Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

 

Tempos houve em que cada povoação tinha as suas próprias festas e romarias. Mas, algumas delas, por motivos religiosos, ou pelo brilho das suas realizações, atraíam gente de outras terras, tornando-se famosas como locais de trocas, de diversão e de peregrinação.

No Alto Alentejo, sobressaía entre todas a Feira de São Mateus, em Elvas. A Feira de São Mateus remonta ao século XVI pois, segundo os investigadores, terá começado a funcionar entre 1525 e 1574. Cerca de duzentos anos mais tarde, veio associar-se-lhe uma peregrinação que, a partir de 1737, se começou a fazer no sítio onde se construiu o santuário do Senhor Jesus da Piedade. Tanto a feira, como a romaria, ganharam grande importância entre as gentes do Alto Alentejo, tanto mais que a sua realização, coincidindo com o equinócio do Outono, marcava o período em que se dava por encerrado um ano agrícola e se começavam a tomar as disposições para o arranque do ano agrícola que se ia seguir.

As pessoas, em grande parte as que estavam mais ligadas ao trabalho nos campos – aproveitando a romaria pela devoção, e a Feira de São Mateus por ser local de trocas muito necessárias às actividades agrícolas –, deslocavam-se a Elvas para aí permanecerem durante os três dias que durava o evento. Os transportes eram, nesses tempos, difíceis e lentos. Em volta do terreno da feira, formavam-se grandes acampamentos de gente vinda de quase todas as terras desta região.

Para além da grande diversidade de gentes que acorria a este evento, alguns vindos de terras bem distantes, é interessante constatar que, entre essas terras, tomavam relevo as gentes de Olivença, o que indica que eram ainda muito fortes os laços culturais que ligavam os oliventinos a Portugal.

 

 



publicado por Francisco Galego às 18:50
Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

Lentamente
aproximou a mão.
Colheu um fruto.


Com gestos ancestrais,
retirou-lhe a casca.


Levou-o à boca.
E, logo a língua
lhe pesou o gosto,
maduro e denso.


Tudo fazia sentido.
Tudo estava certo.


Como um saber antigo,
simples, preciso e exacto.

 



publicado por Francisco Galego às 11:48
Domingo, 17 de Setembro de 2017

" CAMPO MAIOR NA OBRA DE JOÃO DUBRAZ, EM 16 DE SETEMBRO DE CAMPO MAIOR NA OBRA DE JOÃO DUBRAZ, NO AUDITÓRIO DO CENTRO DA CIÊNCIA DO CAFÉ, EM 16 DE SETEMBRO DE 2017, PELAS 17 HORAS. EM 2 VOLUMES:

1. MEMÓRIAS HISTÓRICAS DE CAMPO MAIOR;

2. MEMÓRIAS CONTEMPORÂNEAS (1828-1868)

 

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Começo por colocar duas questões:

 

PORQUE ESTAMOS HOJE, AQUI, NESTE LOCAL?

TRATA-SE AFINAL DE FAZERMOS O QUÊ?

 

Este tique de começar a tratar de um assunto fazendo perguntas para depois me ocupar em lhes responder ficou-me como hábito, do meu ofício de professor. Afinal, aprender é procurar respostas para as dúvidas que temos sobre aquilo que devemos saber. Por isso, pareceu-me bem que, antes de começar esta conversa convosco, devesse tentar responder a estas questões, para ver se concordamos na razão que aqui nos trouxe.

Comecemos, portanto, a tentar responder.

O que melhor define uma comunidade, como esta em que vivemos, é a sua cultura, marca essencial da sua identidade. Ou seja, cultura entendida como património que preserva o nosso passado e a nossa memória e cultura como criação que, devido ao nosso esforço colectivo, prepara o futuro das novas gerações.

E é isso que aqui nos trouxe hoje. Viemos aqui para tentarmos recuperar a memória da nossa terra, conservada com tanto esforço e com imenso sucesso pela obra de um homem que eu assumo considerar como um dos expoentes máximos da cultura campomaiorense.

 

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Chamou-se João Dubraz.  Aqui nasceu, aqui viveu e aqui morreu, tendo-se ausentado muito poucas vezes, e por períodos muito breves, desta nossa mátria, Campo Maior. Sim, eu digo mátria quando me refiro à nossa terra, porque, se a pátria designa o território, a comunidade, o povo, a história e a língua, em que nos integramos como portugueses, eu digo mátria, para designar a terra-mãe onde nascemos, onde nos criámos e onde adquirimos alguns dos sentimentos que nos definem como campomaiorenses.

Vamos tratar de um assunto que, sobretudo, tem a ver com o passado. Logo, trata-se de algo que tem a ver com a História. Para melhor se entender o que vos pretendo comunicar, permitam-me que, primeiramente, vos diga algo sobre a minha maneira de entender esta disciplina social a que chamamos a História. Há os que tendem a entendê-la como um relato ou narrativa do que se passou em tempos idos. Eu, como professor de História, procurei seguir outra linha de pensamento que começou a ser teorizada por Cícero, filósofo romano do século I A.C., ao considerar a História como “a mestra da vida” e que, nesta linha de pensamento, foi muito bem definida por Theodor Mommsen, historiador alemão do séc. XIX, como a “mãe e a mestra da economia e da política”.

Eu, perdou-se-me a imodéstia, procurei que, a disciplina que me cabia orientar na formação das novas gerações, fosse a trave mestra da sua educação e da sua aprendizagem para obterem conhecimentos sobre a evolução das comunidades humanas.

Se pode ser verdade que o hábito não faz o monge, não deixa de ser verdade que, o ter-se sido monge, poderá modelar bastante o nosso carácter. Quero com isto prevenir-vos de que, sempre que se trata de História, as minhas concepções são moldadas pela maneira como entendo esta área do conhecimento e isso tem a ver com a minha profissão: ser professor. 

Venho aqui apresentar-vos uma obra em duas partes. Na primeira juntei as memórias históricas que João Dubraz foi recolhendo, com o objectivo de dar a conhecer os principais acontecimentos que, ao longo dos séculos, tinham marcado a história de Campo Maior. Mas, porque João Dubraz não foi apenas um homem da cultura, mas, também um homem da acção e que, pelo seu conceito de cidadania, se sentia obrigado a assumir certos compromissos, no segundo volume juntei, para nossa memória e para memória futura, a descrição dos acontecimentos em que ele teve participação relevante, porque, vivendo numa época de grandes conflitos e de grandes mudanças teve, por vezes, de enfrentar perigos que colocaram em grande risco a sua própria vida e o conforto dos seus famíliares e amigos.

Ao relato dos factos por ele presenciados, alguns dos quais com a sua participação e responsabilidade directa, dei o nome de memórias contemporâneas.

 

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João Dubraz foi ao longo de quase toda a sua existência de setenta e sete anos, um exemplo de integridade, de coerência e de coragem, em defesa das causas concordantes com os seus principios, com as suas ideias e com as suas opções de vida. 

Esta obra que aqui se apresenta, contém os escritos que este autor publicou, numa obra a que deu o título de Recordações dos Últimos Quarenta Annos, publicada em 1868 e que, com grande supresa do seu autor, esgotou rapidamente, pelo que teve uma 2ª edição, em 1869, que logo também esgotou.

A Câmara Municipal de Campo Maior, fez dela uma edição em cópia fac similada¸em 1997 que, segundo julgo, está também esgotada.

 

Foi por ter considerado ser muito grande o seu valor, que eu achei que se tornava urgente e necessário fazer a sua reedição. Este projecto teve logo o apoio, tanto da Câmara Municipal de Campo Maior, na pessoa do seu presidente, Ricardo Pinheiro, que desde logo disponibilizou os recursos técnicos e humanos, como da Delta Cafés, na pessoa do seu administrador, senhor João Manuel Nabeiro que, como já antes tinha feito com outras obras por mim apresentadas, mais uma vez, assumiu patrocinar esta edição.

Creio que, no âmbito de uma política cultural, poucas medidas seriam mais merecedoras de acolhimento. Em primeiro lugar, porque João Dubraz tem sido injustamente esquecido. Mas, principalmente, porque o conhecimento da sua obra revela o que de mais importante existe sobre a história de Campo Maior. Por isso, achei que se tornava urgente e necessário, fazer a sua reedição.  Mas também, em meu entender, porque a obra de João Dubraz não se limita ao livro, antes referido. Na verdade outros livros por ele publicados são hoje quase desconhecidos. E, também, porque grande parte dos seus escritos, alguns de grande importância, foram apenas publicados nos jornais da época, daí serem do conhecimento de um número muito restrito de pessoas. Por estas razões, procurei fazer uma nova edição, tão completa e significativa quanto possível e tão crítica e explicativa quanto estivesse ao alcance dos meus conhecimentos e das minhas capacidades.

Tratando-se de uma obra produzida há quase dois séculos, optei por usar uma linguagem e uma escrita actualizadas, portanto, bastante diferentes das que, então, João Dubraz utilizava. E também, porque nela são referidos personagens e factos que só adquirem significado, mediante uma empenhada e bem orientada investigação, julguei que seria útil juntar ao texto as notas explicativas que facilitassem a sua compreensão.

