Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

 

A fama é ser conhecido. É, geralmente, efémera. Garante notoriedade no presente. Mas não se projecta como memória no futuro.

O prestígio é um modo persistente e progressivo de se ser considerado e tende a persistir como memória para além do presente.

 

 A fama resulta muitas vezes de se ser muito falado ou muito mostrado. Umas vezes por boas e, muitas outras, por não muito boas razões.

O prestígio ganha-se pelo empenho, pela competência e pela eficácia demonstrada, nas atitudes e no modo como se desempenharam determinadas missões.

 

A fama pode resultar da riqueza que se tem, independentemente da maneira como foi adquirida.

O prestígio só se adquire pelo cuidado que se tem em não ostentar essa riqueza e nele pesa o modo como essa riqueza foi adquirida.

 

A fama tanto pode resultar do Bem como do Mal que se fez.

Mas só das acções virtuosas pode resultar o prestígio de quem as praticou.

 

É importante saber distinguir estes dois conceitos quando se trata de avaliar as pessoas.

Para nós, portugueses, no momento que vivemos, é mesmo importantíssimo saber distinguir entre fama e prestígio, agora que estamos à beira de escolher os que vão ter a responsabilidade de gerirem o nosso país, ao mais alto nível: No Governo, na Assembleia da República e na Presidência da República.

Todos se vão apresentar munidos de elaborados discursos. Mas, todos eles deverão ser avaliados mais  pelo prestígio e menos pela fama de que disfrutam.

Porque neles, o que mais nos deve importar, tem a ver com a sua seriedade, a sua capacidade, o seu empenho, a sua disponibilidade e a sua competência. E não por serem mais ou menos conhecidos, por mais falados ou mais mostrados que tenham sido.

- "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça

Desta vaidade, a quem chamamos Fama!

Ó fraudulento gosto, que se atiça

C'uma aura popular, que honra se chama!

Que castigo tamanho e que justiça

Fazes no peito vão que muito te ama!

Que mortes, que perigos, que tormentas,

Que crueldades neles experimentas!

 

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto IV, 95

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 09:03
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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