Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

Algumas das minhas mais enraizadas convicções e comportamentos advêm das condições em que nasci e do ambiente em que me criei. A partir da base inicial que me foi concedida, foi-se gerando o individuo em que me fui tornando.

Poderia apenas dizer que era um ambiente de gente que, na sua maioria, vivia com escassos recursos e com algumas dificuldades. Mas, tive o grande benefício de que, entre a minha gente, havia das pessoas mais dotadas de capacidade para cuidar e da mais disponível generosidade para proteger e acarinhar que encontrei ao longo da minha vida. Na verdade, sendo gente muito pobre quanto às condições, era gente muito rica quantos aos afectos e à atenção que costumavam dispensar aos outros, sobretudo aos que mais necessitavam que eram as crianças e os mais velhos.

Tanto na casa dos meus avós maternos como na dos avós paternos, pude ainda usufruir do carinho de duas das minhas bisavós que muito me acarinharam e apaparicaram. Aliás, eu fui muito apaparicado, pois que, até quase ao fim da infância, disfrutei do facto de, no ramo materno da minha família, ser bisneto, neto e sobrinho único de dois avôs, uma bisavó e três tias. Sendo também filho único, vivia rodeado de cuidados que ninguém me negava e que ninguém me vinha disputar.

Desta circunstância resultava haver muita gente a quem podia recorrer. Naturalmente, colaboraram na minha criação, na minha educação e na minha formação. Penso que a isso devo a solidez da base sobre a qual se foi desenvolvendo a minha personalidade e comportamento.

Era uma “grande família”, onde perdominavam as mulheres, aquela que cuidou da minha infância. Mas os três homens – pai e dois avós – cada um do seu jeito, também foram muito importantes.

A maioria daquela gente nunca tinha frequentado uma escola. Mas, tinham podido contar com o sólido de apoio de um tipo de família que era uma verdadeira “escola de vida”.

Porém, as condições mudaram tão rapidamente que nem houve tempo para que se pudessem dar as necessárias adaptações.

Infelizmente, muitos não entenderam que assim era e pensaram que a escola bastaria para compensar essas mudanças. Mas, não cuidaram de mudar também a própria escola, para a adaptar à sua nova função. O mais grave é que, até hoje, ainda não conseguiram chegar a acordo sobre que mudanças efectuar. Daí a trágica situação em que, em muitos casos, se encontra aquilo a continuamos a chamar a educação quando o que se faz em muitas escolas nem mesmo já se pode considerar como uma razoável instrução.

Talvez tenha sido a consciência de tudo isto que esteve na origem da minha decisão de me ter tornado um professor que teve a pretensão de se ter assumido como um educador. De qualquer modo, por aí andarão alguns dos que melhor me poderão julgar.

 



publicado por Francisco Galego às 09:17
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