Dado o inegável facto de esta obra ser tão importante para preservação da nossa memória e de estar tão esquecida e ser tão ignorada como é ignorado o próprio autor que a criou, acabei por me impôr, o dever de elaborar um 3º volume com o título de: Vida e Obra de João Dubraz.

 

Também este livro já está concluido.  Mas, será apresentado no contexto da celebração do Bicentenário do Nascimento de João Dubraz, programada para o próximo dia 21 de Janeiro, o dia do seu nascimento, em 1818.

Tive o atrevimento de pensar que, neste domínio, poderia trazer mais um contributo interessante para o fim que me propunha alcançar. Não me faltou nem o interesse, nem o empenho para realizar esta tarefa. De qualquer modo, tratava-se de realizar um projecto a que, na medida do possível, me fui dedicando, desde os tempos em que frequentei o curso de História, na Faculdade de Letras de Lisboa. Claro que a prioridade dos meus deveres como professor, não me deixou o tempo que seria necessário para concluir, mais cedo, este projecto. Mas agora, noutro tempo e com outra disponibilidade, aqui estou para dar conta do trabalho desenvolvido. Para começo, entendo que devo explicar claramente ao que venho, ou seja, os objectivos e intenções deste projecto que são:

- Em primeiro lugar, dar a conhecer a obra de João Dubraz, que considero o mais notável e empenhado escritor de Campo Maior, pois que, além de ter escrito uma obra de considerável extensão é, pela sua inteligência, pela grande cultura que adquiriu e pela integridade do seu carácter, uma fonte muitíssimo importante para o conhecimento da história desta “mátria”, ou seja, da “terra mãe” que serviu de berço e de palco aos que, como ele, aqui cresceram e aqui viveram, como é o caso de alguns dos que aqui estão presentes;

- Seguidamente para tentar justificar porque dou tanta importância a este autor e à obra que nos deixou como testemunho e que é uma peça importante do nosso património cultural como campomaiorenses;

- Em terceiro lugar, para sublinhar a importância que a sua obra tem para que, os que nos querem conhecer, encontrem nela tudo o que nela possa ser merecedor de atenção, pelas preciosas informações que ela contém.

 - Em quarto lugar, porque um escritor só pode ser conhecido através da leitura das obras que nos deixou. Por isso, convém que essas obras estejam disponíveis e nos sejam acessíveis. Essa foi a razão porque a minha preocupação fundamental foi, acima de tudo, tornar acessível e facilitada a leitura das obras deste nosso conterrâneo.

 

Porque considero que não há qualquer exagero no que digo, permitam-me que partilhe convosco que, esta obra em dois volumes, que aqui estou a apresentar e mais o terceiro que será apresentado em breve, pertencem ao conjunto dos três volumes que resultaram do projecto que comecei a desenvolver há mais de quarenta anos.

 

No início dos anos 60 do século passado, eu tinha começado a frequentar o curso de Filosofia, na Universidade de Lisboa.

Um dia, um amigo trouxe-me o recado de que, João Ruivo, nosso conterrâneo, estava muito interessado em falar comigo.

João Ruivo era alguém de quem eu já ouvira falar por ser também um nome notável da cultura campomaiorense.

Em relato muito abreviado, digo-vos que fui visitá-lo e que, na conversa que então tivemos, me disse que tinha algumas referências a meu respeito. João Ruivo que, nessa época, tinha já uma avançada idade, falou-me da mágua que sentia por já não poder manter o projecto de se dedicar a estudar e a divulgar a obra de João Dubraz. Por isso, ao saber que eu estava por perto, pensara em delegar em mim a continuação dessa tarefa.

Fiquei bastante admirado. Argumentei que, além da minha quase nula preparação para o efeito, os meus interesses e projectos de vida estavam então orientados para áreas muito diferentes.

Surpreendeu-me com a seguinte declaração:

Que sabia que assim era, mas só queria entregar-me um documento com as referências bibliográficas sobre a história de Campo Maior, bem como os dados que possuía sobre a obra de João Dubraz.

Que tinha a esperança de que, um dia, eu iria tomar em consideração a importância do que naquele momento me entregava.

Fiquei tão intrigado com aquela proposta que comecei logo a ir para a Biblioteca Nacional procurar informações sobre aquele João Dubraz de cuja obra acabara de tomar conhecimento e das obras sobre Campo Maior que estavam na lista dactilografada que ainda hoje guardo comigo.

Confesso que, apesar da fraca preparação que nessa época tinha, fiquei desde logo bastante impressionado.

 

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Evitando entrar em pormenores, alguns anos depois, tendo já iniciado a minha vida como professor, resolvi voltar à faculdade para remediar o desencanto que para mim fora o curso de Filosofia, inscrevendo-me no curso de História.

Ora, após o 25 de Abril de 1974, a faculdade, abrira turmas para trabalhadores estudantes que antes não tinham podido frequentar os cursos por incompatibilidade de horários. Foi assim que eu e muitos outros, em iguais condições, pudemos regressar para continuarmos os nossos estudos. 

Entretanto, o quadro docente da faculdade renovara-se com a admissão ou readmissão de notáveis intelectuais, que a ditadura impedira de leccionar nas Universidades.

Foi assim que tive a sorte de, entre outros, ter como professor de História Contemporânea de Portugal, o Prof. Joel Serrão, um dos nossos mais notáveis historiadores, que eu conhecia e muito apreciava pela leitura das obras que ele tinha publicado.

Foi um privilégio conhecer um professor que adoptava nas suas aulas uma atitude aberta, proactiva, dialogante, por vezes desafiadora e, sobretudo, muito favorável à gente da turma que nós constituíamos, por termos já mais idade do que a dos outros alunos que, habitualmente, frequentavam os cursos da faculdade.

Um dia, Joel Serrão disse-nos na aula, mais ou menos isto: “Meus senhores! A verdadeira História de Portugal está, em grande parte, por fazer. A que geralmente conhecemos, é essencialmente baseada no que aconteceu nos grandes centros urbanos, mas quase nada sabemos sobre o que se passou no resto do país. Pertence à vossa geração, agora livre de constrangimentos políticos, deitar mãos à obra e fazer a história que falta ser feita”.

Para a avaliação na sua cadeira, o prof. Joel Serrão, sugeriu-nos que, sendo possível, fizessemos trabalhos sobre os pequenos ou médios centros urbanos a cuja documentação tivessemos acesso.  Eu, lembrando-me do testemunho que João Ruivo me passara ao dar-me a conhecer a obra de João Dubraz, pus-me desde logo ao trabalho.

Num dia em que o professor perguntou se já havia projectos em curso, eu anunciei que já tinha o meu algo adiantado e que tinha comigo cópia que lhe pedia que visse, pois gostaria que a analisasse, para eu saber se estava a seguir aquilo que seria mais adequado ser feito.

Na semana seguinte, antes de começar a aula, o professor Joel Serrão perguntou-me se não me importava de ler em voz alta o capitulo que lhe entregara. Depois dessa leitura, fez considerações muito elogiosas sobre a importância documental do autor referido naquele texto, sobre a qualidade da sua escrita e sobre o valor do que era testemunhado na sua obra sobre a transição do absolutismo para o liberalismo numa vila duma região situada tão no interior de Portugal. 

Estas considerações serviram-lhe para motivar a turma, pois ficara ali demonstrada a verdade do que antes nos tinha dito:

De facto, a verdadeira História de Portugal, estava ainda por ser feita.

Foi tal a motivação daquelas palavras que, naquela turma, se produziram textos tão interessantes e de tão elevada qualidade, que se resolveu criar uma revista onde esses trabalhos pudessem ser publicados. Foi aí que publiquei o meu primeiro trabalho sobre João Dubraz, intitulado A Implantação do Liberalismo na Vila de Campo Maior, publicado em Janeiro de 1979, na revista HISTÓRIA E SOCIEDADE.

Desde aí, não mais parou o meu interesse pelo projecto de dar a conhecer uma obra tão importante e que agora dou por concretizado com a apresentação destes livros.

Permitam-me que acrescente que, tendo recentemente, chamado a atenção do S.r Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior para que, no próximo dia 21 de Janeiro de 2018, se completaria o bicentenário do nascimento de João Dubraz, logo se mostrou sensibilizado e interessado em que se procedesse à comemoração desse facto.

Assim sendo, talvez possamos considerar este nosso encontro, um primeiro passo para que se realize essa celebração. Contudo, porque agora se cumpre a chegada ao fim de um percurso de muitos anos, permitam-me que acrescente, para finalisar, algumas considerações:

- Gostaria que ao lerem estas obras, ficassem com uma ideia da grandeza deste nosso conterrâneo, como cidadão, como escritor, como historiador, como professor, como político e como advogado, pois tudo isso ele foi, como o homem de cultura que, pelo seu próprio esforço, conseguiu ser.  Mas, por uma questão de honestidade, devo também acentuar que, tanto no tempo em que viveu, como ainda hoje, isso não significa que tenha sido reconhecido o seu extraordinário valor por aqueles que com ele conviveram. E isso ainda se reflecte no tempo presente, como se comprova pelo desconhecimento da obra que nos legou. 

