Sexta-feira, 04 de Novembro de 2016

 

A ERMIDA DE S. SEBASTIÃO

Aires Varela, cónego da sé de Élvas e vigário geral do seu bispado, no documento “Sucessos que houve nas fronteiras de Elvas, Campo Maior e Ouguela”, no primeiro ano da Recuperação[1] de Portugal que começou no 1º de Dezembro de 1640 e findou no último de Novembro de 1641”, escreveu:

Campo Maior, lugar de mil e duzentos vizinhos; tem o castelo e a vila velha, que é cousa pouca, situados em uma eminência superior a todo aquele território, bastante murado; mas a vila nova, que é corpo da povoação, está em plano aberto e sem defesa alguma.

O monte de S. Sebastião, que toma o nome de uma ermida deste santo nele fundada, fica a cavaleiro[2] da vila nova. Este lugar faz rosto[3] a Badajoz e Vilar del Rei, com cujos termos parte[4]ora por marcos ora pelo rio Xévora.

(...) Foi Matias de Albuquerque a esta vila; pareceram-lhe bem as trincheiras obradas[5]: ordenou no monte de S. Sebastião um valente baluarte que os daquela vila conseguiram com grande trabalho e gasto.

 

Esta notícia faz referência a uma das mais antigas ermidas da vila de Campo Maior. Na época referida no documento, o seu edifício original terá, provavelmente, sido substituido pelo que chegou até aos nossos dias e que está agora em processo de recuperação.

Foi nesta época e para preparar a defesa do país para a guerra que a Espanha ia iniciar para tentar recuperar o domínio sobre Portugal, que Campo Maior foi dotado de uma fortaleza que a tornou uma das mais importantes praças de guerra para defesa das nossas fronteiras.

Tendo S. Sebastião, pertencido ao exército romano, tornou-se um simbolo de referência para os miliatres. Daí a ermida se ter tornado capela militar, desde meados do séc. XVII até à desativação da praça de guerra, em meados do séc. XIX. A partir daí, foi votada a um abandono que chegou causar a sua  quase total destruição como ainda hoje podemos testemunhar.  

 

[1] Restauração da Independência

[2] Acima de

[3] Tem defronte

[4] Confina, faz fronteira

[5] Construídas



publicado por Francisco Galego às 00:05
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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