Sábado, 13 de Junho de 2015

Estive fora alguns dias. Soube, por conversa com um conhecido comum, que estás, de novo, doente e hospitalizado. Perguntou-me se já te tinha visitado. Evitei responder por ter a certeza de que não ia ser entendido.

Penaliza-me constatar que a velhice não está a ser muito amável contigo. Primeiro, tu próprio consideraste que estavas a perder algumas capacidades. E, agora, são estes sofrimentos que começaram a atormentar-te com alguma insistência.

Penso que calculas que não te irei visitar. Não censuro os que o fazem porque entendo que isso faz parte de hábitos culturais antigos e, por isso, muitos se sentem obrigados a cumprirem essa obrigação. Mas, eu escolhi seguir, não as obrigações da tradição, mas aquilo que me parece mais de acordo com os juizos da minha razão.

Desde há muito tenho a convicção de que os hospitais são lugares onde deveriam existir as melhores condições para a cura, com tranquilidade por estarmos afastados dos problemas do dia-a-dia e total repouso para melhor se fazer a recuperação do equlibrio da nosssa saúde. Por isso, penso que as visitas deviam ser curtas e reservadas apenas aos mais próximos, preservando a intimidade dos doentes numa situação em que se encontram debilitados, enfraquecidos e, naturalmente, sem muita compostura.

Do mesmo modo penso que os funerais deviam ser reservados aos familiares e amigos mais íntimos para que pudessem, de forma reservada, iniciar o seu luto. Mas, enfim ... Hábitos são hábitos e, pelo menos, os funerais já não incomodam a figura central que é o morto.

Conheces-me bem para te poder falar abertamente, pois estás habituado à minhas “caturrices”. Mas, estou cada vez mais voltado para encarar as coisas da maneira que entendo que elas devem ser encaradas.

Dito isto – nem seria preciso dizê-lo –, sabes quanto desejo a tua mais rápida e total recuperação. Para além da amizade, há o apreço e a consideração mútua que mantivemos ao longo das nossas vidas.

Um abraço e o sincero desejo de rápidas melhoras.

 



publicado por Francisco Galego às 15:09
se eu compreendo bem esta excelente carta aberta e partilho inteiramente com tudo o que aqui foi escrito
Anónimo a 13 de Junho de 2015 às 19:58

Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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