Perante isto, não posso deixar de pensar que as coisas eram então, como infelizmente ainda são hoje. Embora as circunstâncias em que vivemos, mudem de forma rápida e constantemente e que, cada vez se acentue mais a velocidade dessas mudanças, há uma coisa que continua a mudar tão lentamente que chega a parecer que, de facto, não há mudança. Refiro-me aos comportamentos, às atitudes e ao pensamento de muitas pessoas.

João Dubraz, que tinha inteligência e merecimento para ser engrandecido e beneficiado, estava numa situação bastante dificil, quando morreu.

Perdera quase todos os seus bens. E, por nunca ter evitado censurar atitudes e decisões que não lhe pareciam correctas, foi-lhe negada a possibilidade de continuar a dar aulas, único recurso a que podia recorrer no final da sua vida, tendo que se deslocar para Amarante, no distante Minho, para continuar a exercer a sua acção como professor.

Infelizmente, é esse o destino de alguns homens de grande valor, os quais, prezando muito a sua dignidade e moldando o seu comportamento pela exemplaridade do seu carácter, tendo embora dedicado as suas vidas a ajudar, a apoiar e a favorer os outros, se vêem depois abandonados e mesmo hostilizados com ingratidão, por alguns dos que mais ajudaram.

Mas, é fácil entender a razão porque isso acontece com tanta frequência.

É que, esses homens, acabam por serem considerados os espelhos que reflectem a real mediocridade dos que, a tudo recorrem para vingarem na vida, a qualquer preço.

João Dubraz, que podia ter feito uma notável carreira como homem público ou como político, morreu empobrecido, esquecido e hostilizado, por alguns dos que dele se tinham servido para obterem a notabilidade de que depois se pavoneavam e que lhes permitira alcançarem os cargos que lhes conferiam prestígio social, poder político e desafogo económico. 

Mas, deixemos isso. De alguns desses, nem sequer já nos lembramos dos seus nomes. Mas, estamos aqui reunidos para falarmos de João Dubraz, do Homem e da sua Obra, em termos de verdadeira memória. E, numa perspectiva histórica, só isso tem uma real importância.

 

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Por me ouvirem dizer estas coisas, não julguem que tenho a ilusão de poder mudar esses comportamentos.

Sei-o bem! Porque, quem escreve sobre o passado, tem de saber que só podemos esperar a aceitação de alguns, muito poucos, dos que, no presente, nos irão ler com alguma atenção.

Contudo, podemos pelo menos manter a esperança de que, se a obra tiver algum mérito, ela, no futuro, irá ser visitada e lida com apreço, pois que, haverá sempre quem pense que, no passado está a explicação do que acontece no presente e que isso será importante para que se possa programar, de modo fundamentado, o que se pretende que venha a acontecer no futuro.

É, na sequência estruturada dos tempos que se vão sucedendo, que se garante a evolução progressiva das sociedades humanas e convém que tomemos sempre em consideração que, se o passado foi a semente do presente, o presente será a semente do futuro.

Daí que:

- Importa conhecermos o que aconteceu antes, para melhor compreendermos o que agora está a acontecer;

- Importa compreendermos bem o que agora está a acontecer, para agirmos da melhor maneira possível e, assim, garantirmos que seja melhor o que poderá vir a acontecer.

Para dar o exemplo, vou terminar indo ao passado buscar a razão das coisas que tenho vindo a dizer:

 

No nº 110, de 18 de Março de 1869, no jornal elvense, Democracia Pacífica, alguém que não assinou, referindo-se à obra que acabara de ser publicada, comentou que, João Dubraz (passo a citar):

(...) escreveu de Campo Maior o que de outras terras igualmente importantes se deveria escrever, para que um dia possamos apresentar uma história política do Portugal moderno, sem inveja dos demais países.

Em conclusão: o livro do Sr. Dubraz é um grande serviço e, ao passo que merece registar-se na história contemporânea, deve, aquele livro, ocupar um lugar distinto nas estantes dos estudiosos.

Felicitamos o Sr. Dubraz pela importância do seu trabalho, pelos conhecimentos históricos de que dispõe e pelo modo como os expôs. (Fim de citação)

 

Este sim é, de facto, um grande elogio que jamais poderia ser feito aos que desprezaram João Dubraz enquanto vivia.

Estas palavras foram escritas há 148 anos, em Elvas, cidade em que, nesse tempo, viviam dois notáveis vultos culturais:

Vitorino de Almada (1845-1899) e António Thomaz Pires (1850-1913).

Já escrevi que considero escandaloso que o nome de um deles não tivesse sido dado à Biblioteca Pública de Elvas, tanto mais que Thomaz Pires foi um dos seus primeiros directores.

Mas isso, não são contas do meu rosário. Não sou elevense. Sou campomaiorense. Por isso, a minha opinião não conta, nesta questão.

A mim, basta-me que, com todo o direito, eu possa sentir um grande orgulho por termos em Campo Maior uma Biblioteca Municipal João Dubraz.

E subscrevi essa homenagem, com perfeita consciência da importância daquilo que afirmo: Muitas terras deste país, incluindo a maioria das cidades e das mais importantes vilas, muito apreciariam poderem dispor - para historiarem o seu passado - de obras com o valor histórico e cultural da obra deixada por João Dubraz.

Comecei com perguntas, acabo com outra pergunta:

ORA, ASSIM SENDO, PORQUE É QUE, ESTE AUTOR E A SUA OBRA, ESTÃO TÃO ESQUECIDOS?

Poderia responder dizendo que não respondo, por falta de tempo. Mas, não estaria a dizer a verdade. A verdade é que não sei responder a esta questão, embora admita que possam existir muitas respostas.

Mas, eu prefiro dizer que, aqui estou para deixar um recado e apelar ao vosso interesse e ao vosso amor à nossa “terra-mãe” – mesmo que esta “mátria”, às vezes mais nos pareça uma madrasta - para que leiam a obra que herdámos deste nosso conterrâneo que tanto estimou e tão bem serviu Campo Maior.

Garanto-vos que terão muitas surpresas e que sentirão muito orgulho por adquirirem algum saber sobre coisas tão notáveis que se passaram neste canto tão extremo de Portugal que mais parece querer entrar pela Espanha adentro, situado como está na fronteira leste da “pátria portuguesa”, ou seja, o país onde nascemos, a terra dos nossos antepassados, o povo e a cultura a que pertencemos.

Sei que, com esta prelecção, vos ocupei um tempo que, a alguns, terá parecido muito longo para, afinal, tão pouco ter dito que fosse ao encontro dos seus interesses. Mas eu, que nestas coisas da nossa história, facilmente me entusiasmo, tinha apenas como objectivo, despertar, em alguns dos presentes, o interesse e a vontade de lerem a obra de João Dubraz para melhor conhecerem Campo Maior.

Creiam que ficaria muito feliz se tivesse atingido esse objectivo.

 

 

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 12:12
Sexta-feira, 15 de Setembro de 2017

 

 NECESSIDADES URGENTES HÁ 152 ANOS

 

“Há muitos anos que sou o propugnador de todos os melhoramentos do correio de Campo Maior.

Quando tínhamos as carreiras antediluvianas de três dias por semana, pedi pela imprensa que se fizesse uma modificação racionalíssima, que adiantava algumas horas a recepção do correio e facilitava a resposta na volta do mesmo.

Consegui o meu objectivo.

Mais tarde reclamei o correio diário como progresso que devia caber-nos …foi difícil mas afinal a razão triunfou.

Depois tratei de demonstrar que em Campo Maior não devia haver uma simples delegação do correio de Elvas… e a primitiva delegação foi elevada à categoria de direcção…

Venho hoje pedir um novo melhoramento. É que haja em Campo Maior um carteiro… um indispensável complemento do correio.

(J. Dubraz, In, A Voz do Alemtejo, Elvas, Nº 448, Dom. 11 de Junho  de 1865)

 

Carta ao Sr. Director Geral dos correios

 

  Em Campo Maior já não há correio diário, porque o homem que chega todos os dias a cavalo, pelas 11 horas e 50 minutos, conduzindo as malas, é raro o dia que traz a de Lisboa, devido ao mau serviço dos caminhos de ferro.

Campo Maior está actualmente sofrendo bastante com as horas de chegada e partida do correio. Pois chegando o condutor das malas ao meio-dia e partindo 45 minutos depois, não é possível, na maioria dos casos, responder-se às cartas no mesmo dia, o que é de grande desvantagem para o comércio e mesmo para a correspondência particular… Para o condutor chegar ao meio dia, tem necessariamente de sair de Elvas às nove horas. Ora sucede muitas vezes não ter chegado ainda a mala de Lisboa…

Tudo isto se evitaria se o condutor das malas saísse de Elvas ao meio-dia para chegar a Campo Maior às 3 horas e saísse no dia seguinte às 6 horas para chegar a Elvas às 9 horas… a tempo do comboio que sai às 10 horas da manhã.

(In, A Voz do Alemtejo, Elvas, Nº 468, 19 de Setembro de 1865)

 

No mesmo jornal, nº 470 de 28 de Setembro de 1865, noticiava-se:

Dificuldades com o horário das malas de correio em Campo Maior.

