Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

 

A Ermida de São João Baptista ou Sâo Joãozinho

 

Segundo Estêvão da Gama de Moura e Azevedo:

 

Das ermidas de que fala o Dr. António Novaiz, não existe ao presente mais do que a de São João Baptista, de cuja imagem se ignora o escultor e, na fé dos moradores, há a tradição de que foi a primeira que se colocou no seu templo milagrosamente. É certo que é escultura digna de reparo, porque todas as que formam os artífices do Baptista são de juvenil parecer, mas esta é de maior idade, e parece que corre com a decadência dos anos querendo a milagrosa Imagem se veja nela prodígio. Porque em todos os homens é tão natural esta velhice que se representa aos seus devotos, não só na matéria, senão na representação.

            É certo pelo que dizem os doutores Novaiz e Varella que, no  tempo da peste, que foi no ano de 1520, os moradores desta vila despejaram as suas casas e fugiram para os campos, fazendo choupanas (choças), para se resguardarem das inclemências, juntando-se a maior parte deles num sítio que ainda hoje conserva o nome das Choças.

            Havia naquele tempo um homem virtuoso que se chamava Gonçalo Rodrigues, hortelão de uma pequena horta que fabricava para sua sustentação. Entregue uma noite ao sono, acordou obrigado por uma grande inclemência de resplendores, parecendo-lhe que a vizinhança do solo o despertava para continuação do seu trabalho. Mas logo divisou que aquelas luzes eram maiores que as naturais e, entre elas, viu um homem que era o divino precursor de Cristo que o chamava para que o fosse portador da boa nova que enviava àquele afligido povo. E, dizendo-lhe quem era, lhe disse também que fosse da sua parte dizer àqueles moradores que se recolhessem porque tinha secado o castigo. E, achando-se o hortelão indigno de lhe darem crédito lhe tirou o Santo um lobinho que tinha na cabeça e lho pôs no peito do pé esquerdo, para que servisse aquele sinal de verdadeiro testemunho do seu recado. Expressando o Santo que os moradores deste Povo nunca mais sentiriam semelhante castigo como aquele que, havia dois anos, experimentavam. E que, por memória da sua poderosa intercessão junto de Deus, queria que lhe fizessem uma Igreja no sítio dos Escovais.

            Foi Gonçalo Rodrigues fazer presente aos moradores deste aparecimento e promessa do Santo e logo se lhe deu crédito, não tanto pelo que pertencia aos ouvidos senão aos olhos, porque ali a fé se não definia.

 

Nota: Desde as suas origens, até há não muito tempo, foi esta ermida local de peregrinação, de pedidos de ajuda e de pagamento de promessas por graças recebidas. Ainda até meados do passado século, em noite de São João, aí se faziam animados festejos - "o Arraial de São Joãozinho", congregando grande parte da população, com bailaricos que começavam pelo meio da tarde e se prolongavam pela madrugada, sendo também muito assistido e participado um leilão de oferendas (as Fogaças).  O dinheiro conseguido  servia  para manutenção do sítio e do culto a "São Joãozinho" maneira carinhosa como o local  era e é, ainda hoje, designado.

Parte da população mantinha também a tradição de ser neste o local que  celebrava o dia de Páscoa, indo até ele para comer o "folar".



publicado por Francisco Galego às 00:02
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
mais sobre mim
Novembro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

14
15
17
18

20
21
23
24
26

27
29
30


arquivos
pesquisar neste blog
 
Visitas
blogs SAPO