Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

 

Quadras recolhidas por José Leite de Vasconcelos no seu “Cancioneiro Popular Português” ( 5 )

 

Dá-me uma “petinha”[1] d’agua,

Qu’inda hoje não bebi;

Faz da tua boca bica,

Que não tenho nojo de ti.

 

Tua boca me parece,

Um botãozinho de rosa;

Tenho visto bocas lindas,

Mas nenhuma tão formosa.      

 

A nossa amizade amor,

Não tem peso nem medida;

Tu és cravo num andor,

Eu sou rosa numa ermida.

 

Fui ao jardim dos amores,

Colher uma camoesa;

Ganhei o céu em te amar,

Já não quero mais riqueza.

 

Inda que tenha “paixão”[1]

Em te vendo se me tira;

Amor do meu coração,

Hás-de julgar que é mentira.

 

No coração duma pomba,

Nos ares da Primavera;

Quem me dera adivinhar,

A tua intenção qual era.



[1] No sentido de “mal de amor”, sofrimento.



[1] “Petinha” = pinguinha



publicado por Francisco Galego às 09:47
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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