Há necessidade de estabelecimento de uma estação telegráfica em Campo Maior.

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:07
Segunda-feira, 11 de Setembro de 2017

Afirma com energia o disparate que quiseres, e acabarás por encontrar quem acredite em ti.

Vergílio Ferreira (1916-1996)

 

 

Esta afirmação foi escrita para chamar a atenção para uma realidade que não tem parado de crescer. De facto, há cada vez mais quem esteja sempre disposto a afirmar-se e a procurar atingir o que deseja e que melhor sirva o seu interesse, sem olhar aos meios a que recorre para o conseguir. E há também sempre muitos outros dispostos a acreditarem nos disparates que lhes impingem por mais absurdos que eles sejam. Assim vão as coisas neste tempo em que o disparate campeia e em que dominam os que já nem sabem em que consiste dizer a verdade.

 

Tantos e tão poderosos são os oportunistas, tantos são os tolos que os apoiam, que os homens de carácter quase têm de viver dissimulados numa espécie de clandestinidade.

 

Que tempos estes que nos coube viver! Que estranhos costumes se vão instalando neste nosso tempo!

 



publicado por Francisco Galego às 00:03
Sexta-feira, 08 de Setembro de 2017

 

 ALGUMAS QUESTÕES SOBRE A “NEUROEDUCAÇÃO” ....

 

Questões respondidas por Francisco Mora, autor do livro - Neuroeducación. Solo se puede aprender aquello que se ama.

 

Pergunta. Porque é tão importante levar em conta as descobertas da neuroeducação para transformar a forma de aprender?

Resposta. No contexto internacional sente-se muito  a necessidade  de ancorar em algo sólido o que até agora são apenas opiniões, e esse interesse  dá-se especialmente entre os professores.

O que a neuroeducação faz é transferir a informação de como o cérebro funciona, para melhorar os processos de aprendizagem. Por exemplo, saber quais os estímulos que despertam a atenção que, em seguida, dará lugar à emoção. Pois que, sem esses dois factores, nenhuma aprendizagem ocorre.

O cérebro humano não mudou nos últimos 15.000 anos. Assim, poderíamos ter uma criança do Paleolitico  numa escola e o professor nem se apercebiria disso. A educação  mudou pouco nos últimos 200 anos, mas já temos algumas evidências de que é urgente fazer essa transformação e que devemos redesenhar a forma de ensinar. Sabemos que para um aluno prestar atenção na aula não basta exigir que ele esteja atento.

Pergunta: Quais são as certezas que já podem ser aplicadas?

Resposta: Uma delas é a idade em que se deve aprender a ler. Sabemos hoje que, os circuitos neurais,  para transformarem de grafema em fonema, codificando o que você lê e o que você diz, não fazem conexões sinápticas (relações de contacto entre os dendritos das células nervosas) antes dos seis anos. Ora, se os circuitos que permitirão aprender a ler não estão formados, poder-se-á ensinar forçando com imposições ou castigos, ou seja, com maior ou menor sacrifício.Mas não de forma natural.

Se uma criança começa com seis anos, em pouquíssimo tempo aprenderá. Porém, se começar com quatro, talvez consiga, mas só com enorme sacrificio. Nós, porém, tendemos a rejeitar tudo o que é doloroso. E, por isso, rejeitamos. Mas, em contrapartida, tentamos repetir aquilo que é prazeiroso.

Pergunta: Quais são as principais mudanças que o sistema de ensino actual deve sofrer?

Resposta: Hoje, estamos a começar a saber que ninguém pode aprender qualquer coisa se não estiver motivado. É necessário despertar a curiosidade, que é o mecanismo cerebral capaz de detectar o que é  diferente, no contexto da monotonia diária. Presta-se atenção àquilo que se destaca. Estudos recentes mostram que a aquisição de conhecimentos utiliza os mesmos substratos neuronais que a busca de água, de alimentos e de sexo. Ou seja, o que é prazeiroso. Por isso, torna-se necessário despertar uma emoção no aluno, pois esta  é a mais importante base, pois nela se apoiam os processos da aprendizagem e da memória. As emoções servem para guardar e recordar de uma forma mais eficaz, os conhecimentos adquiridos.

Pergunta: Quais estratégias  pode o professor usar para despertar essa curiosidade?

Resposta: Deve começar a aula recorrendo a algum elemento provocador: uma frase ou uma imagem que sejam impressionantes, para assim romper o esquema e  sair da monotonia. Sabemos que para um aluno prestar atenção na aula, não basta exigir que ele o faça. A atenção deve ser evocada com mecanismos que a psicologia e a neurociência estão começando a desvendar. Métodos associados à recompensa, e não à punição. Desde que somos mamíferos, há mais de 200 milhões de anos, a emoção é aquilo que nos move. Os elementos desconhecidos que nos surpreendem, são aqueles que abrem a janela da atenção, que é imprescindível para a aprendizagem.

A neuroeducação não é como o método Montessori. Não existe uma regra que possa ser aplicada. Ainda não é uma disciplina académica com um corpo ordenado de conhecimentos. Precisamos de tempo para continuarmos a pesquisar porque, o que  hoje conhecemos em profundidade sobre o cérebro, não é totalmente aplicável no dia-a-dia na sala de aula. Por isso, muitos cientistas dizem que é muito cedo para levar a neurociência às escolas, primeiro porque os professores não entendem do que se lhes está a falar, e segundo, porque não há ainda literatura científica suficiente para afirmar em que idades é melhor aprender, quais os conteúdos e como. Há apenas flashes de luz.

Estamos a começar a perceber, por exemplo, que a atenção não pode ser mantida durante 50 minutos, por isso é preciso romper o formato atual das aulas. Mais vale assistir 50 aulas de 10 minutos do que 10 aulas de 50 minutos. Na prática, uma vez que esses formatos não serão alterados em breve, os professores devem, a cada 15 minutos, quebrar com um elemento disruptor: um facto interessante, uma pergunta, um vídeo que refira um assunto diferente... Há algumas semanas, a Universidade de Havard,  encarregou-me de criar um MOOC (na sigla em inglês é um curso online aberto e massivo) sobre Neurociência. Terei de concentrar tudo em 10 minutos para que os alunos absorvam 100% do conteúdo. É nesta linha que irão as coisas no futuro.

Há muita confusão e erros de interpretação dos factos científicos a que chamamos de "neuro-mitos". Um dos mais generalizados é que utilizamos apenas 10% da capacidade do cérebro. Ainda se vendem programas de computador baseados nisso e as pessoas acreditam que poderão aumentar suas capacidades e inteligência para além de suas próprias limitações. Nada pode substituir o lento e difícil processo do trabalho e da disciplina quando se trata de aumentar as capacidades intelectuais. Além disso, o cérebro utiliza todos os seus recursos de cada vez que se depara com a resolução de problemas, com processos de aprendizagem ou de dados ou casos existentes na memória.

Outro "neuro-mito" é o que fala do cérebro direito e esquerdo e que as crianças deveriam ser classificadas em função de qual dos dois cérebros é mais desenvolvido nelas. Ao analisar as funções de ambos os hemisférios em laboratório, constatou-se que o hemisfério direito é o criador e o esquerdo é o analítico – o da linguagem e da matemática. Extrapolou-se a ideia de que há crianças com predominância de cérebros direitos ou esquerdos e criou-se o equívoco, o mito, de que há dois cérebros que trabalham de forma independente, e que se tal separação não for feita na hora de ensinar as crianças, isso irá prejudicá-las. Essa dicotomia não existe, a transferência de informações entre os dois hemisférios é constante. Se temos talentos mais próximos da matemática ou do desenho, isso não se refere aos hemisférios, mas à produção conjunta de ambos.

Há um movimento muito interessante que é o da neuroarquitetura, que visa construir escolas com espaços e formas inovadoras que giram bem-estar enquanto se aprende. A Academia de Neurociências para o Estudo da Arquitectura, nos Estados Unidos, reuniu arquitetos e neurocientistas para conceberem novas maneiras de construir novos edifícios nos quais, embora seja importante o desenho arquitetónico, sejam tomadas em consideração, a luz, bem como a temperatura e o ruído, que tanto afectam o rendimento mental.

A missão do professor é muito interessante, porque trabalha com gente. As escolas têm que trabalhar as suas realidades com projectos inovadores que encontrem uma solução para toda as problemáticas que  envolvem a escola. Ao redor das escolas há todo um espaço, um laboratório a céu aberto, que as nossas escolas não costumam usar para desenvolverem o seu trabalho.

O professor inovador é aquele que procura ser um aprendiz, trabalhando conjuntamente com os seus alunos,  compartilhando informações e que tem a preocupação de diversificar os seus métodos de ensino. E, a esse respeito, os alunos podem dar um grande contributo, pois têm acesso às novas tecnologias, pesquisam com grande frequência e, por isso,  poderão transformar-se nos principais protagonistas da transformação no processo da educação. Perguntem aos alunos como eles gostariam de aprender e terão garndes surpresas.

