Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016

A IGREJA DE S. JOÃO BAPTISTA

 

“No ano de 1732, caiu um raio na Torre grande de homenagem e derribou todo o castelo e a maior parte da Vila …” “A igreja do grande precursor S. João Baptista, protector desta Vila, é que se achava derribada, por se lhe fazer outra nova para com mais decência se venerar a sua imagem (1).”

(...)

“Em 18 de Outubro deste presente ano de 1734 se riscaram os alicerces para a nova Igreja deste Santo, com assistência do Engenheiro Mor do Reino, Manuel de Azevedo Fortes e mais engenheiros que havia juntos por ordem de S. Majestade El-Rei D. João o quinto, que os mandou para fortificarem esta Praça. E, com assistência do mestre que há-de fazer a obra e que se chama Sebastião Soares, o qual mandaram vir de Lisboa os mordomos, com o salário de setecentos e vinte réis por dia, enquanto durasse a obra, cuja planta foi aprovada por todos os engenheiros e pessoas que bem o entendem.

E, sendo véspera de S. Simão, 27 de Outubro, se deu princípio à bênção da primeira pedra, que se havia de lançar na dita Igreja, cometendo o cabido de Elvas, sede vacante, esta diligência ao guardião dos Frades de S. Francisco deste Convento, Frei João da Estrela, que levantou essa tarde uma cruz de pau, conforme o cerimonial romano, com assistência de todos os mordomos e do seu Juiz, Estêvão da Gama de Moura e Azevedo. Com timbales (tambores de cavalaria, em metal e de forma semiesférica), trombetas, tambores e repiques de sinos de todas as Igrejas. De noute houve luminárias em toda a Vila.

No dia seguinte, 28 de Outubro, em que a Câmara leva o Santo em procissão pelas ruas, em acção de graças pelo bom sucesso que teve esta Praça o ano de 1712 - quando os castelhanos que a sitiaram e assaltaram sem a renderem,  levantaram o sítio, estava prevenida a pedra e benta, com assistência de toda a comunidade dos frades e mordomos. E, ao chegar o Santo na procissão a este lugar, se assentou a pedra …

(Estêvão da Gama, p. 132 e 133)

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“A Igreja acha-se hoje com capela-mor fechada com grades de ferro, duas colaterais, a da parte do Evangelho do Apóstolo S. Bartolomeu e a da Epístola, do Senhor dos Passos. Tem um coro alto e uma só porta principal. Na capela-mor tem uma tribuna com um retábulo de talha dourada, ao moderno.

O Santo está num nicho por baixo da tribuna, com grades de prata, uma vidraça e coberto com um volante (véu?). Expõe-se patente nas festas principais do ano aos romeiros e devotos que o querem ver. Há uma relíquia do mesmo Santo com sua autêntica que veio de Roma., a expensas do Padre Luís Pereira, no ano de 1717, em sua custódia de prata feita mesmo em Roma com seu cristal e são cinzas do mesmo Santo. Tem duas lâmpadas de prata, uma antiga e outra que lhe deu o Infante D. Francisco (irmão de D. João V), pelo bom sucesso das nossas Armas no sítio esta Praça e basta para ficar engrandecida saber-se que foi oferta de sua Real grandeza. O Bispo D. Frey Pedro de Alencastro deixou ao Santo, por seu falecimento, a cruz e o anel episcopal.

Há nesta capela dois jazigos cujos epitáfios dizem assim: “Sepultura do P.e Diogo Galvão Pereira para a sua pessoa somente”.

            O outro contém o seguinte:

            “Aqui jas D. Catherina Theresa da Silva, mulher de Estêvão da Gama de Moura e Azevedo, mosso fidalgo da Caza de S. MageComendador de S. Miguel de V.ª Boa da ordem de N. Sr. Jezu Christo, Brigadrº de Infantaria e governador desta Praça q a defendeo no anno de 1712. Esta sipultura he própria para eles e seus descendentes. Faleceu em 28 de Abril de 1718.”

            No corpo da igreja há dois jazigos, um junto da porta principal que diz:

“Sipultura de Frey D. Pº Henriques, Señor e Comendador de Vª de Oliveira do Hospital da Ordem de S. João Baptista, para seu corpo somente.”

            O outro está junto da capela de S. Bartholomeu e diz:

“Sipultura de Ruy de Brito de Monrroyo e de sua mulher D. Joanna de Castº Brº e para seus descendentes era de 1679.” (Estêvão da Gama, p. 60)

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(1) A igreja que anteriormente ficava no local da actual, ficara muito danificada pelo bombardeamento da vila durante o cerco de 1712. Estando em processo a sua restaurção, foi fortemente atingida pelos efeitos da explosão de 1732.



publicado por Francisco Galego às 00:03
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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