Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

DO ACORDO (OU DESACORDO?) ORTOGRÁFICO

 

A mim não me interessa, nem me apetece discutir o acordo ortográfico.

Mas, nesta, como em quase todas as coisas que dizem respeito a muitos de nós, deve prevalecer o bom-senso.

O que me parece insuportável é o chinfrim que se está a armar em volta desta questão.

Se os que elaboraram propuseram e defendem a necessidade do dito acordo entendem que isso traz benefícios, pois que os exponham claramente e, demonstradas as suas razões, sujeitem as suas porpostas a quem de direito para que se escolha a melhor e mais sensata maneira de se fazerem as devidas mudanças.

A mim, o que me parece absolutamente insuportável, é que se diga, ou se escreva que, a partir de tal data, o acordo se torne obrigatório para todos, chegando alguns a insinuar que devia mesmo haver sansões para os casos de desobediência.

Vamos lá a ver se nos entendemos. Acham mesmo que é caso para atitudes tão arrogantes?

Pois não é verdade que, com este, ou com outro acordo, sempre foram acontecendo uns errozitos, alguns até, não tão inóquos quanto isso, sem que daí tenha vindo dano de maior importância?

Pois não é verdade que a muitos não foi dada a possibilidade de escreverem correctamente sem que isso os impedisse de comunicarem por escrito?

Pois não é também verdade que, qualquer mudança deste cariz leva sempre o seu tempo a ser implementada, mas que acaba por ser aceite sem necessidade de se impor por força ou por conflito?

Repare-se no caso dos mais idosos. Alguns, como eu, são “utentes” da escrita há mais de setenta anos. É razoável imporem-nos esta mudança que não tem a ver com as nossas aprendizagens e hábitos de tantos anos?

O argumento da tão propalada busca da facilitação não é válido para todos os casos, pois é evidente que essa apregoada simplificação se pode tornar muito complicada quando se propõe mudar hábitos muito enraizados nos nossos gestos quotidianos.

Não me interessa participar numa discussão para a qual não me sinto suficientemente esclarecido e sobre a qual não tenho fundamentadas opiniões.

Mas, entre outras razões, acho que me vou manter fiel a estes amigos – gramáticas, dicionários, enciclopédias e outros livros em geral –, que há tantos anos me rodeiam e que tanto me têm ajudado a evitar dar um ou outro errozito que, de quando em vez, tende a acontecer.

Concluo como comecei: “Nesta, como em quase todas as coisas que dizem respeito a muitos de nós, deve prevalecer o bom-senso”.

P.S. Este texto vai escrito da forma que utilizo desde que me conheço como alfabetizado.

 

 



publicado por Francisco Galego às 15:29
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