Porque, se a educação vai mal, a culpa não é do aluno, é do professor, se não souber usar a criatividade para que os seus alunos assimilem os conteúdos. Essa é a premissa que norteia o projecto de Valter Menezes, professor de Ciências da rede municipal de Parintins, no Amazonas que, há 22 anos, dá aulas na escola Luiz Gonzaga, na comunidade rural de Santo Antônio do Rio Tracajá. e que afirma: "Se um professor reprova cinco alunos, então são seis os reprovados, contando com ele mesmo, porque os não soube ensinar".



publicado por Francisco Galego às 18:29
Segunda-feira, 04 de Setembro de 2017

 

 SOBRE A “NEUROEDUCAÇÃO"

 

A neuroeducação, disciplina que estuda como o cérebro aprende, está dinamitando as metodologias tradicionais de ensino. A sua principal contribuição é que o cérebro precisa se emocionar para aprender e, de alguns anos para cá, não existe ideia inovadora considerada válida que não contenha esse princípio. No entanto, uma das maiores referências em Espanha, nesse campo, o doutor em Medicina, Francisco Mora, recomenda cautela e adverte que, na neuroeducação, ainda há mais perguntas do que respostas.

Mora, autor do livro "Neuroeducación. Solo se puede aprender aquello que se ama" (Neuroeducação. Só se pode aprender aquilo que se ama), que já atingiu a marca de onze edições desde 2013, também é doutor em neurociência pela Universidade de Oxford. Começou  interessar-se pelo assunto em 2010, quando participou no primeiro Congresso Mundial de Neuroeducação realizado no Peru.

Mora argumenta que a educação pode ser transformada para tornar a aprendizagem mais eficaz, por exemplo, reduzindo o tempo das aulas para menos de 50 minutos para que os alunos sejam capazes de manter a atenção. O também professor de Fisiologia Humana da Universidade Complutense, alerta que na educação ainda são consideradas válidas concepções equivocas sobre o cérebro, o que ele chama de "neuro-mitos". Além disso, Mora está também ligado ao Departamento de Fisiologia Molecular e Biofísica da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos.

 



publicado por Francisco Galego às 12:13
Sexta-feira, 01 de Setembro de 2017

Todos os projectos são concebidos e realizados segundo objectivos previamente determinados e com vista a configurarem-se por parâmetros previamente definidos.

 

Nos textos aqui publicados o objectivo preponderante foi o de provocar um pensamenton dialogante e continuado entre quem escreve e  quem os vai ler.

 

Concebido no espaço da comunidade campomaiorense, natural se torna que tenda, com alguma insistência, a centrar-se em coisas que digam, de algum modo, respeito ou se concentrem em questões ligadas a esta comunidade.

 

Porém, como cada texto parte sempre da iniciativa de quem, em monólogo que pretende ser diálogo, determina os conteúdos e os temas, é também natural que tenda a incidir sobre o  pensamento de quem os escreve.

 

Por crença fundamental, de quem os escreve, é assumido o compromisso de  que as opiniões dos que possam intervir, serão respeitadas, desde que assumam esse mesmo compromisso.

 

À partida, está tacitamente definido que este não é um espaço de troca de cumprimentos, amabilidades ou outros gestos  de convívio social que também têm cabimento nesta forma de comunicação social, mas em projectos com outros objectivos.

 

Por isso, não seria espectável que suscitasse  uma elevada participação. Mas, até agora, tem surpreendido que, consoante os temas e as circunstâncias, as participações tenham variado entre um mínimo de 100 e um máximo de 600 leitores, nos textos até agora aqui publicados. A expectativa era, à partida, muito abaixo dos números referidos.  

 

Será quase excusado dizer que, quem escreve para publicar, o faz essencialmente por gosto. Logo, deixará de o fazer,  quando esse gosto se desvaneça. Daí decorre que este “monólogo dialogante” continuará enquanto isso não acontecer, ou outras circunstâncias o não impossibilitarem.



publicado por Francisco Galego às 00:01
Quarta-feira, 30 de Agosto de 2017

 

 

 Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

1-

 

Muitas vezes, uma carreia faz-se pela persecussão de um plano delineado para atingir os fins em vista, geralmente recorrendo a processos de cálculo, de conspiração e de sedução, mesmo que isso implique o prejuizo de outros. Da persistência numa carreia, poderão resultar vantagens como a fama, o lucro, ou a obtenção de cargos que favoreçam a ascensão social.

 

 2-

 

Mas, só o trabalho entendido como missão, com tranquila consciência do dever cumprido, dedicação constante com vista à realização dos objectivos traçados, poderá conferir prestígio, e consideração.

 

3 -

 

Viver para sobreviver, não é o mesmo que sobreviver para viver. Sim, porque há os que já não vivem, mas ainda sobrevivem. E há os que, mesmo sabendo que não têm já muito tempo para sobreviver, não desistem de continuar a viver.



publicado por Francisco Galego às 00:02
Domingo, 27 de Agosto de 2017

 Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

Não te ocupes apenas em parecer.

Porque,enquanto pareceres aquilo que não és, empobreces muito aquilo que pretendes ser.

Decerto modo, o carácter mede-se pela diferença entre o que de facto se é e o que, não sendo, se tenta parecer.

Nesta medição, o ser conta muito mais do que o parecer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 08:47
Sexta-feira, 25 de Agosto de 2017

Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

Se encontrares alguém mais honrado

ou mais competente do que tu,

não o invejes,

imita-o.

 

Porque, se o atacas,

amesquinhas-te.

Se o tentas denegrir,

empobreces-te.

 

Mesmo que te julgues

capaz de o vencer,

sairás vencido.

 

Porque assim destruirás

aquele que consideraste

estar acima de ti

por dispor de maior competência.



publicado por Francisco Galego às 00:08
Terça-feira, 22 de Agosto de 2017

 Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

Não te canses a tentar atingir

o que não podes alcançar.


Se persistes em ter o que não podes,

não preparas o sucesso,

mas o desespero.


Sê exigente contigo mesmo.

Age com rigor, dentro das tuas capacidades,

de acordo com o que as circunstâncias te permitem realizar.



publicado por Francisco Galego às 00:07
Sábado, 19 de Agosto de 2017

Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

É por tão poucos terem muito,

e serem tantos os que nada têm,

que o mundo é um lugar tão inseguro.


Não é apenas por bondade

que deves evitar o desespero

que acompanha sempre a miséria extrema.


É, para garantia do teu bem-estar

e para maior segurança dos teus próprios bens.



publicado por Francisco Galego às 00:06
Terça-feira, 15 de Agosto de 2017

Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

Os maus agem de má fé apenas por ignorância, porque desconhecem quão efémeras são as vantagens que resultam da sua acção dolosa.


Agir bem, não para obter vantagem, mas para se poder viver de tranquila consciência, é prova de sabedoria e de bom senso.


Não esperes nenhuma recompensa pela rectidão do teu modo de agir. Tu és a única medida da justeza dos teus actos. Dos outros podes esperar prémios ou castigos, mas não a consciência plena do valor das coisas que fizeste.

 



publicado por Francisco Galego às 00:05
Sábado, 12 de Agosto de 2017

Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

Todas as pessoas concebem, ao longo da sua vida, um ideal de felicidade.

Mas a felicidade, como estado permanente, não existe. Existem apenas momentos felizes.

 

É, por não conceberem claramente isto, que muitos se atormentam na busca de uma vida feliz, sem darem valor aos melhores momentos que estão a viver.

 

Claro que o destino dos seres humanos é não apenas viver, mas procurar viver bem.

Mas, para isso, é preciso aceitar que o bem viver absoluto não se pode alcançar.



publicado por Francisco Galego às 11:48
Quinta-feira, 10 de Agosto de 2017

Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

O prazer foge-nos mais do que o vento.

Acaba sem nunca saciar.

Quanto mais se alcança, mais se deseja.

Por isso, a virtude e o bem-estar, estão mais na moderação do que na insistência de o procurar.

Só conservando o espirito sereno podemos agir com liberdade, com racionalidade e representar dignamente o papel que nos cabe dentro das circunstâncias que determinam o nosso viver.



publicado por Francisco Galego às 00:03
Segunda-feira, 07 de Agosto de 2017

Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

A ignorância, em si, não é defeito, nem falta de virtude.

É apenas um défice de saber sobre algumas coisas.

Defeito e falta de virtude é a arrogância de impôr a nossa razão, sem ter um verdadeiro conhecimento sobre qualquer questão.

 

 

Maior defeito que a ignorância é a prepotência, o deseprezo dos que, não sabendo, impôem a sua vontade e o seu poder, silenciando os que possuem um maior conhecimento. Porque, então a ignorância torna-se tirania.

Os tiranos são os que ignoram, ou não tomam em consideração, a capacidade e a competência dos que estão acima deles porque possuem sobre as coisas um maior e um melhor conhecimento.

A melhor forma de agir com sabedoria é proceder com sã, justa e recta consciência e respeito pelos outros.

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:06
Sábado, 05 de Agosto de 2017

Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência.

 

Não é por não saberes que fazes figura de tolo.

Tolice seria fingires um saber que não possuis.

Não podes ter saber sobre todas as coisas.

