Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

Certas ruas foram designadas em função da sua inclinação pois que, sendo ruas de aceso ao castelo e à parte mais alta e antiga da vila, são naturalmente muito inclinadas: Rua da Costanilha; Rua do Quebra-costas. Outras foram nomeadas por determinada função como a Rua do Poço, muito importante antes de se terem construído as fontes para abastecer a vila e a Rua do Forno, também dita de Rua da Fonte de Baixo. Pela mesma razão, o nome dado ao actual Largo do Barata, indicando bem a função que noutros tempos desempenhava.  Era o Largo das Estalagens e depois foi também chamado Largo do Assento por causa do edifício militar que aí foi construído. Basta descer a rua que vai dar a este largo para entender porque sempre lhe chamou o povo Rua do Paço. O actual Palácio do Visconde, onde hoje está instalada a Biblioteca Municipal João Dubráz, pertencera o um antigo bispo da família Mexia,  natural de Campo Maior e, por isso, o seu palácio era designado como o Paço.

Uma rua, no lado oposto da vila, era a Rua da Estalagem Velha que passou a Rua da Poterna quando, pela construção das novas muralhas, passou ir dar a uma pequena porta de acesso à vila, em caso de cerco, um pequeno acesso secreto que era designado por poterna. A construção das novas muralhas determinou o aparecimento de novas ruas como a Rua Nova ou da actual Rua de Santa Beatriz que, por ficar no lugar onde antes estava a cerca baixa do castelo, chamada "Barreira", foi sempre designada pelo povo por a Barreira. A Rua da Soalheira era a que dava acesso à Porta do Sol no primitivo castelo medieval.

Se a Aldeia de Pastor ou Curral dos Coelhos designavam os sítios onde se recolhiam os gados e outra criação dentro dos muros da vila, a Rua dos Quartéis indicava onde ficavam as casas destinadas a abrigo dos militares e de suas famílias quando eram colocados na guarnição incumbida da defesa de Campo Maior.

Com o passar dos tempos outros acontecimentos foram marcando a toponímia campomaiorense. Assim, quando o governo de Lisboa determinou que, pela nova Lei da Administração Civil, se devia fazer a reforma e reestruturação dos concelhos, extinguindo os antigos para os agregar em municípios de maiores dimensões populacionais e territoriais, Campo Maior foi designado como um dos que deviam perder a sua autonomia administrativa para ficar integrado num novo município sedeado em Elvas.

O povo não entendeu que vilas menores e de menor importância como Avis, Niza, e Monforte pudessem ser sedes dos novos concelhos enquanto Campo Maior se via condenado à humilhante condição de paróquia civil do concelho de Elvas. A 13 de Dezembro de 1867, a população declarou-se em revolta de resistência pacífica contra a decisão do governo. Foi nomeada uma comissão de 50 notáveis para irem representar o concelho junto do rei e do parlamento para apresentarem as suas queixas e razões. Revoltas semelhantes eclodiram por todo o país. O rei D. Luís teve de intervir. O governo de Martens Ferrão caiu. Em seu lugar foi constituído como ministro dos negócios do reino, o Conde D’Ávila, que se apressou a revogar a lei que pusera o país em estado geral de revolta.

O povo reunido em comício para comemorar, aprovou a proposta de mudar o nome de algumas ruas para homenagearem alguns dos que intervieram na luta pela salvação do município de Campo Maior: Rua da Canada – Rua 13 de Dezembro, data do começo da revolta; Rua da Canadinha – Rua do Conde de Ávila; Praça Nova – Praça D. Luís I; Largo da Carreira – Largo dos Carvajais; Rua Tenente General – Rua Visconde de Seabra (quando a actual Rua 1º de Maio passou a ser Rua Dr. Oliveira Salazar, o nome de Rua Visconde de Seabra, passou para a Rua de Pedroso); Rua da Cadeia – Calçada do Castelo; Terreiro da Estalagem – Largo do Barata; Terreiro da Misericórdia –Largo Barão de Barcelinhos, título que então usava o futuro visconde de Ouguela; Rua de Nantio – Rua General Magalhães; Rua Direita – Rua Direita da Comissão, em homenagem à comissão de 50 notáveis que tinha defendido o concelho de Campo Maior, em Lisboa.

Sucessivos acontecimentos políticos como a implantação da República, o Estado Novo e o 25 de Abril, determinaram a mudança de nomes de antigas ruas da vila. Mas, em alguns casos, os nomes populares têm conseguido subsistir, ainda que se verifique uma tendência  para, lentamente, irem desaparecendo.

 



publicado por Francisco Galego às 00:05
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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