Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017

Há ainda muitos professores que arrastam, ao longo dos anos, como se de um fardo se tratasse, aquilo que devia ser tomado como a sua missão e sua forma de realização pessoal. Comportam-se como se o seu dever profissional se reduzisse aos de meros emissores de conhecimentos que os alunos, reduzidos à condição de meros recipientes, têm que ir acumulando.  

Ora, isto é inviabiliar qualquer projecto minimamente aceitável e capaz de produzir os efeitos necessários e expectáveis. Os alunos são pessoas envolvidas numa formação que deve ser propiciada através de projectos educativos com objectivos claramente definidos e com espectáveis garantias de eficácia.

É hoje consensual entre os que, no universo escolar se dedicam mais seriamente à análise das práticas educativas, que a apreocupação de ensinar os alunos a aprender de forma adequada os conhecimentos que têm de adquirir é, além de facilitadora por gerar interesse e acelerar a aquisição desses conhecimentos, aquela que, uma vez adquirida, tem maior eficácia por tender a permanecer ao longo das suas vidas.

Naturalmente que uma estratégia centrada nas tarefas desenvolvidas na sala de aula exige um prévio e apurado trabalho para que as aulas decorram em boa ordem e com eficácia. Como contrapartida, nestas condições, os comportamentos desregrados, ou de conflito, tenderão a desaparecer, a acção do professor terá maior possibilidade de observação dos casos isolados, dotando-se assim da capacidade de intervenções mais individualizadas no acompanhamento dos alunos.

A aula tornar-se-á o local privilegiado das aprendizagens. Poderá também assim desempenhar a sua função de contribuir para atenuar as desigualdades sociais determinadas pelas diferentes condições sócio-económicas e culturais que os alunos levam dos seus ambientes familiares para as escolas e que constituem um factor tantas vezes fatalmemte determinante do seu sucesso escolar e que irá condicionar o seu projecto de vida. Colateralmente, a escola dará também lugar a que os alunos, como é próprio das fases do seu crescimento, possam dispor de tempos livres para realizarem a sua socialização através dos seus grupos de convívio e de crescimento.

Nesta perspectiva, os professores deixam de recorrer aos “trabalhos de casa”, deixando apenas ao critério dos alunos e das suas famílias a decisão sobre a maneira de ocuparem o seu tempo noutras actividades que poderão contribuir de forma positiva para sua formação como pessoas. É indismentível a afirmação de que, muitos dos professores que são considerados pelos bons resultados obtidos, não recorrem a esses tempos de trabalho fora da escola, que servem apenas para compensar as aprendizagens que deviam ter sido feitas no universo escolar.  

 

Foi a leitura do texto publicado na revista VISÃO nº 1250 de 16/2/2017 pág.s 10 a 12, que ditou este impulso de escrever, não resistindo ao que em mim ainda resta, com alguma saudade, da minha vida de professor.



publicado por Francisco Galego às 00:08
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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