Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

 A terrível explosão de um armazém de pólvora e munições provocada por violenta trovoada num dia de Setembro do ano de 1732, destruiu infelizmente, quase tudo quanto a vila possuía de mais notável em matéria de arte arqueológica que vinha desde os primórdios da nacionalidade até àquele fatídico ano.

Além de algumas das torres e panos de muralha do Castelejo – parte mais antiga da fortificação medieval, que deve ter sido erguido após a conquista definitiva de Évora e de Beja aos moiros, no século XII, sobre as ruínas da anterior fortificação construída pelos muçulmanos no local onde existira, um castro romano, castelejo que mais tarde foi ampliado com uma nova cinta de muralhas no tempo de D. Afonso III, cuja pedra de armas se pode ainda ver encimando uma das portas, a do lado poente, para defesa da vila velha que se expandira pelo outeiro adjacente e sob a protecção das suas maciças torres, ficou também destruída até aos alicerces, de que existem ainda vestígios no local, a majestosa e altaneira torre de menagem, obra de Dinis, em cujo piso térreo fora instalado o paiol.

Todo o casario da primitiva vila medieval ficou do mesmo modo destruído e com ele os solares de famílias nobres, com seus portais e fenestras de ogiva e suas grades de balcões como ainda se vêm na parte antiga das vilas de Marvão, Castelo de Vide, Estremoz, Monsaraz, Albuquerque e Olivença, todas coevas.

Desapareceu igualmente a igreja romano-gótica ou gótica de Santa Maria do Castelo, primitiva Matriz e, como é de crer, todo o precioso recheio e tudo quanto de interesse e de valor deveria existir na igreja e no palácio do governador e antigos solares, em mobiliário, tapeçarias, peças de arte, etc.

Esta parte mais antiga da vila jamais foi reedificada, atulhando-se o recinto com os materiais dos escombros, até á altura do caminho da ronda ou adarve, transformando-se na esplanada que veio até aos nossos dias

Fora do recinto fortificado já existiam, à data da explosão, algumas ruas, casas de moradias e solares como os dos Teles da Silva e Teles de Menezes, dos Vaz e dos Barreiros, dos Galvões e dos Mexias, e de outros nobres, assim como os Paços do Concelho, mas todos de construção que se presume posterior aos séculos XIV e XV, os quais devem ter sofrido também graves estragos, e obras de reparação que decerto lhes alteraram a traça primitiva, pois nada mostram dos estilos daquelas épocas, a não ser um portal gótico que me parece ainda sobre existir no antigo Domus Municipalis, transformado em Açougue após a horrorosa catástrofe, na qual perderam a vida alguns milhares de habitantes, a vila que já então era populosa, e ruíram algumas centenas de casas, segundo os relatos da época.

 

 

JOÃO RUIVO



publicado por Francisco Galego às 12:00
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