Mas podes alcançar uma atitude muito sábia, sabendo aceitar as tuas limitações.

 

Se pretendes atingir a sabedoria, procura saber um pouco acerca de quase tudo; ou saber quase tudo acerca de muito pouco.

Porque existem duas formas de atingir o conhecimento:

 

- Uma possibilita um saber enciclopédico, geral, mas pouco profundo;

 

- A outra conduz a um saber especializado e completo, porque muito focado sobre determinados problemas. 

 



publicado por Francisco Galego às 00:05
Quinta-feira, 03 de Agosto de 2017

Pensei retribuir um a um, os amáveis cumprimentos.

Naturalmente, percebi que me iria repetir...

Por isso, aceitem as minhas desculpas, e  o meu reconhecimento, expresso assim, a todos os que me quiseram manifestar o seu afecto e atenção, em mais um passo dado no meu caminhar, nesta viagem que é a nossa vida. OBRIGADO A TODOS.

Permitam que recorde os amáveis versos que sei de cor desde menino:

 

      Dia de Anos

Com que então caiu na asneira

De fazer na terça-feira

Setenta e seis anos! Que tolo!

Ainda se os desfizesse…

Mas fazê-los não parece

De quem tem muito miolo!

 

Não sei quem foi que me disse

Que fez a mesma tolice

Aqui o ano passado…

Agora o que vem, aposto,

Como lhe tomou o gosto,

Que faz o mesmo? Coitado!

 

Não faça tal; porque os anos

Que nos trazem? Desenganos

Que fazem a gente velho:

Faça outra coisa; que em suma

Não fazer coisa nenhuma,

Também lhe não aconselho.

 

Mas anos, não caia nessa!

Olhe que a gente começa

Às vezes por brincadeira,

Mas depois se se habitua,

Já não tem vontade sua,

E fá-los, queira ou não queira!

 

 

Com a devida vénia ao poema

 de JOÃO DE DEUS

 



publicado por Francisco Galego às 00:04
Terça-feira, 01 de Agosto de 2017

Sossega, meu coração!

Sim, é hoje o dia.

Mas para quê

Tanta aflição?

 


Eu já não faço anos.
Limito-me a durar.

Somando  anos, meses,

E os dias a passar.


Sou velho

Porque assim tem de ser.

E sinto-me com sorte,

Por assim acontecer.


Não há pesar

Não há mais nada
Nem sinto raiva.

 

Apenas alguma glória

Por tanto passado

Acumulado na memória.

 



publicado por Francisco Galego às 00:10
Sábado, 15 de Julho de 2017

 

 "ESCREVER SEMPRE TAMBÉM CANSA..." (1)

 

FAÇAMOS UMA FÉRIAS.

 

 

É TEMPO DE DESCANSO.

 

 

LÁ PARA AGOSTO, REGRESSAMOS

 

 

SE A VONTADE, AINDA QUISER

 

 

E SE HOUVER CAPACIDADE PARA O FAZER...

 

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(1) Parafraseando o poema de José Gomes Ferreira:

 

 

Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo..."

 

José Gomes Ferreira: Poesia – I (1948)



publicado por Francisco Galego às 00:03
Terça-feira, 11 de Julho de 2017

No jornal  EXPRESSO de 27/2/2016 li este título de que tomei nota. Reencontrei-o e, analisando-o face ao que desde então foi acontecendo, achei que ele tinha sido muito premonitório. Pensando bem, não era difícil prever que assim viesse a acontecer porque o próprio Cavaco se aniquilou, afastando-se, colocando-se a tal distância e produzindo tais afirmações que se foi transformando em motivo continuado de indiferença, de contestações e de anedotas, algumas delas bem degradantes da instituição presidencial.

O meu espanto na altura, era que esta pergunta tivesse sido escrita num jornal em que, nesse tempo, jornalistas adoptavam inconsistentes e militantes posições, sem cuidarem de que tal estratégia os diminuia como profissionais, cuja função deveria ser a de informarem e eclarecerem com seriedade, de forma isenta e com objectividade os seus leitores.

Henrique Monteiro era o paradigma desse género de jornalismo. Foi ele que escreveu com intencional ironia: “Marcelo, Presidente Paizinho?”. Este título apontava para aí. A prosa começava mansamente e com algum acerto. Mas, a certa altura, resvalava para o seu empenhado desejo de que o novo presidente se aproximasse da sua concepção institucional-autoritária do que devia ser a acção do novo Presidente da República, aconselhando Marcelo a contornar dois obstáculos: o primeiro é tentar não ser uma espécie de paizinho de todos, alguém a quem se recorre nas aflições e que está sempre disposto a tudo conciliar, perdoar e esquecer; o segundo é, afirmando as suas convicções, não permitir (como Cavaco permitiu...) que o seu cargo e a sua pessoa sejam desrespeitados ou mesmo enxovalhados. E termina afirmando que para isto:  “Vai precisar de coragem”.

É este não permitindo que revela a base ideológica que está subjacente a esta prosa. Porque o que, noutra prespectiva, devia estar seria: “Não agindo de forma a que o seu cargo e a sua pessoa sejam desrespeitados ou mesmo enxovalhados.”

Agora que está bem demonstrada a forma e os efeitos da maneira como Marcelo Rebelo de Sousa entende e exerce a sua acção como presidente, verificamos que seria mais adequado que Henrique Monteiro tivesse escrito: “Vai precisar de manter a isenção e a dignidade, para preservar o elevado prestígio que é próprio do exercício da função presidencial”. Claro que, assim, estaríamos no domínio de uma  concepção do exercício da função presidencial baseada  na democraticidade, na ética republicana e no civismo que devem coexistir no mútuo relacionamento de confiança, de consideração e de respeito, entre o PR  e os cidadãos que o elegeram. Porque, de uma maneira mais simples e mais directa, como dizia um antigo dito popular: Quem não sabe dar-se ao respeito, não merece ser respeitado.



publicado por Francisco Galego às 08:55
Sábado, 08 de Julho de 2017

O meu sentimento vai-se inclinado cada vez mais para a percepção de que estamos a viver tempos difíceis, tão difíceis e complexos, quanto parece certo que não estão a ser usadas as soluções mais adequadas para os resolver.

Contudo, recuso qualquer afirmação, tão niveladora quanto injusta, de considerar que os políticos são todos iguais. A política é, em si mesma, uma acção de grande importância para a resolução dos problemas sociais. E, não apenas hoje, mas em todos os tempos, houve os que a entenderam como um caminho para melhor se servirem e os que a ela se dedicaram como forma de prestarem um serviço público orientado para o bem das comunidades em que se sentem integrados.

Em democracia, a entrega dessa missão a uns ou a outros, depende apenas da nossa vontade. Depende de tomarmos uma atitude de indiferença ou de assumirmos a nossa obrigação como cidadãos.

A impreparação de alguns dos actuais improvisados políticos e as suas fragilidades culturais, geram um modo de fazer política que podemos apropriadamente designar por populismo anti-elitista. Para melhor chegarem ao apoio das camadas menos preparadas da população, arvoram-se em paladinos defensores dos pobres e declarados inimigos das elites, enquanto tudo fazem para garantirem para si e para os seus, todos os benefícios dessas elites a que tanto aspiram pertencer e que tanto apregoam repudiar.

Que fazer perante a trágica situação de termos uma população tão impreparada, tão facilmente manipulável por estes inescrupulosos oportunistas?

Persistir na denúncia constante destas situações, lutar pelo aprofundamento de uma cultura democrática e de uma maior participação cívica dos cidadãos, prosseguir no esforço de dar um novo alento à sociedade fazendo emergir novos líderes capazes de elaborar e pôr em execução projectos que garantam novas soluções políticas que melhorem as condições de vida das populações.

Temos de voltar aos valores éticos que tornem de novo a política uma arte e uma ciência ao serviço da sociedade e não a habilidade astuta dos que só pensam em beneficiar-se, mediante negociatas escusas, tráficos de influências e práticas de corrupção. Os homens de verdade e de boa vontade, devem juntar esforços para pôr fim a estas situações abusivas que estão a tornar cada vez mais insuportável esta nossa forma de viver.

Necessitamos de políticas direccionadas para o desenvolvimento económico, para  garantia da segurança e da estabilidade social, através de maiores e melhores oportunidades para as novas gerações, pois nelas assenta a possibilidade de sustentação das gerações mais idosas que deixam de estar em condições de participarem na produção, para que possam viver de reformas que lhes propiciem uma aceitável qualidade de vida na sua velhice. Só com políticos sérios, honestos e competentes, homens e mulheres de sólido carácter, poderemos ter soluções adequadas para os problemas que hoje se deparam às comunidades locais.



publicado por Francisco Galego às 00:05
Quarta-feira, 05 de Julho de 2017

 As acentuadas deficiências estruturais que as comunidades mais problemáticas e mais carentes de recursos apresentam, tornam particularmente difícil promover o seu desenvolvimento. Para criar os projectos e desenvolver os processos que levem à sua transformação, são necessários os recursos humanos que concebam e programem as soluções mais adequadas, mais eficazes e que melhor garantam processos rápidos e seguros para acudir às carências mais prementes.

