Quarta-feira, 12 de Abril de 2017

Vencidos que são dois dos três períodos do ano escolar em curso, voltam a estar na preocupação das famílias as questões da educação, dos seus resultados, das previsíveis consequências e das soluções a encontrar para resolver os graves problemas que tanto preocupam os que estão mais atentos às suas consequências sociais.

Posto à conversa, com um dos meus amigos, o assunto acabou para derivar para um artigo, por mim publicado, sob o título A propósito de uma leitura...,haverá aproximadamente dois meses, sobre as questões das escolas e da educação. Começou o meu interlocutor por dizer que tinha grande dificuldade em aceitar algumas das convicções e dúvidas que eu  tinha então expressado.

Perguntando-lhe qual a razão, disse que lhe parecia que eu estava a não considerar as grandes diferenças que os professores hoje têm de enfrentar nas salas de aula, quando exercem a sua profissão. Mas, -  contrapus eu - , essa é precisamente a razão dos maus resultados e dos muitos conflitos que acontecem actualmente nas questões da educação.

Vou tentar explicitar alguns dos espectos que referi, no texto publicado e que suscitaram a sua desprovação:

  1. As mudanças sociais, principalmente a fraca competência que se verifica em muitas famílias, sobretudo as mais carenciadas de recursos e de menor nível educativo e a necessidade de as escolas assumirem essa função para atenuarem as desigualdes.Ora, não pode haver educação conveniente se não for acompanhada por educadores atentos e capacitados;
  2. A escola, sendo um elemento social de grande importância na preparação das novas gerações, deve estar atenta às mudanças sociais para cumprir, de forma adequada, a sua função. Ora, em muitos espectos, a escola apresenta ainda, formas de organização e comportamentos próprios de um modelo escolar que, tendo sido eficaz em tempos passados, são completamente desadequados para as necessidades dos tempos presentes.
  3. O ensino é hoje entendido, não como sendo apenas conveniente e de frequência mais ou menos voluntária, pois cada vez se alarga mais o número de anos em que é obrigatória a sua frequência, mas porque é cada vez mais evidente a sua necesidade como forma de garantir uma preparação que evite e previna indesejáveis comportamentos sociais, ou que levante dificuldades para entrada no actual mercado de trabalho.
  4. A escola que é hoje necessária, não é compatível com determinadas práticas. Daí que haja cada vez maior necessidade de, partindo de novos pressupostos, recorrer a novas práticas que, de forma abreviada, podemos assim enunciar: - um ensino não baseado na memorização que tem hoje muito pouca ou nenhuma utilidade, porque os conhecimentos estão em constante mudança; - uma avaliação dos resultados da educação baseada apenas nas classificações dos alunos, medindo principalmente o insucesso, em vez de avaliar as suas causas para se aplicarem as mais adequadas estratégias de remediação.
  5. Porque, analisada numa certa perspectiva, convém colocar a seguinte questão: - essa avaliação mede o insucesso dos alunos ou o insucesso da escola para dotar os alunos da capacidade e da vontade de adquirirem os conhecimetos, as competências e as capacidades que irão determinar as suas condições de vida?
  6. Por outro lado, será que a própria formação dos professores está a ser devidamente orientada para os dotar das competências necessárias para o real exercício da sua profissão?
  7.  A escola de elevado insucesso não será a que implica maiores custos, dadas as consequências sociais que esse insucesso irá causar?

Como se vê, trata-se de um assunto de tão grande importância que, manda a prudência,  deve ser abordado, não em termos de meras percepções ou opiniões, pois exige o levantamento de questões e a aquisição de conhecimentos e de informações que permitam formular soluções devidamente fundamentadas.

Felizmente, começaram a aparecer políticos que revelam sensibilidade e que estão atentos para procurarem soluções para as questões da educação. Em contrapartida, há ainda muitos para os quais estas questões são as que menos importam para satisfação dos seus interesses e para orientação das sua acção no desempenho dos cargos políticos para que conseguem ser eleitos.

Infelizmente, na maior parte das vezes, a realidade muda muito depressa, mas muda muito lentamente, ou nem chega a mudar, a mentalidade daqueles que deviam resolver os problemas levantados pelo fluir contínuo dessas mudanças.

 



publicado por Francisco Galego às 00:01
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