Segunda-feira, 04 de Agosto de 2014

Iniciada no último quartel do século XVI, a actual Igreja da Matriz ou de Nossa Senhora da Expectação, de majestosa e robusta fábrica, crê-se ser obra do famoso mestre de pedraria do cardeal-rei D. Henrique, de nome Manuel Pires, que foi também o construtor, ou pelo menos o autor dos planos das igrejas barrocas de Évora, Estremoz e de outras terras do Alentejo, obra continuada sob a dominação filipina e que só veio a concluir-se depois da Restauração, no século XVII, tendo as primitivas cúpulas de pirâmide quadrangulares, sido substituídas pelas que ali se vêem hoje em forma de calote esférica, por aquelas terem sido destruídas pelas pedras das torres do Castelo, aquando da explosão, que as atingiram a uma distância de mais de duzentos metros, assim como as abóbadas do côro e das naves, que ruíram em parte, também.

Contíguas ao imponente templo, oferece-se à curiosidade do visitante estudioso a Capela do Calvário, de monumental altar, e uma outra toda revestida de ossos humanos do género da de Évora, se bem que menos espaçosa, é mais artística, ostentando igualmente a legenda – NÓS OSSOS QUE AQUI ESTAMOS PELOS VOSSOS ESPERAMOS, o que deve fazer meditar quem a visita.

 A original e curiosa igreja barroca de S. João Baptista, bastante rica nos mármores que revestem a sua fachada e todo o interior até à cornija, é de também posterior á explosão do Castelo, portanto, do século XVIII. São estes, pois, os monumentos mais representativos que vila pode oferecer à curiosidade e à apreciação dos turistas.

Não devemos, esquecer evidentemente a famosa janela renascentista que se ostenta orgulhosamente na torre norte do Castelo, salva do desastre e que não hesitamos em atribuir ao egrégio artista normando Nicolas Chanterene, ou desenho seu e executada por seus discípulos, e da época de D. João III, século XVI, e não de D. Manuel, como a meu ver, erradamente se tem afirmado.

E não deixaremos, também, de mencionar, como digna de ser vista e admirada, uma bem trabalhada grade  de ferro forjado, que se vê numa casa denominada “da Mitra”, na rua da Canada, de nítida influência espanhola, que se pode considerar um dos espécimenes mais artísticos e aprimorados do Alentejo, só tendo pares nas de Portalegre, Borba e Marvão, e da Andaluzia, em Espanha, que possuem um notável recheio em trabalhos de forja.

Quanto a pitoresco e que classificaremos um atractivo turístico, agora que Campo Maior começa a ser ponto de passagem quase obrigatório dos turistas, especialmente estrangeiros, que percorrem o país de Norte a Sul, ao longo da fronteira terrestre e marítima, queremos citar também, como digna de uma visita que não rouba muito tempo e que o bairrismo dos seus proprietários autorizará certamente, queremos citar a pitoresca e bucólica “Quinta da Rainha”, tão ligada aos nossos primeiros voos jornalísticos, de tão saudosas recordações – hoje na posse do nosso conterrâneo e amigo José Estrela da Mata e da sua dedicada esposa, a senhora Maria Rasquilha Corado da Mata que a transformaram num acolhedor e atraente ninho de Arte, e que nos deleita o espírito, naquele remansoso vale, com os seus jardins à “La Nôtre”, cascata, ruas ensombradas de buxo e engrinaldadas do roseiral e trepadeiras, lago e jogos de água, horta e pomar bem cuidado, que o vetusto solar domina com seu torreão de ameias e melões, que me levam a atribuir sua fundação ao século XVI (em que um grande número de solares ostentava sua torre ameiada em ar de fortaleza), embora suas fachadas tenham sido posteriormente modificadas e acrescentadas, a do lado Norte, com imponente escadaria de feição setecentista, e que dá majestade ao amplo pátio, ainda embelezado com graciosa fonte valorizada por uma escultura em mármore representando Neptuno com seu tridente clássico e de razoável execução.

Além disso, pode o turista admirar ali uma interessante e bem organizada colecção de Arte (tapetes, telas, peças de cerâmica, cobre, mobiliário, e outros objectos), que os seus proprietários têm vindo, desde há anos, a reunir para regalo do seu espírito, destacando-se uma original e típica colecção de almofarizes de bronze, alguns deles armoriados e que outra mais numerosa não conheço no país, nem mesmo nos inúmeros museus que me tem sido dado visitar, pois consta de mais de quarenta valiosas e artísticas peças que oferece à nossa vista curiosa.

 

JOÃO RUIVO



publicado por Francisco Galego às 12:20
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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