Terça-feira, 20 de Junho de 2017

 

 

Reinava então em Portugal o rei D. Manuel I e remonta a esse tempo a seguinte narrativa:

 

            Campo Maior era então uma povoação bastante pequena, com nove ruas dentro do castelo e mais algumas do lado de fora das muralhas.  

            Como acontecia com alguma frequência, declarou-se na vila, como noutras terras do reino, incluindo Lisboa, uma grande epidemia de peste que provocava elevado número de mortes.(1)

            Nas terras pequenas, onde havia poucos recursos para acudir, a situação era ainda mais aflitiva. As poucas condições de higiene e a deficiente alimentação, bem como os poucos cuidados de higiene,  faziam que, qualquer doença contagiosa se propagasse rapidamente, atacando sobretudo as crianças e os velhos que eram os menos resistentes.

            Em geral, pensava-se que as pestes eram um castigo divino. Por isso, faziam-se missas, rezava-se e implorava-se, tentando, por todos os meios, alcançar a graça divina que parasse o flagelo que tantas mortes causava.

            Vendo que o ar estava empestado pela epidemia e que as suas preces não eram atendidas, os moradores procederam do modo que era usado em tais circunstâncias: resolveram sair da vila, escolheram um lugar no meio dos campos e aí construíram casas muito singelas, a que davam o nome de choças. Ainda hoje esse lugar é chamado pelos campomaiorenses como sendo o lugar das Choças.

            Aí permaneciam, havia já algum tempo, com medo de serem apanhados pela peste se voltassem às suas casas na vila.

           Porém, um certo dia, no ano de 1520, um homem chamado Gonçalo Rodrigues que andava a trabalhar na sua horta, sentindo-se cansado, sentou-se à sombra duma figueira a descansar. De repente, ter-lhe-á aparecido uma figura rodeada de uma grande luz. Assustado, o bom homem terá exclamado: “Quem sois vós senhor? Que luz é esta que não parece ser coisa deste mundo?” Ao que, numa voz forte e calma, a figura terá respondido: “Não temas Gonçalo! Eu sou João Baptista. Não vês como está o teu povo? Vai dizer à tua gente que podem voltar às suas casas. Os vossos sacrifícios e sofrimentos despertaram a compaixão de Deus, Nosso Senhor. Não haverá mais peste. Mas, em memória da graça que por Deus vos foi concedida, quero que façam na vossa terra uma igreja em meu nome e devoção”.

            O bom do Gonçalo nem queria acreditar no que lhe tinha acontecido. Foi logo ter com a sua gente e contou-lhes a extraordinária aparição que tivera. Desde logo, todos decidiram fazer uma igreja em honra de São João Baptista e uma pequena ermida para assinalar o local em que tal milagre tinha acontecido. Ficou como tradição do povo de Campo Maior que se manteve ao longo do tempo, a realização anual de uma romaria a esse local, no dia consagrado a S. João. 

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(1)" (...) De vez em quando terríveis, epidemias de peste assolavam o território, determinando a mudança da côrte para lugares não contagiados. No reinado de D. Manuel foram quatro as arremetidas: em 1502, 1506, 1513 e 1521." (História de Portugal; Volume III; Edição Monumental da Portucalense Editora; Porto)



publicado por Francisco Galego às 00:03
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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