Quarta-feira, 27 de Setembro de 2017

Ainda bem que no dia 10 começou a construção da estrada de Campo Maior a Ouguela, tendo vindo a toda a pressa um condutor de trabalhos para convenientemente a dirigir. A tempo foi, porque a crise podia tornar-se séria.

Agradecemos ao nosso amigo Sr. Graça a sua prontidão em aceder ao que se lhe pediu neste jornal e também enviamos os nossos agradecimentos à comissão de viação do distrito e á municipalidade de Campo Maior, visto que estas corporações, uma aprovando o traçado, outra instando pela pronta aprovação, fizeram o que em si estava para se acudir em demora às precisões da subsistência que já afligiam muita gente.

 

Parece que há algumas duvidas sobre ao traçado da estrada para o cemitério, pois, havendo dois estudos, se tem hesitado na preferência. Um deles, aproveita parte da estrada de Elvas e daí abre um ramal para o cemitério; o outro segue num caminho para Badajoz.

O ramal é evidentemente mais barato; mas a estrada pelo leito antigo é, a nosso ver, mais conveniente à povoação:

1º- Porque o trajecto é mais curto, quase por metade;

2º- Porque com o correr dos tempos, se poderá aproveitar esta fracção da estrada, quando vier a fazer-se a que guie a Badajoz – estrada que aliás é precisa e utilíssima até por facilitar o fisco;

3º- Porque embelezará aquele lado do campo e deve constituir um passeio, não sem mérito, para aqueles que acham poesia nas melancólicas recordações dos que amaram em vida.

O primeiro lanço da estrada de Elvas nada tem de ameno, por ser destituído de arvoredo em razão da falta de fundo do terreno; mas não acontecerá isso à nova estrada, a qual deverá ter aterros e algumas obras de arte, ficando por isso mais apta para a arborização e outros aformoseamentos.

Nós entendemos, além disso, que em construções esta ordem não se deve ser inexorável. A conveniência geral pode muitas vezes combinar-se com a particular, decente e justa.

Se se preferisse o ramal, este iria cortar em dois um excelente ferragial, que passa por ser a principal propriedade daquela espécie no concelho e, por isso, a expropriação, apesar de caríssima, causaria grade desgosto ao proprietário. Entretanto, se preferido o antigo leito, como, assim mesmo, a estrada cortaria ainda as extremidades do ferragial, decerto o dono cederia grátis o terreno que fosse expropriado.

A verdade é esta e por isso nós pronunciamo-nos francamente pela maior conveniência da estrada pelo leito antigo, embora se gastem mais algumas dezenas de mil réis: o que se gastar demais vai para a mão de quem tem grandes precisões; o que se há-de dar em expropriações, necessariamente caprichosas, é melhor gastá-lo em jornas que matam a fome dos pobres.

(J. Dubraz, In, Democracia pacífica, Nº 69, Elvas, 15/3/1868).



publicado por Francisco Galego às 00:03
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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