Sexta-feira, 01 de Abril de 2016

ORIGENS DA VILA

 

 O SÍTIO DE S. PEDRO NA HISTÓRIA DE CAMPO MAIOR

                                   

“ (…) Porém duvidamos que a povoação fosse fundada no sítio onde está o castelo. Talvez no sítio de S. Pedro no qual há uma ermida e onde, segundo fontes muito antigas haveria uma fortaleza ou atalaia dos romanos.

Dista a Ermida de S. Pedro da povoação de hoje dois mil passos em terreno plano, com um vale muito fresco, capaz de hortas e pomares, com água nativa e conserva um chafariz (nome que nos deixaram os mouros), que é do concelho desta vila.

Estamos persuadidos de que neste campo, por ser o maior que há nestas vizinhanças, fundaram os romanos este povo, obrigados por um acampamento em que se fixaram como sucedeu nas outras mais povoações que fundaram, como é sabido.

 Neste campo de S. Pedro se acham as ruínas, cimentos, sepulcros, além de colunas. Distante um quarto de légua conserva-se um muro de pedra e cal que corta um pequeno ribeiro e a que ainda hoje se chama Muro da Represa, que servia para que os gados dos moradores bebessem nele.

É também ponderável que, neste sítio de S. Pedro, se apartam vários caminhos e estradas para Mérida, Badajoz, Ouguela, Albuquerque e Arronches.”

 (Estêvão da Gama, p. 30)

 

 

Escrito por João Dubraz, há quase 150 anos.

 

A vila é abundante de água potável e os campos adjacentes, ainda que um pouco secos, são férteis e bem cultivados. Nota-se, porém, durante o Estio, uma zona quase circular que tem de diâmetro alguns milhares de metros, cujo centro é o povoado, onde a vista quase só pousa sobre pés de plantas devastadas pelo ceifeiro.

Como contrasta então este terreno árido, queimado pelo sol e pelo fogo, repugnantemente feio e incómodo, com os tapetes luxuriantes de verdura e semeados de papoulas que brotam no Inverno e se alindam na Primavera!

O clima é áspero pela deficiência de arvoredo que só abunda a dois e mais quilómetros dos muros. No Inverno desce o termómetro a uma temperatura bastante baixa, elevando-se no Estio a ponto de se tornar o calor quase insuportável. O Verão é, pois, ardente e feio, o Outono temperado e agradável e o Inverno muito frio, mas com dias tão suavemente deleitosos como os que se podem desejar na Primavera. Esta é irregular - ora fria, ora quente, ora ventosa, ora húmida - sendo as menos vezes as que se diz lhe serem próprias, isto é, suave e amena. Os belos dias de Campo Maior são quase sempre em Janeiro: nesses dias excepcionais o sol resplende sem deslumbrar e o calor dos seus raios, tépidos e voluptuosos, vem tocar-nos com a sensação castamente perfumada de um beijo de criança.

 



publicado por Francisco Galego às 00:10
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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