Ora, um dos aspectos mais determinantes do seu desenvolvimento é, sem dúvida, o nível cultural das populações. Por isso, a disponibilidade, a vontade, a apetência e o interesse pelas questões culturais, é inversamente proporcional ao nível cultural que essas comunidades possuem.

Poderiamos, muito a propósito, lembrar aqui a frase de Almeida Garrett (1789-1854), referindo-se a uma manifestação que era um instrumento cultural muito importante no seu tempo:

O teatro é um grande meio de civilização, mas não prospera onde a não há. Não têm procura os seus produtos enquanto o gosto não forma os seus hábitos e com eles o sentimento de necessidade.

Dito de outro modo: quase nunca aquilo de que as pessoas mais necessitam, é aquilo que elas mais gostariam que lhes seja  propiciado.

Este é o dilema com que se confrontam todos os que se dedicam à educação, à politica, e a outras missões de carácter eminentemente social.

Por isso, alguns dos que se dedicam a essas missões, não com o objectivo de bem servirem, mas no fito de obterem vantagens, com grande proveito e com pouco esforço, optam por propiciar o que é mais desejado.

Contudo, a solução mais justa e mais honesta, talvez seja a de, remando contra a maré, criar e promover o gosto por aquilo que é efectivamente mais necessário.

Há os que contrapõem que esta atitude é completamente utópica, ou mesmo destituida de qualquer sentido da realidade das coisas. Que é inútil gastar tempo, recursos e esforços a tentar propiciar maiores oportunidades aos que não têm qualquer apetência para questões culturais. Porque, quem nem sequer sabe pensar, não tem paciência para aturar pensamentos e paleios que nem consegue entender. Ou seja, como dizem o que assim pensam, não merece a pena porque eles são demasiado estúpidos para aproveitarem aquilo que por eles se tente fazer.

Os que assim pensam, fazem uma inversão dos valores em causa. Porque, pensando que “nem vale a pena tentar, porque eles nem sabem o que isso é”, ou que, “não são suficientemente inteligentes para entender o benefício que isso lhes poderia trazer”, são de facto eles que dão prova da sua fraca clarividência intelectual e cultural, ao manifestarem a impossibilidade de perceberem que, quando o nível cultural médio sobe, tendem também a subir os índices de produtividade e de segurança, garantindo-se assim melhores condições de vida e de mais conforto para todos os elementos  que integram uma comunidade.

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:05
Domingo, 02 de Julho de 2017

Não há muito tempo, fui consultado sobre a interpretação a dar ao que está escrito numa placa colocada numa parede do “Arco da Praça”.

Não era a primeira vez que isto acontecia. Ainda eu estava no activo e a viver fora de Campo Maior, fui contactado por um funcionário da Câmara que me convidava a participar no descerramento de uma réplica dessa placa que ia ser afixada no interior do edifício, porque ela assinalava o ano da construção dos actuais Paços do Concelho.  

Não pude evitar disser-lhe o que, provavelmente, muitos a quem ele tinha mostrado a mesma peça, por boa educação, tinham calado. Mas, eu como campomaiorense, sentia-me obrigado a esclarecê-lo, de que, aquela placa, não podia indicar a data de construção daquele edifício. Bastava comparar a traça do mesmo e a data inscrita. E que, insistir naquela afirmação, era não respeitar a verdade que, lendo o que nela estava escrito, se tornava evidente.

Não sabendo que eu, sendo muito complacente, não aceitava ser cúmplice, disse-me que contava comigo para manter a versão, pois que, além de dar mais prestígio, era a que justificava a reprodução e colocação da placa que já estava programada. E, assim foi feito, embora essa versão não fosse verdadeira.

NOTA: Segundo a referida placa, o edifício da câmara estaria concluído em 1618, reinava então em Portugal, Filipe III de Espanha, rei de Portugal entre 1598 e 1621.  Ora, a construção do actual edifício foi concretizada no tempo em que governava Campo Maior, Estêvão da Gama de Moura e Azevedo (meados do Séc. XVIII), como atesta a data gravada no pelourinho (1740) que está no centro da “Praça Nova”, hoje chamada Praça da República. Portanto, com grande probabilidade, aquela placa pertencia ao edifício que fora reconstruido em meados do séc. XVII (reinado de D. João IV), na chamada “Praça Velha” e que serviu de “Paços do Concelho”, até à sua destruição pela explosão da Torre de Menagem, em 1732. A reconstrução da vila foi feita quando reinava em Portugal D. João V (1706-1750). Só então foi construida a "Praça Nova" em que se insere o actual edifício da Câmara, que aliás ficou incompleto, como se verifica olhando para a sua fachada principal. Faltou construir uma segunda escadaria do lado direito de quem  a observa.

 



publicado por Francisco Galego às 09:03
Sexta-feira, 30 de Junho de 2017

No ano de 1935 tomou posse, no dia 6 de Abril, uma nova Comissão Administrativa da Câmara Municipal. Esta era constituída por: Manuel Joaquim Correia, comerciante com loja na rua da Misericórdia - que assumia o lugar de presidente; João Vitorino Muñoz, farmacêutico; dr. Justo Garcia d’Agrela,  Mauro das Dores Alves, João Aguiar Mexia Serra e João Martins Leitão, elementos ligados ao comércio e à agricultura.

Esta nova administração chegou a ter o projecto de realizar as Festas do Povo. Mas, na verdade, elas não se chegaram a efectivar. Temos a sorte de João Ruivo, que em 1929 saíra de Campo Maior, estar nesta altura em funções de tesoureiro da Fazenda Pública, na cidade de Estremoz. Aí começara a colaborar no jornal local, Brados do Alentejo, onde ia publicando as notícias que lhe chegavam da sua terra natal. Por isso, este jornal constitui uma fonte importante sobre o que, nessa época, se ia passando em Campo Maior.

Como se pode constatar pela série de notícias que a seguir se transcrevem, parecia haver vontade da parte das autoridades municipais e boas condições para que as festas se tivessem realizado. Contudo, elas não se fizeram e não possuímos dados para compreender porque isso aconteceu. Será que, nessa época, as Festas só se faziam se o povo se dispusesse a realizá-las?

 

Brados do Alentejo, Estremoz, 16 de Junho de 1935

                                      Festas do Povo

 

   Diz-se que as sumptuosas festas em honra de S. João Baptista, Padroeiro desta vila, vão ser realizadas pela Câmara Municipal que, para maior brilhantismo, serão contratadas três bandas de música havendo também números novos de festas que devem causar sensação.

 

                                   Festas de S. João

   Para os festejos de S. João nos próximos dias 23 e 24 do corrente vão ser contratadas as bandas de Caçadores 8 e a União Campomaiorense. Os números do programa constam de festa de igreja, procissão, arraiais, bailes e descantes populares e bem assim venda de bolos e fogaças como nos anos anteriores.

 

Brados do Alentejo, Estremoz, 30 de Junho de 1935

                               Festas de S. João Baptista

 

   Durante os dias 23 e 24 do corrente realizou-se na Avenida Dr. Agrela a costumada “feira dos burros” que esteve muito concorrida de burros e compradores beirões (os Ratinhos). Havia também algumas barracas que fizeram bom negócio. Os arraiais de S. Joãozinho (extra-muros), estiveram animadíssimos, agradando muito a banda de Caçadores 8.

 

 

 

 

 

 



publicado por Francisco Galego às 09:09
Quarta-feira, 28 de Junho de 2017

“A um kilómetro ao Sul desta vila está situada a ermida de S. João Baptista,( lugar designado como o São Joãozinho), onde os campomaiorenses costumam fazer anualmente um arraial em homenagem ao santo protector da vila e dos seus habitantes.

É tradição que S. João aparecera nas figueiras que estavam junto à fonte e à ermida que ali foi edificada, em recordação desse milagre.

Como a ermida fosse muito mesquinha e o local destinado para o arraial não tivesse a capacidade necessária para a numerosa concorrência que afluia, determinaram fazer outra ermida e arranjar o terreno de maneira a que os pares dançantes pudessem executar as variadas mudanças do predilecto fandango e o redemoinhar da frenética valsa, sem incomodarem, nem serem incomodados pelos espectadores.

Ainda que não esteja concluída, a nova ermida foi consagrada no dia 22 de Junho e, em seguida a esta solenidade, cantou-se uma missa de instrumental a que assistiu parte da Filarmónica Recreativa.

No dia 23 realizou-se o arraial, que esteve esplêndido, tanto pela numerosa concorrência como pela boa ordem que reinou durante o mesmo. A Filarmónica Barcelinhos (1) assistiu a esta festividade.

(In, A Voz do Alemtejo, nº 521 de 8 de Julho de 1866, texto de José António Félix dos Santos.)

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(1) A filarmónica designava-se de "Barcelinhos" porque fora criada e era sustentada pelo Barão de Barcelinhos, que era o maior proprietário do concelho e que depois foi distinguido com o título de Visconde de Ouguela.

