenção de carácter humanitário, reparei, também agora que, o  passado dia 27 de Janeiro, fora consagrado à memória das vitimas do holocausto. Verdade seja, que nem se deu por ela. Silêncio total, mesmo nos orgãos de comunicação social.

Estranha comemoração neste tempo em que novo holocausto está a acontecer no Próximo Oriente, perante uma atitude algo agressiva de uma parte dos países desta Europa que gosta de se considerar como luzeiro da civilização europeia, ocidental e cristã. Custa aceitar que isto aconteça dentro das fronteiras da tão proclamada União Europeia.

Os argumentos de que não se pode acolher esta massa descontrolada de imigrantes, para preservar a segurança e a estabilidade das populações dos nossos países, quase chegam a ser convincentes. Mas, torna-se arrepiante quando, analisando melhor, constatamos que, na sua grande maioria, se trata de grupos de homens, mulheres, velhos e crianças em fuga dos seus países completamente destruídos por uma guerra que coloca em extremo risco as suas condições de vida e a sua sobrevivência.

Visto o problema segundo esta perspectiva, não estarão estas pessoas a tentar escapar a um novo holocausto?

E nada fazer para lhes acudir não poderá  abrir caminho para que o mal alastre e se possam chegar a colocar em risco as nossas próprias vidas?

Talvez fosse aconselhável pensarmos que, quando o fogo arde na casa do nosso vizinho, manda a prudência que vamos acudir-lhe, para que o fogo não se propague à nossa própria casa. Porque, pode acontecer que, nessa altura, não tenhamos também ninguém que nos venha acudir.



publicado por Francisco Galego às 00:15
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