OUTRAS NOTAS:

ESTA NOTÍCIA INFORMA-NOS QUE, A "NOVA ERMIDA" DE SÃO JOÃOZINHO, FOI CONSAGRADA NO DIA 22 DE JUNHO DE 1866. PORTANTO, HÁ  151 ANOS. ANTES APENAS EXISTIRIA A "PEQUENA ERMIDA", JUNTO À FONTE.

 

O AUTOR DO TEXTO, DR. JOSÉ ANTÓNIO FÉLIX DOS SANTOS, ERA NATURAL DE CAMPO MAIOR. FIXOU-SE EM ELVAS ONDE EXERCEU A ADVOCACIA E ONDE ERA MUITO CONSIDERADO. SEU PAI, QUE SEGUIRA A CARREIRA MILITAR DESTACANDO-SE NO SERVIÇO PRESTADO EM MOÇAMBIQUE,  MORRERA NUM ACIDENTE COM ARMA DE FOGO, POUCO DEPOIS DELE TER NASCIDO. SUA MÃE VOLTOU A CASAR, COM JOÃO DUBRAZ, GRANDE AMIGO DO FALECIDO E QUE SEMPRE CUIDOU DO SEU ENTEADO COMO DE UM VERDADEIRO FILHO.

 

 



publicado por Francisco Galego às 11:59

“A um kilómetro ao Sul desta vila está situada a ermida de S. João Baptista,( lugar designado como o São Joãozinho), onde os campomaiorenses costumam fazer anualmente um arraial em homenagem ao santo protector da vila e dos seus habitantes.

É tradição que S. João aparecera nas figueiras que estavam junto à fonte e à ermida que ali foi edificada, em recordação desse milagre.

Como a ermida fosse muito mesquinha e o local destinado para o arraial não tivesse a capacidade necessária para a numerosa concorrência que afluia, determinaram fazer outra ermida e arranjar o terreno de maneira a que os pares dançantes pudessem executar as variadas mudanças do predilecto fandango e o redemoinhar da frenética valsa, sem incomodarem, nem serem incomodados pelos espectadores.

Ainda que não esteja concluída, a nova ermida foi consagrada no dia 22 de Junho e, em seguida a esta solenidade, cantou-se uma missa de instrumental a que assistiu parte da Filarmónica Recreativa.

No dia 23 realizou-se o arraial, que esteve esplêndido, tanto pela numerosa concorrência como pela boa ordem que reinou durante o mesmo. A Filarmónica Barcelinhos (1) assistiu a esta festividade.

(In, A Voz do Alemtejo, nº 521 de 8 de Julho de 1866, texto de José António Félix dos Santos.)

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(1) A filarmónica designava-se de "Barcelinhos" porque fora criada e era sustentada pelo Barão de Barcelinhos, que era o maior proprietário do concelho e que depois foi distinguido com o título de Visconde de Ouguela.

OUTRAS NOTAS:

ESTA NOTÍCIA INFORMA-NOS QUE, A "NOVA ERMIDA" DE SÃO JOÃOZINHO, FOI CONSAGRADA NO DIA 22 DE JUNHO DE 1866. PORTANTO, HÁ  151 ANOS. ANTES APENAS EXISTIRIA A "PEQUENA ERMIDA", JUNTO À FONTE.

 

O AUTOR DO TEXTO, DR. JOSÉ ANTÓNIO FÉLIX DOS SANTOS, ERA NATURAL DE CAMPO MAIOR. FIXOU-SE EM ELVAS ONDE EXERCEU A ADVOCACIA E ONDE ERA MUITO CONSIDERADO. SEU PAI, QUE SEGUIRA A CARREIRA MILITAR DESTACANDO-SE NO SERVIÇO PRESTADO EM MOÇAMBIQUE,  MORRERA NUM ACIDENTE COM ARMA DE FOGO, POUCO DEPOIS DELE TER NASCIDO. SUA MÃE VOLTOU A CASAR, COM JOÃO DUBRAZ, GRANDE AMIGO DO FALECIDO E QUE SEMPRE CUIDOU DO SEU ENTEADO COMO DE UM VERDADEIRO FILHO.

 

 



publicado por Francisco Galego às 00:04
Domingo, 25 de Junho de 2017

Na língua portuguesa, torna-se por vezes difícil entender qual a razão porque são designados pela mesma palavra, coisas e conceitos tão diferentes. É o que acontece com a palavra cultura. Além dos casos extremos em que se aplica a actividades de carácter agrícola, acontece noutros, tão próximos, que se torna inevitável que se estabeleça certa confusão.

A palavra cultura tanto se aplica à criatividade humana que se expressa através de manifestações como a dança, a música, a escrita e outras englobadas no conceito geral de “artes”, destinadas a expressar mensagens, sentimentos, emoções e pensamentos, como a manifestações deste tipo que têm apenas como objectivo o entretenimento do público a que se destinam e que dificilmente poderão ser incluidas no verdadeiro conceito de cultura.  O perigo desta confusão é muito frequente, havendo mesmo quem considere que não existe diferença nenhuma.    

Esse perigo nunca o pressenti nos espectáculos a que tenho podido assistir neste centro cultural em que gente envolvida em projectos culturais consegue, não apenas entreter-me, mas propor-me mensagens que me emocionam, situações que apelam ao meu dever de solidariedade, pensamentos que enriquecem o meu entendimento, opções que despertam a minha consciência, emoções que avivam a minha sensibilidade.

Foi tudo isso que, mais uma vez, me foi propiciado pelo Curso de Dança Contemporânea do Projecto de Formação do Município de Campo Maior. Os meus parabéns a toda a equipa que realizou este “milagre”, em território tão pouco habituado a certos “manjares”. Permitam que realce o papel de Maria Lama por mais esta etapa da sua própria “Viagem” que não sendo de perigos, é de esforço persistente e bem direccionado segundo objectivos traçados com clara intenção  e finalidade. Mais uma etapa vencida com emérita qualidade. 



publicado por Francisco Galego às 08:21
Terça-feira, 20 de Junho de 2017

 

 

Reinava então em Portugal o rei D. Manuel I e remonta a esse tempo a seguinte narrativa:

 

            Campo Maior era então uma povoação bastante pequena, com nove ruas dentro do castelo e mais algumas do lado de fora das muralhas.  

            Como acontecia com alguma frequência, declarou-se na vila, como noutras terras do reino, incluindo Lisboa, uma grande epidemia de peste que provocava elevado número de mortes.(1)

            Nas terras pequenas, onde havia poucos recursos para acudir, a situação era ainda mais aflitiva. As poucas condições de higiene e a deficiente alimentação, bem como os poucos cuidados de higiene,  faziam que, qualquer doença contagiosa se propagasse rapidamente, atacando sobretudo as crianças e os velhos que eram os menos resistentes.

            Em geral, pensava-se que as pestes eram um castigo divino. Por isso, faziam-se missas, rezava-se e implorava-se, tentando, por todos os meios, alcançar a graça divina que parasse o flagelo que tantas mortes causava.

            Vendo que o ar estava empestado pela epidemia e que as suas preces não eram atendidas, os moradores procederam do modo que era usado em tais circunstâncias: resolveram sair da vila, escolheram um lugar no meio dos campos e aí construíram casas muito singelas, a que davam o nome de choças. Ainda hoje esse lugar é chamado pelos campomaiorenses como sendo o lugar das Choças.

            Aí permaneciam, havia já algum tempo, com medo de serem apanhados pela peste se voltassem às suas casas na vila.

           Porém, um certo dia, no ano de 1520, um homem chamado Gonçalo Rodrigues que andava a trabalhar na sua horta, sentindo-se cansado, sentou-se à sombra duma figueira a descansar. De repente, ter-lhe-á aparecido uma figura rodeada de uma grande luz. Assustado, o bom homem terá exclamado: “Quem sois vós senhor? Que luz é esta que não parece ser coisa deste mundo?” Ao que, numa voz forte e calma, a figura terá respondido: “Não temas Gonçalo! Eu sou João Baptista. Não vês como está o teu povo? Vai dizer à tua gente que podem voltar às suas casas. Os vossos sacrifícios e sofrimentos despertaram a compaixão de Deus, Nosso Senhor. Não haverá mais peste. Mas, em memória da graça que por Deus vos foi concedida, quero que façam na vossa terra uma igreja em meu nome e devoção”.

            O bom do Gonçalo nem queria acreditar no que lhe tinha acontecido. Foi logo ter com a sua gente e contou-lhes a extraordinária aparição que tivera. Desde logo, todos decidiram fazer uma igreja em honra de São João Baptista e uma pequena ermida para assinalar o local em que tal milagre tinha acontecido. Ficou como tradição do povo de Campo Maior que se manteve ao longo do tempo, a realização anual de uma romaria a esse local, no dia consagrado a S. João. 

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(1)" (...) De vez em quando terríveis, epidemias de peste assolavam o território, determinando a mudança da côrte para lugares não contagiados. No reinado de D. Manuel foram quatro as arremetidas: em 1502, 1506, 1513 e 1521." (História de Portugal; Volume III; Edição Monumental da Portucalense Editora; Porto)



publicado por Francisco Galego às 00:03
Aqui se transcrevem textos, documentos e notícias que se referem à vida em Campo Maior ao longo dos tempos
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